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Leite a pasto, seria realmente rentável?

POR FABIANO BARBOZA

ESPAÇO ABERTO

EM 01/04/2010

9 MIN DE LEITURA

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O motivo pelo qual estou escrevendo este artigo seria apenas para tentar ajudar no esclarecimento de alguns fatos importantes em relação à produção de leite a pasto.

Primeiramente, antes de iniciarmos algum projeto, devemos analisar inúmeras variáveis para chegarmos à conclusão de qual sistema irá nos fornecer um melhor retorno. Variáveis como montante do capital disponível para o investimento, montante do capital necessário para iniciar a produção, conhecimento técnico do produtor, consultor e da mão de obra que será empregada, a raça/genética das vacas que serão utilizadas, clima do local, fertilidade e tipo do solo, topografia, atuais instalações da propriedade, produção por hectare a ser atingida, prazo para retorno do investimento, custos operacionais, etc.

Se, após realizar os estudos, o produtor acabar optando pela produção a pasto, outras diversas variáveis surgirão, como, que tipo de gramínea deve ser utilizada, qual será o sistema de parição, fornecer ou não alguma forma de volumoso e/ou concentrado durante determinada época do ano, taxa de ocupação, manter ou não as bezerras e novilhas na mesma propriedade, planejamento para aplicação de adubos e/ou fertilizantes, período para renovação do pasto, prazo de rotatividade, tamanho dos pastos, novamente o tipo de raça/genética a ser utilizada, instalar ou não algum tipo de irrigação, entre outros.

Referente ao tipo de gramínea que será utilizado, em minha opinião - que infelizmente não tenho muito conhecimento das variedades disponíveis no Brasil -, creio que seria uma boa opção a mistura de trevo branco com azevém em alguns pastos e outros com tifton-85. Mas enfim, o que devemos buscar, seria uma gramínea que forneça ao animal um bom índice de proteína e energia, apresente boa digestibilidade e palatabilidade, que seja resistente e apresente um bom crescimento durante o ano. Também é interessante analisar quantos quilos de alimento determinada gramínea produzirá em cada epóca do ano.

Em relação ao sistema de parição, creio que seria interessante ao produtor tentar programar as épocas de crias, e não apenas deixar o touro solto com as vacas ou inseminar o ano todo, pois essa prática acaba dificultando a elaboração de uma dieta balanceada, pois a vaca terá diferentes índices de ingestão para cada época de sua lactação. Por exemplo, seria interessante programar a época de parição do rebanho de tal modo que o pico de produção das vacas acontecesse junto com o pico de produção de maior qualidade da gramínea, resultando em uma melhor conversão entre alimento injerido e leite produzido, e consequentemente, o pico de ingestão da vaca ocorreria juntamente com o pico de produção da gramínea, período este que a mesma começará a perder qualidade.

Também é extremamente importante que o produtor saiba identificar quando a oferta da pastagem fica maior que a demandada por seus animais, pois a partir desse ponto, se o produtor apenas "largar", ele estará compromentendo tanto a produção do animal quanto a qualidade das gramíneas, pois as vacas estarão ingerindo um alimento de pior qualidade, resultando em redução na produtividade. As pastagens continuarão a perder qualidade (proteína e energia) e ainda diminuirão a digestibilidade e palatabilidade. Nessa época, o interessante seria colher o excesso e mantê-lo como silagem, pois assim o volumoso poderá ser fornecido aos animais quando a demanda por alimento for maior que a oferta disponível.

Se o produtor conseguir operar com eficiência o fato que citei acima e colher o excesso das pastagens, assim que a oferta das pastagens ficar menor que a demanda animal, devemos iniciar o fornecimento da silagem, podendo manter a produção em um maior nível por maior prazo, sem comprometer a condição corporal animal. Dependendo dos custos e do preço pago pelo leite, também poderia ser interessante ao produtor adquirir maiores quantidades de volumoso e/ou concentrado através de terceiros, podendo maximizar seu lucro. Porém, essa prática deve ser feita com cautela, pois dependendo do preço pago pelo alimento versus preço do leite, pode não ser compensatória.

Para sabermos qual seria a taxa de ocupação ideal, temos que levar em conta, também, diversos fatores. Tais como, clima, topografia, quantidade anual de matéria seca que o animal irá consumir e a quantidade anual de matéria seca disponível na propriedade, devendo incluir a quantia que as pastagens produzirão mais a quantidade de volumoso/concentrado extra. Também seria interessante levar em consideração se a propriedade possui ou não algum tipo de cocho ou instalação para proteger os animais em situações de climas extremos. A partir daí, poderíamos ter uma melhor avaliação e determinar uma taxa de ocupação mais precisa para ser utilizado na propriedade.

Dependendo do custo e/ou disponibilidade de terras para arrendamento ou terceirização da mão de obra na região, acaba compensando ao produtor transportar suas bezerras, depois do desaleitamento, para outro lugar, e mantê-las por lá até uma ou duas semanas antes das mesmas começarem a parir. O que devemos analisar, seria, qual o custo que o produtor terá para arrendar as terras ou para terceirizar o serviço e qual lucro o mesmo irá obter aumentando o número de vacas em lactação na propriedade, pois assim toda a propriedade poderá ser utilizada apenas para animais em lactação.

É necessário que o produtor faça, ao menos uma vez por ano, a análise de solo. Pois assim será possível determinar a quantidade de adubo e/ou fertilizante necessário para manter o solo com uma boa qualidade. Uma boa prática seria a captação de todo efluente gerado durante a ordenha e aplicá-lo em determinadas áreas da propriedade. Porém, essa aplicação deverá ser feita com conhecimento e cautela, para evitar qualquer dano a saúde animal e ao meio ambiente.

Fazendas que utilizam alguma forma de cocho ou "free stall" possuem uma alta disponibilidade de efluente gerado nessas instalações, que também servirão para aplicação nas pastagens. Se utilizado de maneira correta, todo o efluente gerado durante o ano poderá salvar ao produtor dezenas de milhares de reais na aplicação de adubos/fertilizantes, dependendo do tamanho da propriedade e do número de animais.

A renovação do pasto deve sempre ser feita, pois ao decorrer do tempo a pastagem perde qualidade e não apresenta o mesmo retorno que teve anteriormente. Também é importante durante a utilização da mesma, efetuar o controle de pragas e plantas daninhas. Dependendo da região e do tipo de pastagem, uma renovação a cada 6 ou 8 anos seria ideal.

Diversas técnicas de renovação podem ser utilizadas. Uma boa opção, em minha opinião, seria entre a renovação cultivar algum outro tipo de forrageira, como, cana, milho, cevada, couve, entre outros. Pois assim, poderíamos trabalhar o solo, utilizar o produto plantado e colhido como suplemento e depois plantar novamente algum tipo de gramínea.

A rotavidade dos pastos depende do clima, região e da época do ano. Por exemplo, quando temos abundância de pastagem, a taxa de rotatividade deve ser acelarada e quando a pastagem começar a crescer mais devagar, devemos desacelerar a rotatividade. Por isso acredito na importância em utilizar uma época programada para parição. A utilização de cercas elétricas, tanto fixas quanto temporárias é ideal nesse sistema de produção. Seria interessante calcular quanto o rebanho necessita de alimento e tentar fornecer apenas aquela determinada quantia depois das ordenhas, assim o desperdício será reduzido consideravelmente.

Tambem é muito importante saber quanto que o produtor tem em matéria seca por hectare, tanto antes quanto depois das vacas passarem pelo pasto. Em épocas de abundância, dependendo do tipo da pastagem, seria interessante colocar as vacas no pasto quando a oferta da grama atingisse cerca de 3300 quilos de matéria seca/ha, e calcular de tal modo, que os animais deixem um resíduo em cerca de 1500 quilos de matéria seca/ha. Por exemplo, se temos um pasto de 03 hectares com 3200 kgMS/ha, e desejamos atingir um resíduo de 1500 kgMS/ha, podemos chegar a conclusão que essa determinada área possui 1700 kgMS/ha de pastagem, portanto, há disponível 5.100 kgMS. Se possuímos um rebanho com 100 vacas, a oferta seria de 51k gMS/vaca, ou seja, bem mais do que o animal precisa durante meio dia.

Note que seria crucial a utilização de uma cerca elétrica temporária para que seja fornecido apenas aquilo que o animal precisa. Portanto, nesse pasto, o produtor poderia se beneficiar por cerca de cinco intervalos, fornencendo em torno de 10,2kg de matéria seca por animal por intervalo. O tamanho dos pastos pode ser definido através de um estudo em relação a área da propriedade que será destinada à atividade leiteira, o número de animais e a utilização frequente ou não de cercas elétricas temporárias.

A respeito do tipo de raça/genética que o produtor deverá investir, devemos analisar se o mesmo pretende ou não fornecer suplementos ao animais. Se a produção for exclusivamente a pasto, fornecendo suplementos em algumas épocas do ano, é obvio que não compensa ao produtor investir muito em vacas holandesas de alta produção, pois essas não produziriam a mesma quantidade que estariam produzindo em um sistema confinado.

Em minha opinião, uma boa escolha seria tanto Jersolando, quanto Girolando, pois são animais que apresentam uma maior resistência que o gado puro holandês e possuem um índice de produção menor por animal. Não tenho experiência com Girolando, mas no caso da Jersolando, um outro benefício seria que o animal produzirá um leite com maior quantidade de sólidos (ideal para um planejamento de médio prazo) e necessita uma menor quantidade de alimento (se compararmos com uma holandesa pura). Enfim, o ideal seria investir em animais que produzam cerca de 15 a 25 litros/dia. Também é preciso levar em consideração fatores climáticos e topográficos.

Dependendo da região a utilização de irrigação seria de tal modo, crucial, pois nas épocas de seca, além da produção a pasto diminuir drasticamente, o preço por litro de leite pago ao produtor geralmente aumenta. Nesse caso, o produtor não precisaria se preocupar com a redução na produção e ainda conseguiria se beneficiar de um pagamento extra pelo leite vendido.

Uma boa opção para grandes propriedades, seria a utilização dos pivôs. Porém, essa prática necessita de uma grande produção para justificar tal investimento e manuntenção necessários para operação do mesmo. Entretanto, os menores produtores, podem se beneficiar de sistemas como de asperção ou inundação, pois apresentam custos bem menores, tanto para instalação quanto para manutenção. Outro tipo de irrigação com baixo custo, poderia ser feita por um irrigador, porém, não sei se há disponibilidade no Brasil.

Se o produtor possui capital disponível, seria interessante também a criação de um tanque para armazenamento de água e a instalação de um sistema de drenagem em determinados locais no pasto, pois assim ele poderia se beneficiar em não ter pastos inundados nas épocas de chuva e ainda amazenar a água para irrigar a propriedade no período da seca.

Como disse anteriormente, as variáveis são imensas, e cada caso é um caso, mesmo que seja no mesmo sistema de produção. Por isso, é necessário que tanto o produtor quanto o consultor tenha um bom conhecimento técnico, estude diversas possibilidades, busque novas informações, visite propriedades que tenham o sistema similar ao que o mesmo deseja implantar, faça um bom projeto, acompanhe de perto tudo o que está acontecendo com a propriedade e opere com um bom gerenciamento, independentemente do sistema que será introduzido. Pois assim, com certeza, o sistema será rentável e sustentável.

Peço desculpas por não conhecer exatamente a disponibilidade de produtos, solos e sistemas no Brasil, mas mesmo assim espero ter ajudado ao menos algumas pessoas.

Conheça mais a participação do Fabiano Barboza no MilkPoint, visitando sua página no MyPoint.

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PAULO F. STACCHINI

SÃO CARLOS - SÃO PAULO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 05/04/2013

Fabiano, já. fizemos testes nas forrageiras sim. Os resultados costumam ser melhores após. 5-7 anos, quando as pastagens.s são. bem manejadas. Isso porque há uma melhora significativa na fertilidade do solo com o passar dos anos, acúmulo de matéria organica e micro fauna do solo.  Quanto ao. aspecto de comparação, i computador dos animais.sso não se constitui problema em sistemas bem conduzidos mesmo em sistemas com altas lotações.Isso porque pesquisas mostraram que o vigoroso crescimento do sistema ridícular durante o período de descanso dos piquetes exerce grande efeito descompactador. Além disso, um colchão de material vegetal morto vai se acumulando sobre o solo, atenuando a comparação
FABIANO BARBOZA

ARARAS - GOIÁS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 22/09/2011

Olá Roberto,


Estou bem, obrigado!! E o senhor, como está?


Agradeço as informações, vou entrar em contato com o pessoal dessa fazenda para ver se consigo maiores informações.


Mais uma vez, obrigado.





Abraços,


Fabiano.
FABIANO BARBOZA

ARARAS - GOIÁS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 22/09/2011

Olá Michel,





Muito obrigado pelas informações!!! Vou continuar com a pesquisa...





Abraços,


Fabiano.
ROBERTO TRIGO PIRES DE MESQUITA

ITUPEVA - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE GADO DE CORTE

EM 22/09/2011

Olá Fabiano, tudo bem por aí? No link https://www.fazendapaudalho.com.br/ voce vai ter acesso ao site da fazenda do Carson Geld em Tietê-SP, um dos pioneiros na introdução do feno de Jiggs no Brasil. Acho que em contato direto com ele voce vai conseguir complementar todas as informações solicitadas ao Michel.


Abraços


Roberto
MICHEL KAZANOWSKI

QUEDAS DO IGUAÇU - PARANÁ - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 22/09/2011

Caro Fabiano,

Os trabalhos com Jiggs tem sido muito promissores. Realmente ha uma relação folha/caule maior que a Tifton. Essa razão que leva a uma menor quantidade de fibras e um nivel maior de proteina. O manejo é mais facil também. O residuo de pastejo é menor, dimuindo a necessidade de repasse. A produtividade tende a ser levemente menor que a Tifton. Outras vantagens como uma maior velocidade de rebrota inicial, resistencia a periodos de estiagem se somam as mesma.

Não tenho dados de pesquisa. Esses numeros são de avaliação de campo em propiedades da região.



Abraço



Michel Kazanowski
FABIANO BARBOZA

ARARAS - GOIÁS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 21/09/2011

Olá Michel e Olímpio,


Agradeço os comentários.


Muito interessante mesmo a história de Burt Munro, e também gostei bastante do filme. Todo ano acontece um evento para celebrar esse recorde, e muita gente/motos comparecem no evento. Mas na verdade, não estou mais morando em Invercargill.


Aproveitando seu comentário, ultimamente acompanhei suas discussões no debate do Guilherme Franco através dos emails que o pessoal do milkpoint está enviando. Fácil notar que você possui um excelente conhecimento na área.


Vi que esses dias você falou sobre a grama Jiggs. Coincidentemente, alguns dias atrás também ouvi falar dessa grama. Você tem mais informações? Vi alguns estudos dizendo que a relação folha/colmo é melhor que o Tifton85, assim como a quantidade de matéria seca produzida e a quantidade de proteína. A quantidade de fibras também parece ser melhor que o Tifton85.


Porém, nesse estudo que eu li, disse muito sobre a utilização dessa grama para eqüinos, não tanto para gado leiteiro. Entretanto, analisando a qualidade dessa grama nos estudos, aparentemente seria uma ótima opção para o gado leiteiro também.





Se possível, por favor, envie seus comentários sobre essa grama, assim como link sobre estudos, etc.





Um grande abraço,


Fabiano.


MICHEL KAZANOWSKI

QUEDAS DO IGUAÇU - PARANÁ - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 20/09/2011

Ola Fabiano,

De relance vi o nome da cidade que tu reside e na hora me veio em mente a historia da quebra do recorde mundial de velocidade naquela Indian. Burt Munro, o cara que colocou Ivercargill no mapa. Anthony Hopkins fez um trabalho perfeito ao interpretar esta brilhante historia.



Abraço



Michel Kazanovski
OLÍMPIO GOMES AGUIAR

BELO HORIZONTE - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 20/09/2011

Gosto muito deste tema. Vou acompanhar os comentários...
FABIANO BARBOZA

ARARAS - GOIÁS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 02/11/2010

Prezado Egon,

Aqui na Nova Zelândia, a Fonterra (responsável pela coleta de mais de 90% do total do leite produzido) paga o leite baseando-se na porcentagem de sólidos presente no leite. Se não me engano, a previsão do pagamento para essa temporada está em torno de nz$6,60/kg de sólidos + dividendos, pois para fornecer cada kg de sólido, o produtor é obrigado a possuir uma ação da cooperativa. Parte do leite é pago no mês seguinte ao fornecido (não sei exatamente quantos %), e o restante é pago apenas depois que a temporada acaba, ou seja, o restante do leite que estamos produzindo esse ano só será pago em meados de Outubro do ano que vem.
O motivo pelo interesse em pagar por sólido (porcentagem de gordura+proteína), é que a maior parte do leite virá pó ou produtos como queijo, manteiga, etc.
Mas esse pagamento total é apenas uma média, pois eles pagam mais pela proteína do que a gordura. Abaixo vou tentar deixar uma demostração de como o leite é pago.

Por exemplo, digamos que a média do leite pago no mês está em nz$4,25/kg de sólidos. (depois teria o adicional após o término da temporada).
Nessa caso, a proteína tem um valor de $687,5100 centavos/kg e a gordura vale $226,8800 centavos/kg.
Digamos que o produtor forneceu 129.277,00 litros de leite no mês, sendo 5.111kg de proteína e 7.040,2kg de gordura, ou seja, um sólido total de 12.151,20kg. Isso nos leva a conclusão que o leite desse produtor teve um teor sólido de 9,40%. Se apenas multiplicarmos o total de sólidos pelos $4,25 o total seria $51,642.60, mas como o valor de gordura e proteína são diferentes, é necessário realizar o seguinte cálculo:

Temos 5.111kg de proteína vezes $687,5100 centavos, ou seja, um total de $35.138,64 pela proteína. Já em termos da gordura, a produção foi de 7.040,2, vezes o seu preço ($226,8800 centavos), o pagamento pela gordura é de $15.972,81. Somando os dois, temos um total de $51.111,45.
Mas eles ainda consideram um "ajuste de volume". Esse ajuste é calculado da seguinte forma:
Para eles, o mais importante é a quantidade de sólidos, e não os litros. Por exemplo, se todo leite recebido pela fábrica apresentou uma média de, digamos, 8,63% de sólidos e o produtor forneceu um leite com uma média de 9,40%, nesse caso o produtor sai ganhando um pouco mais. Mas, se a média do produtor for menor que a a média geral do leite coletado, aí seu leite é ajustado para baixo, e ele recebe um pouco a menos.
Levando em consideração que ele produziu um leite com um teor de sólidos maior que a média dos outros produtores, ele sairá ganhando um pouco mais. Como ele forneceu 129.277,00 litros vezes $0,2480 (preço do ajuste), ele ainda recebe um extra de $320,61.
No total, ele recebe $51.432,06.
Pois é, um pouco confuso rsrsrs, mas depois que você pega o jeito fica fácil de entender. Se tiver mais alguma dúvida, é só perguntar.

Obrigado por sua participação.
Abraços,
Fabiano.
MARCELO ERTHAL PIRES

BELÉM - PARÁ - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 26/10/2010

"O PASTOREIO PERMANENTE, ininterrupto, indiferido, dia atrás de dia, meses por meses, estações sobre estações, anos por anos, por todo o tempo dos tempos, quer o sol calcine o solo, quer as invernias crestem o céspede vegetal, e por outro lado, a presença simultânea de bovinos, ovinos e eqüinos no mesmo campo, EIS DO QUE CONSISTE O MAIOR FLAGELO DA TERRA INDEFESA, DO ANIMAL SACRIFICADO E DO HOMEM INSENSATO".
Saint-Pastous, médico, fazendeiro e ex-presidente da Farsul (Federação de Agricultura do Rio Grande do Sul) - adepto de André Marcel Voisin.

um abraço marcelo
EGON KRUGER

PALMEIRA - PARANÁ - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 20/10/2010

Caro Fabiano,

eu queria saber como é feito o pagamento do leite, metodologia que é usada para fazer o preco do leite, pois pelo que eu entendi o preco é pre fixado para um ano que comeca em maio, pois estou tentando fazer um contrato com um laticinio na regiao para manter um preco estavel por um ano, nao temos muita experiencia em manter um preco estavel no brasil.
FABIANO BARBOZA

ARARAS - GOIÁS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 07/10/2010

Amigo Marcelo,

Obrigado novamente pelas informações que você está adicionando ao debate.
Essa máquina 12x12 é o modelo que tem teteiras em ambas fileiras? Ou é aquela em que uma fileira ordenha e a outra espera? Você sabe quanto ficaria +- sem o extrator automático e o medidor de leite por peso?

Sim, ainda estamos trabalhando muito por aqui, mas está começando a ficar mais fácil o manejo, pois faltam apenas cerca de 12 vacas para parir. O tempo melhorou bastante, mas ainda não estamos com muita grama disponível, acredito que em cerca de uma semana as coisas devam se normalizar.

A couve infelizmente acabou rsrsrs... no final de Novembro estaremos plantando outro pasto com couve.

Forte abraço,
Fabiano.
FABIANO BARBOZA

ARARAS - GOIÁS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 07/10/2010

Caro Enéias Lagemann,

Muito obrigado por sua informação.
As próximas dúvidas que eu teria, já foram questionadas por nosso amigo Marcelo.

Grande Abraço,
Fabiano.
MARCELO ERTHAL PIRES

BELÉM - PARÁ - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 06/10/2010

Prezado Enéias Lagemann, por favor poderia dizer para quantas vacas, duplo, ou ordenha x espera; caso Vc. possa, de que marca? Infelizmente, nossa construção do galpão terá itens de segurança e fechar o mesmo com grades, o situação deste conjunto esta muito devasada, as margens de uma rodóvia. meus respeitos marcelo
MARCELO ERTHAL PIRES

BELÉM - PARÁ - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 04/10/2010

Caro Amigo Fabiano, "o gato sai de casa; os ratos sobem na, mesa" - estamos aqui no seu bate papo prá lá e prá cá, mas lhe peço desculpas pelos abusos. Em resposta a sua pergunta; acabamos de adquirir um equipamento 12 x 12 , com teteiras de silicone - contenção dupla espinha-de-peixe(na frenter e atrás) - gerenciadores de limpeza e da ordenha do melhor, com marcação do leite por peso(não por volume) - extratora automática de teteiras - contenção - tudo mais, na faixa de 150 mil- GEA Westfalia - sem alvenaria - só faltou o programa indetificador dos animais por ´Chips´ - para ordenhar 96 vacas/h. Quando esta chegar na capacidade, estaremos pre parando a Sala #2 - as extratoras automáticas encarecem bem o equipamento. Melhorou o tempo por aí ? Aqui esta chovendo poquinho, mas os capins estão brotando ! Muito, trabalho(?), não precisa responder, sei que sim! um abraço marcelo (*) Não estas com saudades de um ´ Feijãozinho gordo´ com esta couve toda? (risosssssssssssssssssssssss)
ENÉIAS LAGEMANN

RIO GRANDE DO SUL - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 04/10/2010

Caro Fabiano Barboza

Nós construímos uma sala de ordenha a 1 ano e custou em torno de R$ 35000,oo
a sala possui uma sala de ordenha, uma sala de espera com piso e coberta, uma sala para um resfiador de 2000 l, uma salinha de maquina e um banheiro.
Este custo se refere somente a construção, pois no total com resfriador novo, maquina canalisada nova e demais equipamentos chegamos a quase R$ 80000.


Um abraço a todos,
Enéias.
FABIANO BARBOZA

ARARAS - GOIÁS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 02/10/2010

Caros amigos Marcelo, Antônio e Ramon,

Obrigado pela participação e pelas informações que vocês estão adicionando no debate.

Sempre concordei que um sistema a pasto, principalmente irrigado, e bem operado é um bom negócio, mas é claro que devemos tentar sempre maximizar o lucro.
O fornecimento de suplementos durante o déficit de acumulação da matéria seca dos pastos é uma prática essencial, pois assim não comprometemos a produção e nem a condição corporal dos animais.

Mudando um pouco o lado da conversa, algum de vocês saberia me dizer, mais ou menos, qual é o custo para construir um barracão de ordenha estilo espinha de peixe para 20 vacas? Não precisa ser exato, apenas para que eu possa ter uma idéia.

Grande abraço a todos,
Fabiano.
MARCELO ERTHAL PIRES

BELÉM - PARÁ - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 29/09/2010

Prezados Antônio Elias, Fabiano Barboza e Ramon Benício, Vc. tem que ir a seção de fotos ver o ´gadão´ que o Amigo Antônio Moraes, colocou lá para o nosso deleite, tratado com cana + uréia, concentrado e rotacionado de Grama Estrela - as fotos o credenciam, qualquer um que ver estas fotos encherga que o manejo dele ´funciona´ mesmo. Antônio Moraes, falar a verdade, é obrigação - seu gado é bom e bem tratado! Estou lhe devendo o nome de uma variedade de cana específica para áreas ARENOSAS, mas promessa é dívida e ser saudada ! fica o meu abraço a todos do site em especial aos sitados marcelo
ANTÔNIO ELIAS SILVA

CAMPO ALEGRE DE GOIÁS - GOIÁS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 29/09/2010

Caro Erthal,

Grato pela explanação sobre a cana. Vc pode dizer qual é o custo de produção sob o seu sistema (cana + tifton irrigado + concentrado)? Se me passar qual a alimentação de cada vaca, creio consigo calcular o custo. Qual o preço da tonelada de cana picada posta na fazenda?

Abraço,
A Elias
ANTÔNIO MORAES RESENDE

GOIÂNIA - GOIÁS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 27/09/2010

Obrigado amigo Marcelo Erthal pelo seu comentário a respeito do meu gado!!! Realmente no período da entressafra o volumoso é somente cana-de-açucar com uréia, e concentrado 1:3, no período da safra? pastejo rotacionado de grama estrela mais concentrado 1:3.
TeMOS vacas girolando fechando a lactação com média acima de 20 litros, e, tenho que falar que minha cana não está muito boa, ainda temos que melhorar a correção e adubação do solo, que é muito arenoso (92% de areia).

Um grande abraço ao amigo Marcelo
(este conhece muito de alimentação de vacas leiterias a base de cana).

Antônio MORAES Resende (moraes@centroleite.com.br)
MilkPoint AgriPoint