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A saúde do rebanho começa com o controle das onfalopatias - Parte 1

POR RENATA DE OLIVEIRA SOUZA DIAS

PRODUÇÃO DE LEITE

EM 27/06/2002

4 MIN DE LEITURA

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A correta criação de bezerros envolve vários desafios, dentre eles destacam-se o controle de enfermidades como a diarréia, problemas do umbigo, pneumonia, controle dos parasitas, tristezas parasitárias, etc. Velho conhecido de todo retireiro, os problemas associados ao umbigo são um dos mais antigos problemas da criação de bezerros, e, apesar da simplicidade de suas medidas profiláticas, as onfalopatias continuam causando a perda de bezerros e prejuízos no período de cria e recria. Contudo, se as perdas fossem concentradas apenas durante os primeiros meses de vida, esta doença não seria tão lamentável; o pior é que a maioria dos problemas associados ao umbigo irão comprometer a vida produtiva do animal, conforme comentaremos no próximo artigo.

Consciente das perdas e da falta de informações didáticas sobre as onfalopatias, freqüentemente encontradas nos rebanhos bovinos do Brasil, o Prof. Luciano Figueiredo da Universidade Federal da Bahia, publicou um livro sobre o assunto. Neste artigo, relatamos algumas das informações contidas nesta obra.

Antes de abordar as enfermidades associadas ao umbigo é interessante conhecer sua função e a seqüência de fatores que ocorre com esta estrutura após o momento do parto.

Durante a gestação, é o cordão umbilical que liga o feto à placenta, garantindo a chegada de sangue arterial e a saída do sangue venoso. O cordão umbilical é formado por 2 artérias, 1 veia e o úraco; sendo que a veia umbilical dirige-se cranialmente em direção ao fígado, as artérias dirigem-se à região hipogástrica e o úraco em direção à bexiga (Figura 1).

Na ocasião do parto o cordão umbilical se rompe. Neste momento, devido à forte pressão da musculatura abdominal e presença da bainha peritoneal dos vasos, as artérias e o úraco são retraídos para dentro da cavidade, enquanto que a veia fica fixada ao anel umbilical. Geralmente, em partos normais, o segmento exposto do umbigo possui cerca de 10 cm. Entretanto, deve-se destacar que não existe nos bovinos um ponto exato para a ruptura do cordão, fato este que justifica a variação do seu tamanho. Durante os primeiros dias de vida, enquanto o umbigo está exposto às contaminações do ambiente, ele representa a maior e mais importante porta de entrada de microorganismos no neonato.

A atrofia do ducto venoso e arterial, bem como o fechamento do forame oval ocorre poucos dias após o parto O úraco também se retrai, passando sua função a ser desempenhada pela uretra. Entretanto, quando o úraco não se fecha totalmente, pode ocorrer a persistência do mesmo, patologia que ocasiona o aparecimento de gotas de urina na região umbilical.

Nas condições desejáveis, ou seja, quando o parto é normal, a ruptura e as retrações acontecem de forma compatível e as condições higiênicas de manejo e ambientais são boas, o umbigo inicia o processo de secagem da bainha amniótica a partir das 8 horas de vida, a mumificação e queda séptica do umbigo ocorrem dentro de 10 dias. Todavia, em condições desfavoráveis (partos distócicos, ruptura e retração anormal, falhas na desinfecção do umbigo e / ou ambiente contaminado) ocorrem os problemas umbilicais, onde os vasos e seus envoltórios constituem a porta de entrada e o meio de cultura ideal para o desenvolvimento de patógenos que causam as infecções umbilicais.

Existem problemas associados ao umbigo de cunho infeccioso e não infeccioso. As hérnias, os fibromas e as persistências fazem parte dos processos não infecciosos que acometem o umbigo. As hérnias umbilicais são um dos mais comuns defeitos congênitos em bovinos. Mas, não se deve atribuir sua causa somente à genética; o meio ambiente e a presença de alterações infecciosos no umbigo também podem contribuir para sua ocorrência. Dados de pesquisa apontam que as fêmeas são mais predispostas ao problema, com cerca de 77% dos casos. Geralmente, o conteúdo do saco hernial pode conter alças intestinais, peritônio e até mesmo parte do abomaso (Figura 2). Pode-se encontrar hérnias de diferentes graus de severidade: hérnia simples, hérnia acompanhada de abscesso, hérnia acompanhada de infecção no cordão umbilical (na maioria das vezes com aderências) e hérnia fistulada com extravasamento de conteúdo gastro-intestinal. O tratamento das hérnias é a correção cirúrgica realizada por um veterinário.

O Fibroma é uma massa de tecido conjuntivo com consistência fibrosa que surge nos casos onde a cicatrização do umbigo sofreu um processo anormal (traumatismo, uso de produtos não recomendados para a desinfecção do umbigo, ...). O fibroma também deve ser retirado cirurgicamente.

A Persistência do úraco, também conhecida como úraco pérvio, ocasiona um coto umbilical constantemente úmido ou até mesmo o gotejamento de urina no abdômen ventral (e/ou tumefação na área umbilical). A oclusão imprópria do úraco pode ser simples ou pode ser secundária a problemas infecciosos do umbigo. Neste caso, ela pode também envolver o úraco interno, condição que inspira cuidados e pode levar o animal a um quadro de peritonite. O úraco pérvio deve ser corrigido por ligadura ou cauterização.

Dentre os problemas que acometem o umbigo, de cunho infeccioso, pode-se destacar os processos infecciosos extra-abdominais: as onfalites, e os processos infecciosos intra-abdominais que podem ascender para diferentes órgãos, dentre estas onfalopatias pode-se destacar: onfaloflebite, onfaloarterite, uraquite, onfaloarterioflebite, onfalouracoflebite, onfalouracoarterite e panvasculite umbilical. Todas as onfalopatias infecciosos serão abordadas no próximo artigo


Figura 1- Modificações da circulação fetal e pós-parto


Figura 2 - Saco hernial com parte do abomaso


Figura 3 - Bezerro com umbigo comprometido

Fonte:

FIGUEIREDO, L.J.C., Onfalopatias de Bezerros, Salvador: EDUFBA, 1999. 94p.

BAXTER, G.M. Umbilical masses in calves: diagnosis, treatment, and
complications. Compend. Contin. Educ. Prat. Vet. v.11, n.4, p.505-513, 1989.

SHEARER, A.G. Internal navel abscesses in calves. Vet. Rec. v.118, p.480-1, 1986.

RENATA DE OLIVEIRA SOUZA DIAS

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SEVERINO PINTO

ESTUDANTE

EM 17/05/2013

Gostaria de saber quando há aderência do Abomaso no saco herniário, é aconselhável no momento de extirpar o saco , retirar uma porção do Abomaso?
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