Bom plano de ação pode desencadear a prosperidade

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É fundamental que toda fazenda-empresa tenha seu próprio plano de ação ou plano de negócios. Caso contrário, o crescimento (se houver) é desordenado, levando a um gasto de esforços e recursos além do necessário. A elaboração desse plano é mais uma das atribuições da equipe de gerenciamento.

A grande maioria dos produtores tem um plano geral em suas cabeças, no entanto poucos o têm por escrito. Um plano de negócios detalhado, em geral, só é elaborado quando a fazenda-empresa está almejando algum financiamento. Criando o hábito de documentar o plano de negócios, em pouco tempo é possível perceber o quanto isto facilita a compreensão das nuanças do sistema de produção adotado, permitindo desta forma que a gerência conduza o empreendimento no rumo correto. Apenas sabendo para onde se quer ir pode-se ter noção de como, quando e a que custo se chegará lá.

Mesmo sem perceber o produtor já têm em mãos vários componentes do plano de negócios. O primeiro passo é promover um levantamento geral dos detalhes financeiros e de produção dos anos anteriores. Pode-se considerar a idéia de estar montando um plano de negócios para apresentar a um investidor ou financiador, isso pode servir a esse propósito realmente, ou apenas para que se visualize a saúde econômica da(s) atividade(s). É importante que o plano elucide dúvidas que potenciais investidores teriam, tais como:

1) Qual a situação atual e quais os recursos que já estão disponíveis?

2) Qual a situação objetivo e/ou quais as metas?

3) Como e quando se planeja chegar a situação objetivo?

Na resposta a essas perguntas é preciso incluir detalhes técnicos e econômicos do empreendimento, indicando valores e datas sempre que possível. Investidores partem desse plano de negócio para avaliar os riscos e a habilidade da gerência na recuperação do capital que será empatado.

Descrever os ativos sob controle da fazenda-empresa, tais como: máquinas, equipamentos, animais, instalações e terra (não esqueça de colocar valores nessa descrição). No caso de fazer uso de terra própria, indicar a localização, as vias de acesso, e há quanto tempo a propriedade foi adquirida e/ou é explorada. Tratando-se de arrendamento, além da localização e vias de acesso, anexar as condições do contrato, o tempo em andamento e prazo para terminar. Demonstrar práticas adotadas na condução da atividade, dificuldades encontradas, e os resultados esperados e/ou obtidos, toda informação sobre a produção pode vir a ser importante.

Exemplo: O trabalho começou na safra de 2000/2001 com o arrendamento de 80 ha, dos quais 50 foram cultivados com milho, obtendo-se uma produtividade média de 80 sacas/ha. Nesta safra de 2001/2002 temos 140 ha cultivados de um total de 173 arrendados, a produtividade média prevista é de 95 sacas/ha. Em 2002 saiu o financiamento para compra de propriedade de 37 ha.

Em situações de sociedades entre produtores, entre estes e investidores, ou quando está sendo realmente pleiteado um financiamento, é preciso ter idéia dos obstáculos legais (jurídicos e contábeis) que serão enfrentados. As informações necessárias podem ser obtidas junto a especialistas (advogados e contadores), buscando resposta às seguintes perguntas:

1) Quais são os requisitos legais do negócio?

2) Quais acordos serão efetuados no caso da dissolução do negócio?

3) De quem é a propriedade dos ativos empregados no negócio?

4) Que contrato de arrendamento e/ou obrigações de “aluguel” existem?

5) Existindo mais pessoas envolvidas, quais as responsabilidades para com elas?

6) Que condições ou outros planos para o patrimônio podem afetar o negócio?

Alguns produtores, por uma série de motivos, optam por fazer uso de seu patrimônio próprio (máquinas, rebanhos, terra, etc.) em associações com outras pessoas e/ou organizações, formando entidades jurídicas normalmente intituladas agropecuárias. Nesse caso, é interessante definir de maneira criteriosa aquilo que cabe a cada uma das partes envolvidas, inclusive as obrigações e direitos que isso encerra. Especificando o acordo firmado, mencionando o máximo de detalhes possível, pode evitar discussões futuras.

Definidos os pormenores do sistema de produção, elaborar um orçamento detalhado do mesmo, incluindo todos os investimentos realizados, e as receitas oriundas das produções obtidas. Especifique as dívidas e/ou obrigações contábeis (tributos, taxas, etc.) da fazenda-empresa, se possível anexando os últimos 3 a 5 anos de registros. No caso de existirem empréstimos pessoais, em virtude do negócio ainda não ter proporcionado resultado financeiro satisfatório, é preciso mencioná-los. Quanto mais minucioso, melhor; maior será a credibilidade do plano de negócios.

Havendo possibilidade deve-se fazer o lançamento das informações num sistema de registro computadorizado, que permita obter demonstrativos financeiros sempre que necessário, facilitando a visualização clara de como o empreendimento caminha financeiramente.

Considerando o êxito no detalhamento até agora descrito do plano de negócios, e partindo do princípio que são 4 os fatores de produção: terra, capital, trabalho e gerenciamento, já se obteve sucesso na descrição de dois fatores, terra e capital. Agora os esforços devem ser voltados para explicar como o trabalho e o gerenciamento atuam e/ou atuarão, e qual o impacto deles no processo de produção. Enfatizando como as equipes de trabalho e gerenciamento podem ou irão aumentar a performance do negócio durante o tempo.

Exemplo: Fulano implantou em 1999 o sistema de casinhas individuais no lugar do antigo bezerreiro, desde então a mortalidade de bezerros manteve-se abaixo de 3%. Ciclano assistiu a um curso de ordenha em 2000, e fazendo uso das técnicas aprendidas conseguiu uma redução dos casos de mastite de 19% para 6,5%, promovendo um incremento na entrega diária de leite de 1,2 kg por vaca, que somada a economia com a medicação dos animais resultou numa redução do custo de produção de cerca de R$ 0,01 por quilo.

Se você chegou até aqui e conseguiu elaborar seu plano de negócios com as informações acima, já deve ter compreendido um pouco melhor os detalhes de seu sistema de produção, e tido uma boa idéia de sua atual situação. Agora o passo seguinte é elaborar um planejamento para o futuro de seu empreendimento, e esse será o tema de nosso próximo artigo. Até lá!

Adaptado do texto do Dr. Roger Palmer & Dr. Gary Frank do “Center for Dairy Profitability at the University of Wisconsin-Madison”, publicado no periódico “Hoard’s Dairyman”, October 2001
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Material escrito por:

Alexandre de Campos Gonçalves

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