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Benefícios do uso da cama de frango como adubo em pastagens tropicais

Por Marco Aurélio Factori , Erika Tagima Marcelo e Felipe Antonio Parise
postado em 10/06/2011

68 comentários
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Na produção animal em pasto, seja ela de carne ou leite ou ainda outra espécie animal que se alimente de pasto, como equídeos por exemplo, a produção da pastagem torna-se fundamental pois é base do sistema. Por ser barato, o pasto é responsável, dentre outros, pela maior parte dos animais abatidos e grande parcela do leite consumido no Brasil. Ainda, o uso de pastagem está relacionado com o clima do país que é favorável para produção de gramíneas tropicais de alta produtividade em função da disponibilidade de luz, temperatura, água e ainda, pela alta fertilidade dos nossos solos, desde que corrigidos.

Para tanto, para que haja alta produtividade, a pastagem deve ser bem manejada e durável. Sua durabilidade é fundamental pois viabiliza os sistemas em função da diluição dos custos de implantação e, ainda, os custos anuais de manutenção - quanto mais produtiva for a pastagem, maior é a diluição destes custos pelo kg de massa seca produzida.

A produtividade do capim está diretamente relacionada com a adubação nitrogenada que é responsável pela produção de folhas, principalmente. No entanto, para que se tenha produção de massa, os diversos nutrientes devem estar equilibrados na planta, nas suas devidas percentagens, para que somente assim, a produção ocorra. Assim, a ureia (adubo mais utilizado para repor nitrogênio no solo) é por muitas vezes o vilão da história. Em muitos casos, seu preço desestimula alguns produtores por ser responsável por grande parte do custo, sendo que em pastagem e em algumas situações, é o único adubo aplicado, considerando solos previamente já corrigidos.

No entanto, com a proibição do uso da cama aviária na alimentação de ruminantes, sua utilização como adubo orgânico foi a saída encontrada por avicultores e produtores de leite e corte, tornando seguro e rentável o destino desse resíduo da criação bem como a viabilização do custo de produção em substituição ao adubo químico. Para tanto, sua proibição a partir de 2001 pela Instrução Normativa nº 15 do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento - MAPA e pela Instrução Normativa nº8 de 26/3/2004, foi uma importante medida preventiva para se evitar no País os riscos potenciais da Encefalopatia Espongiforme Bovina - EEB, doença popularmente chamada de "mal da vaca louca".

Em tempos passados, o uso da cama como adubação era proibido e por isso, as pesquisas relacionados com o assunto eram escassas. Para tanto, atualmente, o destino das camas de aviários (cama de frango) é quase que exclusivo para adubação o que implica na realização de pesquisas que certifiquem a eficiência do uso como adubo.

Por isso, estudos conduzidos na cidade de Botucatu/SP, no sítio São Judas Tadeu, Bairro de Anhumas (Figura 1), com o apoio da Unesp/Botucatu verificaram que a adubação de cama de frango pode ser utilizada na adubação do pasto. Na ocasião, foram desenvolvidos estudos em capim Pennisetum purpureum cv Napier (Capim Elefante). O experimento considerou o uso da adubação orgânica na forma de cama de frango e mineral na forma de ureia, seguindo os tratamentos: T1 - cama de frango na dosagem de 20 toneladas por hectare, aplicada de uma única vez, 30 dias antes do primeiro ciclo de pastejo (Instrução Normativa nº 15 e nº 8 - MAPA); T2 - cama de frango na dosagem de 20 toneladas por hectare dividida em 5 aplicações, respectivamente, nos 5 ciclos de pastejo de verão; T3 - ureia na dosagem de 70 kg de nitrogênio (N) por hectare (150kg de ureia), nos respectivos ciclos de pastejo.

Figura 1 - Animais pastejando área de experimento adubada com cama de frango e ureia.



Cabe salientar que segundo a Normativa o pasto adubado com cama de frango deverá permanecer em descanso no mínimo por 30 dias para que a cama de frango seja incorporada (penetre no solo e torne-se indisponível para o animal). Este fator é muito importante em se tratando de capins que se utilizam de um período de descanso menor que 30 dias. O uso do tratamento que consiste em aplicar toda cama (20 toneladas) em única parcela atende a esta exigência, fato que pode permitir o uso de cama até mesmo para estes capins.

Alguns resultados preliminares deste experimento são bem animadores pois concluíram que a cama de frango pode ser utilizada em uma única aplicação na área, no início do verão ou término do inverno. No caso do experimento, o tratamento com cama aplicada uma única vez foi efetuado no final da seca de 2010, precisamente no início de setembro. Foram colocadas 20 toneladas por hectare de cama (2 kg por metro quadrado) distribuída a lanço na área com o capim manejado baixo, neste caso por volta de 20 cm. Este manejo facilita muito os produtores que se utilizarão desta técnica pois há possibilidade de concentrar a adubação e o processo de mecanização. Assim, a contratação de maquinário, se necessário, pode ser feita localizada facilitando o processo.

Segundo dados parciais publicados deste experimento em Botucatu, Marcelo et al. (2011) avaliaram três horas iniciais de pastejo nestes tratamentos em três pastejos de verão (dezembro a fevereiro) para quantificar a preferência dos animais pelas parcelas adubadas com cama de frango e adubo químico na forma de ureia. Concluíram que os tratamentos com cama de frango foram preferidos pelos animais quando comparados com a adubação com ureia mostrando que a adubação orgânica na forma de cama de frango em pastagens proporciona excelente aceitação da forragem pelos animais além da mesma produção de massa em comparação com o uso da ureia como adubo.

Ainda, Granuzzo et al. (2011), neste mesmo experimento, avaliando a altura do capim aos 7, 14, 21, 28 e 40 dias após o corte no quinto ciclo de pastejo, mostrou que mesmo em ciclos de pastejos no final do verão (após longo tempo de aplicação da cama de frango em única vez), concluíram que é possível a utilização da cama como adubo por permitir o crescimento (altura) das plantas dos tratamentos mesmo quando comparado com a ureia normalmente utilizada como fonte de nitrogênio.

Parise et al. (2011), trabalhando com avaliação das relações folha colmo e folha material deste mesmo experimento, concluíram que a adubação orgânica pode ser utilizada na adubação de pastagem, pois mantém a relação folha/colmo da forragem em comparação as adubações químicas por meio de ureia, como excelente alternativa nas produções que se utilizam da pastagem como fonte de volumoso.

Como citado anteriormente, as pesquisas com adubação de pastagem com cama de frango eram escassas uma vez que até mesmo a proibição da cama como adubo em pastagem acontecia. No entanto, hoje a adubação de cama de frango em pasto é excelente saída tanto para aproveitamento deste material por parte de produtores de frango quanto para reposição de nitrogênio para aumento de produtividade da pastagem, para os pecuaristas. Em suma, a utilização é viável também em preço quando comparada a ureia.

No entanto, o único entrave para utilizar a cama como adubo é o frete que poderá encarecer o seu uso, mas em termos de fertilização do solo, contribui não só com o nitrogênio mas ainda com fósforo, potássio e outros nutrientes. Assim, sua utilização é 100% viável para a produção de massa, fertilidade do solo, e aceitação do pasto pelos animais uma vez que não interfere em nada quando comparada com a adubação nitrogenada na forma de ureia.

Referências bibliográficas

GRANUZZO, J.T.; MEIRELLES, P.R;L.; PARISE, F.A.; FACTORI, M.A.; MARCELO,E.T. Altura do capim elefante em função da adubação orgânica e mineral. Anais... CIC - Congresso de Iniciação Científica da UNESP - Botucatu SP, 2011.

MARCELO,E.T.; MEIRELLES, P.R;L.; FACTORI, M.A.; COSTA, C.; GRANUZZO, J.T. Preferência de pastejo do capim elefante em função da adubação orgânica e mineral. Anais... CIC - Congresso de Iniciação Científica da UNESP - Botucatu SP, 2011.

PARISE, F.A.; MEIRELLES, P.R;L.; GRANUZZO, J.T.; FACTORI, M.A.; PESSIN, R.F. Avaliação da relação folha colmo e folha material morto do capim pennisetum purpureum cv. napier em função da adubação orgânica e mineral. Anais... CIC - Congresso de Iniciação Científica da UNESP - Botucatu SP, 2011.

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Comentários

KiLOViVO - Ovinocultura de precisão - (65)99784004

Tangará da Serra - Mato Grosso - Produção, Consultoria e Assist.Técnica
postado em 14/10/2011

Prezado Marco Aurélio:
Muito oportuna a matéria. Mas, para efeito de esclarecimento aos produtores, ficou faltando a abordagem sobre o manejo da cama de frango antes de ser espalhada sobre a pastagem. É necessário que aconteça a complementação da fermentação para que o nitrogênio seja fixado na forma de amônio e preservado para as plantas. De outra forma, como amônia, mais da metade desse elemento será perdida para a atmosfera.
Um grande abraço.
Giorgi

Marco Aurélio Factori

Outro - São Paulo - Pós Doutorando DMNA - FMVZ/UNESP/Botucatu-SP
postado em 14/10/2011

Prezado Giorgi

Nos nossos experimentos realizados, a cama de frango pode ser aplicada na pastagem sem a compostagem, inclusive sendo permitido pela normativa. As doses aplicadas em nossos experimentos, consideram o dobro da dose recomendada de N justamente para estas perdas (4 toneladas por aplicação, considerando uma cama com aprox. 3 a 4 % de N, portanto, 150 kg de N por aplicação ou seja o dobro recomendado com uréia que é de 70 kg por hectare). Acredito que novos estudos devem ser conduzidos para minimizar estas perdas, mas para o referido trabalho a cama não sofreu compostagem e sim, apenas amontoada  para posterior aplicação sem a preocupação da compostagem. Muito obrigado pelo comentário e colocando a disposição para mais esclarecimentos. Um forte abraço, Marco Aurélio Factori.

Homilton Narcizo da silva

Goiânia - Goiás - Produção de leite (de vaca)
postado em 15/10/2011

Gostaria que o autor desta matéria  passar para nós os dados ou seja os componentes  da cama de frango se tem estes elementos em  maõs , para sabermos qual a melhor cama de frango da região e para fazermos a comparação com á ureia

Abraços Homilton

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