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Ir aonde ninguém foi

POR CHRISTIANO NASCIF

ESPAÇO ABERTO

EM 16/12/2014

5 MIN DE LEITURA

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Christiano Nascif
Labor Rural Serviços e Empreendimentos Ltda.
Coordenador técnico dos Projetos Educampo, PDPL-RV e PCEPL.
Consultor de projetos do SENAR/AC.


Final de ano, festas natalinas, momentos de reflexão e renovação. É sempre bom relatar boas notícias, bons resultados, para que bons fluídos nos façam iniciar 2015 mais engajados para superá-lo sem maiores dificuldades.

Tecnologias disponíveis para aumentar a produtividade e competitividade do negócio rural brasileiro existem; a falha é fazer chegá-las ao produtor rural, independente de ser pequeno, médio ou grande, de forma correta e no momento certo.

Em algumas regiões do Brasil, a baixa produtividade da atividade leiteira inibe a nossa competitividade, o que dificulta a abertura de novas fronteiras agropecuárias.

Apenas há quarenta anos atrás, índices de produtividade agrícola no Brasil ainda eram muito baixos, sobretudo nas pequenas propriedades. Hoje, os pequenos produtores já entendem que o diferencial para o seu sucesso são ganhos de produtividade proporcionados pela adoção de tecnologias.

Para que tal fato aconteça, temos que rever alguns conceitos, que muitas vezes levam à adoção de planos para o desenvolvimento do setor agropecuário equivocados.

Um deles e recorrente, é imaginarmos que o Brasil tem duas agriculturas: a familiar e a empresarial.

Ao simplificarmos agricultura familiar versus o agronegócio, esquecemos da grande complexidade do sistema agroalimentar integrado, que envolve pequenas, médias e grandes propriedades. O que dizer de pequenos produtores de soja do Paraná, com o apoio da Embrapa Soja e do IAPAR (Instituto Agronômico do Paraná), comemorarem produtividades médias de 12 ton/ha de milho e 6 ton/ha de soja? Ou seja, centenas de produtores chegam ao topo do agronegócio de forma competitiva derrubando falsos conceitos.

Estes mesmos produtores de 20 hectares de soja depositam suas produções na cooperativa e recebem por elas o mesmo preço internacional que recebe um grande agricultor norte americano.

A partir destes resultados, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR), iniciou um trabalho em Julho de 2013, junto aos pequenos produtores brasileiros pertencentes às classes D e E, a fim de modificar esta realidade nos estados do Tocantins, Maranhão, Piauí e Mato Grosso do Sul.

Se sabemos que a transformação da produtividade e competitividade do ambiente rural se faz por meio de tecnologia, temos que levar assistência técnica e gerencial aos pequenos produtores espalhados por diversas regiões do Brasil. Por meio de pesquisas, é comprovado que a assistência técnica com efetividade atinge somente 9% dos produtores rurais brasileiros. Este fato se traduz em baixas produtividades alcançadas, no contínuo fluxo de pessoas do campo para a cidade e das enormes dificuldades enfrentadas por serem pessoas que habitam o meio rural.

Reunindo-se informações relacionadas aos projetos-piloto, com ações iniciais nos estados de Tocantins, Maranhão e Piauí, já é possível observar evoluções na produtividade e competitividade dos produtores acompanhados pelo Projeto de ATER do SENAR, a partir da análise de dados coletados referentes ao período anterior ao início da assistência técnica e gerencial, comparados com os resultados atuais.

Através de manejo adequado, ajuste na alimentação, melhorias na produtividade, nos índices reprodutivos do rebanho e descarte de vacas improdutivas, o que gerou capacidade de reinvestimento dos pequenos produtores, o volume de leite produzido pelo grupo de propriedades atendidas pela assistência técnica e gerencial do SENAR aumentou 44%. No mesmo período, o volume de leite produzido nos estados do Tocantins e Maranhão aumentou em 8%.


Gráfico 1: evolução da produção de leite de uma amostra de 432 propriedades do Tocantins e Maranhão.

O aumento da produção será maior quando os resultados do melhoramento genético, através de touros melhoradores e inseminação artificial, adotados pelos produtores, forem traduzidos em maiores produtividades dos animais em lactação. Este aumento da produção de leite fez com que a produtividade da mão de obra aumentasse, pois sabemos que atualmente a mão de obra é um dos principais gargalos das atividades agropecuárias.

Além do aumento na produtividade das vacas em lactação de 38%, somente em um ano de trabalho, também aumentou-se a eficiência da mão de obra dos produtores que participam da assistência técnica e gerencial do SENAR em 29%.


Fonte: Labor Rural. Amostra de 432 propriedades do Maranhão e Tocantins.

Em 12 meses melhorou a estrutura de rebanho, aumentou a produtividade das vacas em 38%, a produção de leite/dia em 44% e a produtividade da mão de obra, em 29%. O resultado não poderia ser outro, aumento da renda bruta da atividade em 35%, saltando de aproximadamente R$1.400,00 para em torno de R$2.000,00/mês.



Fonte: Labor Rural. Amostra de 468 propriedades do Maranhão, Piauí e Tocantins.

No entanto, não basta apenas elevarmos os índices de produtividade e a renda das propriedades se os custos de produção não estiverem equilibrados. Neste primeiro ano o foco foi o fluxo de caixa nas propriedades. Assim, podemos notar que os produtores que receberam a assistência técnica e gerencial do SENAR, conseguiram obter melhorias em seus fluxos de caixa (entradas e saídas de dinheiro), tornando-os positivos conforme os gráficos abaixo:


Fonte: Labor Rural. Amostra de 468 propriedades do Maranhão, Piauí e Tocantins.

A intenção de todo este trabalho, a priori, é transformar o meio rural e propiciar o desenvolvimento dos pequenos produtores rurais do Brasil.

A assistência técnica e gerencial como agente de transformação de uma realidade somente cumpre este papel quando se propõe a ir onde ninguém foi, e esta é a proposta da ATER do SENAR. Parafraseando o mineiro Milton Nascimento, a assistência técnica e gerencial deve ir aonde o produtor rural estiver: este é o grande desafio.

O mérito deste trabalho só foi possível devido ao despreendimento e competência de todos os atores envolvidos em cada estado: os sindicatos rurais, as federações de agricultura e pecuária, o SENAR, coordenadores, supervisores e técnicos agrícolas capacitados pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural, que desenvolvem as suas funções com grande eficiência. Portanto a vocês os nossos parabéns e agradecimentos por terem tido a coragem de mudar uma realidade.

O que podemos seguramente afirmar é que o salto fundamental para o setor agropecuário brasileiro ter alcançado o ponto estratégico da segurança alimentar mundial foi a tecnologia. Mas ainda: temos muito a evoluir, pois a Revolução Verde brasileira não se define pelo tamanho das propriedades, mas na inovação tecnológica de todos os setores do agronegócio do Brasil, pois sabemos que a tendência mundial é de grandes produtores em pequenas áreas.

E para aqueles que ainda desprezam os pequenos números, talvez pensando somente no abastecimento e não no aspecto da sustentabilidade na sua forma mais ampla, é válido relembrar J.W. Mariot: “Um negócio é bem sucedido não porque existe há tempo ou porque é grande, mas porque nele existem homens e mulheres vivendo-o, dormindo e sonhando com ele”.
 

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WILTON FERREIRA

ITAPECURU MIRIM - MARANHÃO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 27/12/2014

Parabéns a todos!!!
PAULO MAURICIO B BASTO DA SILVA

CASTRO - PARANÁ - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 23/12/2014

Nota 10!!!
ORIDES

EM 17/12/2014

os pequenos produtores  pode se manter com preço do leite cada mes esta menos, como diminuir as despesas. todos  estao desanimados estao vendedo  as vacas leiteras  muitos nao recebem informaçao  fica dificil  se manter
ALESSANDRO BARLETTA GOMES

RIO DE JANEIRO - RIO DE JANEIRO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 17/12/2014

Prezado Christiano,  

Parabéns pelo artigo.

Como produtor assistido pelo Programa PDPL,  comprovo na pratica toda a teoria acima descrita em relação aos desafios atuais da atividade leiteira, e como a tecnologia associada a assistencia tecnica pode mudar a realidade de pequenas e medias propriedades rurais.

Abraço!
HERMENEGILDO DE ASSIS VILLAÇA

JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

EM 17/12/2014

Cumprimentos pelo o artigo.

Boa gestão, tecnologia adequada,e difusão da tecnologia são os pontos chave do sucesso.


PEDRO HENRIQUE REZENDE DE ALCÂNTARA

PALMAS - TOCANTINS - PESQUISA/ENSINO

EM 16/12/2014

Prezado Nascif,



Meus cumprimentos pelo artigo e pelo trabalho desempenhado pelo projeto Travessia Leite no Tocantins.



Ainda há muito o que evoluir, todavia, o esforço está sendo louvável. Os resultados são visíveis. No Tocantins, precisamos agregar ações de promoção da organização e desenvolvimento da cadeia do leite às ações de ATER em bovinocultura leiteira. Por estas bandas, imperam os mono e oligopsônios, o que dificulta bastante a comercialização do leite pelos produtores. Em muitas regiões sequer existem laticínios, apesar da demanda de leite estar espalhada por todo o estado, obviamente. Programas governamentais se vêem obrigados a adquirir leite processados em outros estados/regiões do Brasil a alto custo pois o leite processado em Tocantins não é capaz de atender a esta demanda. Produtores se deparam muitas vezes com uma realidade desanimadora, na qual o aumento de sua produção implica necessariamente em problemas de comercialização. Ou seja, crescer pode ser um problema e não uma solução. Esta realidade precisa mudar. É necessário que através da organização de produtores (incentivada pelos agentes de ATER) seja possível a implantação de mini-indústrias para o atendimento de demandas locais. Desta forma a produção de leite deixaria de ser um potencial reprimido, elevando-se rapidamente e atraindo indústrias de maior porte para as diversas microrregiões do estado.



Temos (Embrapa) atuado no estado com a atualização tecnológica teórica e prática (acompanhamento de propriedades de referência) de técnicos de ATER (principalmente oficial) em bovinocultura leiteira. Já trabalhamos em parceria com o SENAR em diversos projetos e nos colocamos à disposição para contribuir também com o Travessia Leite no que for necessário.



Sigamos "vivendo, dormindo e sonhando" com o desenvolvimento da cadeia do leite no Tocantins e no Brasil.



Saudações,



Pedro Alcântara

Analista de Transferência de Tecnologia da Embrapa
RICARDO SCHMIDT DIAS -

PRESIDENTE GETÚLIO - SANTA CATARINA - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 16/12/2014

Excelente texto. É uma motivação para desempenharmos este trabalho técnico e gerencial nas pequenas propriedades do Brasil.
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