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Quem coloca o sino no gato?

POR MARIO SÉRGIO ZONI*

ESPAÇO ABERTO

EM 25/02/2010

2 MIN DE LEITURA

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Estamos assistindo novamente o start da montanha russa do preço de leite, fato este confirmado através do artigo de autoria do Marcelo e da Marlizi, "Com produção reduzida, preços iniciam trajetória de alta", e com cartas de alto valor para análise sobre os sintomas que acometem a estrutura de produção e preços do leite no Brasil e mesmo nos países vizinhos.

O problema principal é que estamos sempre tratando dos sintomas e não do fator causal, ou seja, não queremos alterar a verdadeira causa, que é o descontrole da produção leiteira no Brasil e vizinhos.

Como garantir preços que remunerem o produtor com dignidade, em um cenário onde queremos o bônus sem ter o ônus? Como garantir lucratividade em um mercado com pouca ou nenhuma regulamentação de produção? Sim, queremos as benesses do livre mercado, onde cada um é livre para estipular seus limites de produção, ou seja, de montarmos projetos para duplicar, triplicar, quintuplicar a produção com pouca ou nenhuma preocupação sobre como se comportará o mercado. Alteramos toda uma estrutura primária de produção de toda uma região, e capacitamos milhares de novos produtores de leite em substituição aos ineficientes e inadequados ambientalmente produtores de suínos, sem nos preocuparmos se o mercado vai absorver este excesso de produção.

O problema é que o livre mercado ou livre iniciativa ou, em síntese, o capitalismo, é regulado por um simples mecanismo: quando há excesso de produção em relação ao consumo, os preços caem e só sobrevivem os mais eficientes.

Por outro lado existe o mercado com preços controlados com remuneração garantida (caso do Canadá) em que se assegura uma remuneração altamente gratificante, porém com um pequeno problema, o custo de alojamento de uma simples vaca e sua correspondente cota de produção gira em torno de R$ 25.000,00, ou seja, para aumentar 100.000 litros de produção ao ano é necessário investir R$ 250.000,00.

Qual dos mundos queremos? Os dois creio que seja impossível. Crescer o quanto quiser cada produtor e receber preços altamente remuneradores não possui nenhuma matriz econômica que possa sustentar. O que nos resta, visto que por temperamento preferimos a não regulamentação?

Creio que se buscamos um mercado livre, os únicos caminhos que nos restam a trilhar em busca de uma melhor remuneração são o da organização e do marketing institucional. A balança só pode ser alterada favoravelmente para o lado dos produtores se alavancarmos consistentemente o consumo de lácteos e principalmente o de produtos lácteos com alto valor agregado. Para isso precisamos nos estruturar com uma produção de leite com melhor qualidade, com um controle sanitário realmente eficiente, com uma fiscalização de fraudes e descaminhos tributários realmente efetiva, pois toda e qualquer notícia que atinja o produto Leite tem impacto direto no consumidor urbano.

Construir entidades fortes e representativas que possam dialogar pelos produtores, para aí sim estabelecer políticas para fortalecer o marketing institucional do produto Leite, para adequar nosso produto às exigências mundiais de qualidade sanitária e organoléptica é a cada dia mais necessário, pois caso contrário a cada ano vamos requentar o mesmo assunto, que é a inconstância do preço do Leite.

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CLAUDIO WINKLER

CARAMBEÍ - PARANÁ - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 06/03/2010

Montanha russa que poderia também ser chamada de roleta russa, já que, vez ou outra, acaba sempre vitimando alguns, para sempre. Concordo plenamente que, num país como este, organização e união entre produtores, a nível nacional (a única forma que realmente seria eficiente, neste caso, com participação do governo e tudo mais), é utopia. Sistema de cotas, então, muito mais do que isso, totalmente impensável, nem daqui a 100 anos.

Creio que uma das grandes dificuldades para isso seja o fato de que os mais esclarecidos, com maior consciência das forças que regem o setor (e que teriam maior capacidade, principalmente política, de impulsionar eventuais mudanças) sejam justamente os que conseguem hoje sobreviver com maior facilidade. São também os mais eficientes, que muitas vezes crescem rápido, a taxas de 20% ao ano ou até superiores, mesmo sem investimento externo. Obviamente não são estes os responsáveis maiores pelas aberrações sazonais na produção leiteira, já que muitas vezes trabalham perto do limite. Mas são os que mais se beneficiam do status quo, os que conseguem navegar de maneira relativamente mais tranquila pelas ondas do mercado lácteo. Que interesse teriam então em perder tempo correndo atrás de mudanças que muitas vezes beneficiariam muito mais aqueles que hoje não estão tão bem, seus concorrentes, em última análise? Não dá para generalizar, é óbvio, não é minha intenção ofender ninguém. Existe muita gente, especialmente aqui neste fórum, realmente interessada em discutir e encontrar soluções. Mas é inegável que muitos daqueles que teriam que fazer parte da solução, não tem motivação alguma. E não se leia aqui um ataque à moral destes, já que a maioria trabalhou duro para alcançar a zona de conforto em que conseguiu se incluir.

Portanto, infelizmente, não vejo, a curto prazo, solução para nos livrarmos da tal montanha russa. Enquanto nossa média nacional for baixa, enquanto houver enorme facilidade para aumentá-la do dia para a noite, isto vai obviamente persistir. E, lembremo-nos, em 2010 a "supersafra láctea de outono-inverno" tem tudo para ser ainda maior, considerando os baixos preços do milho (leia-se concentrado).
MÁRIO SÉRGIO FERREIRA ZONI

PONTA GROSSA - PARANÁ - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 03/03/2010

Prezado Daniel

As exceções confirmam a regra, de modo geral o que vemos e conheço bem o que falo pois mensalmente vou ao Oeste de SC e acompanho a muitos anos a transformação no Sudoeste do PR, é a transformação de Suinocultores que possuiam instalações inadequadas ambientalmente e que foram excluídos pelas integradoras e que acabaram mudando de atividade pela absoluta necessidade de sobrevivência.
O problema é que a inadequação ambiental que até há pouco não era considerada na Bovinocultura começa a ter grande importância, sendo assim a utilização de áreas com declividade acentuada, a utilização de áreas dentro da reserva legal ou em áreas de nascentes e principalmente a manutenção de estábulos e confinamentos sem o devido manejo de dejetos acabará inviabilizando ou encarecendo a atividade como já ocorreu com a Suinocultura.

Abraços

Mário
MÁRIO SÉRGIO FERREIRA ZONI

PONTA GROSSA - PARANÁ - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 03/03/2010

Prezado Antonio

Apesar da generalização, a sua afirmativa acaba sendo muito verdadeira. Como alguem achou que qualquer lugar deste imenso Brasil é propício para a produção de Leite, muitos pequenos produtores, acabam sendo direcionados para a produção de Leite ou em muitos casos a extração de Leite sem que lhe forneçam nada mais do que os animais.
Esses são os que chamo sobreviventes, e que quando tem a felicidade de serem atendidos por algum programa que lhes auxilie como o Balde Cheio ou o Educampo podem adquirir alguma dignidade através do conhecimento e do exemplo.
Porem na maioria das vezes são apenas sobreviventes, sem condições de evoluir na atividade, sendo esse creio um dos principais motivos para os retardos e postergações para se implantar a IN 51.

Abraços

Mário
MÁRIO SÉRGIO FERREIRA ZONI

PONTA GROSSA - PARANÁ - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 03/03/2010

Prezado Cleber Barreto

Infelizmente para muitos, a atual forma como a cadeia do Leite se comporta torna muito excludente a atividade, porem com uma distorção que acaba tendo um peso muito grande no equilibrio do Sistema. Como geralmente o produtor extrativista não faz contas da atividade o mesmo acaba permanecendo e sendo fácil formador de preço médio, o que de certa forma acaba favorecendo os extremos da tabela, ou seja paga-se bem para os pilares da linha ou formadores de opinião, muito mal para os extrativistas e um preço intermediário para os demais.este sistema tem conferido uma carga muito grande nos produtores médios mesmo que eficientes, pois por ainda não terem escala de produção acabam tendo um custo médio superior aos produtores com maior escala de produção.

Abraços

Mário
DANIEL DALGALLO

PORTO UNIÃO - SANTA CATARINA - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 02/03/2010

Concordo com o Sr. Mário Sérgio, sem uma regulamentação as coisas funcionam desta forma mesmo e não adianta requentar, ou melhor, dar ouvidos. Agora, uma coisa não concordo: existem ex-suinocultores, eficientes de todos os pontos que optaram pelo leite, por isso não podemos generalizar.
Acho que em cerca de 20 anos o número será reduzido em função da idade e não renovação da mão de obra nos estabelecimentos, mas até lá nós, pecuaristas de leite, vamos penar.
O debate é interessante.
CECILIA MORENO

SOROCABA - SÃO PAULO

EM 01/03/2010

Trabalhamos com alguns produtos de origem láctea (Whey Protein) (Proteina do soro do leite). Fomos informados de que existe barreira para exportação de produtos lacteos para a Europa pelo motivo do Brasil não possuir relação comercial com a Europa para produtos lacteos. Alguém pode me dizer se a informação procede?
ANTONIO CESAR FERREIRA

CAJOBI - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 28/02/2010

Ok pessoal, pelo menos agora temos ouvido coisas que realmente podem mudar a situaçao do leite no Brasil. Mas isso é extremamente hipotetico para nosso país, onde "milhares" de assentamentos sao realizados com a promessa de que 10 vaquinhas vao fazer as pessoas felizes. É extremamente dificil de se colocar cotas no Brasil. O pais é um continente com 50% de analfabetos e que precisam de uma rendinha para viver. E, eles não tem culpa de onde a situação chegou. Com isso, 40 litros/dia de leite, que é maior que o salario minimo, faz muita gente que não tem outra opção, tocar a vida. Por isso a produção vai para cima e vai para baixo, e a dança dos preços vai ficar no nosso meio por muito e muito tempo.
CLEBER MEDEIROS BARRETO

UMIRIM - CEARÁ

EM 26/02/2010

Mais uma vez o Mário, nos mostra com sua artilharia pesada e certeira o verdadeiro problema da atividade leiteira no Brasil. São opiniões esclarecedoras como essa que efetivamente contribui para conhecer-mos de fato os nossos gargalos e buscar-mos formas de transpô-los.
Temos esperança que num futuro próximo, consigamos reduzir o número global de estabelecimentos produzindo leite no país. E os relativamente poucos que permanecerem no ramo poderão se organizar e planejar de fato a produção.
Haveremos ainda de ver no nosso país uma "Carteira Nacional de Habilitação para Produtores de Leite", expedida pelos consumidores que não quererão colocar qualquer coisa na boca.
O artigo disse tudo. Parabéns.
MilkPoint AgriPoint