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Sinal de alerta: Brasil e Argentina com política industrial comum no setor de lácteos

POR MARCELLO DE MOURA CAMPOS FILHO

ESPAÇO ABERTO

EM 18/02/2010

3 MIN DE LEITURA

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O Correio Popular, jornal de Campinas, publicou no dia 18/02/2010, a matéria "Brasil e Argentina querem política industrial comum", informando que o assunto é tema de uma série de reuniões que ocorrerão hoje e amanhã, conduzidas pelo presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial, Reginaldo Arcuri, pelo secretário de Comércio Exterior, Welber Barral e por representantes do BNDES, da CAMEX e do Ministério das Relações Exteriores, dando sequência a uma negociação política desenvolvida pelo ministro Miguel Jorge do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior e a ministra argentina de Produção, Debora Giorgi. Nessa negociação, que envolveria setores públicos e privados dos dois países, treze setores estariam incluídos, entre eles o setor de leite e lácteos.

Surpreendido com a notícia, liguei para o Rodrigo Alvim, da CNA e presidente da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva de Leite e Derivados do MAPA, para saber se ele estava a par do que está acontecendo. A notícia foi surpresa para ele também, que ficou de verificar o que está acontecendo.

Existem representantes do MAPA e dos produtores de leite nessas discussões? Aparentemente, não.

É surpreendente que numa questão como essa, que envolve a pecuária de leite, grande geradora de empregos diretos e indiretos no País, o assunto não seja exaustivamente discutido internamente com representantes do MAPA e dos Produtores de Leite antes de ganhar rumo para negociações externas. Principalmente no Brasil, onde depois de décadas como importador significativo de leite para atender as necessidades internas, passar por um efêmero período onde com muito esforço se conseguiu produzir para atender as necessidades do consumo interno e alguns excedentes exportáveis, pelos fatos ocorridos no segundo semestre de 2008 e em 2009 (e que não estão devidamente esclarecidos) o País importou em 2009 o equivalente a cerca de 0,5 bilhão de leite fluído, indicando risco de voltarmos a ser importadores de leite como no passado.

Surpreendente também é que enquanto a ministra da Produção argentina Debora Giorgi está negociando política comum com o ministro Miguel Jorge, temos notícias que o secretário de Leiteria argentino, Arturo Videla, informou aos dirigentes da Mesa Nacional de Produtores de Leite que o Governo da Argentina poderá voltar a intervir no mercado leiteiro, se considerar necessário, para controlar e restringir exportações se os preços do leite em pó ficarem muito tentadores.

Esses fatos devem ser o sinal de alerta para o Governo, o MAPA, a CNA e demais entidades de representação de produtores no Brasil para que se tomem as ações necessárias para evitar que desencontros não prejudiquem a pecuária leiteira nacional, nos jogando de volta ao passado e afetando o desenvolvimento sócio-econômico do Brasil.

E com esse sinal de alerta é preciso que se responda, e que as respostas sejam transparentes e de conhecimento geral, às seguintes perguntas:

Quais são as pessoas do setor público e do setor privado que estão participando dessas negociações?

Qual a razão de não terem sido convocados representantes do MAPA, da CNA e de outras entidades de representação de produtores para discutir o assunto internamente antes de ganhar a discussão com representantes da Argentina?

Os fatos ocorridos no segundo semestre de 2008 e em 2009, e que levaram o Brasil a importar o equivalente a cerca de 0,5 bilhão de leite fluído estão devidamente esclarecidos? Todos têm conhecimento das medidas que devem ser tomadas para evitar a repetição dessa situação em 2010?

Vamos partir para uma discussão interna clara e transparente, envolvendo representantes do MAPA e dos produtores, antes de dar continuidade a uma discussão com a Argentina sobre uma política comum para o setor industrial de lácteos?

As respostas que forem dadas ou omitidas a essas perguntas selarão o futuro da nossa pecuária de leiteira e de como a cadeia produtiva do leite e derivados contribuirá para o desenvolvimento sócio-econômico do Brasil.

MARCELLO DE MOURA CAMPOS FILHO

Membro da Aplec (Associação dos Produtores de Leite do Centro Sul Paulista )
Presidente da Associação dos Técnicos e Produtores de Leite do Estado de São Paulo - Leite São Paulo

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