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Mandioca: fonte de energia e proteína na dieta de ruminantes

postado em 25/10/2007

21 comentários
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Por Roberto Guimarães Júnior, Francisco Duarte Fernandes, Eduardo Alano Vieira e Josefino de Freitas Fialho1



Introdução

A utilização de alimentos alternativos na alimentação animal tem se constituído em uma estratégia de grande valia na redução dos custos de produção. A mandioca (Manihot esculenta Crantz) é uma planta nativa do Brasil que possui boas características nutritivas, uma ampla variedade de utilização e que pode ser utilizada na dieta de ruminantes. A sua utilização na alimentação de ruminantes apresenta vantagens, uma vez que ela substitui fontes de alimentos energéticos tradicionalmente utilizados na dieta de monogástricos, e por isso de custo elevado, bem como se constitui em uma fonte suplementar de alimento volumoso e proteínas.

No Brasil estima-se que a área plantada de mandioca seja de 2 milhões de hectares, apresentando uma produtividade média de 13 toneladas de raízes e 12 toneladas de matéria verde de parte aérea por hectare. A cultura apresenta elevado potencial produtivo, chegando a produzir até 25 toneladas de parte aérea e 40 toneladas de raízes frescas por hectare.

A maior parte das raízes da mandioca é destinada à indústria ou ao consumo humano, no entanto, parte da produção inadequada para esta finalidade pode destinada à alimentação animal. Quanto à parte aérea, uma quantidade significativa descartada no campo poderia ser utilizada para alimentação de ruminantes.

Esse artigo tem por objetivo discutir as possibilidades de utilização da planta da mandioca na alimentação de animais ruminantes.

Formas de utilização da mandioca na alimentação de ruminantes

Em termos nutricionais, a mandioca se destaca por ser uma cultura de duplo propósito (Preston, 2001), ou seja, ela pode ser utilizada na dieta como fonte de energia (raízes) e também proteína (parte aérea). A mandioca de mesa ("mansa") pode ser fornecida "in natura" na alimentação de ruminantes sem causar problemas de intoxicação. No caso da mandioca de indústria ("brava") somente deve ser fornecida depois de triturada e exposta ao sol por um período mínimo de 24 horas, em função do elevado teor de ácido cianídrico.

Diversas são as formas de utilização da mandioca na alimentação de ruminantes. No entanto, as principais são: raiz de mandioca fresca; parte aérea de mandioca fresca; silagem da planta integral de mandioca (planta integral, triturada e ensilada); silagem de raiz de mandioca (raiz, triturada e ensilada); silagem da parte aérea da mandioca (parte aérea, triturada e ensilada); feno de mandioca (parte aérea, triturada e seca ao sol); farinha integral ou raspa integral (raiz moída ou picada e seca ao sol); farelo de raspas ou raspa residual (subproduto resultante da extração do amido); farelo de farinha de mesa (subproduto resultante da fabricação de farinha de mesa).

Características nutricionais da parte aérea e raiz de mandioca

A parte aérea da mandioca é constituída pelas hastes principais, ramos e folhas em proporções variáveis. É um material que apresenta elevada concentração protéica (principalmente o terço superior, com teores superiores a 20%) e boa palatabilidade. É rica em vitaminas A, C e do complexo B, e apresenta boa concentração de minerais, sendo incluída, principalmente, na dieta de ruminantes nas formas in natura, feno ou silagem.

A raiz da mandioca é rica em energia, possui baixa quantidade de fibras e proteínas, boa palatabilidade e elevado coeficiente de digestibilidade (Carvalho, 1983). Por essas características vem sendo utilizada na forma fresca, ensilada e desidratada (raspa de mandioca ou farelo de raspa) como uma importante fonte de energia em substituição ao milho em dietas de ruminantes.

Médias de composição química produzidas com dados de vários estudos foram apresentadas por Carvalho (1984), onde a parte aérea da mandioca avaliada quando as raízes estavam em seu estádio ótimo de desenvolvimento apresentou 25% de matéria seca, 16% de proteína bruta, 45,0% de carboidratos, 14,5% de fibra bruta, 7,5% de gordura e 12,0% de cinzas.

A composição química da parte aérea da mandioca e das raízes é significativamente influenciada pela variedade (Carvalho, 1984; Von Tiesenhausen, 1987; Moura e Costa, 2001). Desta forma, a determinação do valor nutricional da parte aérea e subterrânea de variedades de mandioca é de grande interesse para balanceamento racional de dietas na nutrição animal.

Resumo do manejo e preparo das raízes e parte aérea para alimentação animal

Parte Aérea

- Recomenda-se que a parte aérea da mandioca, antes de ser fornecida aos animais, seja picada manualmente ou em picadeiras elétricas e colocadas para secar durante um a dois dias. Este material após secagem é chamado de feno da parte aérea de mandioca;

- Toda a parte aérea pode ser consumida pelos animais. Entretanto, com a utilização de apenas o terço superior da planta (as ponteiras, parte mais tenra da planta), um Feno de melhor qualidade (mais rico em proteínas), será produzido, apesar da menor quantidade de material obtido;

- O fardo de feno, quando bem seco, deverá ser armazenado em lugar fresco e ventilado, para ser utilizado à medida do necessário;

- Outra forma de utilizar a parte aérea é na forma de silagem. Após picada e ainda verde ou fresca, a planta é colocada sob compactação, no silo, até o enchimento total do mesmo. O silo deverá ser vedado com lona plástica, e acima da lona deverá ser colocada uma camada de cerca de 5 cm de terra. Aconselha-se a abertura do silo após trinta dias após do seu enchimento.

Raízes

- As raízes de variedades de mandioca mansa ou macaxeiras poderão ser picadas e fornecidas imediatamente aos animais.

- As raízes de variedades de mandioca para indústria ou bravas, deverão ser picadas, colocadas para secar, durante um a dois dias, antes de serem fornecidas para os animais. Este material após a secagem é chamado de raspa de raízes de mandioca.

- A raspa poderá ser preparada tanto da mandioca para indústria, quanto da mandioca para mesa, principalmente quando se pretende armazenar o produto para fornecer aos animais em períodos de escassez de alimentos. Neste caso a raspa deverá estar bem seca, com, pelo menos 14% de umidade, que na prática poderá ser verificado quando um pedaço estiver riscando como giz.

Pesquisa participativa

O grupo de pesquisa com mandioca da Embrapa Cerrados atua em projetos que visam avaliar e selecionar juntamente com agricultores e extensionistas variedades de mandioca, por meio da metodologia da pesquisa participativa. O principal objetivo desses projetos é a indicação de variedades com maior potencial produtivo, melhor qualidade fisiológica e maior aceitação pelos produtores.

Dias de campo são organizados, com a realização de palestras sobre diversos assuntos relacionados ao tema, como melhoramento genético, cadeia produtiva, pragas e doenças e a utilização da mandioca na alimentação animal. Esse trabalho tem como principais parceiros externos, os Produtores Rurais e a Fundação Banco do Brasil.

Referências Bibliográficas

CARVALHO, J.L.H. A Mandioca - Raiz e parte aérea na alimentação animal. Circular Técnica n. 17, Brasília: Embrapa CPAC, 1983. 44p.

CARVALHO, J.L.H. A parte aérea da mandioca na alimentação animal. Informe Agropecuário. v.119, n.10, p.28-36, 1984.

MOURA, G.M., COSTA, N.L. Efeito da freqüência e altura de poda na produtividade de raízes e parte aérea em mandioca. Pesquisa Agropecuária Brasileira, v.36, n.8, p.1053-1059, 2001.

PRESTON, T.R. Potential of cassava in integrated farming systems. In: INTERNATIONAL WORKSHOP CURRENT RESERCH AND DEVELOPMENT ON USE OF CASSAVA AS ANIMAL FEED, 2001, Khon Kaen. Proceedings. Khon Kaen: Khon Kaen University: SIDA-SAREC, 2001. Disponível em http://www.mekarn.org/procKK/pres.htm Acesso em: 01 de maio de 2007.

VON TIESENHAUSEN, I.M.E.V. O feno e a silagem da rama de mandioca na alimentação de ruminantes. Informe Agropecuário. v.13, n.145, p.42-47, 1987.

Fotos:


Confecção da Raspa de raízes de mandioca
Fonte: Vieira e Fialho (2007). Comunidade em Arinos - MG


Confecção da Raspa de raízes de mandioca
Fonte: Vieira e Fialho (2007). Comunidade em Arinos - MG


Confecção da silagem da parte aérea da mandioca - silo de superfície
Fonte: Vieira e Fialho (2007). Comunidade em Arinos - MG


Confecção do feno da parte aérea da mandioca
Fonte: Vieira e Fialho (2007). Comunidade em Arinos - MG

_________________________________________
1Pesquisadores da Embrapa Cerrados

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Comentários

Clecio Augusto Cardoso

Salinas - Minas Gerais - Consultoria/extensão
postado em 29/10/2007

Foi um bom artigo, de um assunto que precisa ser mais estudado e divulgado, perante o grande, ou melhor, gigantesco potencial produtivo e a facilidade de cultivo e manejo apresentado pela cultura da mandioca, principalmente nas regiões semi-áridas como a nossa.

Ivan Macena

São Gabriel do Oeste - Mato Grosso do Sul - Consultoria/extensão
postado em 30/10/2007

Dr. Freitas,

Temos utilizado a rama de mandioca com excelentes resultados juntamente com a cana no período da seca.
A utilização da rama ajuda a baratear o custo de concentrado para os animais, apesar de ser pouco utilizada ainda.

marcio figueiredo

Divisópolis - Minas Gerais - Produção de leite (de vaca)
postado em 14/11/2007

Gostei do artigo sobre o uso da mandioca na alimentação de vacas leiteiras, muito bem detalhado. Só faltou a informação acerca da quantidade de mandioca que deve ser fornecido aos animais.

Grato.

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