ESQUECI MINHA SENHA CONTINUAR COM O FACEBOOK SOU UM NOVO USUÁRIO
Buscar

Quantas pecuárias de leite cabem no Brasil?

POR DUARTE VILELA

ESPAÇO ABERTO

EM 07/08/2015

7 MIN DE LEITURA

22
0
A importância que a atividade leiteira adquiriu no País é incontestável, tanto no desempenho econômico como na geração de empregos e renda. Garantir o desenvolvimento efetivo do setor, revertendo cenários adversos, dependerá de decisões e ações dos diferentes atores da cadeia.

Duas características marcantes diferenciam a pecuária de leite nacional: a primeira é a produção pulverizada e que ocorre em todo o território. Estima-se que a produção de leite esteja presente em 554 microrregiões das 558 consideradas pelo IBGE para 2013. A segunda é a grande diversidade dos sistemas de produção, não existindo um sistema padrão em raças, manejo e forrageiras, independentemente da região. Apesar de a atividade ocorrer em todo o território nacional, existem regiões onde ela está mais concentrada e tecnificada do que outras. Diante desta complexidade fica a pergunta: a pecuária de sua região pertence a qual Brasil? O que não evoluiu e ficou a margem do desenvolvimento ou o que moderniza, cresce e é competitivo?


Pelas estatísticas oficiais (IBGE), na década passada cerca de cinco milhões de estabelecimentos rurais no Brasil estavam envolvidos com algum tipo de exploração animal. Dos proprietários ou dirigentes destes estabelecimentos, apenas 2,5% possuíam alguma qualificação formal e a maioria deles (57%) eram classificados como detentores de pouca instrução. Ou seja, era um universo de pessoas que não tiveram alfabetização normal (embora soubessem ler e escrever), ou que haviam recebido alfabetização depois de adultas ou que tinham ingressado no ensino fundamental, mas não o concluíram.

Comparando dados dos Censos Agropecuários de 1996 e de 2006, constata-se que o número de propriedades que exploravam leite caiu de 1.810 mil para 1.350 mil, uma redução do número de estabelecimentos de 26% ou 460 mil no período de 10 anos. Nos dias atuais estima-se que o número de estabelecimentos que produzem leite está próximo a um milhão e cinquenta mil, dos quais 400 mil produtores não vendem leite e ordenham as vacas apenas para consumo próprio. Assim, considerando apenas as propriedades que produzem e comercializam leite ou derivados, o número estimado cai para próximo de 650 mil.

Dos estabelecimentos que comercializaram leite, próximo de 20% não dispunha de ordenha mecânica na propriedade e não adotava manejo reprodutivo direcionado ao melhoramento genético, como adoção de tecnologias de inseminação artificial ou transferência de embrião. Do total de produtores, 78% nunca recebeu algum tipo de assistência técnica, agravado pelo fato de que 79% serem analfabetos ou pouco letrados.

Observando a evolução da produção em termos da estrutura de produção de leite no Brasil em 2015 segundo o IFCN, houve crescimento expressivo na produção apenas nos estratos acima de 400 litros/fazenda/dia, mas que representa apenas uma minoria, 59 mil produtores. No outro extremo, com produção diária abaixo de 100 litros/dia, 80% das propriedades possuem menos de 30 vacas/fazenda e produtividade inferior a 1000 litros/vaca/ano e respondem por 16% da produção de leite, ou seja, 836 mil fazendas produzem próximo a 6 bilhões de litros de leite por ano.

Se nada acontecer, nas próximas décadas a expectativa é de continuar a reduzir o número de estabelecimentos que produzem leite, ou por falta de renda, devido à baixa escala de produção e competitividade, ou por falta de mão de obra e sucessores na fazenda, ocasionada pela migração para as cidades e a falta de estímulo para retornar ao campo. O perfil demográfico no meio rural está mudando rapidamente, alavancado pela crescente e irreversível mecanização e automação agrícola, que na década de 50 contava-se com 75% da população no meio rural e hoje apenas 15%.

Quanto à qualidade do leite, a minoria dos estabelecimentos que vendiam leite dispunha de unidades de resfriamento. As amostras de leite classificadas de acordo com os limites de 100.000 UFC/ml, estabelecidos pela Instrução Normativa 62 do MAPA, 53% não atinge hoje a exigência da legislação que vigorará a partir de 2016 para a Região Centro-Sul do país, segundo os resultados de quatro laboratórios que compõem a Rede Brasileira de Laboratórios de Qualidade do Leite – RBQL, que totalizam 4,5 milhões de dados. Pior, o país ainda contabiliza 30% do leite na total informalidade, ou seja, 10,8 bilhões de litros são produzidos sem nenhum serviço de inspeção sanitária.

A produtividade animal cresce 27 litros por vaca/ano, não anda bem e tem se um longo caminho a percorrer. Com 1.605 litros/vaca/ano estimativa média para 2015, desponta-se como uma das piores do mundo e apesar dos ganhos recentes devido à adoção de tecnologias, estamos muito distantes dos níveis ideais que garantam competitividade ao setor.

A baixa produtividade aliada à pequena escala de produção é cruel para o produtor de leite em todos os sentidos. Na maioria das vezes ele paga mais caro na compra dos insumos, onerando o custo de produção e perdendo em competitividade; perde na renda, por ter pouco volume de produção o preço de venda do produto é comparativamente mais baixo.

É um Brasil heterogêneo que se reveste de desafios que passam pela necessidade de políticas públicas eficazes que estimulem a assistência técnica, a formação e qualificação da mão de obra, o controle sanitário do rebanho e a melhoria da qualidade do leite. A combinação desses fatores é essencial para avalizar o aumento da escala de produção e competitividade para que o Brasil que não evoluiu passe a ser o que cresce.


Pelas estatísticas oficiais (IBGE, 2014), a produção brasileira de leite cresceu em média 4,2% ao ano entre 2000 e 2010 e no início desta década cresceu a 4,5%, exceto em 2013 que registrou 6%. As expectativas são de que a produção em 2014 tenha sido superior a 36 bilhões de litros e a de 2015 será próxima a 37 bilhões (IFCN, 2014; FAO, 2014; USDA, 2014), levando a acreditar que, independentemente da fonte de projeção, a produção brasileira continuará a crescer nesta década a taxas próximas de 4%.

Uma parte do setor leiteiro nacional tem mostrado uma forte vocação para crescer e modernizar, caminhado na contramão de algumas projeções. Nos dez anos anteriores a 2014 a produção nacional cresceu 12,5 bilhões de litros, com destaque para um crescimento médio na produtividade das vacas ordenhadas da ordem de 2,1% ao ano, reflexo da considerável modernização tecnológica.

Dois cenários foram projetados por pesquisadores da Embrapa (Vilela & Resende, 2015) para 2025, um com produção de 47,4 e outro com 56,6 bilhões de litros e neste caso, com exportações próximas a dois bilhões de litros equivalentes leite ao ano. A diferença entre as duas projeções, apesar de expressivas, dependerão de deduções fora do controle dos produtores, como mudanças climáticas e incertezas na economia: inflação, recessão, câmbio, emprego e renda.

O estrato de produção de leite que mais cresceu nos últimos anos encontra se acima de 400 litros/fazenda/dia, porém o que mais se destacou na participação da produção foi o estrato acima de 2.000 litros/fazenda/dia. Estudos conduzidos pela equipe de economia da Embrapa Gado de Leite indicam que atualmente cerca de um terço do leite nacional é produzido por um contingente de apenas 28 mil fazendas com produtividade próxima de 3.500kg/lactação. As estimativas para 2015 são de que menos de 1% das fazendas responderão por 5,5 bilhões de litros de leite.

Nas fazendas colaboradoras dos programas de melhoramento genético de raças leiteiras no Brasil, assistidas entre 1985 e 2015, a produção média saiu de 1.900 kg e foi para 4.390 kg/lactação. Assim, dependendo apenas da estrutura atual de produção de leite no Brasil, não é impossível prever para 2025 uma produção de 56,6 bilhões, com crescimento de 4,2% ao ano, podendo-se deduzir que existe um Brasil que cresce e dá certo.

Para Eliseu Alves, assessor e ex-presidente da Embrapa, 70% do incremento da produção nacional de leite são explicados pela adoção de tecnologias, enquanto a elevação da produtividade do trabalho e da terra respondem pelos restantes 20% e 10%, respectivamente. Nos últimos 40 anos as pesquisas têm concentrado esforços na busca por tecnologias que comportem produtividades entre 2.500 e 4.500 kg/lactação e é chegado o momento de concentrar esforços para se conseguir produtividades mais elevadas, sem perder a eficiência, em consequência do maior preço da terra e custo da mão de obra, principalmente próximos aos grandes centros consumidores.

É inconcebível delinear um cenário para o Brasil que cresce e dá certo sem considerar os avanços atuais da pesquisa brasileira e sua contribuição para a inovação tecnológica nos sistemas reais de produção de leite, com emprego de tecnologias com grande sinergia entre biotecnologia, nanotecnologia e tecnologia da informação. Isso não tem volta. O mundo digital é uma realidade no campo e a tendência é que a tecnologia ganhe cada vez mais importância no setor leiteiro e o desafio será a inclusão de todos os produtores para que tenham acesso a ela em suas propriedades.

A adoção de biotécnicas na área de reprodução animal, como exemplo, a IATF/TE/FIV/Sexagem é uma realidade que pode mudar o perfil genético da pecuária leiteira em pouco tempo, assim como a genômica que procura genes ligados a características de importância econômica e a nanotecnplogia procura biosensores e nanopartículas para diagnóstico e controle de doenças.

A integração de esforços do poder público e da iniciativa privada, dentro de uma visão sistêmica, será fundamental para assegurar a valorização e a competitividade do setor leiteiro nacional no cenário mundial.

ARTIGO EXCLUSIVO | Este artigo é de uso exclusivo do MilkPoint, não sendo permitida sua cópia e/ou réplica sem prévia autorização do portal e do(s) autor(es) do artigo.

22

DEIXE SUA OPINIÃO SOBRE ESSE ARTIGO! SEGUIR COMENTÁRIOS

5000 caracteres restantes
ANEXAR IMAGEM
ANEXAR IMAGEM

Selecione a imagem

INSERIR VÍDEO
INSERIR VÍDEO

Copie o endereço (URL) do vídeo, direto da barra de endereços de seu navegador, e cole-a abaixo:

Todos os comentários são moderados pela equipe MilkPoint, e as opiniões aqui expressas são de responsabilidade exclusiva dos leitores. Contamos com sua colaboração. Obrigado.

SEU COMENTÁRIO FOI ENVIADO COM SUCESSO!

Você pode fazer mais comentários se desejar. Eles serão publicados após a analise da nossa equipe.

RONALDO MARCIANO GONTIJO

BOM DESPACHO - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 12/08/2015

Caro Michel,



Contra fatos não há argumentos. Não são os clientes que estão errados, eles estão insatisfeitos. Imagine se algum técnico tentar outro ramo de negócios com essa mentalidade? Onde já se viu o cliente insatisfeito ser o errado e o prestador de serviço estar certo?
RONALDO MARCIANO GONTIJO

BOM DESPACHO - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 12/08/2015

Prezado Senhor Duarte,



São os produtores que abandonam o programa. O produtor entra entusiasmado, começa fazer tudo que é orientado a fazer e os resultados não aparecem. Vários produtores que conversei me relataram o mesmo: o programa não reduziu custos, não aumentou renda. Alguns que abandonaram o programa  foram para  a assistência particular e os resultados apareceram.

Se os produtores fossem ouvidos, creio que a realidade seria outra. Teríamos uma melhor qualificação dos técnicos e resultados muito melhores no campo.
DUARTE VILELA

JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

EM 12/08/2015

A DNA Consultoria, em minha opinião, a pesquisa em bovinocultura de leite no Brasil está no compasso da modernidade. Áreas estratégicas do conhecimento, como a automação ou a pecuária de precisão, a nanotecnologia, a genômica, as modernas biotécnicas reprodutivas e a bioenergética, dentre outras, estão longe de ilustrar a totalidade de inovações tecnológicas desenvolvidas nos últimos anos. Como também estão longe de alcançar a meta que a ciência procura atingir nas próximas décadas. Ainda há muito que se progredir, tanto no campo científico e tecnológico, que passa necessariamente pela proposta de incrementar a produção e produtividade com menor custo de produção de leite, quanto no campo político, estimulando a inovação do setor. Acredito que os futuros produtores de leite não serão os maiores nem os menores, mas aqueles competitivos.
DUARTE VILELA

JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

EM 12/08/2015

caro Adir, acredito que os médios e os pequenos, principalmente estes, mais cedo ou tarde sairão do mercado. Várias razões me levam a escrever isso, mas as principais são: sucessão familiar e preço da terra, criando outras oportunidades que não o leite para o proprietário vender sua propriedade. Isso associado a escala de produção, falta de competitividade, apesar de vc, o Sr Gilberto e o Sr. Moacyr discordarem. Sobrevivência a meu ver tem limite, será o preço da subsistência. Os grandes, serão cada vez maiores em escala de produção, porque têm gestão, levam o negócio como empresários e procuram o conhecimento, quando necessitam dele, esteja onde estiver.
DNA CONSULTORIA E GENÉTICA

BELO HORIZONTE - MINAS GERAIS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 12/08/2015

O Brasil está literalmente crescendo sua pecuária de leite! Tudo isso graças as tecnologias que estão sendo aplicadas cada vez mais no campo. Técnicos se especializando em manejo de forragem tropical, produtores cada vez mais investindo em tecnologias, melhoria da qualidade do leite produzido,agilidade das informações chegando com mais eficiência ao campo, pesquisas bem direcionadas aos novos conceitos de produção, acessibilidade ao melhoramento genético do rebanho e com tudo isso estamos proliferando uma melhor produtividade por área ocupacional. O Brasil é um país forte e de grande potencial produtivo, é assim que vejo o futuro em médio prazo ao setor da pecuária de leite brasileira. Vamos juntos!
MICHEL KAZANOWSKI

QUEDAS DO IGUAÇU - PARANÁ - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 11/08/2015

Caro Ronaldo



Quando comentas que a pior mão de obra são os técnicos tu deve estar se referindo aqueles que chegam em sua fazenda e vão logo fazendo um balanço de dieta, sem ao menos fazer nenhum diagnóstico da real situação zootécnica e econômica do negócio.

Você tem razão! Os técnicos do Balde Cheio não são nutricionistas, embora façam balanceamento de dieta das fazendas que assistem. O que fazem então?

Bem, eles mostram para o produtor que a estrutura do rebanho precisa ser composta por no mínimo 50% do rebanho com vacas em lactação (não com 23% como e a média de seu estado), que as vacas precisam dar um parto todo ano, que as novilhas tem de parir com 2 anos e 90% do peso de uma vaca adulta, que sua terra e capaz de manter 4, 5, 8, 10, 12... Vacas por ha e não apenas uma, que seu custo e demasiado alto quando se contabiliza terra, animais, instalações e principalmente pro labore, que apesar daquele seu amigo da agropecuária querer enviar um nutricionista top de linha para resolver seus problemas tu sabes que trabalhas com ruminantes que convertem fibra vegetal muito mais eficientemente que ração e por isso tu dispensa o nutricionista pois suas vacas que produzem 20 litros de média naquele pasto que tu maneja tão bem não precisam mais que uns quilos de milho e um pouco de mineral, que apesar de todo mundo estar reclamando do preço do leite você está comprometendo 60% da receita para pagar despesas operacionais.

Bem, como dizia nos técnicos não somos bons nutricionistas. Nem poderíamos pois seria um desvio de função. Afinal temos tanta coisa mais importante para resolver por outrora que deixamos isso para os saudosos e importantes nutricionistas!
DUARTE VILELA

JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

EM 11/08/2015

Caro Alexey, obrigado pelos comentários e elogio ao artigo. Minha intenção era realmente despertar para os Brasis que temos, com peculiaridades em solo, clima e com isso as diversidades em forrageiras e genética animal, sem falar principalmente no manejo. Abraço.
ALEXEY HERONVILLE GONÇALVES DA SILVA

JATAÍ - GOIÁS - INDÚSTRIA DE INSUMOS PARA A PRODUÇÃO

EM 11/08/2015

Fui extensionista rural por 10 anos e atualmente sou gerente de duas fábricas de suplementos mineralizados no sudoeste goiano. Como professor de Administração Rural, pesquiso a dicotomia entre esses dois Brasis: o que cresce e o que não cresce. Não é fácil chegar às conclusões exatas sobre o problema. O país é continental, com marcantes diferenças regionais, em que a evolução rural tem na exploração extrativista e o baixíssimo grau de escolaridade os maiores pontos de estrangulamento. Tudo isso somado à ausente política pública de assistência técnica, financiamentos diversos, leis trabalhistas anacrônicas, carga tributária elevadíssima, baixo grau de investimento privado competente, baixíssima participação na pauta de exportações e quando ocorre exportação de leite apenas uma ínfima parcela de produtores ganham com isso, etc. etc. Pra encerrar: excelente artigo abordando os dois panoramas que, sem dúvida, pelo total desgoverno que assola nosso país, os problemas a longo prazo tendem só a se agravar. Porque o Brasil, como um todo, desconhece a palavra Planejamento; ou desconhece ou tem verdadeira alergia à ela.
DUARTE VILELA

JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

EM 11/08/2015

Caro Ronaldo, quando diz o programa com maior índice de desistência  referente ao Balde Cheio, é porque não adotam as tecnologias recomendadas como fertilização das pastagens e manejo, inclusive na alimentação. Não Concorda?
RONALDO MARCIANO GONTIJO

BOM DESPACHO - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 11/08/2015

A pior mão de obra do setor são os técnicos, a grande maioria não tem capacidade para trabalharem sequer na ordenha, imagine orientando produtores sobre os rumos do seu negócio. Como foi citado o balde cheio, vale lembrar que é o programa que tem maior índice de desistência que já ouvi falar. A razão apresentada por todos é sempre a mesma: não deu resultado. Também como esperar resultado de um programa que se diz de assistência técnica que não formula dietas para as vacas?
ADIR FAVA

MURIAÉ - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 11/08/2015

Parabéns Duarte, pelo seu importante e bem posicionado artigo. Sinceramente, eu acredito que o destino da pecuária de leite do Brasil será o seguinte: Os pequenos continuarão recebendo a proteção do governo para continuarem pequenos (isto interessa muito ao governo). Estes pequenos inclusive são os atuais fornecedores de leite para os programas do Pronaf que vendem o leite para o governo a preços muito acima do mercado (compra de voto) e, portanto, ficarão na sombra do regime socialista; O produtor médio tende desaparecer por falta de condições estabelecidas pelo mercado; O grande produtor de leite se tornará o produtor e fornecedor direto de leite e derivados para o mercado, estabelecendo uma linhagem de produção industrial desde a fazenda até o consumidor, como se pode ver em países como Estados Unidos e outros. Como o Brasil é grande haverá mercado para grandes, naturalmente. Me parece perceptível isto. O ideal mesmo é que estes grandes sejam genuinamente do ramo do agronegócio, evitando que a industria especuladora estrangeira deteriore o mercado como vem acontecendo. Portanto existe uma grande ameaça nacional no setor onde a industria (principalmente de origem francesa) venha massacrar o mercado.
GILBERTO GORGULHO

SÃO PAULO - SÃO PAULO

EM 10/08/2015

Caro Moacyr, vc. tem toda razão!



Vc. definiu bem o problema.

Para que o governo vai se preocupar com a política do leite, que os produtores amadores tanto reclamam?

Além daquela renda mensal, a qual vc. se referiu, tem mais: As vacas parindo como vc. disse; Metade num ano e metade no outro, e considerando que elas parem metade macho e metade fêmea, ele terá sempre sete ou oito vacas para vender todo ano, que será o resultado da reposição. Aí já dobrou o rendimento dele. Tem mais! Salário família, seguro desemprego, vale isto, bolsa aquilo, etc.

Para que se preocupar com a profissionalização da categoria?

E assim o grande continuará grande e o pequeno continuará pequeno, e o governo faz de conta que está cuidando da pecuária leiteira.
MOACYR FIORILLO BOGADO

NITERÓI - RIO DE JANEIRO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 10/08/2015

Caro Michel Valter, eu acho que estes produtores têm prazo certo pra sair da atividade. No dia que morrerem. O cara explora um pedaço de terra que herdou da família ou da "viúva" (assentado), tem 20 vacas que parem todo ano, metade nos anos pares, metade nos anos ímpares. Com lactação de 7 meses, consegue manter 6 no leite dando 5,5 l/dia, que é igual 33 l/dia ou 1.000 l/mês. Quem vacina o gado é a prefeitura, não arraçoa, não faz nada além de ordenhá-las 1 vez por dia. No final do mês recebe R$ 1.000,00 por 40 minutos de trabalho diário. Ele vai parar porque? Quem, sem maior instrução, consegue ganhar R$ 1.000,00/mês por quarenta minutos de trabalho diários? A vaca é o animal mais maravilhoso do mundo!
MICHEL KAZANOWSKI

QUEDAS DO IGUAÇU - PARANÁ - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 10/08/2015

Caro Duarte,



A extensão é necessária e vital. Porém é incapaz de salvar a maioria destes produtores que sairão da atividade.

Fui Secretário de Agricultura por cinco anos. Implantamos o projeto Balde Cheio em convênio com a Secretaria. Um total de 50 fazendas em um universo de mais de 600 no município. Nosso maior entrave foi encontrar produtores interessados para receber gratuitamente o projeto. Dos que foram selecionados 1/3 abandonou no primeiro ano.

A maioria dos produtores não aceitam a mudança. Não aceitam sair do ritmo de trabalho que estão habituados a realizar. Não tomam como rotina tomar nota do seu negócio. Por isso não há evolução apesar de haver tanta vantagem na tecnificação.

A pecuária de leite é talvez a atividade agrícola mais imatura do agronegócio brasileiro. Isso pode parecer ruim, porém para o produtor isso pode ser considerado ótimo. A diferença que existe entre a margem do mais eficiente e a média é muito grande. Em países onde a atividade é consolidada esta diferença é mínima. Isso não permite amadorismo.

Portanto o ritmo que a mudança irá ocorrer depende basicamente da atitude dos produtores.



Abraço
GILBERTO GORGULHO

SÃO PAULO - SÃO PAULO

EM 10/08/2015



Acabo de intermediar a venda de uma fazenda no Sul de Minas, onde serão produzidos 42.000 litros de leite, diariamente.

O lado do Brasil que dá certo é onde se usa novas técnicas, e tecnologias modernas.

Serão utilizadas 1200 vacas holandesas PO s 7/8 no sistema de free-stall.

O sistema de reprodução à ser utilizado será o IATF sexado.

O descarte anual de vacas em lactação será de 30%, utilizando as próprias bezerras produzidas na fazenda para reposição.

Todo o alimento necessário, será produzido na própria fazenda, adquirindo fora apenas o concentrado.

As vacas descartadas e as bezerras em excesso serão comercializadas em leilão.

O investimento total será de R$ 40.000.000,00

A receita anual será de R$ 25.000.000,00

A maturação do projeto se dará em oito anos, ou seja, em oito anos estará tudo pago.

É ou não é um bom negócio?

Quem não tem competência, não se estabeleça!


JOSIAS ZACHAROW PEDROSO

JAGUARIAÍVA - PARANÁ - PRODUÇÃO DE CAPRINOS DE LEITE

EM 10/08/2015

Excelente matéria, a muito tempo que acompanho o segmento não via um estudo analisando passado presente e mais com uma projeção segmentada para anos futuros. Gostaria de saber se este estudo reflete apenas o leite de vaca e como anda o leite de cabra na escala produtiva e para o futuro como anda a sua projeçaõ?
DUARTE VILELA

JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

EM 10/08/2015

Caro Celestino, obrigado por elogiar o artigo e ao escrevê-lo, na verdade, queria que gerasse discussão e debates pois acredito que o momento para isso é agora. Repensar nossa pecuária e avaliar os caminhos possíveis e o que fazer. Por um lado, as instituições de pesquisa necessitam receber sinalizações do campo para gerar conhecimento futuro e por outro, medidas devem ser tomadas para que situações indesejáveis não venham a ocorrer. Políticas públicas acertadas seria um um exemplo para que o produtor de baixa escala de produção consiga sobreviver e crescer na atividade.
DUARTE VILELA

JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

EM 10/08/2015

Caro leitor Michel Valter,quantificar produtores que sairão da atividade nos próximos anos é difícil. Temos um retrospecto que favorece a esse diagnóstico e se medidas não forem tomadas será inevitável e acelerado. Digo medidas porque é o segmento que mais necessitará de políticas públicas e com certeza a assistência técnica e a extensão rural devem estar presentes.
MARCOS FELIPE

BALDIM - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 10/08/2015

Creio que a divisão entre o país que cresce e o que não pode ser substituída pelo produtor que cresce ou que não cresce pois em todas as regiões do país temos pretéritos que fazem a diferença e se empenham para fazer uma pecuária melhor mesmo não tendo conhecimentos ou assistência técnica. Acredito que precisamos de melhores políticas públicas e fomento à capacitação e disponibilização de mais técnicos para atuar em campo.
CELESTINO DOS SANTOS PANTALEÃO

CASA BRANCA - SÃO PAULO - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 08/08/2015

Boa tarde, uma bela matéria, parabéns pelo artigo.

com certeza uma matéria que nos faz pensar, e muito, sobre o que fazer, tipo de matéria que gera muita discussão, o que só pode trazer benefícios futuros
MilkPoint AgriPoint