Os mecanismos de comunicação entre bovinos receberam pouca atenção dos pesquisadores no passado, porém na atualidade esta linha de pesquisa vem se tornando cada vez mais atuante. Certamente a linguagem vocal e a troca de idéias abstratas não fazem parte do repertório dos bovinos. Os mecanismos que irão expressar as necessidades, vontades, estímulos sexuais, medo, submissão ou estado de alerta para briga são mensagens transmitidas de um animal para outro através de um ou de uma combinação de sinais físicos. As principais formas de comunicação são por visão, sonorização, olfato e tato.
Visual
A comunicação visual é um importante e distinto meio de comunicação entre os bovinos. Touros possuem sinais característicos quando em estado de alerta como balançar e abaixar a cabeça e jogar terra para trás, inibindo desta forma uma futura interação com outro animal que já foi vencido em um combate anterior (Figuras 1 e 2). Outra forma de comunicação visual é o posicionamento do rabo que descreve sentimentos ou atividades do animal (figura 3). Quando andando, pastejando, ou simplesmente em estado de ócio, o rabo apenas permanece em posição normal, porém quando o animal está com frio, doente, ou submisso o rabo fica entre as pernas. Esses são apenas alguns exemplos de comunicação visual entre bovinos.

Figura1 - (Adaptado de ALBRIGHT & ARAVE, 1997).

Figura 2- (Adaptado de ALBRIGHT & ARAVE, 1997).

Figura 3: Posicionamento da cauda, meio de comunicação visual. (Adaptado de ALBRIGHT & ARAVE, 1997).
Sonorização
Algumas das vocalizações mais comuns em bovinos aparecem relacionadas à frustração ou estresses, como por exemplo, bezerros que foram separados de suas mães expressam o seu descontentamento através de repetidos berros. Outros sinais em forma de sons são emitidos por animais com fome, dor e em cio.
Olfato
As células olfatórias são quimiorreceptores das moléculas transportadas pelo ar. Bovinos são capazes de distinguir vários odores através da depressão ou aumento de impulsos que chegam ao sistema nervoso central vindo dos receptores nasais e interpretado pelo centro olfatório no cérebro. Bovinos possuem senso olfativo mais aguçado do que ser humanos, conforme apresentado pela recepção da urina das fêmeas em estro. Os ferormônios que são compostos quimicamente voláteis encontrados nos fluidos corporais, são estímulos sexuais quando cheirado pelo touro. O reflexo de Flehmen é responsável para que o touro ponha o odor em contato direto com o órgão vomeronasal (Figura 4). Diferentemente de outras espécies, como os cães, os bovinos não necessitam de uma recepção distinta dos ferormônios para detectar o extro.

Figura 4 - Reflexo de Flehmen.
Tato
Interações envolvendo o tato são extremamente importantes no acasalamento, em cuidados com o neonato (Figura 5) e estabelecimento do ranking social. Vacas lactantes respondem favoravelmente ao ordenhador que conversa com elas e que não faça movimentos agressivos com as mãos e com os braços e que seja hábil na interação com as mesmas através de estímulos táteis.

Figura 5- Interação de tato da vaca com o neonato.
Conclusão
O bom conhecimento dos mecanismos de comunicação entre os bovinos é uma ferramenta do sistema muito importante, pode ser bastante útil para que o produtor possa compreender melhor o animal e até mesmo prevenir alguns desconfortos que irão repercutir em queda de produção e conseqüente queda na lucratividade do sistema.
Referências:
- J.L. Albright & C. W. Arave. The Behaviour of catlle. 1997. C. A. B. International.