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A qualidade da silagem pode melhorar com a terceirização dos serviços

POR RAFAEL CAMARGO DO AMARAL

E THIAGO BERNARDES

PRODUÇÃO DE LEITE

EM 24/04/2007

3 MIN DE LEITURA

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Recentes transformações em nossa agropecuária podem ser observadas. Atualmente os agricultores vendem seus produtos na bolsa de valores, se informam via internet, insumos aplicados ao solo são monitorados por GPS, ou seja, as tecnologias estão chegando até o campo com o objeto de visar melhorias na produtividade e aumento na lucratividade do sistema.

É evidente ao produtor a necessidade de empenhar grandes esforços no planejamento de sua atividade antecipadamente e totalizar seus custos de produção para dessa forma direcionar sua atividade.

Aquisição de produtos e a terceirização de serviços especializados em determinada atividade têm sido uma estratégia utilizada por alguns pecuaristas e saídas para pequenos produtores que não possuem equipamentos necessários a viabilizarem seus produtos. O processo pode ser iniciado na agricultura, com serviços na implantação da lavoura, adubação, manejo da cultura, colheita de grãos e/ou forragens; passando também na produção de volumosos conservados, onde também podem ser embutidos os processos de transporte e compactação da silagem adquirida.

Segundo Pereira & Barros (2004), a terceirização de serviços na produção de forragens conservadas pode ser observada com ênfase na região dos Campos Gerais do Paraná, a qual teve início em meados da década de 90. A necessidade de produtores de leite da região em obter alimento de qualidade para seus animais e a disponibilidade dos agricultores em maquinários e técnicas para o cultivo, convergiu à formação de parcerias, iniciadas ainda de modo informal entre estes, objetivando o crescimento ou a permanência na atividade, qual passava por profundas alterações. Alguns exemplos são ilustrados a seguir:

Para os pequenos produtores de leite havia necessidade de aumento na produção para possibilitar novos investimentos ou mesmo saldar investimentos anteriores; não era possível aquisição de novos equipamentos forrageiros, seja pelo seu alto custo ou pelo pequeno número de horas empregadas durante o ano; era preciso o fornecimento quantitativo e qualitativamente adequado de forragem aos animais, para a contínua e correta produção de leite. Os agricultores almejavam outras fontes de renda, integrando esta atividade em seu planejamento ou mesmo prestando serviço com seu maquinário (redução de custos fixos).

A silagem pode ser obtida sob diferentes formas: o pecuarista pode optar pelo material picado e pelo transporte, mas a armazenagem é feita em silo próprio. Pode fornecer a terra para o plantio e o produtor de alimentos se encarrega da lavoura e do processo de ensilagem.

O exemplo de outros países

Um outro modelo que poderia ser analisado é o sistema de conservação de forragens realizado na Itália. Toda a logística de colheita, enchimento, compactação e fechamento do silo é realizado por um grupo de terceiros. A colhedora utilizada é sempre um modelo automotriz, com capacidade de colheita da ordem de 120-140 toneladas por hora (dependendo do relevo, comprimento do terreno, velocidade dos equipamentos). Esta máquina produz ainda um tamanho de partículas médio que varia de 0,8 a 2,0 cm e presença de um dispositivo para romper os grãos (cultura de milho e sorgo). Desse modo, para encher trincheiras que possuem dimensões entre 500 a 1000 m3 gasta-se em média 1 a 1,5 dias, com densidade média da massa por volta de 650 kg/m3. Se considerarmos que o tamanho de partículas da forragem e o rápido enchimento do silo são pontos fundamentais para o sucesso da fermentação e consequentemente da qualidade do volumoso e que a ruptura dos grãos auxilia na digestibilidade do amido no rúmen quando a silagem é ingerida, compreende-se que o serviço terciário traz benefícios para o processo.

Considerações finais

Dessa maneira o produtor tem a chance de intensificar sua produção, e possui maneabilidade para centralizar investimentos e/ou tecnologias naquilo que realmente é de sua competência e ainda ter melhor rendimento e qualidade em sua lavoura, em seus volumosos, menores investimentos em máquinas e equipamentos e, principalmente, um planejamento mais sistêmico para sua atividade. Os agricultores obtêm renda extra, diluem seus custos fixos (maquinários) e ainda liberam glebas que foram destinadas à produção de silagem (no caso de culturas anuais), podendo antecipar o plantio de culturas de inverno.

Além da parte econômica é importante considerar que onde os modelos de terceirização estão sendo implantados, a qualidade da silagem tem melhorado em vários aspectos (químico, físico, microbiológico), garantindo aumento de consumo do volumoso e incrementos no desempenho animal.

Literatura consultada

PEREIRA, J.R.A.; BARROS, M.S. Custos de produção de silagem e feno e evolução da comercialização de forragens conservadas. In: Simpósio sobre Produção e Utilização de Forragens Conservadas. 2., Maringá, 2004. Anais... Maringá,PR: UEM/CCA/DZO, 2004. p.198-212.

RAFAEL CAMARGO DO AMARAL

Zootecnista pela Unesp/Jaboticabal.
Mestre e Doutor em Ciência Animal e Pastagens pela ESALQ/USP.
Gerente de Nutrição na DeLaval.
www.facebook.com.br/doctorsilage

THIAGO BERNARDES

Professor do Departamento de Zootecnia da Universidade Federal de Lavras (UFLA) - MG.
www.tfbernardes.com

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