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Cuidados na hora do parto (parte 1)

 

O parto é um momento de alto risco para a vida do bezerro, da vaca, e de fundamental importância para um começo de lactação promissor e sem distúrbios. Nos dias próximos ao parto, o correto manejo da vaca e do bezerro depende da qualidade da maternidade, do treinamento dos funcionários, da rotina em executar as tarefas diárias, do programa de sanidade utilizado no rebanho e do programa nutricional.

Quando consideramos o valor do bezerro recém-nascido e todos os esforços de manejo e despesas realizadas para alcançar aquele nascimento, é possível perceber que uma maior atenção deve ser direcionada para a redução das distocias e mortes ao nascimento. Alguns passos podem ser enumerados para estabelecer uma rotina de maior atenção no momento do parto:

  • O parto é um evento contínuo com três diferentes estágios: a) relaxamento e dilatação da cervix; b) contrações para expelir o feto; c) expulsão da placenta e redução uterina.


  • No primeiro estágio ocorrem alterações para auxiliar a passagem do bezerro. Nesta fase há o relaxamento dos ligamentos da pelve; a cervix, vagina e a vulva dilatam e o tampão mucoso é expelido. A vaca demonstra inquietação, desconforto e, ocasionalmente, levanta a cauda. O animal tenta ficar isolado e esta fase pode durar até mais de 24 horas.


  • O segundo estágio inicia com o aparecimento da bolsa e termina quando o bezerro nasce. Neste estágio começam a aumentar os riscos de perda do bezerro. Vacas, geralmente, levam de 30 minutos a uma hora; nas novilhas esta fase costuma ser mais lenta, podendo chegar a 4 horas.
O funcionário responsável pela observação da maternidade deve anotar o momento em que é iniciado o segundo estágio. É importante ter em mente que o processo do parto pode ser lento, porém contínuo. Se o processo não for contínuo, as vacas devem ser examinadas após 1 hora e as novilhas após 2 horas do início da segunda fase. Mas atenção, o exame de um animal neste período é uma atividade arriscada e deve ser feito com muita higiene.

Os problemas que ocorrem durante o parto podem ser auxiliados com maior competência quando se tem um conhecimento básico do processo ocorrido durante o parto e das possíveis posições do bezerro no útero.

Existem duas posições mais freqüentes do bezerro no útero. Na figura 1 está ilustrada a posição em que o bezerro fica voltado para a saída da vulva, com a cabeça entre os membros anteriores; esta posição ocorre em cerca de 95% dos partos. A segunda posição é menos freqüente, mas pode causar uma maior ocorrência de distocias: nela o bezerro encontra-se com os membros posteriores voltados para a vulva (Figura 2). Nos casos de parto gemelar, um dos bezerros fica nesta posição e o outro com a cabeça e os membros anteriores voltados para a vulva (Figura 3). A maioria das distocias ocorre quando há alguma alteração das apresentações descritas acima, por exemplo com a cabeça ou os membros mal posicionados (Figura 4).

Dados de pesquisa que buscaram determinar a dinâmica dos partos evidenciaram que 62,6% dos partos ocorrem durante a noite e 37,4% durante o dia, sendo que durante o expediente de trabalho ocorrem apenas 24,8% dos partos. Dentre os partos que precisaram de auxílio, 60,4% ocorreram durante a noite e 39,6% ocorreram durante o dia. Foi também observado que os partos que ocorrem durante a noite apresentam taxas de morte do neonato mais altas e as vacas apresentam maior incidência de metrite, bem como aumento do período do parto ao primeiro cio, maior período de dias em aberto e menores taxas de concepção. Com base nestes resultados os autores sugerem que cada produtor calcule o número de partos com problemas e o número de bezerros perdidos durante os partos noturnos, calcule também o valor de cada bezerro e avalie o custo-benefício de manter um vigia noturno na área da maternidade.

Funcionários responsáveis pela maternidade devem ser treinados pelo veterinário e, sempre que possível, as informações devem ser recicladas para manter o treinamento, evitando vícios e mitos. Estas sugestões podem contribuir significativamente para um maior retorno econômico da atividade.


Figura 1 - Apresentação mais comum do bezerro no útero


Figura 2 - Bezerro com os membros posteriores voltados para a vulva da vaca


Figura 3 - Apresentação mais freqüente no parto gemelar


Figura 4 - Bezerro com posição irregular que irá dificultar o parto

Fonte:

NAKAO, T.; GRUNERT, E. Effects of dystocia on postpartum adrenocortical function in dairy cows. J. Dairy Sci., v.73, p.2801-2806, 1990.


JOHANSON, J. M.; BERGER, P. J. Birth weight as a predictor of calving ease and perinatal mortality in Holstein cattle. J. Dairy Sci., v.86, p.3745-3755, 2003.

http://www.vetmed.ucdavis.edu/vetext/INF-DA/INF-DA_CAREPRAX.HTML
MANAGEMENT COMPONENTS - SECTION 1. CALF CARE FROM BIRTH TO WEANING

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Comentários:

Andre da Mota Fernades

uberlandia - Paraiba - Produção de leite (de vaca)
postado em 20/10/2005

Parabéns Dra. Renata de Oliveira, pela eloqüência, pragmatismo e abrangência de seus artigos. São de grande valia, e eu que já sou veterinário formado, é uma boa oportunidade de reciclagem e aquisição de novos conhecimentos.

É uma honra para nossa classe de médicos veterinários, terem profissionais com tal nível de sapiência. Continue assim, e, por favor, não pare de escrever nesta sessão.

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