O baixo consumo de matéria seca de pasto é destacado como maior fator limitante para que animais mantidos em pastagens alcancem alta produção individual de leite. Vale ressaltar que o consumo de pasto é determinado pelo tempo de pastejo (quantidade de horas pastejando por dia), pela intensidade de bocado (número de bocados por minuto) e pela massa de bocado (o quanto de forragem é colhida em cada bocado).
Na maioria das vezes, o que ocorre quando se fornece o alimento concentrado aos animais mantidos em pastagens, é a diminuição no consumo de forragem, porém um aumento na quantidade total de matéria seca ingerida.
Em uma revisão realizada por pesquisadores da Universidade da Pensilvânia (Bargo et al., 2003), ao comparar animais que recebiam ou não alimento concentrado, o que se verificou foi manutenção na taxa de bocado e na massa por bocado. Porém uma diminuição no tempo de pastejo. O tempo de pastejo, que era 572 minutos por dia para os animais sem suplementação, reduziu para 12 minutos por dia para cada kg de concentrado oferecido. Nesta mesma revisão, o consumo de matéria seca de pastagem temperada dos animais suplementados foi 13% menor que o consumo dos animais que não recebiam suplementação.
Porém, consumo de matéria seca total foi 24% maior para os animais que recebiam concentrado em comparação com os animais que se alimentavam somente de pasto. A taxa de substituição observada foi de 0,40 kg MS de pastagem para cada kg MS de concentrado (variando de 0,02 a 0,71 kg MS de pastagem por kg MS de concentrado).
Em pastagens de clima tropical, segundo uma revisão realizada por Santos et al., em 2003, a taxa de substituição encontrada foi de 0,32, porém há enorme variação entre os dados revisados.
Fatores que interferem no efeito de substituição
Há uma correlação negativa entre o efeito de substituição e produção de leite, ou seja, quanto menor for o efeito de substituição, maior será a resposta à suplementação e à produção de leite. E as diferenças de produção de leite que encontramos com o fornecimento de concentrado, podem em parte ser explicadas pelas diferentes taxas de substituição.
A taxa de substituição pode variar em função do valor nutritivo da forragem. Forragens de baixo valor nutritivo sofrem menor efeito de substituição em comparação com forragens de alto valor nutritivo. Outro fator que pode alterar o efeito de substituição é o estágio de lactação. Maior taxa de substituição é obtida no estágio inicial da lactação comparativamente aos estágios mais avançados, devido a um menor potencial de consumo de matéria seca das vacas no início da lactação.
A quantidade de forragem disponível para o animal também pode influenciar a taxa de substituição, a qual aumenta de acordo com o aumento na oferta de forragem. As altas taxas de substituição observadas em pastagens com alta oferta de forragem podem ser parcialmente explicadas pela excelente qualidade da forragem consumida, devido à maior oportunidade em selecionar e colher uma forragem de melhor digestibilidade.
A quantidade de concentrado fornecida não tem apresentado dados consistentes com relação à taxa de substituição, onde maiores quantidades de concentrado não têm afetado consistentemente a taxa de substituição.
Como observado, há vários itens que influenciam na taxa de substituição, sendo praticamente impossível estabelecer valores fixos. Na prática, o que técnicos e produtores percebem é que, a partir do momento em que se inicia a suplementação, começa haver aumento na oferta de forragem sendo necessário inclusive ajuste na taxa de lotação. Com isso, apesar de taxas elevadas de substituição reduzirem a resposta em produção extra de leite por kg de suplemento fornecido, a produção de leite por área pode ser aumentada de forma expressiva em função do aumento na taxa de lotação dos pastos.
Referência Bibliográfica
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Rogerio Lima
Santa Maria de Jetibá - Espírito Santo - Consultoria/extensão
postado em 07/04/2009
O que temos feito aqui no extremo sul é fornecer concentrado para pós-parto até uns 90 dias, afim de que emprenhem logo. Temos encontrado respostas boas à suplementação e até respostas em que a produção caiu após a suplementação(fornecimento de 2kg/cab/dia). Nesses caso de queda, é possível que as vacas tenham sentido a substituição ou pode ter sido pelo fato de terem ido menos ao pasto devido ao calor que fez nos meses janeiro/fevereiro?