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Caroço de algodão e resíduo de cervejaria como substitutos de forragens

POR JOSÉ ROBERTO PERES

PRODUÇÃO DE LEITE

EM 16/08/2002

4 MIN DE LEITURA

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O gado leiteiro precisa de forragens fibrosas para estimular a ruminação, garantindo o bom funcionamento do rúmen e a completa digestão dos alimentos sem que ocorram distúrbios digestivos e o leite possa ter uma composição normal.

O teor de fibra das forragens é normalmente medido através de seu teor de FDN (fibra detergente ácido). Para garantir a ingestão de quantidade suficiente de fibra, a recomendação é que pelo menos 30% da matéria seca da dieta seja composta de forragens com fibras longas. Um parâmetro numérico normalmente seguido para se garantir a presença destas fibras longas prega que a dieta de vacas de leite deve conter de 25 a 28% de FDN, dos quais 75% (cerca de 19 a 21% da FDN da dieta) devem ser oriundos de forragens. Esta capacidade das fibras longas de estimular a ruminação é denominada "efetividade".

Alguns subprodutos fibrosos também possuem esta capacidade, que normalmente é medida em relação ao estímulo de ruminação provocado pela ingestão de alfafa. O caroço de algodão é um ótimo exemplo. Quando comparado com alfafa picada de forma grosseira (média de 11,4 mm), ele teve 50% da capacidade de estimulação da alfafa. Quando comparado com alfafa picada de forma mais fina (média de 5,8 mm), ele teve 124% da capacidade da alfafa em estimular a ruminação. Vários trabalhos já demonstraram a "efetividade" da fibra do caroço de algodão. Acredita-se que o "enchimento" provocado pelo caroço de algodão acaba diminuindo a taxa de passagem dos alimentos pelo rúmen, o que estimula a ruminação.

Outro subproduto que possui alguma "efetividade" de fibra é o resíduo de cervejaria. Neste caso, estudos diferentes têm apontado valores distintos de "fibra efetiva" para a "cevada".

Nesta época do ano, quando há escassez de forragens, muitos produtores recorrem a estes subprodutos para suplementação do gado. Em muitos casos as quantidades utilizadas são bastante elevadas, havendo grande (às vezes total) substituição dos volumosos, acreditando-se que a fibra destes alimentos substitui as forragens. Esta substituição total é errônea, mas existem estudos que indicam que uma substituição parcial é perfeitamente possível, sem prejuízo ao desempenho e saúde dos animais. É o que demonstrou um trabalho publicado recentemente.

Na oitava e nona semana de lactação, 60 vacas holandesas receberam uma ração completa única. Da semana 10 a 25 elas passaram a receber aplicações quinzenais de BST e foram divididas entre as diversas dietas testadas. Não houve interação entre os tratamentos e o tempo de experimento.

Foram testados dois tipos de caroço de algodão, um com línter (fibra) e outro no qual o línter foi encoberto por uma camada de amido (para diminuir seu volume), além do resíduo de cervejaria úmido em três níveis de inclusão na matéria seca da dieta. Em todos os casos estes subprodutos entraram em substituição à parte da fibra (FDN) das forragens (silagem de milho e de alfafa), partindo dos cerca de 21% de FDN de forragem da recomendação padrão até que se alcançasse cerca de 15% (de forma crescente no caso do resíduo de cervejaria).

Todas as dietas foram balanceadas para conter 18% de proteína bruta (61% degradável no rúmen). Casca de soja e milho foram utilizados para ajustar os níveis de carboidratos não estruturais das dietas. As dietas e o desempenho dos animais podem ser vistos na tabela 1.

A inclusão do resíduo de cervejaria promoveu aumento crescente no consumo de matéria seca da dieta, tanto em relação ao controle quanto às dietas com caroço de algodão, o que parece ter compensado perfeitamente a menor concentração energética das dietas com resíduo de cervejaria. O desempenho dos animais, no entanto, não foi diferente entre os tratamentos, o que pode significar uma desvantagem para a "cevada" (maior consumo para uma mesma produção - é preciso avaliar os custos das dietas).

Tabela 1: Composição das dietas e desempenho dos animais
 


a - efeito linear do resíduo de cervejaria em relação à dieta com alta forragem (P<0,01)
b- efeito do resíduo de cervejaria x caroço de algodão (P<0,01)
c - efeito do caroço de algodão com línter x caroço de algodão encoberto com amido

Já as dietas com caroço de algodão em substituição à forragem apresentaram nível semelhante de consumo e desempenho em relação ao controle. Somente a dieta com caroço encoberto por amido ocasionou diminuição no teor de gordura do leite, talvez pela perda parcial da efetividade de sua fibra.

Segundo os autores, este estudo demonstra que é possível realizar a substituição parcial da fibra (FDN) de forragens por subprodutos fibrosos, mas é importante que se observe conjuntamente os níveis de carboidratos não estruturais da dieta, que devem ter seus teores diminuídos com o aumento da participação dos subprodutos, para que se evite o excesso de fermentação ruminal, que poderia conduzir a condições de acidose.

Comentário do autor: a utilização de subprodutos em substituição à parte da forragem, em nosso caso, normalmente conduz a incrementos de produção já que muitas vezes substitui forragens de baixo valor nutritivo. No entanto, é preciso ter em mente que subprodutos fibrosos não são equivalentes às forragens em termos de sua efetividade de fibra e, portanto, a substituição deve ser parcial, tomando-se o cuidado de manter um nível de fibra longa e efetiva suficiente para a manutenção do bom ambiente ruminal e da saúde do animal.

Fonte: Firkins, J.L. et al, 2001. Effectiveness of Whole Cottonseeds and Wet Brewers Grains to Replace Forage in Dairy Rations. Ohio State University Extension Research Bulletin # 182-01.

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FABIO GOMES DE OLIVEIRA

RIO BONITO - RIO DE JANEIRO - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 20/01/2012

CARO JOSE R. PERES


GOSTARIA DE SABER A POSSIBILIDADE DA UTILIZAÇAO DA CEVADA E DO MALTE NA ENGORDA DE SUINOS.


FABIO OLIVEIRA 021 81540591
OLEMAR HUMBERTO DOS REIS

PRESIDENTE EPITÁCIO - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 17/05/2010

Eu estou usando um produto conhecido em nossa regiao como briquete que um subproduto do caroço de algodao. Estou a quantidade de tres quilos diarios por vaca e dois quilos de concentrado 24% por vaca diarios, e começou a apresentar diarreias em algumas vacas. Gostaria de saber o que fazer. Atenciosamente. Urgente, obrigado.
JONES

VERANÓPOLIS - RIO GRANDE DO SUL - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 02/11/2009

Olá, José R. Peres.

Moro na região da Serra Gaúcha, e a fornecemos resíduo de MALTARIA (whisky), onde o grão da cevada já pré-germinado passa por um processo de cozimento, de onde sai o malte e o resíduo de cevada.
Como trabalho com fomento e tanbém formulo dietas, gostaria de ter mais informações sobre o produto.


Desda já, obrigado.
JOSÉ PAVAN NETO

PAULÍNIA - SÃO PAULO - ESTUDANTE

EM 25/03/2008

Caro José Roberto,

Gostaria de saber se é viável a utilização de resíduos de cervejaria (cevada) na alimentação de bovinos de corte em terminação? Quais as limitações de uso?

Obrigado,
José Pavan Neto
DANILO DE OLIVEIRA PONTES

PIRACANJUBA - GOIÁS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 29/09/2006

Caro amigo José Roberto Peres,

Quais seriam as reais limitações de uso do caroço de algodão na dieta de vacas leiteiras de média produção e peso vivo em torno de 500 Kg, utilizando silagem de milho como principal volumoso?

Gostaria também de me informar sobre algumas bibliografias e as limitações de uso de outros subprodutos, como a polpa cítrica, a casca de soja e o farelo de gluten de milho.

Grato,
Danilo de Oliveira Pontes

<b>Resposta do autor:</b>

Caro Danilo,

Em primeiro lugar, fico satisfeito em saber que mesmo após tanto tempo sem escrever, meus artigos ainda têm valor para alguns leitores.

Quanto ao seu questionamento, o caroço de algodão é um excelente alimento para vacas em lactação, contribuindo na dieta com bons teores de fibra para estímulo da ruminação, proteína e energia, oriunda de seu alto teor de óleo (cerca de 20% da matéria seca).

Este último talvez seja o fator mais limitante ao uso do caroço. O óleo em quantidade excessiva prejudica a fermentação no rúmen e pode contribuir para diminuição do teor de gordura do leite. De qualquer forma, é perfeitamente possível (e recomendável) o uso de caroço para vacas em lactação. Só é preciso observar o nível de gordura total da dieta, que não deve ultrapassar 5%.

O ideal seria que você solicitasse a um nutricionista que fizesse essa avaliação, mas se quiser uma recomendação geral, para essas condições que você descreve, eu diria que o uso de até 2kg de caroço por vaca/dia não deve causar qualquer problema (admitindo que não há na dieta nenhum outro alimento rico em gordura).

O caroço deve ser fornecido inteiro (sem moer) para que estimule a ruminação e para que a gordura seja liberada lentamente no rúmen. Cuide também para que o caroço esteja bem seco, para evitar a formação de micotoxinas. Fora isso, só depende de uma avaliação econômica em relação aos demais alimentos disponíveis.

Quanto a maiores informações, sugiro que faça o curso do Agripoint sobre subprodutos na alimentação de Ruminantes, onde terá informações mais detalhadas, de forma prática, sobre esse e outros subprodutos.

Participei da elaboração da primeira versão desse curso e recomendo que o faça. Espero ter ajudado.

Um abraço,

José Roberto Peres
SAVIO SANTIAGO

OUTRO - RIO DE JANEIRO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 04/09/2002

Sou consultor da Cooperativa Agro-Pecuaria Regional de Rio Bonito RJ. Na nossa região, o uso do resíduo de cervejaria já é tido como tradicional entre produtores. Usam de forma constante durante todo o ano, conjugado com outras forragens, misturado em quantidades excessivas de água (geralmente o produto já é entregue com muita água nas propriedades). NÃO recomendamos o uso deste subproduto por vários motivos, entre eles: ocorrência problemas de casco (laminite), ocorrência de problemas reprodutivos em algumas propriedades entre outros. Estamos em processo de melhora no uso deste produto através de secagem ou parando de usar. Temos tido bons resultados com o caroço de algodão.

Gostaria de saber se existem estudos sobre os efeitos do resíduo de cervejaria com grandes quantidades de água no cocho


Resposta de José Roberto Peres: <i><font color="#006666">Caro Sávio:

O resíduo de cervejaria é um ótimo alimento, se ulitilizado de forma correta. Realmente, nos moldes que se costuma utilizá-lo no Brasil, muitas vezes é melhor não incluí-lo na dieta.

Infelizmente desconheço trabalho que tenham testado especificamente este aspecto, mas é fato que o excesso de umidade (especialmente esse "sopão" que se costuma fornecer aos animais) tem vários inconvenientes, a começar pela limitação na ingestão de matéria seca. Falar que o resíduo causa laminite é um pouco genérico demais, mas pode ocorrer, caso ele seja utilizado em excesso, em substituição às forragens, o que é comum, embora errôneo, como comento no artigo.

Também existem indícios de possíveis problemas reprodutivos, mais em função das más condições de conservação e grande tempo de estocagem, que permitem o crescimento de fungos, que podem ter algum efeito estrógeno (toxinas).

Sei que no estado do Rio de Janeiro estão sendo desenvolvidos estudos por pesquisadores da PESAGRO, no sentido de se contornar estes problemas. Talvez você devesse entrar em contato com eles e verificar se já existem informações disponíveis.

Uma forma de conservação empregada em alguns países é a ensilagem, mas para tal o material deve ter pelo menos 25% de matéria seca, o que é difícil de encontrar em nosso meio. Eu já fiz e funcionou. Espero ter ajudado. Continue participando.
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