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Desafios para o futuro

POR ROBERTO JANK JR.

ESPAÇO ABERTO

EM 05/12/2014

2 MIN DE LEITURA

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Produzir leite foi, é e continuará sendo desafiador. Não só aqui no Brasil, onde os mecanismos de estabilidade da produção inexistem, mas também no resto do mundo aonde vimos como os custos subiram de forma generalizada nesses últimos três anos e tumultuaram, inclusive, modelos de produção mais habituados à estabilidade.

É um negócio para poucos, mas surpreendentemente continua sendo grande empregador de mão de obra, especialmente familiar, e importante solução de ‘meio de vida’ para parcela expressiva da população mundial. Difícil entender o porquê, já que é atividade reconhecidamente laboriosa e desgastante. Talvez o fato de que o produtor vende um subproduto de seus animais (nem sempre com lucro, é verdade), teoricamente sem afetar seu patrimônio, explique esse mistério do inconsciente da mente humana.

Mas também o imponderável clima tem feito mais vítimas nos últimos tempos e deixou profundas marcas em 2013/14, principalmente com a seca em São Paulo e Minas Gerais. Que nos sirva de alerta e de lição.
Por sua vez, os impactos ambientais da exploração leiteira e o mais recente “uso racional da água”, cada vez mais vão fazer parte das diversas demandas públicas e de responsabilidade social, exigidas do produtor de leite.
A exportação de lácteos, pequena e restrita a alguns países, continua extremamente dependente de poucos mercados; apenas o prenúncio da queda do crescimento Chinês já provocou alarmante revisão no valor do leite previsto para a safra 2015/16 na Nova Zelândia, um grande exportador.

2015 certamente será um ano difícil. Contra o setor temos a restrição de consumo originada pela crise e a possível restrição de crédito, prevista pelo Levy, para equilibrar a lambança do PT na economia.

A nosso favor temos a taxa de câmbio, que parece ter encontrado certa estabilidade na casa dos R$ 2,50 +. Isso ajuda a restringir importações e não atrapalha nossa competitividade nas exportações, situação que foi corriqueira e desmotivadora para todo o setor entre 2006 e 2012.

Como a flutuação da produção ainda é incerta, já que os estímulos e desestímulos via preço do leite ao produtor não estão claramente definidos pelo mercado até agora, podemos afirmar pelo histórico da última década que quanto maior a razão da queda ou aumento dos preços, maior o grau de ruptura ou crescimento repentino da produção primária. Ainda não aprendemos a trabalhar pelas medianas, portanto permanece o estado de atenção e a instabilidade da oferta.

Um setor sem mecanismos de financiamento de estoque, ferramentas de ajustes da oferta ou da exportação, certamente continuará a conviver com essa realidade. Por conta da demanda crescente, também não fomos capazes ou suficientemente motivados a criar um sistema de remuneração por qualidade, cotas ou fidelidade que, de fato, profissionalize e selecione o setor de forma mais firme, tanto no setor primário como secundário. Infelizmente continuam por aí as fraudes, que não me deixam mentir.

Ainda assim, o Brasil permanece como um dos mercados com maior potencial de crescimento de consumo, ao lado da Ásia, e está entre os poucos países que tem capacidade para crescer tanto em volume, produtividade como em qualidade. Temos muito por fazer e isso, afinal de contas, é extremamente positivo.

Temos espaço físico, potencial de consumo, de exportação e muita eficiência para ser conquistada.

A esperança é que o produtor vocacionado permaneça crescendo e apoiado pelas instituições publicas e privadas e possa, assim, cumprir seu papel de supridor de alimentos para a sociedade.
 

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ROBERTO JANK JR.

DESCALVADO - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 11/12/2014

Prezado Olímpio,

Também concordo com o Craig no diagnostico da produtividade, mas em nenhum momento falei em crise do leite. Também não acredito que esse tema tenha origem nas industrias, que tem sofrido bastante.

A crise é econômica e afeta todos os setores. A lei da oferta e procura é implacável e toda vez que a demanda for inferior à oferta os preços cairão. Veja que o leite é um produto de baixa elasticidade de renda, o que significa que vendido por R$ 2,00 ou R$ 1,60 não haverá aumento nas vendas. Por que vender barato? Apenas porque o excedente de oferta motiva o mercado a reduzir os preços; não ha outra explicação ou vantagem.

Precisamos sim ser mais profissionais, melhorar e liderar um programa de qualidade e exigir uma maior segmentação do mercado de lácteos.

Enfim, aprender com quem já resolveu isso em outros mercados.

abraços,
ROBERTO JANK JR.

DESCALVADO - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 11/12/2014

Prezado Adir,

Nosso mercado cresceu muito, porém de forma horizontal. Não acredito que a industria esteja satisfeita com seus resultados e com esse quadro. Estamos caminhando para melhores ganhos de forma vertical, com mais produtividade por área e profissionalismo, mas falta empenho de toda a classe, inclusive nosso e da industria.

abraços,.
ROBERTO JANK JR.

DESCALVADO - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 11/12/2014

Caro Duarte, obrigado por suas palavras.

Estou 100% de acordo com você e certamente o ganho na a produtividade é o maior reflexo do profissionalismo e o melhor retrato do debate em outro nível.

Nos falta o catalisador do processo; caminhamos muito devagar.

Forte abraço e saúde.
ROBERTO JANK JR.

DESCALVADO - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 11/12/2014

Caro Marcello, promover o vocacionado e incentiva-lo a crescer passa por normatização e fiscalização do leite por parte do poder publico, tornando o produtor mais profissional e mais protegido dos amadores. Também precisamos brigar pela isenção de impostos de importação em borrachas e outras tecnologias, hoje tributadas em até 50%, que desmotivam o produtor a investir em igualdade de condições com o produtor estrangeiro. Na alimentação temos Pis/Cofins no farelo de soja para leite e suínos e aves estão isentos; só isso vale hoje perto de R$ 80,00 por tonelada de soja; nós temos pouca voz ativa e não conseguimos.

No setor privado precisamos pressionar a modernização das normas para vender leite entre 90 e 120ºC de tratamento térmico (os meia vida), hoje comuns na Europa e USA. existe um ganho de biosseguridade que não podemos exercer por falta de normas.

A própria retirada do citrato de sódio em longa vida de boa qualidade é um diferencial a ser perseguido.  Temos varias frentes a atacar, mas infelizmente a mesmice tem imperado.

Em síntese, não acredito em reinvenção da roda, mas podemos reconhecer e reproduzir varias atitudes de outros países mais organizados e maduros que nós no segmento leite.

abraços e ótimo ano,


ROBERTO JANK JR.

DESCALVADO - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 11/12/2014

Obrigado Luis e Marius. Saúde e ótimo ano para vocês e os seus.

abraços
OLÍMPIO GOMES AGUIAR

BELO HORIZONTE - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 10/12/2014

Prezado Roberto, parabéns pelo artigo, mas sou da opinião do Sr Craig Bell que diz o seguinte no seu artigo "As razões das "crises" geralmente são situações apontadas pela indústria para apertar a margem do produtor, exclusivamente pensando em comprar com melhores preços para conseguirem mais margem nos produtos por eles industrializados". Desde muitos anos falam se em "crise" do leite, acho que o mercado é que dita as regras, mas as industrias tem grande peso nesta situação. Infelizmente nosso produto é cartelizado e monopolizado, sempre ficaremos a mercê da industria, e eles não querem que isso mude.
DUARTE VILELA

JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

EM 08/12/2014

Caro Roberto, parabenizo-o pelo artigo e acrescentaria em suas colocações que a produtividade brasileira conspira contra todos e é fruto dos baixos investimentos em ciência e tecnologia praticado pelo nosso país comparativamente a outros nossos competidores naturais. Se investíssemos mais em tecnologias e se essas fossem apropriadas pelos produtores e indústrias certamente estaríamos em outro nível de debate.
ADIR FAVA

MURIAÉ - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 08/12/2014

Prezado Roberto, acredito que o milagre da produção de leite no Brasil pode ser explicado por mitivos simples: O principal motivo é que não existe seleção de qualidade para o leite. Qualquer um pode entregar leite nos laticinios e nenhuma diferença existe em termos de qualidade. Isto estimula a falta de profissionalismo do setor. Sendo assim, qualquer preço acaba sendo aceito pela classe. Aqueles que cuidam da qualidade não têm nenhuma recompensa e embora estejam no vermelho na produção de leite buscam suprir os recursos faltantes em outras atividades como a venda de animais e a integraçao com outras culturas agricolas. O setor de leite nunca se profissionaliza como deveria, evidentemente, num quadro como este. Parece que a industria de laticinios está muito satisfeita sendo assim.


MARCELLO DE MOURA CAMPOS FILHO

CAMPINAS - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 07/12/2014

Prezado Roberto



Concordo com o quadro que você coloca para o produtor de leite nacional.



Gostaria de saber na sua opinião o que a indústria e as instituições públicas e privadas podem( e deveriam )  fazer para o produtor vocacionado permaneça na atividade, crescendo, para abastecer o mercado interno com leite de qualidade que o nosso consumidor merece e viabilizar o País se colocar efetivamente no mercado externo como exportado de leite e lácteos.



Abraço



Marcello de Moura Campos Filho
MARIUS CORNÉLIS BRONKHORST

ARAPOTI - PARANÁ - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 06/12/2014

Parabens Roberto



Conhecedor e produtor de destaque ,que conhece e sabe o faz e colocou com muito profissinalismo do setor mas mostrou seu otimismo mesmo com a incerteza prevista.



Feliz Natal e um Bom 2015 a Você e sua família e todos os leitores.  
LUIZ HENRIQUE SILVA

SANTA JULIANA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 05/12/2014

Parabéns Roberto pela ótima colocação.



O produtor de milho e soja "que também é nosso caso" se o preço está ruim tem como armazenar o produto e esperar uma reação dos preços , e se o preço do LEITE for lá em baixo  o único jeito é vender ou abrir o registro do tanque e deixar o leite correr.
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