Comportamento do sistema radicular do capim Tanzânia irrigado

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A maioria dos estudos com plantas forrageiras se concentra apenas na parte aérea, devido, principalmente, à dificuldade de se avaliar o sistema radicular. O desenvolvimento das plantas, no entanto, está diretamente relacionado à sua capacidade de absorção de nutrientes e, consequentemente, ao crescimento e funcionalidade de seu sistema radicular.

O Projeto C.A.P.I.M (Caracterização e Avaliação de Pastagens Irrigadas e seu Manejo), financiado pela Fapesp, foi desenvolvido na Esalq/USP sob coordenação do Prof. Moacyr Corsi. O objetivo deste projeto foi obter dados que permitissem a análise econômica de sistemas de produção em pastos irrigados e o desenvolvimento de modelos dinâmicos de simulação, para suporte de decisão na produção de bovinos, neste sistema de uso de pastagens. Este projeto envolveu as seguintes áreas do conhecimento: ciência do solo, fisiologia vegetal, manejo de pastagens, produção e nutrição animal, e irrigação. No experimento foram testadas três intensidades de pastejo: alta, média e baixa (1.000; 2.500; e 4.000 kg MS/ ha de resíduo pós-pastejo, respectivamente). Foi adotado o método de pastejo rotacionado com 33 dias de descanso e 3 dias de ocupação.

A dinâmica do sistema radicular foi uma das características do capim Tanzânia estudadas no Projeto C.A.P.I.M. (Pagotto, 2001). Além da determinação da massa, da superfície e do comprimento das raízes, foi feita uma separação entre raízes vivas e mortas de amostras coletadas de 0 a 20 e de 20 a 40 cm de profundidade. Pagotto (2001) observou que não houve crescimento de raízes novas até 12 dias após o pastejo nas áreas sob intensidade de pastejo média e baixa. Nas áreas sob alta intensidade de pastejo, o crescimento de raízes novas só foi iniciado 21 dias após o pastejo. Foi observado também que 76% das raízes vivas e 82% das raízes mortas se concentrava nos primeiros 20 cm do solo. O autor concluiu que o desenvolvimento do sistema radicular no capim Tanzânia está inversamente relacionado à intensidade de desfolha, sendo que altas intensidades de pastejo retardam o desenvolvimento de raízes novas.

Comentário do autor: sistemas de produção animal em pastagens são bastante complexos, principalmente devido às interação entre o clima, o solo, a planta e o animal. O estudo e a compreensão destes sistemas, portanto, depende de estudos amplos e multidisciplinares. O Projeto C.A.P.I.M. é um exemplo deste tipo de estudo. Este Projeto está em fase final de execução e seus resultados já estão sendo publicados. O experimento desenvolvido por Pagotto (2001) é bastante importante, principalmente devido à carência de informações sobre o desenvolvimento do sistema radicular de gramíneas tropicais. Este trabalho mostra que intensidades de pastejo muito elevadas determinam um atraso na retomada do crescimento das raízes. Este fato é extremamente importante para a determinação de estratégias de adubação e manejo. É possível, por exemplo, que em áreas desfolhadas de forma mais intensa a eficiência de uso de fertilizantes seja maior se a adubação for parcelada. Essa hipótese, no entanto, ainda precisa ser testada em experimentos futuros.
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Marco A. A. Balsalobre

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Patricia Menezes Santos

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Cleber Medeiros Barreto
CLEBER MEDEIROS BARRETO

SOBRAL - CEARÁ - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS

EM 14/06/2003

Sou Zootecnista e trabalho num projeto do governo estadual (Ceará), intitulado "Pasto Verde", no qual preconiza-se o pastejo rotacionado irrigado com gramíneas tropicais para vacas leiteiras. Vale salientar que estamos trabalhando em áreas onde existe potencial (solos férteis e água própria para irrigação).

Quando da recomendação de que espécie de capim adotar, os critérios são quanto a adaptação a determinadas texturas de solo, bem como critério principal: capacidade de resposta à adubação, onde temos conseguido produzir durante todo o ano de forma satisfatória com lotações médias variando de 8 a 12 UAs/ha/ciclo.

Os capins mais utilizados são: Mombaça, Tanzânia, Tobiatã, Brizanta, Mutica, Coast cross e Tifton - 85.

Venho comentar que carecemos de dados produtivos e econômicos sobre tais gramíneas em sistema de pastejo intensivo. Como exemplo, posso citar um caso com referência ao Tanzânia em nossa região. Tomamos por base para definir tempo de descanso do piquete para tal capim 27 dias de repouso, esperando-se uma altura média para entrada dos animais de 0,80 a 1,0m. Para nossa surpresa, em todas as áreas trabalhadas (50 ha - em módulos de 3 e 4 ha) todos apresentaram crescimento rápido, chegando a atingir alturas médias de 1,40 a 1,60m neste intervalo, contribuindo para o aumento da relação caule:folha e conseqüente perda de qualidade da forragem.

Por fim, peço por gentileza, informações de como conseguir material sobre o Projeto C.A.P.I.M.

Agradeço
Cleber Barreto

<b>Resposta</b>:

Cleber,

Sobre o projeto C.A.P.I.M você poderá obter informações através das teses publicadas. Se você entrar no site da ESALQ, na biblioteca, as teses poderão ser obtidas no formato PDF. Nas últimas reuniões da SBZ também tem bastante trabalho publicado.

Os trabalhos estão publicados pelos autores: Corsi, Penati, Santos, Balsalobre, Aguiar, Pagoto, Manzano, Maya, Crestana etc.

Marco Balsalobre

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