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Produtividade do rebanho brasileiro

POR ROSANGELA ZOCCAL

ESPAÇO ABERTO

EM 26/02/2007

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No Brasil, a pecuária leiteira é praticada em todo o território nacional. As condições edafoclimáticas do País permitem a adaptação da atividade às peculiaridades regionais, observando-se a existência de diversas formas ou modelos de produção de leite. Existem sistemas com diferentes graus de especialização, desde propriedades de subsistência, utilizando técnicas rudimentares e produção diária menor que dez litros, até produtores comparáveis aos mais competitivos do mundo, usando tecnologias avançadas e com produção diária superior a 60 mil litros.

A diversidade encontrada nos sistemas de exploração da pecuária de leite, reflete nos extremos encontrados quando se analisa os índices zootécnicos da atividade. Pretendemos com esse artigo chamar a atenção, em especial, para um importante índice de desempenho da pecuária leiteira nacional, ou seja, a produtividade por vaca. A base de dados usada foi do IBGE/PPM.

No início dos anos 90, o País apresentava uma produtividade animal próxima de 760 litros de leite, considerando todos os rebanhos de vacas ordenhadas, com maior e menor aptidão leiteira (rebanhos de leite, carne e duplo-propósito). Esta produtividade aumentou 59%, atingindo 1.209 litros, em 2006, como mostra a Figura 1.

Em todas as regiões brasileiras a produtividade animal aumentou no período de 1990 a 2006. Na Região Sul, que apresenta os melhores índices, a média de produção de leite por vaca foi de 2.051 litros/ano.


Figura 1. Produtividade animal média nas regiões brasileiras, 1990 e 2006.
Fonte: IBGE/PPM

Procurando identificar áreas com rebanhos leiteiros especializados, fez-se uma análise da produtividade dos 5.562 municípios brasileiros. Na tabela 1 destacam-se os 15 municípios com maiores índices de produtividade nos anos de 1990 e 2005. Observa-se que a maior produtividade animal em 1990 foi em Araras-SP, com 3.616 L/vaca/ano. Este município manteve na liderança em 2005, quando atingiu 6.942 L/vaca/ano, o que representou um crescimento de 92%.

No início dos anos 90, dos 15 primeiros municípios do ranking 7 foram de Minas Gerais. Em 2005 os destaques foram mais para o Rio Grande do Sul, onde 8 municípios estiveram presentes no ranking. Os municípios com maiores índices de produtividade em 2005 foram: Araras, Campos do Jordão e Agudos em São Paulo, Fortaleza dos Valos, Veranópolis, Aceguá, Condor, Paraí, Quinze de Novembro, Protásio Alves e Selbach no Rio Grande do Sul, Inhaúma em Minas Gerais e Arapoti no Paraná. Os municípios de Araras e Arapoti estão entre os primeiros desde o início da década de 90.

Tabela 1. Ranking dos 15 municípios com maior produtividade animal, 1990 / 2005.


Fonte: IBGE/PPM.

A distribuição geográfica das áreas com maior produtividade no País, em nível de microrregiões, está mostrada na Figura 2. Em 1990, havia duas grandes áreas que concentravam a produção de leite, a) Leste de São Paulo, Norte do Rio de Janeiro e Sul de Minas e b) Norte do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Sul do Paraná, incluindo Ponta Grossa e Toledo.

Em 2005 as áreas com produtividade acima de 1.500 litros por vaca, aparecem também no Triângulo Mineiro, Goiás, Mato Grosso, Alagoas e Pernambuco (figura 2). Destacam-se principalmente quatro grandes regiões especializadas na pecuária de leite. A primeira, continua no Sul do País, no Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. A segunda grande bacia leiteira localiza-se em Minas Gerais (Sul, Centro, Triângulo Mineiro e Zona da Mata), Centro Sul de Goiás, Leste de São Paulo e Sul do Espírito Santo. A terceira, embora com um volume de produção bem menor, localiza-se nos Estados de Alagoas e Pernambuco. No Estado do Mato Grosso, quase todas as microrregiões se destacam pela produtividade animal, principalmente a microrregião de Parecis, que apresentou uma média de 1.528 litros/vaca.


Figura 2. Produtividade animal média nas microrregiões.

A Embrapa Gado de Leite mantém atualizado o Arquivo Zootecnico Nacional, que contém informações de rebanhos leiteiros de diferentes raças no Brasil. Entre as informações armazenadas estão o controle da produção de leite durante a lactação, a produção de gordura e duração da lactação de raças especializadas (Tabela 2). Na raça Holandesa, a média das lactações controladas é de 6.210 L/lactação ou 20 L/dia, considerando apenas a primeira lactação. O rebanho de gado Jersey produz 4.678 L/lactação, 15 L/dia, com 235 kg de gordura durante o período de 312 dias de lactação. A raça Girolando produz 4.012 L/lactação, que representa uma média de 14,5 litros por dia. Com uma produtividade menor estão as raças Gir e a Guzerá, ou seja, 2.731 e 1.976 L/lactação, respectivamente.


Tabela 2. Produção de leite por lactação, teor de gordura, duração da lactação em diferentes raças leiteiras no Brasil 1.


Fonte: Embrapa Gado de Leite/Arquivo Zootécnico Nacional
1 informações da 1º lactação

Como pontos de destaques neste artigo, pode-se enumerar: (a) é indiscutível os ganhos de produtividade na pecuária leiteira nacional nos últimos 15 anos; (b) alguns municípios localizados ao Norte do Rio Grande do Sul foram os grandes destaques no crescimento recente da produtividade leiteira do País; (c) a produtividade média de leite (1.200 litros/vaca/ano), quando se considera todo o rebanho nacional, não revela a grande evolução que a atividade leiteira brasileira tem apresentado; e (d) os dados do Arquivo Zootécnico Nacional mostram que existem, no Brasil, rebanhos especializados que são comparáveis aos mais competitivos do mundo.

ROSANGELA ZOCCAL

Trabalho na Embrapa Gado de Leite, na área de socioeconomia, em estudos voltados para a administração da atvidade e estatísticas conjuntural da produção de leite.

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FRANCISCO ROBÉRIO ROCHA

PARAMBU - CEARÁ - PESQUISA/ENSINO

EM 23/01/2013

O material me ajudou muito na elaboração de minhas aulas para alunos do Ensino Médio.