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Análise socioeconômica da ovinocultura para carne no Estado do Paraná

PRODUÇÃO DE LEITE

EM 16/08/2016

8 MIN DE LEITURA

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Autores do artigo:

Elísio de Camargo Debortoli
- Aluno de Pós-Graduação do Laboratório de Produção e Pesquisa em Ovinos e Caprinos – LAPOC da Universidade Federal do Paraná – UFPR.
Alda Lúcia Gomes Monteiro - Professora da Universidade Federal do Paraná – UFPR e Coordenadora do LAPOC.
Anderson Elias Bianchi - Aluno de Pós-Graduação do Laboratório de Produção e Pesquisa em Ovinos e Caprinos – LAPOC da Universidade Federal do Paraná – UFPR.
Ana Carolina Carvalho Neves - Aluno de Pós-Graduação do Laboratório de Produção e Pesquisa em Ovinos e Caprinos – LAPOC da Universidade Federal do Paraná – UFPR.
Laura Derenevicz Faisca - Aluno de Pós-Graduação do Laboratório de Produção e Pesquisa em Ovinos e Caprinos – LAPOC da Universidade Federal do Paraná – UFPR.

O Laboratório de Produção e Pesquisa em Ovinos e Caprinos (LAPOC) da Universidade Federal do Paraná (UFPR) em parceria com a Comissão Técnica de Caprinocultura e Ovinocultura da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (FAEP), vem desenvolvendo um estudo de caracterização de sistemas de produção de ovinos para carne em cinco das dez mesorregiões do Estado do Paraná, desde o início de 2015. O principal foco do estudo está na identificação dos principais componentes do custo de produção de carne de cordeiro e gargalos técnico-econômicos dos sistemas de produção.

As mesorregiões do Estado do Paraná que participaram do projeto foram: Centro Oriental, Centro Sul, Sudoeste, Oeste e Norte Central. Tais regiões foram escolhidas pela importância da produção de ovinos e pela existência de sistemas formais de organização da produção. Nestas regiões, o projeto conta com o apoio dos Sindicatos Rurais e das Cooperativas que atuam em ovinocultura.

A metodologia do estudo contou com as seguintes etapas: reuniões com os ovinocultores e representantes do setor em cada uma das cinco mesorregiões; definição de cinco propriedades em cada mesorregião para o acompanhamento durante o ciclo de produção 2015; aplicação da metodologia rapid appraisal para definição das propriedades representativas de cada mesorregião; visitas às 25 propriedades e realização de diagnóstico técnico-produtivo; coleta de informações financeiras e de gestão para a determinação do custo de produção de cada propriedade.

No início de 2016, foi realizada nova rodada de coleta de dados referentes ao fluxo de caixa do ciclo de produção do ano de 2015. As propriedades foram escolhidas pelos produtores e representantes/líderes do setor em cada mesorregião, entre as que atuam na produção de carne de cordeiro, ou seja, propriedades que tem como atividade principal a venda de matrizes e reprodutores não fizeram parte da amostragem.

O diagnóstico dos sistemas de produção revelou informações importantes para o setor, tais como: a ovinocultura não é a atividade principal em 96% das propriedades visitadas, ou seja, a produção de ovinos para carne pode ser considerada como mais uma atividade das propriedades que, em combinação principalmente com a agricultura e a bovinocultura de corte, promove a diversificação de atividades e o incremento de renda no campo.

Verificou-se também que o ciclo anual de produção de ovinos, as biotecnologias reprodutivas disponíveis (como por exemplo, a possibilidade de obtenção de três partos em dois anos) e o fato de ser possível basear os sistemas de alimentação dos ovinos em pastagens, ou ainda, aproveitar os co-produtos agrícolas disponíveis na propriedade ou na região, vêm despertando o interesse de um número cada vez maior de produtores para desenvolver a atividade.

Quanto ao tamanho dos rebanhos e expectativas futuras por parte dos ovinocultores, as propriedades visitadas possuem um rebanho médio de 366 cabeças por propriedade. Porém, a análise individual revela grande variabilidade neste aspecto, havendo desde propriedades com menos de 100 animais até propriedades com mais de 1000 ovinos. A Figura 01 demonstra a amplitude da variação existente no tamanho dos rebanhos (linha verde) e a expectativa de expansão por parte dos produtores (linha laranja), ou seja, 92% dos ovinocultores visitados têm expectativa de aumentar sua escala de produção.

Figura 01 - Relação entre rebanho total de ovinos e rebanho pretendido por ovinocultores do Estado do Paraná.

ovinos número propriedades

A assistência técnica é um dos principais diferenciais das propriedades de ovinos em análise. Àqueles que possuem um cronograma de atividades planejadas e desenvolvidas pelos profissionais técnicos, vinculados às Cooperativas de carne ou mesmo profissionais autônomos, destacam-se no controle zootécnico do rebanho, práticas de manejo sanitário e reprodutivo, sinalizando que seu desempenho bioeconômico será mais satisfatório. Neste aspecto, a pesquisa revelou que 60% dos ovinocultores visitados utilizam como rotina de manejo da propriedade, o método FAMACHA® para o controle de verminose de seus rebanhos.

Outro aspecto interessante é a preocupação destes ovinocultores com a sucessão familiar, um assunto emergente no meio rural. O diagnóstico revelou que para 68% dos ovinocultores deste estudo, a sucessão familiar não é um fator limitante para a realização da expansão e investimentos de longo prazo em suas propriedades, pois acreditam que seus processos sucessórios já estão encaminhados.

Das 25 propriedades visitadas, 80% delas possuem sistemas mistos de produção de ovinos, ou seja, pelo menos uma etapa produtiva é realizada em pastagem ou em confinamento. De maneira geral, a terminação dos cordeiros é a etapa realizada em confinamento. Do restante, 12% das propriedades desenvolvem todas as etapas produtivas em pastagem e 8% mantém os ovinos exclusivamente em sistemas confinados.

Quanto ao custo de produção, as dez propriedades com os sistemas de produção mais eficientes, dentre as 25 analisadas no ciclo de produção do ano 2015, apresentaram custo médio de R$ 7,18 do quilo de produto gerador de receita. Apesar do foco ser a produção de carne de cordeiro, as particularidades de cada propriedade, permitem diferentes composições nas receitas. Além de cordeiros para abate, na composição das receitas das propriedades foram identificadas: a venda de cordeiras como matrizes para outros produtores ou a retenção dessas cordeiras no rebanho para o aumento da escala produtiva, a venda de animais de descarte e ainda, em menor participação a venda de lã e de húmus produzido a partir do esterco dos ovinos.

Quanto à composição dos custos operacionais, foi observada maior participação dos itens alimentação, representando cerca de 40%, e mão de obra representando aproximadamente 20%. Barros et al. (2009) identificaram os mesmos itens como os principais componentes dos custos de produção de ovinos em trabalhos desenvolvidos no LAPOC/UFPR – mão de obra (31%) e alimentação (24%), ou seja, naquele estudo, a mão de obra possuía maior participação que a alimentação. Tal inversão pode ser atribuída à combinação de atividades produtivas nas propriedades do estudo de 2015, o que reduz o impacto deste item na composição dos custos. Quanto à alimentação, a maior impacto na composição dos custos no estudo de 2015 pode ser atribuída ao maior uso de alimentos concentrados, especialmente na terminação dos cordeiros, aliado aos elevados preços das commodities agrícolas utilizadas na formulação das dietas concentradas.

Diante do atual cenário econômico nacional, observa-se maior restrição, por parte dos ovinocultores, na realização de investimentos com maior imobilização de capital. E isso não é, de fato, um aspecto totalmente negativo. Em relação às instalações, o diagnóstico dos sistemas de produção identificou que em 60% das propriedades visitadas as instalações para os ovinos são provenientes da adaptação de instalações já existentes nas propriedades, pois com o apoio da assistência técnica, reduz-se consideravelmente a necessidade de investimentos iniciais de maior aporte financeiro. Para estes ovinocultores, investimentos com novas construções dependerão do desempenho do sistema de produção e da evolução do rebanho.

As propriedades que apresentaram os menores custos de produção revelaram como fatores determinantes para esse resultado: o aproveitamento dos insumos disponíveis (instalações pré-existentes, e co-produtos da agricultura na alimentação dos animais), os bons indicadores zootécnicos, o maior volume de produção, o uso de mão de obra familiar ou compartilhada com outras atividades, o rateio de custos fixos com outras atividades da propriedade e a preocupação com o controle zootécnico e gerencial. Tais características permitiram a eficiência no uso dos recursos disponíveis e, consequentemente, melhores resultados. Tais propriedades encaram a ovinocultura como uma atividade econômico-produtiva, e apesar de não ser a principal atividade da propriedade, é sim uma fonte de renda importante, na melhor combinação possível entre seus sistemas de produção.

As propriedades que apresentaram os mais altos custos de produção, tiveram como fatores determinantes para esse resultado: dependência de muitos recursos externos ao sistema, especialmente recursos alimentares; baixas taxas de fertilidade das ovelhas e altas taxas de mortalidade de cordeiros neonatos – esse aspecto está diretamente e fortemente relacionado à alimentação das ovelhas; deficiências no manejo geral, ligados à falta de conhecimento e treinamento da mão de obra; altos valores imobilizados em instalações e equipamentos e, pouca diversificação de atividades, atribuindo custos fixos à ovinocultura que poderiam ser compartilhados com outras atividades, tornando os sistemas mais eficientes.

Analisando o cenário organizacional da produção de ovinos para carne, torna-se evidente que ainda existe uma disparidade na relação oferta e demanda por carne de cordeiro no Brasil e um vasto campo de expansão para este produto, verificado ao se comparar o consumo per capita de carne suína, de frango e bovina com a carne ovina. Há tendência de redução das exportações deste produto, tanto por questões cambiais quanto pela abertura de novos mercados para nossos principais fornecedores. Nesse sentido, o Brasil precisará intensificar a profissionalização da atividade para garantir a expansão necessária.

O Estado do Paraná destaca-se na produção de ovinos para carne no Brasil, pela qualidade do produto ofertado e pela forma organizacional com que a ovinocultura é praticada. As diversas instituições representativas do setor, de ensino, pesquisa e extensão do Estado, que atuam no desenvolvimento da cadeia produtiva da ovinocultura, desempenham papel fundamental na organização desta produção. Dessa maneira, acredita-se que, nos próximos anos, o Estado do Paraná possui todas as condições para tornar-se referência de expansão da ovinocultura para carne no Brasil.

Referências bibliográficas

BARROS, C. S.; MONTEIRO, A. L. G.; POLI, C. H. E. C.; DITTRICH, J. R.; CANZIANI, J. R. F.; FERNANDES, M A. M. Rentabilidade da produção de ovinos de corte em pastagem e em confinamento. Revista Brasileira de Zootecnia, n. 38, p. 2270-2279, 2009.

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