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A importância das ovelhas para manutenção das landscape: pode o modelo europeu servir de inspiração para o Brasi?

POR AUGUSTO HAUBER GAMEIRO

E FERNANDA FERREIRA DOS SANTOS

PRODUÇÃO DE LEITE

EM 07/04/2016

5 MIN DE LEITURA

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Os landscapes

Na Europa, pesquisas sobre landscape têm chamado atenção desde o surgimento da European Landscape Convention (Convenção Europeia de Landscape) em 2000, convenção a qual rege tanto os assuntos referentes a gestão quanto as pesquisas na área. Mais recentemente, o tema tem encontrado força também fora da Europa. Contudo, no Brasil, o tema ainda é pouco discutido.

Atualmente, no universo acadêmico há algumas divergências em relação à definição de landscape: (1) na interpretação dos biofísicos diz-se que landscape é puramente um fenômeno natural; (2) na interpretação antropogênica, landscape é vista como a natureza relacionada com artefatos humanos; (3) na interpretação imaterial, landscape é como uma representação cognitiva do espaço; e (4) na interpretação ecológica e social, landscape inclui tanto a parte natural quanto as dimensões culturais.

Agricultural landscapes são definidos pelo resultado visual do manejo e administração da terra, quando se trata do uso da terra pela manutenção animal. Suas ideias dizem respeito a indivíduos ou a um grupo de indivíduos que utilizam esta terra em diferentes maneiras e por vários motivos.

A European Landscape Convention posiciona as landscapes como palco central para o desenvolvimento sustentável. Por definição, landscape é “uma área, percebida pelas pessoas e cujas características são o resultado da ação e interação da natureza e/ou fatores humanos”. É a interface da natureza e da sociedade e expressa a interação entre características do ambiente humano com suas estruturas sociais e ideias. Estudos sobre landscape têm sido defendidos como importantes componentes para a promoção da sustentabilidade, uma vez que é útil para o estudo de interações complexas entre as atividades humanas, estruturas sociais e características físicas relacionadas com a terra.

No Brasil, a landscape tem sido abordada pelo planejamento de reservas naturais, dando maior ênfase a ambientes naturais, à aplicação de conceitos de Ecologia de Paisagem para a conservação da biodiversidade e com o manejo de recursos naturais.

A produção de ovinos

A ovinocultura é uma das atividades que proporciona mais alternativas para a subsistência humana, pois fornece a lã e a pele para o vestuário e a carne e o leite para a alimentação. Os ovinos são espécies altamente eficientes, com excelente conversão alimentar, alta produtividade, ciclo de produção reduzido e facilmente integrado a outras culturas. Possui intenso potencial a ser explorado para a geração de emprego e renda; pode ser explorada nas mais diversas condições climáticas; possui riqueza genética variável, com componentes exóticos e naturalizados diversos, permitindo, assim, o uso sustentável da biodiversidade.

O caso da Europa

Uma das estratégias de produção na Europa é a criação a pasto, o que permite a produção de “produtos naturais”. Esta estratégia surge juntamente com o aumento da preocupação da sociedade por produtos mais seguros e consumo mais saudável, além da preocupação com o ambiente e dos efeitos negativos das criações altamente intensivas sobre este. Outro fator para promoção da criação a pasto está ligado à política de agricultura da Europa para conter o excesso de produção e assegurar a continua utilização de áreas menos produtivas. Esses fatores induziram uma regulamentação mais rígida para incentivar a produção a pasto e a gestão correta de landscapes. Com isso, por lei, áreas de landscape devem ser protegidas, manejadas e utilizadas de forma sustentável. Nessas áreas protegidas de landscape, o principal objetivo é a redução do fluxo de nutrientes no solo e na água. A redução do uso de fertilizantes é uma medida geral de proteção para melhorar a diversidade da fauna e flora. A redução da duração de pastejo também pode ser imposta.

Neste contexto, manejo de landscape deve ser considerado tanto para a manutenção do mesmo quanto para sua modificação. A modificação dessas áreas é vista tanto para promover um manejo ecológico de recursos naturais quanto para o uso da agropecuária sem danificar o meio ambiente. Já a manutenção desses ambientes é cada vez mais aceita como um importante meio de manter o patrimônio cultural e ao mesmo tempo evitar que essas áreas sejam negligenciadas ou evitar o risco de incêndios. Para as áreas de pastagem, o conceito de “extensificação” e redução da utilização tem promovido o uso da produção animal, principalmente a criação de ovinos para serviços de manutenção. A nível federal europeu, a “legislação para o uso de terras” fornece uma base para a produção de ovinos relacionada com as possibilidades do uso da terra.

Todas as raças de ovinos podem ser utilizadas para gestão de landscape, mas é preciso adequar o requerimento nutricional dos ovinos aos nutrientes fornecidos pela pastagem para assegurar uma produção sustentável. Na Alemanha, a produção de ovinos não consegue competir com os outros tipos de criações altamente intensificados, por isso, esta espécie depende dos manejos de landscape e conhecimento sobre pastagem nas áreas sob algum tipo de proteção ambiental. Não somente na Alemanha, mas Grécia, Hungria e outros países do leste europeu também utilizam os ovinos para a manutenção das landscapes.

Conclusão

A Europa pode servir de inspiração para ao Brasil, pelo exemplo de ocupação de áreas naturalmente de produção menos intensiva com a criação de ovinos a pasto, de forma mais sustentável, mantendo assim as landscape habitadas e permitindo a obtenção de retorno econômico, especialmente em regiões mais fragilizadas, negligenciadas ou subutilizadas.

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FERNANDA FERREIRA DOS SANTOS

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ALDA LÚCIA GOMES MONTEIRO

CURITIBA - PARANÁ - PESQUISA/ENSINO

EM 04/06/2016

Fernanda e Augusto, adorei o artigo! Parabéns!!
LUCIANO FERREIRA DOS SANTOS

MIRANTE - BAHIA - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 11/04/2016

Alguém se interessa na compra de produção de ovinos Dorper e caprinos Boer? provenientes de projeto no Semiárido baiano, cadeia toda organizada, animais identificados com todos os acompanhamentos sanitários, zootécnicos, reprodutivo e alimentar, mais de 150 família integradas e 15000 animais cadastrados. 
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