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Avatar ambiental

POR XICO GRAZIANO

ESPAÇO ABERTO

EM 12/01/2010

3 MIN DE LEITURA

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Aconteceu de tudo na grande conferência ambiental promovida pela ONU, em dezembro, na Dinamarca. Chefes de Estado fazendo cartaz, ONGs mostrando força, lobistas exibindo poder, cientistas ostentando categoria, diplomatas negociando, jornalistas aparecendo. Mistura de séria reflexão com festa ecológica.

Temas variados da agenda ambiental desfilaram nos incontáveis eventos paralelos da conferência, enquanto os representantes dos governos nacionais pouco se entendiam na sala da reunião oficial. Nada escapou do debate. Vale a pena destacar aqui as principais questões discutidas em Copenhague. Um resumo breve e didático.

Primeiro, claro, sobre o aquecimento global inexistia qualquer ceticismo naquele gelado inverno. Ninguém duvida que o planeta esteja enfrentando um "efeito estufa" ampliado pelos gases que, em razão da ação humana, ou antrópica, aprisionam parte da radiação solar na atmosfera. Medidas urgentes e radicais serão necessárias para impedir a continuidade do deletério processo, estancando o problema até 2050. O gás carbônico (CO2), nunca considerado maléfico na agenda da poluição, agora se transforma em vilão. Pequenos países formados por ilhas oceânicas se apavoram com o assunto. Afinal, derretendo as geleiras e subindo o nível do mar, simplesmente poderão desaparecer. Por isso a angustiada Tuvalu, um pequenino Estado formado por nove atóis polinésios, deu o tom na COP 15.

Segundo, debatia-se intensamente sobre como financiar as políticas de mitigação do fenômeno climático. Mitigar significa amenizar, emitir menos gases estufa no espaço. Mudanças nos processos de produção, pesquisa de novas tecnologias, investimentos nas energias renováveis, combate ao desmatamento, quem vai pagar a conta dessas imprescindíveis ações? Os países mais pobres, ainda em desenvolvimento, querem que as nações ricas banquem a modificação de suas economias. Afinal, foram eles que, há muito mais tempo, provocaram o problema climático. Sob esse prisma, a reunião da Dinamarca parecia uma grande conferência econômica, não ambiental.

Terceiro, discutiu-se bastante sobre a responsabilidade da lição de casa. Governos, empresas, entidades ambientalistas, governos subnacionais, cientistas, será necessário articular as várias forças da sociedade em prol do benefício ambiental. Nesse quesito, os Estados de São Paulo e da Califórnia se sobressaíram, mostrando, por intermédio de seus governadores, José Serra e Arnold Schwarzenegger, a força do poder local. Pensar globalmente, agir localmente: chave para a educação ambiental.

Em quarto lugar, todos defenderam a necessidade de as propostas para enfrentar mudanças climáticas serem mensuráveis, reportáveis, conferíveis. Há que ter metas, cronogramas, recursos, gente capaz de conduzir as políticas de defesa ambiental. Ninguém aguenta mais apenas o discurso carregado de boas intenções. O drama da poluição exige menos retórica, mais ação concreta. Uma nova fase do ambientalismo se inaugura, a da gestão ambiental com resultados. Mais que discutir, fazer.

Quinto, as energias renováveis destacaram-se contra as energias fósseis do petróleo e do carvão. Nesse aspecto o Brasil avançou divulgando o etanol, combustível elaborado a partir da biomassa, embora tenha tomado poeira na energia eólica. Carros elétricos se distinguiram, habitação sustentável virou moda na construção civil. Eficiência energética tornou-se coqueluche na Europa.

Da Amazônia ao vegetarianismo, temas específicos atarefaram os militantes ecológicos. O Bella Center, local do evento, era um grande happening. Só faltou, mesmo, uma questão, eternamente esquecida das discussões ambientalistas: a demografia. A pegada ecológica, conceito recentemente desenvolvido, aproxima-se da crítica a esse fantasma do crescimento populacional. Continua de pé, porém, o maior tabu da ecologia.

Como não poderia deixar de acontecer, líderes populistas aproveitaram o clima da conferência de Copenhague para fazer seu proselitismo político. O discurso mais fácil sugeria xingar os ricos em nome dos pobres, reduzindo a questão ambiental a uma disputa entre o Norte e o Sul, relembrando a época do Terceiro Mundo. Lula e Chávez, por certo, capitanearam essa demagogia ambiental.

Copenhague não configurou um fracasso total. Quando milhares de pessoas, bem acima das expectativas, representando entidades variadas, se dedicam tão apaixonadamente a uma causa, como acontece atualmente com a política ambiental, o resultado aparece. Se não de imediato, firma-se no momento seguinte. Aqui está uma leitura positiva da COP 15. Nunca a ecologia esteve tão em voga, discutida amplamente, envolvendo inclusive sociedades periféricas. Ganho na certa.

Inexistiu um fecho da reunião, é verdade. O documento final aprovado mostrou-se pífio ante o tamanho do desafio colocado pelas mudanças climáticas. Quem aguardava um novo caminho, com metas obrigatórias de redução dos gases de efeito estufa, acabou frustrado. Mandatório murchou para declaratório.

Mesmo assim, as mudanças estão em marcha. Modifica-se o padrão da economia mundial. Empresas redefinem suas estratégias competitivas, governos reveem seus planos, a sociedade grita e empurra. Após dois séculos de industrialização explorando a natureza, nasce novo paradigma da economia de baixo carbono. A economia verde do futuro.

Ano-novo renova as esperanças de vida melhor. Tomara que neste 2010 uma governança global se firme para enfrentar o terrível drama do aquecimento planetário. No Brasil a torcida deseja que as eleições presidenciais incorporem o desenvolvimento sustentável no seu âmago. Um avatar ambiental.

Feliz ano-novo.

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MARIO RIBEIRO PAES LEME

CAÇU - GOIÁS

EM 01/02/2010

Parabéns Xico Graziano! Venha passear aqui em Goiás,e verá o quanto estão preocupados com tudo isto dito lá "naquela" reunião.Não digo mais nada que me entristeça mais ainda.
FLAVIO NERY SILVEIRA MAIA

CAMPO GRANDE - MATO GROSSO DO SUL - PRODUÇÃO DE GADO DE CORTE

EM 21/01/2010

Xico, parabéns pelo artigo!

As ponderações de Paulo Cesar, Antonio Carlos, Júlia e José Antonio são enriquecedoras.

Saudações a todos.

JOSÉ ANTONIO PADIAL POSSO

MONTE CARMELO - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 19/01/2010

Xico, concordo que a sociedade está e estará cada vez mais a considerar os efeitos de suas ações sobre o clima, mas, esse tabú ao qual voce se referiu - a discussão sobre a demografia mundial, tem que deixar de existir.

Acredito menos no aquecimento global e mais em outros dois fenômenos para o colapso da vida humana na terra - superpopulação e desigualdade social.

Os desafios são enormes, portanto. É passada a hora de governantes ou quaisquer outros que possuam poder de decisão, de aglutinação, de visualização, assumirem a responsabilidade de levantar as bandeiras da paternidade responsável e da distribuição de renda com educação. Isso não pode ficar para segundo plano, ou outros esforços de nada adiantarão.

Parabéns pelo seu trabalho.

José Antonio Padial Posso




PAULO CESAR BASTOS

FEIRA DE SANTANA - BAHIA

EM 14/01/2010

Prezada Sra. Julia Dias

Precisamos continuar plantando,criando ,produzindo e construindo um Brasil próspero.
Grato por suas palavras.Contribuir é preciso.Acredito nisso, como técnico,produtor e cidadão.
Um dos caminhos para progredir com preservação é o que chamo de 5C:Capacitação,Cooperação,Comunicação,Compromisso e Confiança.
Em sua homenagem como extensionista , em memória de Dra.Zilda Arns e homenageando todas as mulheres brasileiras que contribuem para o nosso desenvolvimento integral segue a frase de Eleanor Roosevelt:
"Quando paramos de contribuir , começamos a morrer"
Vamos continuar vivendo e contribuindo, é bem melhor.
Saudações Sertanejas

Paulo Cesar Bastos
JÚLIA D. LIMA DIAS

BELO HORIZONTE - MINAS GERAIS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 14/01/2010

Sr. Xico Graziano, artigo excelente e esclarecedor, acabo de recomendar para meus colegas.

Sr. Paulo Cesar Bastos, seu comentário merece ser lido e destacado. Concordo plenamente com os pontos que o senhor levantou:
a extensão rural, área na qual orgulhosamente milito, é a chave para transformar a realidade do campo brasileiro. Só estreitando o abismo entre o discutido nas universidades e o praticado no campo é que poderemos produzir mais, melhor e prosperar.
Concordo ainda quando o senhor cita a recuperação das pastagens degradadas. Sem dúvida é por onde devemos começar.
Produtores como o senhor devem ser ouvidos. Produtores como o senhor ajudam a destruir a imagem que o homem do campo é um jeca tatu, ou um coronel tradicionalista e atrasado. O homem do campo de hoje deve permanecer com os pés firmes em sua terra e os olhos no mundo.

Júlia Dias

ANTONIO CARLOS GUIMARAES COSTA PINTO

BELO HORIZONTE - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 13/01/2010

Bom dia Xico
lendo seu artigo e depois de tanto ouvir e ler sobre o assunto mais falado dos últimos tempos, o aquecimento global, cheguei a algumas dúvidas:
1- se o CO2 está causando o efeito estufa, evitando a saída da radiação solar, ele também deve estar evitando a entrada dos mesmos, ou seja ,a temperatura estaria equilibrada.
2- porque transformar áreas de agricultura e pastagens em florestas, já que as culturas e pastagens também fazem a fotossíntese, transformando CO2 em oxigênio.
3- por fim , vemos que o interesse maior do nosso governo nesse assunto é tirar dinheiro dos países ricos.
PAULO CESAR BASTOS

FEIRA DE SANTANA - BAHIA

EM 12/01/2010

O Brasil já foi dito o país da construção interrompida, não poderemos ser o da oportunidade perdida. Essa chamada crise internacional decorreu da especulação, nada a haver com a produção. A nossa hora é, justamente, agora.

O nosso grande desafio brasileiro é garantir padrões e índices crescentes de desenvolvimento de modo moderno, inovador e sustentável, isto é: economicamente viável, ambientalmente correto e socialmente justo. A sustentabilidade não é utopia, ela é possível com ações lógicas, éticas e pragmáticas induzidas por uma gestão pública eficiente e uma ativa participação da sociedade.

Não existem soluções mágicas para o desenvolvimento. Escapar ao círculo vicioso do "não pode" e gerar o circulo virtuoso do "como pode" é a chave para liberar o potencial desenvolvimentista da sociedade brasileira. O país que queremos e precisamos é o que compete para vencer e não apenas para participar. A nossa meta olímpica é, também, a medalha do progresso.

Assim, é preciso preservar e produzir. Ao mesmo tempo em que é necessário preservar a floresta em pé é fundamental produzir alimentos, celulose, fibras e biocombustíveis para o país viver e, também, vender para crescer. Um caminho para a solução, uma vereda para a salvação, está na integração lavoura-pecuária-silvicultura. Compreender, também, que o semiárido brasileiro não é problema, mas, sim, uma das soluções.

Para isso precisamos de um programa decisivo, eficiente, eficaz e permanente de extensão rural e tecnológica para levar para respirar o puro ar da zona rural os diversos estudos já existentes e empoeirados nas estantes, prateleiras e computadores das instituições de pesquisa e ensino brasileiras. Ciência, tecnologia e inovação a serviço da produção para benefício do cidadão.

Continuar a estimular a pesquisa (P), mas, sobretudo acionar o desenvolvimento (D). Induzir a capacitação, cooperação, comunicação, compromisso e confiança (5C). Vale, assim, o estabelecimento e/ou fortalecimento de um Programa Nacional de Recuperação das Pastagens Degradadas, aumentando o suporte e conseqüentemente a produtividade. Conseguiremos produzir mais nas mesmas áreas já utilizadas, minimizando e tendendo a zerar o desmatamento.

Para isso, deve ser levado em conta que o Brasil é um país-continente e o programa deveria ser adequado aos diversos climas, culturas, níveis e portes das atividades produtivas, aliado a um crédito com taxas e prazos compatíveis com o segmento rural. Agronomia mais economia, geografia e sociologia. Colocar no contexto o que já estabeleceram no texto.

Não poderemos nunca sobreviver com uma estagnação inconseqüente. Enquanto os ditos desenvolvidos acendem o farol, querem que os emergentes alumiem com o fifó. Vamos avançar. Participar e inovar é preciso.

PAULO CESAR BASTOS é engenheiro civil e produtor rural
ENALDO OLIVEIRA CARVALHO

JATAÍ - GOIÁS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 12/01/2010

Felicitamos ao secretário, Xico Graziano, por mais um artigo.
Como é de praxe, vem discorrer sobre os diversos temas que afligem o setor produtivo.
Sua presença, e também do governador Blairo Maggi, em Copenhague, demonstra uma abertura nos forúns internacionais à partipantes ligados ao setor agrícola. Algo até então inimaginável, onde quem manda é Greenpeace e WWF. Mais esforços serão necessários, para que sejamos reconhecidos como produtores de alimentos e não como desmatadores e poluidores.
MilkPoint AgriPoint