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Fragilidade do agronegócio do leite brasileiro

POR MARCELLO DE MOURA CAMPOS FILHO

ESPAÇO ABERTO

EM 15/04/2009

3 MIN DE LEITURA

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O jornal O Estado de São Paulo, no dia 12 de dezembro de 2008, publicou a matéria "Crise expõe situação frágil das empresas de leite", mostrando que as cooperativas e lacticínios de uma forma geral estavam numa situação financeira difícil, decorrente de expansões para disputar um mercado onde a produção cresceu muito nos últimos anos, sendo que de 2007 para 2008 a produção cresceu 2,5 bilhões de litros, e essa oferta excessiva ter levado os preços a despencarem e a estoques elevados.

A matéria "Balança comercial tem déficit superior a US$ 10 milhões", publicada no MilkPoint em 09 de abril de 2009, mostra que o déficit da balança comercial de lácteos em março de 2009 foi de US$ 10,3 milhões, e permite estimar que a importação de leite equivalente correspondente ao déficit desse mês seria da ordem de 75 milhões de litros. Ora, se este déficit se repetir em 12 meses, corresponderia a uma importação de cerca de 0,9 bilhão de litros por ano, o que é estranho quando a alguns meses se falava em excesso de oferta e estoques elevados.

O Ministro Stephanes afirmou que a Argentina está "empurrando" para o mercado brasileiro leite que não tem para quem vender a preços baixos, e que o Brasil não pode se tornar um depósito de excesso de leite. A CNA acusa que há indícios que o leite que está entrando pela Argentina estaria sendo adquirido da União Europeia a preço abaixo do custo. Mas é estranho que esse leite está sendo importado por algumas de nossas empresas e há alguns meses se falava de excesso de produção e elevados estoques.

Sugerimos ao Ministro Stephanes, a bem da transparência e da sustentabilidade do agronegócio do leite brasileiro, principalmente da pecuária de leite que é quem normalmente paga o pato por tudo que acontece, determinar que o MAPA, que autoriza as importações de leite e lácteos, verifique e torne público quais as empresas que estão importando esse leite e por que estão importando.

Já antes da crise mundial, a Leite São Paulo propôs a criação, junto à Câmara Setorial da Cadeia Produtiva de Leite e Derivados do MAPA, de um mecanismo permanente para a política e planejamento do setor leiteiro nacional, com representantes do Governo, da indústria e da pecuária de leite, por considerar esse mecanismo fundamental para a transparência e sustentabilidade do agronegócio do leite brasileiro. Depois da crise nos parece que essa proposta se torna ainda mais importante, visto que não se pode acreditar que o "mercado" resolverá tudo e que para uma política e planejamento setorial adequada basta algumas reuniões esporádicas. É preciso regulação mais forte do Governo e mecanismo permanente para as discussões e ajustes com a iniciativa privada.

O Brasil, a cerca de 5 anos atrás, era grande importador de leite, importando cerca de 1 bilhão de litros por ano. Se o que aconteceu em março se repetir nos próximos 12 meses, corremos o risco de voltar a ser grande importador de leite, importando em torno de 0,9 bilhão de litros.

A fragilidade não é da indústria do leite, mas de toda a cadeia produtiva, cujo elo mais fraco, todos reconhecem, é a pecuária de leite. Reiteramos o nosso pensamento que, para fortalecer a cadeia produtiva de leite e derivados, precisamos de um mecanismo permanente e mais eficaz para estabelecimento da política e planejamento do setor leiteiro, composto de um número limitado de representantes do setor público e privado, que possam realizar os estudos e apresentar propostas, e depois acompanhar a implementação das propostas aprovadas pelo plenário da Câmara Setorial, e sugerir as eventuais correções de rumos necessárias.

Talvez o MAPA verificando o que aconteceu, não só em março de 2009, mas também no primeiro trimestre de 2009 e em 2008, também conclua que precisamos junto à Câmara Setorial da Cadeia Produtiva do Leite e Derivados, de um mecanismo mais efetivo e permanente para a política e planejamento do setor leiteiro, que possa favorecer as decisões e ações do Governo e da iniciativa privada para dar melhores condições e fortalecer o nosso setor leiteiro, para garantir nossa segurança alimentar e para não prejudicar a geração de empregos no País.

MARCELLO DE MOURA CAMPOS FILHO

Membro da Aplec (Associação dos Produtores de Leite do Centro Sul Paulista )
Presidente da Associação dos Técnicos e Produtores de Leite do Estado de São Paulo - Leite São Paulo

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EDVALSON DE SOUSA MARTINS

GOIÂNIA - GOIÁS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 23/04/2009

A vergonha nacional, permeia o meio politico, a ingestão dos nossos governantes, nos coloca a deriva, sem rumo, chegando a angustiante situação de penuria, depois de tanto lutar, aplicar tecnologias de ponta, melhorar a qualidade do leite, com investimento de longo prazo, enlamado de dividas, sacrificando a familia, se matendo no trabalho, para não ver nenhum resultado. A nossa auto-estima, foi angustiada, pelo nosso esforço, na busca de dias melhores. De lorotas estamos cheios, ano politico se aproxima, balelas constantes, tapeiam os menos favorecidos; lamentamos, que os nossos politicos só olham para os seus interesses pessoais, sem ser capazes de exercer as suas funções devidas.As esperanças chegaram ao fim, tudo não passou de uma grande ilusão, de produzir leite, de acreditar nesse país, de iludidos e de pessoas incompetentes que nos governam. Além de tudo isso, sou professor, categoria mais desvalorizada deste país. Acorda Brasil, estamos jogados a propria sorte.

<b>Resposta do autor:</b>

Prezado Edvalson de Souza Martins

Agradeço seus comentários.
Concordo com mutas das sua queixas e colocações, mas, apesar de muitos produtores não terem conseguido se manter na atividade, não posso concordar a esperança chegou ao fim, e que produzir leite não passou de uma grande ilusão. Se como você diz, precisamos acordar o Brasil, precisamos manter a fé e continuar a luta. O artigo "Em busca do Apóstolo Paulo" de Gil Reis publicado no Milkpoint talvez ajude a recuperar a fé e a vontade de lutar.

Abraço

Marcello de Moura Campos Filho
MÁRCIO F. TEIXEIRA

ITAPURANGA - GOIÁS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 22/04/2009

Caro Marcello,

são iniciativas dessa natureza que precisam ser implementadas e desenvolvidas e, na minha maneira de pensar, deveriam estar sendo propostas pelo próprio MAPA ou pela CNA. É triste ver que depois de tantos acontecimentos negativos ao setor leiteiro brasileiro, entre eles as importações, a péssima relação indústria-produtor por exemplo, ainda continuam presentes e inviabilizando à produção de leite no Brasil.

Acho que temos experiência e conhecimento para sabermos o que é necessário ser feito para que possamos evoluir e dar mais importância e respeito aos produtores de leite em nosso país, porém, infelizmente somos deseorganizados e não possuímos entidades que nos representem e nos defendam, de fato, como deveria ser.

Parabéns pelo seu trabalho e pela sua "visão" do que, entre outras coisas, deve ser feito para que o setor possa avançar e evoluir. Espero que o seu trabalho e as suas propostas sejam atendidos e que possamos caminhar e produzir com mais segurança, com renda e com mais dignidade.

Abraço

<b>Resposta do autor:</b>

Prezado Marcio Teixeira

Agradeço seus comentários.

No artigo¨"Em busca do Apóstolo Paulo", publicado no Milkpoint, Gil Reis nos diz, com razão, que nós produtores rurais precisamos não de um, mais muitos Apóstolos Paulo, para levar ao grande público nossos anseios e necessidades e para sermos mais respeitados. Eu tenho procurado ser, na medida das minhas possibilidades, um desses apóstolos. Mas seria muito bom contarmos com um Messias que pudesse potencializar a ação dos muitos Apóstolos Paulos que, se já não existem, deverão surgir no País.

Abraço

Marcello de Moura Campos Filho
OSMAR U. CARVALHO

TEÓFILO OTONI - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 18/04/2009

Apoiamos os questionamentoos daqules que já analisaram a atual situação.

Realçamos o trabalho de equipe do MAPA, deixando de aprofundar os motivos que levam industrias brasileiras a importar leite,quando aqui temos excesso. Será que a industria ou (as) só pensam no lucro imediato?

Apoiamos a presença de outros segmentos da cadeia leitera no MAPA, incluindo o produtor rural,e uma transparencia das ações apoiadas por esta representação. Que sejam conhecidos de toda a comunidade brasileira as industrias importadoras que lesam com esta atitude o equilibrio financeiro do
país.

<b>Resposta do autor:</b>

Prezado Osmar U. Carvalho

Agradeço os comentários.
Efetivamente é necessário o MAPA aprofundar os motivos que levaram indústrias brasileiras a importar leite argentino quando se falava que havia leite em excesso aqui e grandes estoques. E conforme o que for apurado deve haver uma ação do MAPA para coibir essa situação e evitar grandes prejuizos para a pecuária leiteira nacional, que pode levar até o Brasil voltar a ser grande importador de leite.
Não podemos falar genéricamente que todas as indústrias só se preocupam com seus lucros sem se importar com os efeitos negativos que suas ações podem prejudicar a doda cadeia produtiva do leite no País, principalmente à paecuária leiteira. É preciso separar o joio do trigo, tarefa que cabe ao MAPA, e os produtores esperam que o Ministro, que se mostra preocupado com a situação, faça isto.

Abraço

Marcello de Moura Campos Filho.
WANDERLEY GIOIELLI

NHANDEARA - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 18/04/2009

Caros produtores, todos nós sabemos qual é a empresa bandida que compra leite da Argentina, a preços baixos, com indícios de triangulação com a União Européia. Ela está ganhando muito dinheiro e prejudicando enormemente o homem do campo no Brasil e consequentemente comércio e indústria.

Até quando Sr. Ministro Stephanes, autoridades e representantes do setor; cadê vocês? Não é a primeira vez.

<b>Resposta do autor:</b>

Prezado Wanderley Gioielli

Agradeço seus comentários.

Acredito que muitos produtores suspeitam quais são as empresas que estão importando leite da Argentina, com ou sem triangulação com a União Eropéia, e que estão pensando apenas nos seus lucros, sem se preocuparem com o produtor rural e com os prejuizo que isso possa trazer ao nosso interior, e consequentemente ao comércio e indústria de forma geral, mas naturalmente que não tendo provas, não podem opinar, e mesmo que pudessem a ação para impedir essa ação cabe apenas ao Governo que autoriza as importações.

Por isso no artigo sugeri ao ministro Stephanes, que está preocupado com essa questão, que além de investigar a existência de triangulação com a União Européia, pedir a essas empresas que expliquem a razão dessas importações bem como verificar se de fato existiam grandes excedentes de oferta e estoques em 2008. E sugeri também uma divulgação pública do MAPA do resultado dessas verificações e das ações que venha a tomar, para não desanimar de vez a pecuária leiteira nacional, o que poderá levar o Brasil novamente à condição de grande importador de leite com prejuízos siginificativos para a geração de empregos e desenvolvimento econômico e social do País.

Abraço

Marcello de Moura Campos Filho

MARIO MACHADO PASCHOAL

BRAZILÂNDIA - DISTRITO FEDERAL - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 17/04/2009

Produção de leite e três problemas: Preço, Produtividade e "Modelo" de Produção

Em outra ocasião colocamos em discussão a pecuária de leite e dois problemas: preço e produtividade. Nesta feita acrescentamos mais um: o "modelo" de produção, que é o que está errado, em se tratando de pequenos e médios produtores (também é possível um "modelo" sustentável em grande escala, como é o caso da Faz. Sta. Luzia, em Passos-MG), na região Centro-oeste.

Existe uma "cultura" ainda predominante, que "dita" o caminho a ser perseguido pelo produtor que é Vacas Holandezadas, com ênfase no Concentrado, para que assim ele possa atingir o tão propalado vlme de produção.

Consideramos:

1º- não existe correlação positiva entre volume de produção e sucesso na atividade, uma vez encontrada ineficiência no pouco que o produtor já produz;

2º-se promovermos o cruzamento absorvente com Holandês, já na 3º geração obteremos zero de Heterose ou Vigor Híbrido, ou seja, perdemos as principais caracteísticas de interesse econômico para região, ou seja, rusticidade, resistência aos parasitas, precocidade, longevidade, etc.

3º-sabemos que a ingestão de matéria seca está diretamente relacionada com o teor de proteína da pastagem. Solos pobres e pastos mal manejado (clima tropical: crescimento rápido e precoce amadurecimento) faz com que estas vacas Holandezadas passem fome. Aí oferece mais concentrado, e a cada 1 kg de ração concentrada a vaca deixa de ingerir 7 kg de matéria seca de capim, e assim num círculo vicioso que só onera os custos.

É por isso que a crise atual anda fazendo suas vítimas no Sul de Minas, em Jaraguá-GO, em Unaí-MG, e onde quer que encontramos esse "modelo", na região em questão.

Esse "modelo" só funciona com preços recebidos pelo leite comercializado num patamar que só é praticado quando existe baixa oferta com alta demanda. E quando a indústria "ajeitou" sua situação logo vem o achatamento direto na receita do produtor. Chega a ser cruel. Chama para o investimento, aumento de volume, etc.. e depois salve-se quem puder.

Mas aí tem a chamada Vaca Girolanda que em toda a esquina tem vendedor. Agora então tá na moda multiplicar através da F.I.V. material genético superior de vaca Girolanda, comprada a peso de ouro, e depois comercializados seus produtos em leilões de luxo. O produtor que comercializa leite, vez que outra ouve os comentários, só isso.

A solução: Interação Genótipo-Ambiente, através da Heterose e manejo de pastagem (olhe que ainda nem falei em fertilização de pasto).

Simples e cristalino como água de mina (preservada).

<b>Resposta do autor:</b>

Prezado Mario Machado Paschoal

Agradeço seus comentários que me motivam a algumas colocações.

O grande desenvolvimento genético da raça holandesa nos USA visando o aumento da produção de leite talvez seja o motivo de aqui no Brasil se usar a raça holandesa quando o objetivo é aumentar o volume de produção, e não tenho nenhuma restrição quanto a isso. Da mesma forma não tenho nada contra se usar, por exemplo, a raça Jersey quando o objetivo é aumentar o teor de gordura e sólidos no leite, ou a raça Gir, quando o objetivo é aumentar a rusticidade dos animais.

Noi meu entendimento cadea raça tem vantagens e desvantages que devem ser pesadas pelo produtor ou técnico quando definirem a raça ou cruzamento de raças a serem utilizadas para de produção de leite. E essa escolha deverá levar em conta a região em que o produtoe está inserido, o sistema de produção s ser utilizado e os recursos disponivei para investir na atividade.

Dessa forma não acredito num único modêlo de produção para um país de dimensões continentais e com uma heterogenidade de produtores rurais como é o caso do Brasil. Penso que dependendo da região que o produtor está inserido, do conhecimento do produtor e da assistência técnica que ele poderá ter, das condições erconômicas e financeiras do produtor, existirá um sistema de produção, caracteristicas dos animais e de manejo mais recomendado, e que é extremamente importante que o produtor conte com a ajuda de técnicos capacitados para fazer a escolha, sejam esses técnicos profissionais autonomos, de empresas privadas ou de entidades como a Emater. E é importante para o sucesso da atividade que o produtor possa contar com essa asistência técnica não só na escolha do sistema de produção e do tipo d eanimais que irá utilizar, mas também para o acompanhamento da operacionalização e aperfeiçoamento do sistema de produção.

Aspectos como a interação genótipo-ambiente, sistema de produção a ser adotado, escolha dos animais, manejo dos animais, de pastos e culturas de suporte ( incluindo analise de solo, adubação e preservação ambiental ), e gerenciamento são condições necessárias na solução de um sistema de produção leiteira que tenha perspectiva de sucesso e sustentabilidade. Talvez isso seja cristalino para muitos produtores e técnicos.

Mas não são condições suficientes para garantir o sucesso econômico-financeiro e a sustentabilidade cdo empreendimento. No meu entender, é preciso que exista poliítica e planejamento adequados para o setor leiteiro, e que o elo da pecuária leiteira, que é o mais fraco da cadeia produtiva, seja fortalecido e conte com mediação do governo para o equilibrio da cadeia produtiva. Infelismente isso não é cristalino nem para produtores e técnicos ligados à precuária de leite nem para o Governo. É precisamente para chamar atenção para este ponto que escrevi artigo, e suas colocações foram oportunas e me permitiram uma complementação do texto.

Abraço

Marcello de Moura Campos Filho
RONALDO PEREIRA GUIMARÃES

BELO HORIZONTE - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 15/04/2009

Penso que o governo acordar para o problema já é um ganho, pois enquanto o governo incentiva alguns setores, para segurar empregos, deixa a deriva um dos maiores empregadores do país: a cadeia produtiva do leite. Pensem em mais êxodo rural, em pessoas não qualificadas para o trabalho das cidades, em falta de moradias, em criminalidade, em famílias desmanteladas, mendicancia, etc, etc.

É só pensar um pouco e vamos imaginar o que pode vir junto com leite importado abaixo do custo. Uma campanha para a população consumir mais leite também seria muito bem vinda, pois leite é alimento importante que vai sendo substituído por água com açucar e sabe-se lá mais o que.

<b>Resposta do autor:</b>

Caro Ronaldo Pereira Guimarães

Agradeço os comentários.
Realmente é preciso que, não só o Governo, mas toda a cadeia produtiva acorde para que o setor leiteiro nacional tenha política e planejamento adequados e não fique a deriva como aconteceu por décadas. No meu modo de ver, campanhas de aumento do consumo de leite para serem eficazes devem fazer parte do planejamento setorial.

Abraço

Marcello de Moura Campos Filho
MARCOS TADEU COSMO

SALES - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 15/04/2009

Marcelo,

Essas importações confirmam entre outras coisas, que não houve excesso de produção (pelo menos não no patamar informado) e que preços manipulados são insuportáveis para qualquer país em qualquer sistema de produção de leite.

A indústria vem investindo às cegas, e ninguem lá sabe quanto o consumidor pode ou deseja comprar em leite e derivados. O consumidor não tem o devido respeito pelo produto leite, imaginando que para o leite chegar a sua geladeira basta o pecuarista abrir 4 pequenas torneiras da vaca, e depois guarda-la no armario sem mais trabalho. O produtor vive se debatendo com a montanha russa dos preços para o seu produto - leite - e dos aclives para o custo dos insumos que, quando sobem, demoram muito a cair, quando caem.

Creio que enquanto a industria não tiver um minimo de planejamento para o nivel de produção necessario para atender o mercado, repassando ao produtor as previsões de entrega com a respectiva previsão de preços, ficaremos nesse mar de tempestades tropicais, tendo que aturar empresas importando leite a preço vil enquanto algumas industrias e muitos produtores estão literalmente falidos.

Me parece que o planejamento a muitas mãos, será a saída saudável e profissionalizante para o nosso leite.

Grato pelos seus comentarios.

Marcos Tadeu Cosmo

<b>Resposta do autor:</b>

Caro Marcos Tadeu Cosmo

Agradeço os comentários.
Quem conhece o trabalho de planejamento setorial sabe que esse trabalho tem que ser feito de forma permanente, dispor de mecanismos adequados e num forum envolvendo todos os participantes. É isso que temos procurado alertar, pois entendemos que se continuarmos a tratar a politica e planejamento do setor leiteiro da mesma forma como foi feito no século XX, no século XXI não conseguiremos que o setor responda às necessidades do País, correndo o risco de ser importador de leite e lácteos como foi no século passado.

Abraço

Marcello de Moura Campos Filho
MilkPoint AgriPoint