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Como escolher o melhor genótipo para a produção de leite?

POR MARIANA ALENCAR PEREIRA

E MARA REGINA BUENO DE MATTOS NASCIMENTO

PRODUÇÃO DE LEITE

EM 10/11/2014

3 MIN DE LEITURA

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A pecuária leiteira no Brasil cada vez mais está sofrendo mudanças devido às exigências de inovações tecnológicas para o aumento da produtividade e consequentemente da grande demanda de alimentos.

Em termos de processos inovadores, a alimentação e manejo dos animais tem se destacado, mas ainda falta conscientização por parte dos produtores no quesito de escolha do melhor genótipo para o ambiente produtivo.

Quando pensamos no ambiente deve se lembrar de alguns quesitos que anualmente condicionam a produtividade de uma propriedade como: temperatura, umidade relativa do ar, níveis de pluviosidade, em fim, todos os elementos climáticos, os quais podem alterar parâmetros fisiológicos indicando assim se o animal está fora da zona de conforto térmico.

Cada agrupamento racial apresenta em seus conjuntos de genes fatores condicionais para o conforto térmico. As raças taurinas europeias, por exemplo, apresentam uma zona térmica ideal, amplamente conhecida e pesquisada. Essas raças são originarias da zona de clima temperado, a qual é caracterizada por temperaturas amenas e níveis de umidade confortáveis. Portanto, quando criada na região de origem esses grupos genéticos conseguem expressar seu potencial produtivo máximo.

Ao contrario da zona temperada tem-se a zona tropical caracterizada pelas altas temperaturas e umidade do ar, quase que na totalidade do ano. Neste clima as raças zebuínas foram se estabelecendo pela considerável adaptabilidade térmica, diferentemente das raças europeias. O zebu apresenta mecanismos fisiológicos específicos em dissipar calor para o ambiente, consequentemente boa adaptabilidade térmica ao ambiente tropical. Entretanto, as raças europeias que exigem temperaturas mais amenas não conseguem expressar seu potencial genético quando são exploradas na zona tropical, pois sua zona de conforto térmico não é obtida.

Pensando nestes dois agrupamentos genéticos, taurinos e zebuínos, bem em como se ter um ganho elevado na produtividade para a produção de leite, o Brasil país de clima tropical, vem produzindo em larga escala animais oriundos da heterose destes dois agrupamentos. O maior efetivo deste cruzamento é entre a raça Gir com o Holandês, o qual se caracterizou com o passar dos anos como Girolando e hoje possui uma associação própria que regulamenta este cruzamento e suas diversas composições genéticas.

Os controles das composições genéticas dos animais Girolando, são realizados mediante aos graus de introdução da genética zebuína ou holandesa, como o ½, ¼, ¾ e o bi-mestiço podem condicionar maior ou menor grau de adaptabilidade térmica ao ambiente tropical devido às próprias características das raças bases deste cruzamento.

Por isto ao escolher qual a composição genética dos animais Girolando, o produtor deve observar se o clima de sua propriedade oferece condições para que estes animais demonstrem seu potencial produtivo. Caso contrário, pode ocorrer oneração financeira mediante ao investimento de ambientes climatizados, por os animais não estarem na zona de conforto térmico.

No trabalho dos pesquisadores LIMA et al. (2013), o qual foi desenvolvido em uma propriedade com um clima bem característico, região do Paudalho, no Estado de Pernambuco, o acompanhamento das respostas fisiológicas ao calor bem como os dados meteorológicos indicaram que o composição genética ½ tem melhor adaptabilidade a altas temperaturas quando comparado ao ¾ e o bi-mestiço.
Um exemplo da necessidade de intervir no ambiente térmico para melhor produção é o estudo de ALMEIDA et al. (2011). Estes autores trabalharam com animais de composição 7/8 Girolando, os quais indicam que 7/8 seriam oriundos da raça Holandesa e o restante da raça Gir. Este estudo foi realizado na época do verão em uma região semiárida e os autores verificaram que os animais que recebiam resfriamento pelo sistema adiabático evaporativo, apresentaram melhor desempenho produtivo em relação aos que não recebiam.

Este sistema é caracterizado pela evaporação da agua através da passagem do fluxo de ar, provocando redução na temperatura ambiental. Nos casos em que produtor deverá intervir na adequação do ambiente térmico é quando a composição genética dos animais tiver maior proporção de raça europeia, por isto não adaptada ao clima tropical e necessitando desta melhoria térmica no ambiente de produção.

Conclui-se que o criador deve caracterizar bem o clima de sua propriedade e optar por matrizes leiteiras com a composição genética que mais se adapta as estas condições climáticas.

Textos pesquisados:

LIMA, I. A; AZEVEDO, M.; BORGES, C. R. A.; FERREIRA, M. A.; GUIM, A.; ALMEIDA, G. L.P. Termoregulação de vacas Girolando durante o verão no Estado de Pernambuco, Brasil. Acta Scientiarum. Animal Sciences Maringá, v. 35, n.2, p.193-199, Apr-June, 2013.

ALMEIDA, G. L. P.; PANDORFI, H.; GUISELINI, C.; HENRIQUE, H. M.; ALMEIDA, G. A.P. Uso do sistema de resfriamento adiabático evaporativo no conforto térmico de vacas girolando. Revista Brasileira Engenharia Agrícola e Ambiental, v.15, n.7, p.754–760, 2011.
 

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MARIANA ALENCAR PEREIRA

MARA REGINA BUENO DE MATTOS NASCIMENTO

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MÁRCIO DA SILVA PEREIRA

SANTO ANDRÉ - SÃO PAULO - ESTUDANTE

EM 14/11/2014

Muito bom o assunto. Ainda mais pra nós, estudantes.
ANTONIO MUNIZ FILHO

ROLIM DE MOURA - RONDÔNIA - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 11/11/2014

PARABENS PELA EXPOSIÇÃO DO ASSUNTO, NOTA 10
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