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Princípios básicos no processo de fenação: desidratação da forragem

postado em 13/06/2006

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Por Rafael Camargo do Amaral1, Júlio Kuhn da Trindade1, Renato Shinkai Gentil1, Salim Jacaúna de Souza Júnior1

O objetivo na conservação de forragens, como o próprio nome diz, é a manutenção dos nutrientes e da matéria seca da forrageira com intuito de minimizar perdas durante a estocagem do alimento. No processo de fenação, os fardos podem ser confeccionados sob diferentes tamanhos, formas e densidades, sendo que em sua produção, a forragem fica exposta no campo (número variável de dias) até que sua umidade decresça (20% de umidade), estando exposta à ação de agentes ambientais que poderão depreciar seu valor nutritivo e até mesmo impedir sua conservação. As operações envolvidas no processo de fenação incluem a implantação da cultura, aplicação de fertilizante, corte, revolvimento da forragem, enleiramento, enfardamento, recolhimento e armazenamento dos fardos.

As perdas são influenciadas pelo tipo e tamanho de equipamento utilizado, condições de armazenamento, logística utilizada e tempo. A sujeição principal na redução de perdas é o custo da tecnologia exigida, assim é necessário averiguar vários sistemas de produção para balizarmos o caminho que seguiremos.

A conservação da forragem na forma de feno é um dos mais versáteis sistemas, pois desde que protegido adequadamente durante o armazenamento, apresenta as seguintes vantagens:

- Estocagem por longos períodos com pequenas alterações no valor nutritivo;
- Diversas forrageiras podem ser utilizadas no processo;
- Produção e utilização em grande ou pequena escala;
- Atendimento das exigências nutricionais de diferentes categorias.

Quando a forragem é ceifada e espalhada no campo para secar apresenta teor de umidade entre 70 a 80%, sendo a perda da umidade intensa nas plantas ainda vivas. Uma vez que o caule e as folhas foram separados das raízes, a umidade perdida não é reposta e então começa o murchamento. Uma vez transformada em vapor, a água se move da planta para o ambiente, seguindo o princípio da difusão da umidade. A difusão é gerenciada pelo gradiente de pressão de vapor entre a superfície do vegetal e o ambiente, sendo influenciada principalmente pela temperatura, e a seguir pelo teor de água da planta (Rotz, 1995).

A curva de secagem das plantas forrageiras apresenta formato tipicamente exponencial (Figura 1), de maneia que cada unidade adicional de perda de água, requer maior tempo. Embora o padrão de perda de água em condições constantes de ambiente seja uniforme, o período de secagem pode ser convenientemente dividido em duas ou três fases, as quais diferem na duração, na taxa de perda de água e na resistência a desidratação (McDonald & Clark, 1987).


A primeira etapa de secagem é rápida, envolvendo intensa perda de água, durante a qual os estômatos permanecem abertos, e o déficit da pressão de vapor entre a forragem e o ar é elevado. A perda de água pode chegar a 1 g. g-1MS.h-1 (Jones & Harris, 1979). Durante o processo de secagem, quando a forragem é enleirada, a progressiva perda de água e o sombreamento promovem o fechamento dos estômatos, resultando em aumento na resistência à desidratação. Embora, os estômatos se fechem em aproximadamente 1 hora após o corte, ou quando as plantas possuam de 65 a 70% de umidade, de 20 a 30% do total de água é perdido nesta primeira fase da secagem (McDonald & Clark, 1987).

A segunda fase após o fechamento dos estômatos é de duração maior e envolve evaporação cuticular de água. Assim, a estrutura das folhas, as características da cutícula e a estrutura da planta afetam a duração desta fase de secagem (Harris & Tullberg, 1980). A resistência cuticular e da camada limítrofe do tecido vegetal com o ambiente tornam-se as principais barreiras à perda de água. Após a umidade cair para próximo de 45% de MS, a remoção da água remanescente torna-se difícil (Nash, 1985), de maneira que na fase final de secagem a água está firmemente aderida ao material da planta.

Na fase final de secagem, ou seja, na terceira etapa, em função da plasmólise, a membrana celular perde a sua permeabilidade seletiva, ocorrendo rápida perda de água. A fase final da secagem se inicia quando a umidade da planta atinge cerca de 45%, sendo menos influenciada pelo manejo e mais sensível às condições climáticas do que as anteriores, principalmente à umidade relativa do ar.

A Fase 3 é freqüentemente estendida pela alta umidade relativa ao redor da forragem. Embora com a atenuação do metabolismo da planta, a forragem é suscetível aos perigos de fatores ambientais, podendo ocasionar quebra de tecidos e re-hidratação da forragem.

A taxa de perda de água depende da morfologia dos perfilhos, bem como do teor de água destes. Folhas de gramíneas secam de 10 a 15 vezes mais rápido do que colmos, sendo que 30% da água dos colmos é perdida via folha. Perfilhos vegetativos, com 80% de folhas na MS, secam em um terço do tempo requerido para secar perfilhos em fase de emergência de flores (Jones, 1979). Após a emergência de flores, o tempo de secagem é reduzido devido ao menor teor de água e aumento da exposição de colmos.

Predições com acurácia de respostas fisiológicas da forragem à secagem podem ser mais dificultadas desde que fatores tais como espécie, maturidade, temperatura, órgão da planta, localização dentro do órgão da planta, nível de umidade e fatores ambientais como temperatura, umidade relativa, chuva e orvalho possam interagir causando modificações pós-colheita. Em alguns casos, mudanças fisiológicas e perdas potenciais de nutrientes podem ser significantes, enquanto em outras situações podem ser negligenciadas.

Referências bibliográficas

McDONALD, A.D., CLARK, E.A. Water and quality loss during field drying of hay. Adv. in Agron., Madison. v.41, p. 407-437. 1987.

MOSER, L.E. Post Harvest Physiological Changes in Forage Plants, Chapter 1. In: Post Harvest Physiology and Preservation of Forages. CSSA, Special Publication N.22, ASAS, CSSA, Madison, WI, USA. Ed. Moore and Peterson, 1995, p01-19.

ROTZ, C.A. Field curing of forages. In: Post-harvest physiology and preservation of forages. Moore, K.J., Kral, D.M., Viney, M.K. (eds). American Society of Agronomy Inc., Madison, Wisconsin.1995. p. 39-66.


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1 Mestrandos em Ciência Animal e Pastagens, ESALQ/USP.

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