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Crise que se alastra pelos países árabes aumenta os preços do agronegócio

POR GERALDO SANT´ANA DE CAMARGO BARROS

ESPAÇO ABERTO

EM 28/02/2011

2 MIN DE LEITURA

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À medida que a crise no mundo árabe se alastra, seus efeitos sobre o restante do globo vão sendo sentidos.

Trata-se de importante região produtora de petróleo e altamente dependente de importações, inclusive do agronegócio. Os altos preços dos alimentos, aliás, foram relevantes para o surto de revoltas nessa região de elevada concentração de renda e de marcante pobreza.

Quando o turbilhão atingiu a Líbia, ficou sob risco direto o suprimento de petróleo, especialmente na Europa, com destaque para Itália, França e Alemanha.

O mercado mundial reagiu com expressiva elevação de preços. Permanecendo esse quadro, ficaria caracterizado um choque de oferta, com o conhecido resultado de aumento da inflação e de queda da atividade econômica.

O aumento do petróleo aprofunda as dificuldades decorrentes de já se encontrarem altos os preços de produtos vinculados a recursos naturais (alimentos, fibras, minérios, metais), cuja oferta não acompanha o crescimento da demanda mundial.

Como os desarranjos produtivos no norte da África dificilmente serão superados rapidamente, paira sobre a economia global o espectro de recaída numa crise, ainda em processo de superação.

É importante, porém, ter em conta que os impactos de aumento no preço do petróleo hoje são menores do que no passado. Muitos países têm, atualmente, um sistema produtivo bem mais eficiente no uso da energia.

É provável que, embora prossiga a ressaca da crise anterior, os maiores estragos da nova crise se restrinjam aos próprios países árabes.

Para o agronegócio, importa saber que boa parte do crescimento esperado na demanda de alimentos na próxima década está associada aos países da África e do Oriente Médio.

Daí que, em sequência imediata ao agravamento da crise na Líbia e seus reflexos sobre o preço do petróleo, os mercados de grãos -como trigo, soja e milho- reagiram com forte baixa.

Na mesma direção atuaram as notícias de que China e Índia buscavam uma pequena frenagem em suas locomotivas econômicas.

O que a experiência ensina é que os preços de alimentos e petróleo -e commodities em geral- tendem a se movimentar nas mesmas direções, embora no curtíssimo prazo possam seguir rumos discrepantes.

Tanto na crise dos anos 1970 como na de 2008, distúrbios na produção de petróleo e transtornos climáticos levaram a altas substanciais de preços de ambos. Imprevidências na condução de políticas macroeconômicas agravaram os efeitos perversos do choque de oferta.

Tudo isso considerado, é provável que a crise no norte da África traga alguma turbulência sem, porém, alterar significativamente o quadro de alta de preços tanto de petróleo como de alimentos, enquanto for mantido o atual crescimento rápido mesmo diante do aumento da inflação mundial.

Após a queda, os mercados de grãos, prudentemente, parecem ter entrado em ritmo de espera para melhor avaliar a extensão dos danos da crise e dos ajustes em andamento.

A matéria foi publicada no jornal Folha de São Paulo.

GERALDO SANT´ANA DE CAMARGO BARROS

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