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Produção de leite, hora de cautela

POR GILSON GONÇALVES COSTA

ESPAÇO ABERTO

EM 05/06/2012

3 MIN DE LEITURA

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Gilson Gonçalves Costa, Engenheiro Agrônomo e Produtor de leite em Itaberaí-GO.

As crises nos países europeus e até nos Estados Unidos são fatos do conhecimento de todos e seria ilusão pensarmos que elas não chegariam ao Brasil e estão chegando muito rápido na cadeia láctea.

A conta de muitos empréstimos, às vezes sem o devido lastro, e pior, sem viabilidade técnica e econômica, terá que ser paga. Não sou arauto do apocalipse, mas prevejo dias ruins, sobretudo para nós, produtores de leite. O raciocínio é simples. Muita festa, muitos direitos (carnaval, shows, empréstimos, férias longas, seguro desemprego indiscriminado), pouco trabalho, poucos deveres cumpridos (feriados demais, poucas horas trabalhadas, muitas bolsas famílias, bolsas escolas, cheque moradia, juros altos, tributos demais) e pouco compromisso. Relembrando um velho ditado mineiro "é do couro que sai as correias", ou seja, alguém terá de pagar esses pacotes de bondade dos governos e, obviamente este dinheiro só pode sair de quem trabalha (impostos).

Para criarmos riquezas temos de produzir bens de consumo, a troca simples de papéis não enche barriga. Para crescermos temos de trabalhar muito (ex: China, Coréia, etc) e principalmente seguir a nossa vocação de produtores de alimentos, extensão territorial, terras férteis, boa insolação, umidade, pesquisa eficiente, ou seja, tudo a favor e parece que só nossas autoridades não enxergam este filão.

Sabemos que todo o mercado é norteado pela lei irrevogável, da OFERTA E PROCURA. As crises (falta de dinheiro circulando, inadimplência) diminuíram a PROCURA pelo leite e consequentemente a OFERTA aumentou. Os governos responsáveis, que compreendem a importância da segurança alimentar, que compreendem a importância de manter produtores no campo produzindo e mantendo além de fartura na mesa os preços mais acessíveis a toda população, voltaram (se é que pararam) a subsidiar fortemente seus produtores. Com o Real valorizado e a importação facilitada, ficou fácil a entrada de leite no país. Na cadeia do leite estamos criando mais postos de serviços em outros países do que no Brasil.

Há um movimento legítimo dos órgãos representativos dos produtores junto ao governo federal, no sentido de coibir as importações, no entanto isto não deslancha por uma razão muito simples, o governo não está preocupado com os produtores rurais, só se preocupa com os consumidores (preços baixos nos supermercados).
Nossas autoridades só conseguem ver a Indústria. Querem ver o Brasil um país industrializado, invejando os japoneses, alemães, americanos, os tigres asiáticos... Entendemos que deveriam focar e envidar todos os esforços na produção agropecuária, na qual somos bastante eficientes. Oferecemos significativos postos de serviços, produzimos a custos baixos e somos responsáveis por uma parcela grande do nosso PIB.

Mesmo com a visão distorcida de falsos ambientalistas que não conhecem nada do campo e seguindo artistas que vivem nos sets de filmagens, achando que o mundo é de fantasia tais como as novelas, ainda assim produzimos bem e a comida chega barata a mesa dos brasileiros. Lembramos que ainda dispomos 61% de cobertura vegetal nativa. Porque os países europeus (adiantados?) nos criticam tanto e dão tantos palpites no nosso código florestal enquanto eles não têm código florestal e muito menos florestas?

Se o governo desse o mesmo tratamento à produção agropecuária, diminuindo os impostos, com fez com a indústria, como a isenção do IPI para a linha branca e os automóveis para estimular o consumo, certamente além de melhor alimentar as pessoas, aumentando inclusive a resistência orgânica e conseqüentemente desafogando os órgãos de saúde, manteria e aumentaria os postos de serviço também no campo.

Diante deste cenário é que, alerto todos os produtores de leite que refaçam suas contas, revejam seus investimentos, trabalhem com um máximo de segurança até passar a tormenta que se avizinha, pois promessas não enchem barriga e não pagam empréstimos. Trabalhar com prejuízos não é inteligente. Uma certeza é patente, toda tormenta por mais devastadora que seja, passa e dias melhores virão, portanto o importante é sobrevivê-la.

GILSON GONÇALVES COSTA

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GILSON GONÇALVES COSTA

GOIÂNIA - GOIÁS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 13/06/2012

Agradeço a todos pelos comentários.

A situação é bastante preocupante, sobretudo quando consideramos que para armazenar o trato (silagens) dessa entressafra, começamos a investir desde setembro passado, ou seja ainda suportamos os custos financeiros além dos desembolsos que fizemos.

A hora é de baixar os custos, talvez até em detrimento de parte da produção. Se estão pagando menos pela matéria prima, pra mim o recado é de que não estão precisando dela, portanto se insistirmos em aumentarmos a produção corremos o risco de ver os preços ainda menores.

Em outra oportunidade ja disse "COM O LEITE PODE ACONTECER TUDO, INCLUSIVE NADA".

Gde abç a todos, inclusive vcs do MilkPoint, que muito tem contribuido conosco, Produtores de Leite

Gilson G Costa
JOÃO JACOB ALVES SOBRINHO

GOIÂNIA - GOIÁS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 11/06/2012

Conheço este lutador pelos principios basicos da descencia humana(lutador ,honesto e visionario).

Parabens Gilson,encontrou o buraco negro e agora???

E nós agora o que iremos fazer?

Parar de produzir,reduzir a produção ou sairmos nas ruas gritando?

Cabe a cada um tomar sua propria decisão,mas será a solução?

Precisamos agir em conjunto,unindo nossas forças,esquecermos dos politicos e fazermos nosso proprio lobby.

Que tal criarmos um fundo para fazermos nossas reclamações nos jornais,televisões e outros meios de comunicações.

De esperar por politicos estamos aonde estamos hoje.

Vamos que vamos,a classe precisa de aceitar que""MELHOR SOZINHOS QUE MAL ACOMPANHADOS ""  
JOSE HUMBERTO GARCIA JUNIOR

CAMPO BELO - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 11/06/2012

parabens pelo comentario.
MARCIO RIBEIRO PINTO

ITAPURANGA - GOIÁS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 11/06/2012

Parabéns Gilson pela excelente matéria!  Você nos alerta para a aproximação de uma tormenta, que certamente poderá ser agravada para os produtores que não estiverem com as finanças em dias. É muito difícil nos dias atuais mantermos nossas fazendas desprovidas de novos investimentos, entretanto, devemos realizar, neste momento, somente o estritamente indispensável, de forma a deixarmos a "máquina devidamente azeitada", pois tenho a certeza de que dias melhores virão.
MARCOS SCALDELAI

UBERLÂNDIA - MINAS GERAIS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 11/06/2012

Boas colocações, inclusive a do Sr. Gilson. Mas sou mais o ângulo visionário do Sr. Guilherme A M Franco.  Abraços
JOSÉ SEVERO DA COSTA NETO

PEREIRAS - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 10/06/2012

Certeza que vale o alerta!
ELTON MORENO LUNHANI

EMILIANÓPOLIS - SÃO PAULO - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 09/06/2012

PARABÉNS PELA MATÉRIA!!!
LEANDRO

PLANALTO - PARANÁ - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 08/06/2012

Parabens Gilsom muito bem comentado!! Estão instalando um regime socialista no Brasil, analisem se não é assim, quem trabalha paga a conta por todos, inclusive os gatunos da politica nacional. A mudança dos padroes do conseleite só favoreçem as industrias...
RICARDO ALEXANDRE CATAPAM

OURO VERDE - SANTA CATARINA - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 07/06/2012

Excelente materia, parabéns.

Infelizmente nós produtores rurais estamos vivendo num barco a deriva com comandantes que não sabem que direção tomar "ou sabem até demais, se for a favor deles". Somos o culpado por quase tudo o que acontece, se o PIB sobe é a agricultura que teve grande participação se o PIB cai o grande culpado é a agricultura.

Nós somos os verdadeiros heróis deste pais, pois vivemos de incertezas, não temos um seguro agricola eficiente, politica de preços então nem se fala, plantamos sem saber quanto vamos colher e que preço vender, precisamos entregar nosso leite na expectativa de saber o quanto receberemos.  No sul do Brasil vivemos na incerteza de ate quando vamos produzir, pois com o novo código florestal muitas propriedades deixarão de existir, e vamos viver do que......

Somos meros expectadores de tudo o que acontece no Brasil
JUNIOR CATANDUVA

GOVERNADOR VALADARES - MINAS GERAIS - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 07/06/2012

Parabéns ao Gilson Gonçalves pela clareza e consciencia da atual situação da pecuaria leiteira do Brasil!

Mais Parabéns ainda para o Produtor de Leite Antônio Mauricio da cidade de Oliveira MG, em reconhecer que TROCOU O CERTO PELO DUVIDOSO.

Infelizmente ainda existem muitos Laticinios ou Cooperativas aventureiras nesse mercado, que depois fazem o que fizeram com o Sr Antônio Mauricio.

Mas acho que os "alguns" produtores (não a maioria), é que alimentam e estimulam esse tipo de situação, quando em plena época de preços ruins continuam forçando e ameaçando o laticinio a pagar preços que não existem. Tomem cuidado com Laticinios, Cooperativas e Associações que prometem muito, fora da realidade.


THIAGO ALEXANDRE SILVA

PINDORETAMA - CEARÁ - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 07/06/2012

Parabéns pelo texto. Ele nos mostra de forma sintetizada como nos sentimos diante das dificuldades encontradas diariamente e onde estão os gargalos. Quem sabe se o governo mostrasse interesse (com ações, e não somente com promessas), nós passaríamos a desfrutar de um verdadeiro momento eufórico em nosso setor.
CAROLINA CASTELLO BRANCO BARROS

VALENÇA - RIO DE JANEIRO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 07/06/2012

Excelente artigo !!!!

Você deveria mandar esse artigo para os Jornais ....

Parabéns mais uma vez !!!!!

Att.,

Carolina.

OLÍMPIO GOMES AGUIAR

BELO HORIZONTE - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 06/06/2012

Parabéns Gilson, eu já estava preocupado, lendo o seu texto fiquei mais ainda. As minhas vacas estavam produzindo abaixo da média, então mandei ração nelas, não responderam e agora não sei como pagar a conta da ração que ficou em 60% da minha receita. Hoje o produtor tem que ser também economista, senão a vaca vai para o brejo. Será que não temos nenhum representante no congresso ou senado para alertar o governo que estamos cada vez mais encurralados? A margem de lucro é muito estreita, se é que ela existe, pois se colocarmos capital empatado e depreciação, desistimos.
JOÃO PAULO ANTONELLO

CONSTANTINA - RIO GRANDE DO SUL - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 06/06/2012

De fato o desenvolvimento de um país, evolução tecnológica e científica, faz-se necessário alimento barato, ou seja, poucos produzindo o essencial com baixo custo, enquanto os demais desenvolvam tecnologias e aperfeiçoam técnicas para melhorarem o bem-estar da população. Porém não é essa a ideia política no Brasil, como bem relatado e reforçado nos comentários.

A política Brasileira é voltada a proteção de interesses individuais dos detentores do poder. Se enquanto produtores estivessem produzindo à baixo custo, alimentando uma população produtora de conhecimento, desenvolvedora de tecnologias e técnicas, todos sairiam ganhando, teríamos um alto IDH, e sem dúvidas a maior produção de alimentos do mundo.

Mas enquanto tivermos povo ignorante se contentando com auxílios econômicos, conviveremos com essa dura realidade, vendo criminalidade em alta, produtores desacreditados em um setor essencial para a manutenção da espécie - irônico - e seremos manipulados pelas nações desenvolvidas como ocorre há mais de 500 anos.  
DARLANI PORCARO

MURIAÉ - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 06/06/2012

Precisamos muito de estímulo, para permanecermos na roça produzindo, e é isto que o governo não faz, quer que o produtor pague a conta toda. Estamos cada vez  mais com menos mão de obra em qualquer setor rural , e a conta só aumenta , pois os insumos  só sobem de prêço.
GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO

JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 06/06/2012

Prezado Gilson: Em qualquer atividade humana, a prudência deve ser, por óbvio, sempre, a primeira a chegar.

Não é diferente no caso da pecuária de leite.

Todavia, tal como em outras tantas searas do empreendimento humano, um pouco de risco deve, sempre, ser corrido, sob pena de ficarmos como a grande maioria de nossos pares - produzindo pouco, ganhando pouco, vivendo pouco, valendo pouco...

Caso este fato não fosse verdadeiro, estaríamos, dentro da "seleção natural proposta por Charles Darwin" - citada, com muita propriedade, pelo companheiro José Abadio de Resende Melo - literalmente fulminados.

Principalmente quando estamos em um Estado que prima pela falta de apoio ao produtor, que "mata sua galinha de ovos de ouro" (sim, porque a pecuária de leite é um dos mantenedores da balança comercial e, sem ela, adeus "superavit").

Não nos olvidemos que a falta de mão de obra no campo é devida às "assistências sociais" do Governo (muito melhor ficar à toa, recebendo bolsa escola, vale gás, bolsa alimentação, bolsa tudo...) que trabalhar de sol a sol.

Mas, nunca nos esqueçamos que a pobreza e a ignorância, neste País, é que rende votos (mesmo caso da Venezuela, de Cuba, da antiga URSS, do Afeganistão e de tantos outros sistemas ditatoriais espalhados pelo globo terrestre).

Algo parecido com a Roma Antiga (circo, circo, circo).

Parabéns pelo excelente texto.

Um abraço,

GUILHERME ALVES DEMELLO FRANCO

FAZENDA SESMARIA - OLARIA - MG

=HÁ SETE ANOS CONFINANDO QUALIDADE=
TRUEMILK AGRONEGÓCIOS

CASTRO - PARANÁ

EM 06/06/2012

MUITO BOA A MATÉRIA CONDIZ A REALIDADE......
ODECIO ANTONIO LARA

GUAPÉ - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 06/06/2012

Parabens, pelo bom senso.

O interessante é que todos ligado no setor agropécuario enxerga esta politica absurda do BRASIL somentes os governamentais não entendem.
JOSÉ ABADIO DE RESENDE MELO

UBERLÂNDIA - MINAS GERAIS

EM 06/06/2012

É importantissimo a reivindicação e a luta por melhores preços e leis que garantam a  permanencia na atividade, mas jamais devemos esquecer a lei de "SELEÇÃO NATURAL" proposta por Charles Darwin, onde somente sobrevivem os que adaptarem as condições, assim  ocorre com empresas.

JOSÉ ABADIO
ELIZARIO PEDROZO

ENÉAS MARQUES - PARANÁ - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 06/06/2012

Parabens pela matéria Sr. Gilson.

O momento é de reflexão, tentar entender o que está acontecendo com o mercado, custo de produção alto, período de entresafra com possibilidade de quedas de preço, importação a todo o vapor sem qualquer controle, bem detalhado em seu comentário, alguém tem que pagar a festa!  Enquanto nós ficamos divertindo com a mordomia que é atividade leiteira, e aguantamos o tranco, a estratégia eleitoreira está dando certo basta olhar o pecentual de aprovação nas pesquisas?