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Qual o impacto da ocorrência de doenças em vacas leiteiras?

Por Phibro Sáude Animal
postado em 17/03/2016

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Autor do artigo: Lucas Barbosa, Coordenador de Serviços Técnicos da Phibro Saúde Animal.

Um dos assuntos mais comentados e estudados na atualidade em bovinos leiteiros é a saúde dos rebanhos ou ocorrência de doenças. E a razão para isso é bastante óbvia, animais doentes são menos produtivos e consequentemente deixam menos dinheiro para o produtor. Mas de quanto seria esse impacto? Essa é uma pergunta muito importante, mas que a grande maioria dos produtores não sabe responder. Na rotina diária das fazendas é bastante difícil avaliar o real impacto da ocorrência de alguma desordem de saúde nos índices reprodutivos e produtivos. Muitas fazendas calculam apenas os gastos com anti-inflamatórios, antibióticos e descartes de leite, por isso, existe uma sub preocupação, porém, essa é apenas a ponta do iceberg.

O grande problema quando falamos sobre doenças periparto é que a maioria dos rebanhos não utiliza uma rotina correta de avaliação de casos clínicos e subclínicos. Essa falha na avaliação faz com que muitos animais não sejam diagnosticados corretamente gerando um grande número de “falsos negativos”, ou seja, animais que possuem algum distúrbio, mas são considerados sadios. Estudos mostram que, de 40 a 70% dos animais nas fazendas leiteiras apresentam algum problema de saúde periparto (clínico ou subclínico). Esta falha na avaliação faz com que o número de doenças nas fazendas seja aparentemente baixo, gerando uma menor preocupação por parte dos proprietários.

Além dos gastos com anti-inflamatórios, antibióticos e descartes de leite mencionados acima, diversos estudos mostram impacto negativo da ocorrência de doenças periparto nos índices produtivos e reprodutivos durante toda a lactação. Um levantamento feito por Santos et al., 2010, mostrou que vacas que apresentaram algum problema de saúde (dificuldade de parto, metrite, endometrite clínica, febre, mastite, cetose ou manqueira) nos primeiros 60 dias pós-parto tiveram uma queda bastante acentuada na fertilidade (Figura 1). O mesmo acontece com vacas a pasto de menor produção. Um estudo conduzido na Flórida (Ribeiro et al., 2013) com vacas de 6 mil kg/lactação (em torno de 20 litros/dia) mostrou que aproximadamente 70% dos animais apresentaram algum distúrbio pós-parto (clínico ou subclínico) e esses animais tiveram, consequentemente, menor fertilidade na primeira inseminação pós-parto. Essa redução foi semelhante a ocorrida em vacas confinadas (Figura 2). Além dos efeitos na reprodução, vacas com a saúde comprometida produzem menos leite e esse efeito pode permanecer a longo prazo. Hagnestam et al., 2007, mostraram que vacas (multíparas ou primíparas) que desenvolveram mastite clínica na primeira semana pós-parto tiveram uma menor produção de leite durante toda a lactação (Figura 3), ou seja, o impacto econômico é muito maior que simplesmente os gastos com medicamentos e descartes de leite durante o tratamento.

Um estudo recente (Liang, 2013) mostrou que o custo de doenças em vacas leiteiras é bastante alto quando se leva em conta todas as perdas envolvidas, como: custos com veterinário e tratamento, mão de obra, descarte de leite, perdas na produção, aumento nos riscos de descartes, mortes e incremento nos dias aberto. Por exemplo, uma vaca com mastite gera uma perda para a propriedade ao redor de R$ 1.250,00, já um animal com deslocamento de abomaso pode custar para o bolso do produtor aproximadamente R$ 2.000,00 (veja a relação de todas as doenças na Tabela 1).

Outro ponto importante a ser levado em conta é que vacas de leite que apresentam alguma doença tem maior risco de serem removidas do rebanho, um reflexo disto é visto quando analisamos o momento em que ocorre o maior número de descartes. A grande maioria acontece até 60 dias pós-parto, estando intimamente relacionado com problemas de saúde periparto. Quando pensamos no cenário brasileiro de preço de reposição bastante elevado, esse aumento no número de descartes se torna muito importante.

Se tomarmos como base uma fazenda hipotética com 120 vacas em lactação e intervalo entre partos de 14 meses, teremos 103 partos por ano. Baseado em dados de literatura teremos uma incidência aproximada de 15 casos de mastite, 10 casos de metrite/endometrite, 8 casos de retenção de placenta, 2 casos de deslocamento de abomaso, 2 casos de hipocalcemia e 6 mortes/descartes nos primeiros 30 dias pós-parto. Utilizando os valores da Tabela 1, podemos calcular que esta fazenda está perdendo por ano em torno de R$ 66.000,00 devido a problemas de saúde. Estes números são bastante diferentes entre as fazendas, porém quase sempre muito altos, ou seja, existe um grande potencial de aumento na lucratividade do rebanho quando se controla bem os índices de saúde nas propriedades. O grande problema é que as fazendas em geral avaliam pouco e muitas vezes de maneira errada, não sabendo assim a gravidade e intensidade do problema.

Em resumo, a saúde é muito importante para as vacas leiteiras e a falta dela pode gerar prejuízos consideráveis. É necessária a implantação de uma rotina de avaliação dessas doenças para saber o real impacto na propriedade. A não avaliação faz com que esse seja um problema silencioso que consome boa parte da lucratividade da propriedade. Devido ao alto impacto econômico, investimentos em tecnologias que minimizem a ocorrência de doenças, principalmente no periparto, são fatores chave para uma propriedade eficiente e lucrativa.

Tabela 1: Perdas econômicas relacionadas a ocorrência de doenças em vacas leiteiras. *Adaptado de Liang, 2013. Conversão para reais utilizando a cotação do dólar do dia 09/03/16 (R$3,69).

Figura 1: Doenças nos primeiros dias pós parto e prenhez em vacas leiteiras. *Adaptado de Santos et al, 2010.



Figura 2: Doenças e prenhez à primeira IA pós parto em vacas leiteiras em pastejo. *Adaptado de Ribeiro et al, 2013.



Figura 3: Efeito da mastite clínica na primeira semana pós parto na produção de leite durante toda a curva de lactação, em primíparas (esquerda) ou multíparas (direita). Linha pontilhada, vacas saudáveis. Linha sólida, vacas que apresentaram mastite clínica na primeira semana pós parto. *Adaptado de Hagnestam et al., 2007.



Referências bilbliográficas:

HAGNESTAM C, EMANUELSON U, BERGLUND B (2007) Yield losses associated with clinical mastitis occurring in different weeks of lactation. J Dairy Sci 90, 2260-227.

LIANG, DI, (2013). "Estimating the economic losses from diseases and extended days open with a farm level stochastic model" Theses and Dissertations--Animal and Food Sciences. Paper 22. http://uknowledge.uky.edu/animalsci_etds/22.

RIBEIRO ES, LIMA FS, GRECO LF, BISINOTTO RS, MONTEIRO AP, FAVORETO M, AYRES H, MARSOLA RS, MARTINEZ N, THATCHER WW, SANTOS JEP. 2013. Prevalence of periparturient diseases and effects on fertility of seasonally calving grazing dairy cows supplemented with concentrates. J Dairy Sci, 96:5682-5697.

SANTOS JEP, BISINOTTO RS, RIBEIRO ES, LIMA FS, GRECO LF, STAPLES CR, THATCHER WW. 2010a. Applying nutrition and physiology to improve reproduction in dairy cattle. Soc Reprod Fertil Suppl, 67:387-403.





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