Sombras naturais
O uso de árvores no sombreamento de pastagens apresenta algumas vantagens. Agem como elementos promotores da renovação do oxigênio do ar, através do processo de fotossíntese, reduzem a poeira levantada pela movimentação de pedestres e veículos nas vias públicas e amenizam a poluição sonora, amortecendo os ruídos estridentes. Além disso, proporcionam proteção contra o sol e ventos excessivos, contribuindo, com sua sombra, na redução da temperatura ambiente, absorvendo raios solares e refrigerando os locais, pela grande quantidade de água transpirada por suas folhas.
Quando em céu aberto a sensação térmica estiver entre 36 e 40o C, na sombra natural estará entre 26 e 32oC. Para a propriedade a sombra natural também traz vantagens, como controle de erosão e melhoramento da fertilidade do solo; melhor aproveitamento da água das chuvas; aumenta valor nutritivo das pastagens e auxilia no controle de geadas.
Sistema silvipastoril
Sistema Silvipastoril (SSP) é a combinação intencional de árvores, pastagem e gado numa mesma área e ao mesmo tempo e manejados de forma integrada, com o objetivo de incrementar a produtividade por unidade de área. Nesses sistemas, ocorrem interações em todos os sentidos e em diferentes magnitudes.
Os SSPs apresentam grande potencial de benefícios econômicos e ambientais para os produtores e para a sociedade.
São sistemas multifuncionais, onde existe a possibilidade de intensificar a produção pelo manejo integrado dos recursos naturais evitando sua degradação, além de recuperar sua capacidade produtiva. Por exemplo, a criação de animais com árvores dispersas na pastagem, árvores em divisas e em barreiras de quebra-ventos, podem reduzir a erosão, melhorar a conservação da água, reduzir a necessidade de fertilizantes minerais, capturar e fixar carbono, diversificar a produção, aumentar a renda e a biodiversidade, melhorar o conforto dos animais.
Considerações para o planejamento e a implantação de sistema silvipastoril
Segundo Porfirio da Silva, 2006, devemos considerar desde o planejamento da implantação os seguintes itens:
• Selecionar espécies de árvore e de forrageiras adequadas para a área. Estas devem estar adaptadas ao clima e ao solo da região.
• Analisar o mercado dos possíveis produtos das árvores, tais como madeira, frutos e sementes.
• Definir o valor final do produto e decidir se irá agregar ou não valor ao produto. Se optar por agregar valor, como por exemplo, retirar castanhas ou produzir carvão, lembrar que precisará de capacitação técnica.
• As árvores devem apresentar crescimento rápido (ou, no caso de espécie com produto de alto valor, um crescimento moderado pode ser aceito).
• O enraizamento das árvores escolhidas devem ser profundo, por isto limita a competição por água e nutrientes com as plantas forrageiras. O enraizamento, apesar de ser típico de cada espécie, também pode ser afetado pelo manuseio das mudas no momento do plantio.
• As copas das árvores devem promover um sombreamento leve, que deixe passar a luz, ou seja, não formando sombra fechada.
• Não apresentar efeitos indesejados aos animais como a toxidez, ou sobre as pastagens como alelopatia, que impeça o desenvolvimento das mesmas.
Arranjo espacial das árvores na área
O ideal seria trabalhar com espaçamentos ajustados para cada espécie, tipo de copa, e hábito de crescimento. Mas isto implica em dificuldades práticas no campo. Uma opção seria o plantio com espaçamento menor, tanto na linha como entre linha, seguido por um desbaste. Este procedimento atende aos objetivos de maior produção de madeira, porém neste caso teria que haver mercado para a madeira fina. A segunda opção é o plantio já com o espaçamento final definido. Neste caso, o espaçamento é maior, em torno de 120m2/árvore. No entanto, não se deve fazer o plantio com o número final de árvores pretendido, uma vez que pode haver morte de mudas e árvores ao longo do tempo.
Um arranjo que se tem mostrado bastante eficiente é o que se estabiliza com uma cobertura da área dada pela projeção vertical das copas, de 20 a 25% da área total.
Uma planta que possui copa estreita quando jovem e ampla quando adulta, deve ser plantada em maior quantidade quando jovem e desbastadas posteriormente.
Plantas com copas em formato colunar, como o eucalipto, por exemplo, serão menos desbastadas que árvores com copas umbeliformes e devem ser plantadas em arranjo 14 X 2m, que irá evoluir para 14 X 4m e 14 X 8 ou 28 X 4m em doze a quinze anos. O arranjo com "ruas largas" é fundamental para estabelecer a forrageira desde o início do sistema. Em arranjos de "ruas estreitas" (3X3 m) as forrageiras podem crescer mais somente no primeiro ano. No próximo artigo falaremos de práticas utilizadas para o plantio de árvores em pastagens já formadas e em "boas" condições, em degradação ou já degradas.
Referência:
Parte de texto apresentado pelos Eng. Agrônomos Celso H. S. Polycarpo Filho Luis Roberto Dell Agostinho Neto, Marcelo L. Moretti e Nathália N. Mourad na disciplina de forragicultura, oferecida pelo departamento de zootecnia ESALQ-USP.
V. Porfirio da Silva."Sistema silvipastoril para a produção de carne."- 2006. Anais do 23º simpósio sobre Manejo da Pastagem.
Sombras para bovinos - Parte 3
O uso de árvores no sombreamento de pastagens apresenta algumas vantagens. Agem como elementos promotores da renovação do oxigênio do ar, através do processo de fotossíntese, reduzem a poeira levantada pela movimentação de pedestres e veículos nas vias públicas e amenizam a poluição sonora, amortecendo os ruídos estridentes. Além disso, proporcionam proteção contra o sol e ventos excessivos, contribuindo, com sua sombra, na redução da temperatura ambiente, absorvendo raios solares e refrigerando os locais, pela grande quantidade de água transpirada por suas folhas.
Publicado por: Rafaela Carareto Polycarpo
Publicado em: - 4 minutos de leitura
Material escrito por:
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UDSON SÉRGIO
BARRA MANSA - RIO DE JANEIRO - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 06/12/2017
Prezada Rafaela, eu tenho intenção de plantar eucaliptos porém somente para sombrear o gado.
Plantando uma linha sentido norte sul, um espaçamento de 1,5 ou 2 m entre as árvores seria o suficiente, ou seria necessário duas linhas?
Obrigado!
Plantando uma linha sentido norte sul, um espaçamento de 1,5 ou 2 m entre as árvores seria o suficiente, ou seria necessário duas linhas?
Obrigado!
RAFAELA CARARETO POLYCARPO
BRASÍLIA - DISTRITO FEDERAL - PESQUISA/ENSINO
EM 02/04/2008
Prezado Marcelo Ferreira Fernandes,
Obrigada pelo comentário. O plantio de coqueiro anão seria sim uma ótima opção. Existem alguns trabalhos da Embrapa sobre o assunto. Vou ver se eu consigo este etrabalho e te mando por e mail. Quanto ao nim, acho também uma boa opção, mas ainda não vi nenhum dado de pesquisa sobre o assunto. Quando optar por sombra dentro do piquete tome cuidado com a falta de luz que poderá repercutir em queda de produção da forragem, fato que não seria bem vindo proincipalmente em um sistema irrigado aonde se preconiza altas produções. Quanto a árvores no corredor, tome muito cuidado com formação de barro (não sei como é a sua região em termos de chuvas).
Obrigada pelo comentário. O plantio de coqueiro anão seria sim uma ótima opção. Existem alguns trabalhos da Embrapa sobre o assunto. Vou ver se eu consigo este etrabalho e te mando por e mail. Quanto ao nim, acho também uma boa opção, mas ainda não vi nenhum dado de pesquisa sobre o assunto. Quando optar por sombra dentro do piquete tome cuidado com a falta de luz que poderá repercutir em queda de produção da forragem, fato que não seria bem vindo proincipalmente em um sistema irrigado aonde se preconiza altas produções. Quanto a árvores no corredor, tome muito cuidado com formação de barro (não sei como é a sua região em termos de chuvas).

MARCELO FERREIRA FERNANDES
NATAL - RIO GRANDE DO NORTE - PESQUISA/ENSINO
EM 29/03/2008
Prezada Rafaela,
Parabéns pelo artigo, e queria que me esclarecesse algumas idéias. Em um sistema de pastagem rotacionada (aduabada e irrigada) na região do litoral do nordeste, qual seria a melhor árvore para se utilizar dentro dos piquetes com o intuito de fornecer sombra a vaca de leite e que se possível sirva como uma fonte extra de renda para a propriedade, e caso exista, qual seria o espaçamento para o plantio.
Será que coqueiros seriam uma boa fonte para isso? E já nos corredores, quais as árvores que poderiam ser plantadas sem causar prejuízo ao sistema bem como os animais, e qual o seu espaçamento? No local de descanço dos animais (local de bebedouro e saleiro) qual a árvore mais recomendada? O que que a senhora acha do nim como alternativa para utilizar num sistema de exploração de vacas a pasto.
Agradecido e aguardando as sugestões.
Parabéns pelo artigo, e queria que me esclarecesse algumas idéias. Em um sistema de pastagem rotacionada (aduabada e irrigada) na região do litoral do nordeste, qual seria a melhor árvore para se utilizar dentro dos piquetes com o intuito de fornecer sombra a vaca de leite e que se possível sirva como uma fonte extra de renda para a propriedade, e caso exista, qual seria o espaçamento para o plantio.
Será que coqueiros seriam uma boa fonte para isso? E já nos corredores, quais as árvores que poderiam ser plantadas sem causar prejuízo ao sistema bem como os animais, e qual o seu espaçamento? No local de descanço dos animais (local de bebedouro e saleiro) qual a árvore mais recomendada? O que que a senhora acha do nim como alternativa para utilizar num sistema de exploração de vacas a pasto.
Agradecido e aguardando as sugestões.