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Fatores de risco para ocorrência de mastite clínica

Por Marcos Veiga Santos
postado em 23/03/2016

1 comentário
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Na maioria dos países, a CCS é o método mais empregado para avaliação de mastite subclínica em rebanhos leiteiros. Nesta forma de apresentação, a mastite é identificada no animal quando a CCS > 200.000 cels/ml. Por outro lado, um caso de mastite clínica é definido pelas alterações visuais do leite (presença de grumos, sangue, pus, flocos) ou do úbere (inchaço, endurecimento, dor). Para o monitoramento da mastite em rebanhos, o cálculo da mastite subclínica pode ser feito pela amostragem de cada vaca uma vez ao mês, já a mastite clínica deve ser monitorada diariamente antes da ordenha pelo teste de caneca de fundo preto.

Os custos decorrentes da mastite clínica geralmente são os que mais chamam a atenção do produtor de leite, uma vez que ocorre desembolso direto com os custos do tratamento, e principalmente, com o descarte do leite com resíduos de antibióticos. No entanto, além destes custos diretos, os casos clínicos de mastite também acarretam perdas em relação à vaca (descarte e morte prematura) e o restante da lactação (redução do potencial de produção e perda funcional de quartos mamários). Além dos custos diretos, vacas com mastite clínica apresentam maior risco de descarte e de aborto, assim como são fonte de disseminação da mastite para outros animais. Finalmente, a mastite clínica também é uma preocupação em termos de bem estar animal e aumento do risco de ocorrência de resíduos de antibiótico no leite e aumento de resistência bacteriana.

As estimativas de ocorrência de mastite clínica variam amplamente entre rebanhos em razão das características de manejo, agentes causadores e ambiente. O conhecimento dos fatores de risco para a ocorrência de mastite clínica pode auxiliar a prevenção e a redução dos custos, pois podem ser identificados procedimentos, medidas e situações específicas dentro do rebanho que auxiliem no controle da doença.

Os fatores de risco para ocorrência de mastite podem ser separados em dois níveis: fatores ligados ao rebanho e aqueles ligados ao animal. Os estudos sobre fatores de risco em nível de rebanho para ocorrência da mastite têm enfocado tanto fatores que aumentam a exposição dos tetos aos agentes causadores de mastite (condições de limpeza das baias, manejo de ordenha) quanto os ligados com a capacidade de resposta da vaca (adequada nutrição). Em relação aos fatores de risco em nível de vaca ou mesmo de quarto mamário, pode-se destacar a posição dos tetos e a ocorrência de lesões nos tetos (hiperqueratose dos tetos). Outros fatores a serem considerados são o número de lactações, baixa capacidade de fechamento do canal do teto (p.ex. vazamento de leite entre ordenhas), enfermidades pós-parto (retenção de placenta, distocia, cetose) e limpeza da vaca.

Os estudos recentes indicam que os principais fatores associados com o aumento do risco de ocorrência de mastite clínica são o aumento do número de lactações, ocorrência de mastite clínica na lactação anterior, início de lactação, vacas com úbere sujo e quartos com tetos com hiqueratose grave. Vacas que apresentaram pelo menos um caso clínico na lactação anterior pode ter risco de cerca de 3,75 vezes maior de apresentar mastite clínica na lactação atual, em comparação com vacas que não apresentaram casos clínico anteriormente. Os quartos com hiperqueratose moderada ou grave apresentam risco maior de ocorrência de casos clínicos, pois as alterações na extremidade do teto facilitam a colonização por bactérias oportunistas e o desenvolvimento da mastite clínica. Da mesma forma, deficiências de higiene do local de alojamento dos animais, o que leva ao aumento da ocorrência de vacas com pernas e úberes sujos, também são considerados importantes fatores de risco que aumentam a ocorrência de mastite clínica.

Os resultados dos estudos indicam que os fatores individuais influenciam significativamente o risco de ocorrência de mastite clínica durante a lactação, o que demonstra uma susceptibilidade diferente entre os animais em relação à mastite clínica. Desta forma, tanto a ocorrência de hiperqueratose dos tetos quanto a condição de higiene precária do úbere aumentam significativamente o risco de ocorrência de mastite clínica. Por outro lado, ainda que alguns especialistas indiquem que vacas sob balanço energético negativo apresentam maior risco de mastite, os resultados de pesquisa apontam que não existe associação entre o escore de condição corporal e a ocorrência de mastite clínica.

Quantificando a mastite clínica do rebanho

A prevalência da mastite em um rebanho pode ser definida pelo o número de vacas (ou quartos) que são diagnosticados como infectados, dividido pelo número total de vacas (ou quartos) sob risco de infecção intramamária. A incidência de mastite pode ser definida como o número de novos casos de infecções intramamárias na população sob risco de mastite em um dado período de tempo. Esta incidência permite obter informações de como o status de saúde da glândula mamária está mudando, sempre levando em consideração um determinado período de tempo. Como exemplo de parâmetro de incidência de mastite, podemos quantificar o número de novos casos de mastite clínica por mês.

O cálculo da incidência de mastite clínica pode ser feito de várias formas, sendo importante o conhecimento de qual método deve ser utilizado para possibilidade de comparações de resultados em diferentes fazendas e mesmo ao longo do tempo dentro de um rebanho.

1) Taxa de mastite clínica mensal: é calculada pela divisão do número de quartos com casos clínicos pelo número médio de vacas em lactação e multiplicado por 100. Para este método, se um mesmo quarto apresenta sintomas por 14 dias, não se deve considera-lo como um novo caso. Para efeito de referência, recomenda-se que o índice desejável seja inferior a 2%.

% Mastite clínica mensal= (casos de mastite clínica / dias do mês) x 100/
Nº médio de vacas em lactação

2) Taxa de mastite clínica anual: é o número de casos de mastite por 100 vacas por ano. Pode servir para comparação da taxa de mastite entre rebanhos, independentemente do tamanho do rebanho. Para referência, rebanhos com bom padrão de controle apresentam entre 30-40 casos por 100 vacas por ano.

Taxa de mastite clínica anual: nº de casos de mastite por ano x 100/
Total de vacas no rebanho (lactação e secas)

O objetivo principal do monitoramento de dados sobre a mastite clínica dos rebanhos leiteiros é a tentativa de otimizar as decisões sobre o controle de mastite. Como exemplo, podemos citar que estes dados permitem acessar os fatores de risco de episódios clínicos (mês do ano, número de lactação, estágio de lactação), permite avaliar a efetividade do tratamento de vaca seca e determinar os indivíduos mais susceptíveis.

Fonte: SANTOS, M. V. Mastite clínica: quais os fatores de risco? Inforleite. v.13, p.44 - 45, 2011.

Esse será um dentre muitos outros temas do III Workshop de Mastite que será realizado nos dias 19 e 20 de maio em Pirassununga, SP. Para mais informações acesse: www.workshopdemastite.com.br



 

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Comentários

reichard

Porto Vitória - Paraná - Estudante
postado em 24/03/2016

a prevenção sempre é o melhor para diminuir os casos de mastite, higiene é fundamental, excelente artigo parabéns

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