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"Grau de sangue" em sistemas de cruzamento

Por André Thaler Neto
postado em 08/01/2014

17 comentários
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Em resposta a post enviados ao Milkpoint, solicitando informações sobre como calcular o grau de sangue em animais mestiços, apresentamos um breve texto sobre as principais definições relativas ao tema.

“Grau de sangue” é uma expressão tradicionalmente utilizada na produção animal para designar a composição genética de um animal e expressa a proporção de uma ou mais raças na composição genética de um animal. O cálculo é baseado no fato do animal receber metade da herança de cada um de seus pais. Assim sendo, a expressão geral para o cálculo do grau de sangue de uma raça para um determinado animal é:

Grau de Sangue= (grau de sangue da mãe +grau de sangue do pai)/2

Vamos exemplificar o cálculo do grau de sangue à luz de 3 sistemas de cruzamento frequentemente empregados em bovinocultura de leite, sendo cruzamento absorvente, cruzamento rotacionado com duas raças e formação de uma nova raça a partir de cruzamentos.

1. Cruzamento absorvente

Neste sistema o objetivo é a obtenção de animais puros por cruzamento (PC) a partir de animais com composição genética desconhecida. Utilizaremos como exemplo a raça Holandesa, chegando ao PC 31/32 Holandês, a partir da utilização de touros puros de origem (PO) Holandês, conforme segue:

1ª. Geração: (0H+1H)/2=1⁄2 H
2ª. Geração: (1⁄2 H+1H)/2=3⁄4 H
3ª. Geração: (3⁄4 H+1H)/2=7⁄8 H
4ª. Geração: (7⁄8 H+1H)/2=15⁄16 H
4ª. Geração: (15⁄16 H+1H)/2=31⁄32 H

O sistema continua com animais 63/64, 127/128 e assim sucessivamente, sendo estes animais, no exemplo desta raça, denominados GC1, GC2,......, GCn.

2. Cruzamento rotacionado com duas raças

Vou exemplificar este cruzamento como sendo entre as raças Holandesa e Jersey, utilizando sempre touros puros dessas raças, alternando a raça do pai a cada geração, iniciando pela utilização de touro Jersey (J) em rebanho de vacas Holandês (H) e a cada geração fazer o cálculo para a raça do touro utilizado, conforme segue:

1ª. Geração: (0J (ou 1H)+1J)/2=1⁄2 J e consequentemente 1⁄2 H (50% J:50%H)
2ª. Geração: (1⁄2 H+1H)/2=3⁄4 H e 1⁄4 J (75%H:25%J)
3ª. Geração: (1/4J+1J)/2=5⁄8 J e 3⁄8 H (62,5%H:37,5%J)
4ª. Geração: (3/8H+1H)/2=11⁄16 H e 5/16J (68,75%H:31,25%J)
5ª. Geração: (5/16J+1J)/2=21⁄32 J e 9/32J (65,63%J:34,37%H)

Devido á variedade de frações é comum expressar o resultado como percentagem, especialmente a partir da 4ª. geração, sendo a tendência de estabilização em aproximadamente em aproximadamente 2/3 da raça do pai e 1/3 da raça predominante na composição genética da mãe.

3. Formação de uma nova raça

Na pecuária de corte existem inúmeros exemplos de raças formadas a partir do cruzamento de raças europeias e zebuínas, sendo que, quando formadas por apenas duas raças, geralmente apresentam a composição genética de 5/8 Europeu e 3/8 Zebuíno. Na bovinocultura de leite o exemplo mais clássico para este tipo de cruzamento é a raça Girolando, cuja composição final é 5/8 Holandês e 3/8 Gir. No Diagrama I aparece uma das opções para se chegar ao denominado puro sintético da raça Girolando.


Neste caso, por exemplo, no acasalamento entre vacas ¼ Holandês: ¾ Gir, com touros Holandês, teremos:


Outra estratégia para se chegar ao puro sintético da raça Girolando está apresentada no Diagrama 2


Neste caso, no acasalamento entre vacas ½ Holandês:Gir, com touros ¾ Holandês, teremos:

Outras estratégias de cruzamento para obtenção do Puro Sintético Girolando podem ser encontrados em http://www.girolando.com.br/index.php?paginasSite/girolando,2,pt.

 

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Comentários

Jaques Alves dos Santos

Nanuque - Minas Gerais - Produção de leite (de vaca)
postado em 09/01/2014

Como saber a mestiçagem de um gado onde as vacas do primeiro cruzamento não tinham uma raça bem definida, algumas chamadas de azebuadas, outras chamadas de mestiças, os touros sim sempre puros; holandeses, gir, guzerá e jersey. Existe algum teste visual que define o grau de sangue ou verificando as matrizes?

Flavio Suguimoto

Goiânia - Goiás - Produção de leite
postado em 09/01/2014

Precisaria chamar um avaliador da Associação.

santo olivatto

Ipuã - São Paulo - Produção de leite
postado em 11/01/2014

O ARTIGO É MUITO BOM, BEM DIDATICO E EXPLICATIVO, POREM ENTENDO QUE POUCAS PESSOAS POSSAM ENTENDER EM VIRTUDE DA MATERIA SER BEM COMPLEXA, MAIS QUE TA EXPLICADO ISSO TA.

Jaques Alves dos Santos

Nanuque - Minas Gerais - Produção de leite (de vaca)
postado em 13/01/2014

Meu caro Santo, quanto ao cruzamento exposto no artigo está pra lá de bem explicado, entendi muito bem, estou questionando quanto ao meu rebanho. Comecei a inseminar a partir de um gado sem raça definida, por isso quero saber qual o resultado do grau  sanguíneo  do meu rebanho.

Regis Nunes Ferreira Leite

Lagoinha - São Paulo - Produção de leite
postado em 13/01/2014

Boa noite . Excelente o cruzamento absorvente, o do gado 5/8 tb. Qto a explicaçao do rotacionado tendo como base sempre a primeira fração o Holandes acho que as novilhas da 4* geração são 11/16 H 5/16J que acasaladas com touro puro Jersey serão 11/32 H e 21/32 J . Estou correto ou não . Porem sou  mais o absorvente ,mas QUAL o melhor p/ voltar um pouco na genética de um 31/32 H ??? Touro 5/8 ou3/4girolando Um abraço  

Lucas Reichelm Costa

Phoenix - Arizona - Estados Unidos - Estudante
postado em 15/01/2014

Muito bom artigo, muito autoexplicativo, linguagem simples e direta de um tema que as vezes gera muita confusão.

LUCAS CESAR OLEGARIO GOMES

Uberaba - Minas Gerais - Estudante
postado em 26/11/2014

regis se vc tentar fazer um teste , tente o cruzamento alternando as raças mais precisamente a Holandesa X Girolando.....demorara mais tempo mas a produção em meu conceito dará bons lucros para sua pripriedade

Edina EJosé Antonio

OUTRA - OUTRO - OUTRA
postado em 15/08/2015

Muito bom...

João Sales

Cocos - Bahia - Técnico
postado em 30/11/2015

Gostaria que fizesse um diagrama para "bovino de corte"  com a raça nelore, matrizes sem definir o grau de sangue, utilizando touro PO.

obrigado

André Thaler Neto

Lages - Santa Catarina - Pesquisa/ensino
postado em 02/12/2015

Prezado João

Como trabalho exclusivamente com bovinos de leite há muito tempo, infelizmente não sou a pessoa mais indicada para responder teu questionamento.

Josemar

Salvador - Bahia - Estudante
postado em 15/03/2016

Existe diferença entre fêmeas ¾ gir holando com machos da raça holandesa  e fêmeas ¾ holando gir com machos da raça holandesa. Essa inversão de termo (gir holando e holando gir) faz alguma diferença no cruzamento???

André Thaler Neto

Lages - Santa Catarina - Pesquisa/ensino
postado em 16/03/2016

Prezado Josemar
Quando temos animais de um determinado grupamento genético com diferentes origens (como os 3/4 da sua pergunta) o nível de heterose não se altera. Eventuais diferenças podem ser atribuídas principalmente ao efeito relacionado ao grau de sangue da mãe e sua habilidade materna. entretanto, em bovinos de leite, onde normalmente a cria depende menos desta habilidade, devido ao sistema de criação, eu não considero estas diferenças relevantes para os sistemas de produção.

daniel

Belo Horizonte - Minas Gerais - OUTRA
postado em 04/09/2016

Jaques, descreva a ordem de utilização dos touros holandeses, gir, guzerá e jersey que vc utilizou pois vc fez um ótimo composto leiteiro. As vacas mestiças eram logicamente 50% zebu 50 % EUROPEU. se vc utilizou essa ordem seguindo para as crias com holandes vc alcançou 3\4 de sangue europeu, depois com gir nessas filhas vc alcançou 5\8 de sangue zebu, depois com guzerá vc alcançou 13\16 sangue zebu e 18,75% sangue europeu, e por fim com o jersey vc alcançou 19\32 ou 59,375 % de sangue europeu excelente heteroze.

Acredito que vc possua animais de graus de sangue entre 5\8 de sangue europeu leite ate 3\4 de sangue europeu das crias das mestiças, já para as azebuzadas, considerando a ordem de utilização dos touros, para as crias finais com jersey vc tem animais 37\64 de sangue europeu ou seja 57,8125 % então a produtividade de seu gado deve ser excelente Se quiser conversar sobre cruzamentos de gado de leite segue e-mail : nielnasser@gmail.com

Ricardo Cavalcanti

Garanhuns - Pernambuco - Produção de leite
postado em 11/09/2016

O que podemos esperar em termos de qualidade dos animais, se realizarmos  o cruzamento entre individuos F1 HZ?

Gostaria que fosse levado em consideração que seus pais sao provados nos aspectos reprodutivos e de produção de leite.

Vale a pena inseminar as F1 com touros F1, visando produção de leite e reposição do rebanho?

Qual seria a diferença entre o produto desse cruzamento, em relacao ao F1 da cruza de Puro Holandês + Puro Zebu ??

Obrigado

Ricardo Cavalcanti

daniel

Belo Horizonte - Minas Gerais - OUTRA
postado em 12/09/2016

Prezado Ricardo,
O cruzamento de F1 com F1 significaria utilizar animais 50 % de sangue europeu e 50 % de sangue zebu no qual se manteria a produtividade dos das vacas F1 ou aumentaria das mesmas se o touro utilizado tiver potencial genético melhorador:
Exemplo: se vc possui vacas F1 filhas de touro holandês com uma grande produtividade da mãe do mesmo, mas não só diária e sim por lactação, com certeza ainda que as vacas azebuzadas não tenham uma produção leiteira tão grande, o seu F1 será excelente. A questão é se compensa comprar um touro ou inseminar com sangue de touro F1 (1/2 holandes 1/2 zebu), ou então selecionar um bezerro mestiço filho de sua melhor vaca azebuzada com o touro holandes.Tudo vai depender se o touro f1 a ser comprado ou a disponibilidade de sêmen se referirem à toruros f1 com uma produtividade melhor do que a que vc possui.Ex: adquirir um touro F1 filho de touros melhoradores da raça holandesa cujas mães desses touros tenham altas produções de mais de R$ 8.000,00 kgs de leite em 300 dias de lactação com média de 8.000/300 = 26, 67 kgs de leite, cuja mãe zebu do touro a ser adquirido tenha uma lactação alta também no caso de 5.200 kgs em uma lactação de 300 dias média de 17 kgs por dia É claro que vc vai achar touros mestiços (f1) com pais comprovadamente provenientes de gerações de vacas com lactações bem maiores cuja produtividade será maior do que as vacas possui, mas a questão é o quanto vc está disposto a oferecer de ração leiteira para que a produção de leite atinja os níveis do que as vacas podem produzir, ou seja, vacas de alta produção consomem mais.
Assim, vale a pena inseminar ou adquirir touros para melhorar o rebanho continuando a proporção de sangue f1 (50 por cento zebu 50 por cento europeu leite ? Depende da necessidade, depende do investimento, de pende da produção de leite que se quer atingir.Na minha propriedade sempre utilizávamos animais com maior porcentagem de gado europeu para leite, visando produzir animais rústicos, com produção leiteira à pasto, com média inicial de 8 litros de leite por vaca sem nenhum tipo de ração leiteira com uma tirada por dia, atingindo 2400 litros em 300 dias. Utilizávamos touros de diversas raças leiteiras européias sobre vacas comuns ( agiradas guzeratadas indubrasiladas)Porém notamos que se aumentássemos muito o grau de sangue europeu alcançaríamos produções maiores se disponibilizássemos uma certa quantidade de ração leiteira.Assim fazíamos o seguinte: estabelecemos que as matrizes azebuzadas de melhor produção e suas crias mestiças f1 com touros europeus seriam cruzadas com touros caracu selecionadas para leite (caracu caldeano). Nasceram produtos meio sangue caracu e 1/4 sangue leite europeu e 1/4 sangue azebuzadas (75% europeu 25% azebuzada) e produtos ( 50 % caracu 50 % azebuzada ). Depois fizemos o cruzamento desses dois produtos com touros 5/8 de sangue europeu leite e 1/4 sangue zebu para leite (simbrasil , pitangueiras,guzolando, girolnado, giropar (pardo s/ gir)

daniel

Belo Horizonte - Minas Gerais - OUTRA
postado em 12/09/2016

Assim, tivemos uma grande heteroze que ficou demonstrada na melhora da produção leiteira diária cujas vacas filhas das mestiças caracu/zebu e mestiças caracu/fi europeu/zebu com touros 5/8 leite europeu e 3/8 zebu tiveram produções de 15/17 litros de leite por dia com suplementação de menos de 1KG de ração leiteira por vaca lactante em 300 dias por lactação no mínimo !!!! Percebemos que a utilização de um taurino adaptado como o caracu selecionado pra leite mais as características leiteiras e a heterose proveniente do gado sintético formado pelas raças simbrasil leite, pitangueiras, guzolando, girolando e giropar, aumentaram o teor de sólidos, a lactação das vacas, prevalecendo a rusticidade, a resistência à parasitas (pêlo fino), qualidade do úbere, sanidade dos bezerros, maior capacidade de absorção das pastagens (conversão alimentar) e sobretudo, quando do descarte das vacas para o frigorífico, ótimo desempenho de peso pois todas possuíam mais que 450 kilos ou seja 15 arrobas no mínimo. Detalhe: o que chamo de ração leiteira era uma mistura que utilizávamos na medida de um 1,5 kgs de ração leiteira 22% para 3,5 kgs de milho moído (farelo), visando reduzirmos os gastos com ração, já que plantar milho ou comprar em nossa região ainda é barato.

André Thaler Neto

Lages - Santa Catarina - Pesquisa/ensino
postado em 15/09/2016

Prezado Ricardo
Um sistema de cruzamento no qual se acasala animais F1 (1/2 sangue) entre si tem como desvantagem uma redução considerável na heterose, sendo que a heterose esperada é 50% da heterose máxima, ou seja da heterose que se obtém na´produção da F1 a partir de cruzamento  de europeu com zebuíno. Neste caso existe a facilidade de poder utilzar sempre o mesmo grupamento genético do touro, o que também ocorre no Girolando 3/8 Gir 5/8 Holandês (onde temos sêmen de touros provados  à disposição), porém a heterose obtida em sistemas de cruzamento rotacionados é maior,  exceto na F2, quando  também será de 50% da heterose máxima. Um sistema rotacionado  com duas raças tende a estabilizar a heterose em aproximadamente 2/3 da heterose máxima e com 3 raças em 84%.   
Com relação à sua pergunta quanto à F2 a partir do cruzamento de 1/2HZ com zebuíno, espera-se uma redução na produção de leite devido a elevado percentual de participação de zebuíno.

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