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Como identificar bezerros desidratados

POR JOSÉ ROBERTO PERES

PRODUÇÃO DE LEITE

EM 01/11/2001

3 MIN DE LEITURA

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A diarréia neonatal é uma grande fonte de prejuízos nas fazendas leiteiras, sendo a principal causa de morte de bezerros de leite e corte. A perda econômica não é proveniente unicamente das mortes que provoca, mas também, dos custos de medicação e trabalho adicional para tratamento dos animais doentes. Um dos principais objetivos do tratamento é corrigir a desidratação através da administração oral de soluções de eletrólitos ou fluidos intravenosos.

A desidratação em bezerros é acompanhada de grande diminuição do volume de fluido extra celular e pequeno aumento no volume de fluido intracelular. Durante a diarréia, há perdas crescentes de sódio, potássio, cloro e bicarbonato, com conjunta diminuição na concentração de sódio no plasma sangüíneo, resultando em baixa pressão osmótica do fluido extra celular (plasma e tecido intersticial). A baixa pressão osmótica extra celular faz com que a água livre se movimente do exterior para o interior da célula, aumentando assim seu volume. Como esta perda de água é do espaço extra celular, a estimativa clínica do volume de fluido extra celular é um método valioso, freqüentemente utilizado para orientar a fluidoterapia em bezerros com diarréia.

O tratamento de bezerros desidratados requer rápida reposição dos fluidos em deficiência e fornecimento de fluido adicional para as perdas que se sigam. Um importante determinante do sucesso do tratamento é portanto a correta determinação da deficiência de fluidos. Isto é normalmente feito pela avaliação de cada bezerro. Esta avaliação pode envolver a observação da posição do olho na órbita, flexibilidade da pele, umidade e cor das membranas mucosas, tempo de enchimento dos capilares, avaliação serial do hematócrito, hemoglobina, e concentração de proteína no plasma, determinação da pressão venosa central média e acompanhamento da temperatura das extremidades. Estes fatores refletem o volume dos fluidos do plasma e/ou interstícios. Um decréscimo no volume intersticial é indicado pela retração do globo ocular dentro da órbita, menor flexibilidade da pele (aumento no tempo de retorno da pele após esta ser puxada) e membranas mucosas secas.

Avaliações empíricas têm sido largamente usadas para avaliar a desidratação em bezerros; todavia, dados experimentais para confirmar a precisão destes métodos não são disponíveis. Em função disso, 15 bezerros machos tiveram a diarréia induzida por agentes diuréticos e solução de sacarose e foram utilizados num experimento para avaliar a eficiência dos diferentes métodos de avaliação do grau de desidratação, determinado pela mudança (perda) de peso corporal. A administração dos diuréticos e da sacarose resultaram em diarréia aquosa profusa, desidratação moderada e perda de peso média de 3,9 kg, equivalente a 10% do peso vivo inicial, em 24 horas. Às 48 horas, a perda média em peso foi de 5,4 kg, correspondente a 14% de desidratação. Neste ponto, os bezerros apresentaram evidências clínicas de desidratação severa.

Segundo os resultados desta avaliação, o melhor método para prever o grau de desidratação foi a extensão da recessão do globo ocular dentro da órbita. Este método já é amplamente utilizado com esta finalidade. Uma vez que a posição do globo na órbita ocular é dependente do teor de gordura corporal, além da desidratação, e a desidratação neste estudo foi aguda, e não crônica, a posição do olho pode não ser um indicador preciso da desidratação em bezerros com diarréia crônica. Recomenda-se portanto que, em bezerros com diarréia crônica, a flexibilidade da pele seja utilizada como indicador.

A flexibilidade da pele normalmente é avaliada pelo tempo de retorno da pele na pálpebra ou na região lateral do pescoço, após esta ter sido estendida. Os resultados deste estudo sugerem que a avaliação da flexibilidade da pele na pálpebra é menos precisa que na região do pescoço ou no tórax. A flexibilidade da pele reflete as propriedades elásticas da pele e tecidos subcutâneos e é, portanto, dependente do volume intersticial e da gordura nestes tecidos, local do corpo, posição do animal (p. ex. em pé ou deitado) e idade, sendo que animais mais velhos têm menor flexibilidade como resultado do decréscimo natural da elasticidade dos tecidos.

Como recomendação básica, os pesquisadores recomendam que fluidos sejam administrados de forma intravenosa em bezerros desidratados cujos olhos estejam recolhidos mais que 4 mm na órbita ocular ou o tempo de retorno da pele do pescoço seja maior que 6 segundos, após sua extensão. Se o bezerro estiver menos desidratado que isto, a administração de volumes adequados de eletrólitos de forma oral deve ser suficiente para corrigir a desidratação, não sendo necessária a administração intravenosa.

Comentário MilkPoint: embora estes métodos já sejam largamente conhecidos e utilizados, nem todos têm parâmetros mais precisos (numéricos) que permitam a decisão sobre qual método de reposição de fluidos utilizar. Estes valores devem auxiliar.

Fonte: Constable, P.D., P.G. Walker e D.E. Morin. Assessing the Severity of Dehydration in Calves With Diarrhea. Illinois DairyNet.

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