O bem-estar animal e a legislação

postado em 23/07/2012

 

*Por Guilherme Amorim Franchi, Iran José Oliveira da Silva, Fernanda Victor Rodrigues Vieira, Paulo Rogério Garcia, Ana Luiza Mendonça Pinto

O ser humano provavelmente iniciou as atividades de criação animal para produção há cerca de dez mil anos (Zeder & Hesse, 2000). Desde então, houve destacada evolução nos diversos sistemas de produção animal. No entanto, tal avanço não foi acompanhado nos aspectos relacionados ao bem-estar animal. A elevada produtividade foi alcançada a custos elevados de condições inaceitáveis para a qualidade de vida dos animais de produção.

Foi no Reino Unido, em 1822 que surgiu a primeira lei em relação ao bem-estar animal (BEA), preocupada com o desenvolvimento de técnicas para melhoria das condições de criação animal. Entretanto, ainda hoje, é possível dizer que muitos produtores e técnicos desconhecem as relações que este conceito envolve e, consequentemente, sua importância no cenário mundial na produção de alimentos de origem animal (Milkpoint, 2010).

Segundo a zootecnista Andrea Parrilla, chefe da Divisão de Bovideocultura do Mapa, a Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) deverá divulgar, em breve, recomendações para os sistemas produtivos de gado de leite. Recomendações da OIE costumam ser o primeiro passo para que os países membros criem normas (Embrapa Gado de Leite, 2012), além de lançarem tendências no mercado nacional.

Atualmente, vem ocorrendo menor aceitação por parte do mercado consumidor por produtos de origem animal (POA) quando estes são produzidos à custa do sofrimento animal. O BEA tem forte presença nos códigos morais e nos pilares éticos de vários países. Por meio da pesquisa realizada por Franchi et al. (2012), no município de Piracicaba (São Paulo/SP) com consumidores de POA, constatou-se que, embora mais de 90% dos consumidores considerem que os animais de produção expressem sentimentos, apenas 36,9% relevam esse fato no momento da aquisição do produto. Entretanto, esse valor tem crescido continuadamente, especialmente, por conta de incrementos no acesso à educação e informação sobre como os animais são criados.

Em 1964, com o lançamento do livro "Animal Machines, The New Factory Farming Industry" (Ruth Harrison), deu-se o primeiro passo na discussão sobre as condições precárias na produção animal, culminando, no ano seguinte, no relatório Brambell, que deu início a discussão mundial sobre ética na produção animal.

Este relatório considera que os animais são seres sencientes, ou seja, dotados da capacidade de sentir e expressar emoções. Desta forma, trouxe diversos avanços, tais como: códigos de recomendações para o bem-estar de animais de produção, maior ênfase nos estudos relativos ao tema, desenvolvimento de programas de treinamento para fazendeiros e funcionários, supervisão regular por agências especializadas e o interesse e preocupação dos consumidores quanto à temática.

Após o relatório Brambell, foram anunciados, pelo Conselho de Bem-estar de Animais de Produção do Reino Unido, códigos conhecidos como "As cinco liberdades" (livres de medo e angústia; livres de dor, sofrimento e doença; livres de fome e sede; livres de desconforto e livres para expressar comportamento natural), com a intenção de criar melhores padrões de bem-estar para os animais em todos os sistemas de produção.

No Brasil, o primeiro decreto que estabeleceu medidas de proteção aos animais foi o Decreto Nº 24.645, de 10 de Julho de 1934. Atualmente, existem leis estaduais de proteção animal (tabela 1) e projetos de lei, como a PL 215/2007, que institui o Código Federal de Bem-Estar Animal.

Tabela 1. Tópicos dos Códigos Estaduais de Proteção aos Animais que abordam o bem-estar animal

Lei Nº 3900/2002. Código Estadual de Proteção aos Animais, no Estado do Rio de Janeiro.
Lei Nº 14.037/2003. Código Estadual de Proteção aos Animais,no Estado do Paraná.
Lei Nº 11.915/2003.Código Estadual de Proteção aos Animais, no Estado do Rio Grande do Sul.
Lei Nº 12.854/2003. Código Estadual de Proteção aos Animais, No Estado de Santa Catarina.
Lei Nº 11.977/2005. Código de Proteção aos Animais, no Estado de São Paulo.
Lei N° 8060/2005.Código de Proteção aos Animais, no Estado do Espírito Santo.

Especificamente para vacas leiteiras, em 2002, o MAPA aprovou a Instrução Normativa nº 51, que classifica o leite também de acordo com o bem-estar animal: "entende-se por leite, sem outra especificação, o produto oriundo da ordenha completa e ininterrupta, em condições de higiene, de vacas sadias, bem alimentadas e descansadas."

Em 2008, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) estabeleceu a Instrução Normativa 56 (IN 56), que estabelece os procedimentos gerais de Recomendações de Boas Práticas de Bem-estar para os Animais de Produção e de Interesse Econômico (REBEM), abrangendo os sistemas de produção (manejo, instalação, sanidade, comportamento) e o transporte.

É muito importante que existam legislações abrangentes de proteção aos animais e que estas sejam cumpridas. Assim, será possível propiciar implementação e monitoramento dos tratamentos dados aos animais. Contudo, a legislação apenas é insuficiente para gerar uma mudança real nas atitudes, fornecendo aos animais melhores condições de vida. Para ser realmente eficaz, a legislação necessita tanto do apoio popular de uma sociedade preocupada e cuidadosa com os animais quanto de aplicação e fiscalização, além de punição adequada quando necessária.

Para contribuir com o avanço e a orientação do BEA de acordo com o REBEM e as normas internacionais, o NUPEA/ESALQ lançará em outubro de 2012, durante o II SBBEAP (Simpósio Brasileiro de Bem-estar de Animais de Produção), os manuais de Boas Práticas de Bem-Estar de Animais de Produção, focando as áreas de Bovinocultura de leite e corte, Avicultura de postura e corte e Suinocultura. Acredita-se que as informações básicas precisam ser disseminadas em forma de manuais impressos e eletrônicos para o balizamento da implantação dos programas de BEA nas propriedades rurais brasileiras.


Referências Bibliográficas

1. FRANCHI, G. A.; NUNES, M. L. A; GARCIA, P. R.; SILVA, I. J. O. Percepção do mercado consumidor de Piracicaba em relação ao bem-estar dos animais de produção. PUBVET, Londrina, V. 6, N. 11, Ed. 198, Art. 1325, 2012.
2. FRASER, A.F.; BROOM, D.M. Farm animal behaviour and welfare, Oxon: CABI, 2002. 437 p.
3. SINGER, P. Animal liberation. New York: HarperCollins, 2002. 324 p.
4. ZEDER, M.A.; HESSE, B. The initial domestication of goats (Capra hircus) in the Zagros mountains 10,000 years ago. Science, Washington, DC, v.287, p.2254-2257, 2000.
5. [CNPGL]. 2012. Conforto para o rebanho. 2009. Disponível em http://www.cnpgl.embrapa.br/nova/sala/noticias/jornaldoleite.php?id=415. Acesso em 11/07/2012.
6. [Milkpoint]. 2010. Enriquecimento ambiental: uma eficiente ferramenta na produção de ovinos e caprinos. Disponível em http://www.farmpoint.com.br/radares-tecnicos/bemestar-e-comportamento-animal/enriquecimento-ambiental-uma-eficiente-ferramenta-na-producao-de-ovinos-e-caprinos-61025n.aspx. Acesso em 16/07/2012.

* Os autores são pesquisadores do Núcleo de Pesquisa em Ambiência (NUPEA/ESALQ/USP) www.nupea.esalq.usp.br

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Comentários:

Ronaldo Marciano Gontijo

Bom Despacho - Minas Gerais - Produção de leite (de vaca)
postado em 23/07/2012

Nota-se claramente que os que escrevem sobre bem estar animal jamais andaram pela zona rural de nosso país. Para se ter boa produção os animais precisam estar saudaveis e bem alimentados, do contrario não produzem, mas basta andarmos um pouco pela zona rural que veremos que existe muita pobreza. Não adianta criar leis quando não existe condições de cumpri-las. Vocês acham que o sertanejo se sente feliz em ver seus poucos animais morrendo de fome e sede? Acham que alguém é pobre porque gosta de pobreza? Acham correto falar em leis e punições para quem não tem condições de prover bem estar nem mesmo para seus filhos? Que moral este governo tem para exigir alguma coisa dos produtores pobres se nem sequer assistencia técnica lhes é oferecida? Me desculpem, mas enquanto não forem dadas as condições de bem estar ao ser humano, não existe moral e nem ética para exigir bem estar aos animais.

Danielle Maria Machado Ribeiro Azevêdo

Teresina - Piauí - Pesquisa/ensino
postado em 24/07/2012

Artigo muito bom, principalmente por levantar a temática bem-estar animal. Infelizmente, ainda vemos muitos maus tratos acontecerem para com animais de produção, muitas vezes travestidos em manejo. Ministro as disciplinas de Comportamento Animal e de Bioclimatologia Animal em um curso de Pós-Graduação e, infelizmente, ao tocar no assunto com os alunos, futuros mestres e doutores, vejo, além do desconhecimento quase total do tema, o desinteresse pelo assunto. E esses alunos são parte do futuro da pesquisa em agropecuária no Brasil. Fico feliz ao encontrar um grupo que trabalha com a temática dando a importância que ela merece.

Iran José Oliveira da Silva

Piracicaba - São Paulo - Pesquisa/ensino
postado em 24/07/2012

Prezado Senhor RONALDO, entendemos a sua revolta com relação ao sertanejo desse país. Porém, fazemos parte de uma massa critica pensante que tenta a medida do possível esclarecer "sertanejos e produtores" com relação as práticas e necessidades de se ter uma produção de qualidade. Não entraremos no mérito da pobreza, mas sim de um país que se destaca na cadeia agroalimentar mundial como uma dos maiores produtores de proteína animal. Estamos agregando valor ao nosso produto e preservando a qualidade da nossa produção. Técnicas e soluções existem para os diferentes níveis de produtores. É evidente que os produtores no qual o Sr. se refere há de se tomar outras medidas para que o gado não passe fome e nem sede, aliás diga-se de passagem uma das principais premissas do Bem-estar animal. Porém, acredito que a visão do caro colega esteja restrita a sua realidade e devemos ampliar os horizontes. Os autores do artigo com toda a certeza conhecem os diferentes sistemas de produção de leite nacional, porém, analisamos os sistemas do ponto de vista profissional e não do ponto de vista paternalista ou muito menos com olhares de solidariedade apenas, achando que todos os produtores são uns coitados...Sr, Ronaldo, existe realidade e realidade, sugerimos que amplie a visão sobre a produção de leite nacional. Atenciosamente.

Fernanda V.R.Vieira

Piracicaba - São Paulo - Pesquisadora (NUPEA/ESALQ/USP)
postado em 24/07/2012

Prezado Ronaldo Marciano Gontijo,

Gostaria de esclarecer que não escreveríamos um artigo em site tão respeitado sem conhecimento de causa. Certamente, o assunto é polêmico e requer tempo e trabalho para que a maioria dos produtores, profissionais, pesquisadores e todos aqueles que trabalham com animais de produção confirmem sua importância.

Eu, particularmente, acredito que o bem-estar humano é ponto fundamental para o bem-estar animal, porém, não se pode justificar os maus tratos dos animais, como você o fez, pelas faltas humanas e continuar a fornecer condições de vida inadequadas aos mesmos.

Qualquer animal, como ser senciente, tem o direito de mínimas condições de vida, e o bem-estar é ponto fundamental para que isso ocorra.

Fácil é encontrar muitas justificativas e continuar do mesmo jeito, sem mudanças, sem melhoras na produção animal. Difícil é encontrar soluções e fornecer melhores condições de vidas para homens e animais. É justamente essa uma das frentes da ciência do bem-estar animal.

Respeitosamente,

Fernanda

Luiz Augusto Petrolli

Machado - Minas Gerais - Produção de leite (de vaca)
postado em 24/07/2012

Diante dos comentários acima não posso deixar de contribuir com minha opinião e conhecimento da causa, por ser do interior e lidar com  a produção animal e conhecer à aplicabilidade dos conceitos de bem-estar no dia-a-dia da fazenda.

Bem-Estar Animal já deixou de ser uma questão filosófica, passando a ser tratado como um dos novos pilares da produção em termos de quantidade e qualidade, sendo estes fatos comprovados cientificamente, portanto suprir as  necessidades fisiológicas do animal com alimento e água é algo desnecessário de comentarmos a fundo, pois se um produtor não é capaz de o fazer, então que não se aventure no campo da produção animal.

E devemos ter  um pouco mais de respeito como o produtor e não o tratar como um pobre coitado à mercê dos grandes latifundiários, o povo do interior de minas, que também posso chamar de meu, é um povo forte, e assim como todos os pequenos produtores de nosso país, são eles que carregam a maior parte de nossa economia nas costas e alimentam a burguesia metropolitana dos grandes centros urbanos.

Adrian Martins Ferreira

Avanhandava - São Paulo - Produção de leite (de vaca)
postado em 24/07/2012

Deixando de lado outras questões citada pelo amigo Ronaldo, investir em bem estar animal, muito mais que atender leis, é um bom investimento. Animais em ambientes confortáveis e adequados produzem mais e melhor, consequentemente, traz retorno financeiro ao negócio. Parabéns a todos!

Ronaldo Marciano Gontijo

Bom Despacho - Minas Gerais - Produção de leite (de vaca)
postado em 24/07/2012

Prezado Iran,

Vamos esquecer o senhor, prefiro que me chame de você. Para fins de esclarecimento, gostaria de dizer que meu município é uma grande bacia leiteira do estado de Minas Gerais, aqui não temos a seca que castiga o norte de Minas e a região nordeste do país. Minha realidade é muito melhor que a dos que sofrem sem poder dar condições de vida para seus animais e até mesmo para suas familias. Não quero ser paternalista, mas não concordo com nenhum tipo de discriminação, afinal uma legislação que obrigue a oferecer bem estar aos animais só vai penalizar os mais pobres. Além do mais, você acredita que lei vai mudar a realidade dessa gente? E se eles desobedecerem, o que você sugere? Cadeia para pessoas de bem? Multa para quem não tem dinheiro? Ou você defende uma legislação de fachada, apenas para varrer a pobreza para debaixo do tapete?

Olha, não é porque minhas vacas comem silagem de milho 365 dias do ano, com dieta formulada por profissional competente, que eu quero ver alguém sendo punido ou rotulado como monstro ou bandido apenas por não ter as mesmas condições que eu tenho.

Se ninguém vai até lá para ajudar, levando o insumo mais importante de todos que é o conhecimento, que os deixem em paz. Muito ajuda quem pouco atrapalha.

Ronaldo Marciano Gontijo

Bom Despacho - Minas Gerais - Produção de leite (de vaca)
postado em 24/07/2012

Prezada Fernanda,

Eu não justifiquei, mostrei a causa do problema. Se você não acredita, vai lá ver com seus próprios olhos, se você tem sente pena dos animais, com certeza vai chorar quando ver a situação que muita gente enfrenta na luta pela sobrevivencia. Eu como produtor de leite não posso fazer nada por essa gente, mas você que é pesquisadora tem a obrigação moral de fazer algo para mudar as condições deste povo tão sofrido. Comece lutando por uma lei que obrigue os governantes deste país a fornecer assistencia técnica de qualidade para todos os produtores que não tem condições de pagar, depois que tiver isto eu concordo que pode se criar legislação para punir que não cuidar bem de seu animal. Mas por enquanto sou contra qualquer lei que venha a ferir os que estão em desvantagem.

Guilherme Alves de Mello Franco

Juiz de Fora - Minas Gerais - Produção de leite (de vaca)
postado em 25/07/2012

Prezados Guilherme, Iran José, Fernanda, Paulo Rogério e Ana Luiza: Parabéns pelo artigo. Seu tema já vem sendo defendido por mim de há muito. Costumo dizer que a eficiência do manejo se mede pela atitude dos animais em seu ambiente. Se você entra em um barracão, seja ele um free stall, um tie stall ou sala de ordenha e os animais nem ligam para a sua presença, continuando a atitude em que se encontravam, ali está um manejo que respeita o animal acima de tudo. Este estado de coisas é o que deve ser perseguido porque, sabemos nós que, tal como os seres humanos, as vacas também estão sujeitas à situações estressantes e isto - de forma indene de dúvidas - interfere em sua produção.  Assim, quanto maior o seu conforto maior a possibilidade de que o animal externe sua ampla capacidade produtiva.

Todavia, advirto que os produtores profissionais deste Brasil não deixamos, em tempo algum, que se instale a falta de bem estar em nossos sistemas, e o que se via em tempos de antanho, com certeza é fruto de um passado que não mais existe dentro das porteiras nacionais. É claro que exceções existem, mas, como de praxe, confirmam a regra e, com a evolução do pensamento, estes atrasos tendem a sucumbrir às novas técnicas de abordagem da relação homem-animal.

Quanto ao amigo Ronaldo Marciano Gontijo, entendo que o mesmo foi mal compreendido, já que vejo sua fala como sendo de revolta contra a pobreza e a falta de estrutura, nunca uma apologia ao sacrifício animal, de sorte que, pelo que tenho tido oportunidade de verificar, em todos estes anos em que frequento as páginas deste valoroso Milk Point, ele sempre demonstrou o maior respeito na condução de suas ideias, tanto no que respeita ao ser humano quanto aos animais que com ele convivem e não acredito que tenha tido, portanto, a intenção de dizer que o conforto dos animais deve ser deixado de lado, mas, sim, que as entidades governamentais deveriam dar melhores condições ao campesino pátrio para que ele fosse atingido.

Um abraço,

GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO

FAZENDA SESMARIA - OLARIA - MG

=HÁ SETE ANOS CONFNANDO QUALIDADE=

Fernanda V.R.Vieira

Piracicaba - São Paulo - Pesquisadora (NUPEA/ESALQ/USP)
postado em 25/07/2012

Prezado Ronaldo, todos nós somos responsáveis, por gentileza, não se exclua, pois muito se pode fazer como profissional, produtor e, principalmente, cidadão, em favor dos que estão em desvantagem (homens e animais).

As atuações positivas para homens e animais não são excludentes, desculpe-me, mas é exatamente como você justifica, "primeiro um, depois o outro". As ações são conjuntas, e por isto o bem-estar animal vem ao encontro de ambos os interesses.

A lei não vem ferir quem está em desvantagem, muito pelo contrário.

Estou aberta a discussões sadias, sem pessoalismos, caso contrário, desculpe-me por não poder responder seus comentários.

Respeitosamente,

Fernanda

renato

Taquaruçu do Sul - Rio Grande do Sul - Estudante
postado em 25/07/2012

Quem nunca leu sobre Mahatma Gandhi, não vai se lembrar da seguinte frase: "A grandeza de uma nação pode ser julgada pelo modo que seus animais são tratados."

Infelizmente vivemos numa sociedade nada disposta a mudar, se não ao menos respeitamos um animal julgado inferior e irracional ao conceito humano, imagina como poderemos nos respeitar em comunidade? Infelizmente a fome e miséria assolam o meio humano do mundo, mas isso jamais será justificativa ao uso indiscriminado dos animais nas diversas modalidades de conhecimento ou produção. Enquanto pesquisas demonstram a importancia do bem estar animal na qualidade do produto final, e valorizam cada vez mais o animal que se doa a nossa alimentação sem permissão alguma, resta cobrarmos então das autoridades competetentes e diretamente relacionadas ao bem estar humano, mudanças cabíveis à condição encontrada no nordeste brasileiro. Enquanto Médicos Veterinários, Zootecnistas, etc, empenham-se em garantir a produção, não os é cabível porém, a distribuição dos mesmos. Não adianta aqui lamentar a pobreza (o que muito também me preocupa), mas sim apoiar toda e qualquer expectativa de mudança. Do nosso lado estamos fazendo o melhor, garantindo a produção e principalmente respeitando a fonte do produto. Agora a carga da distribuição creio que ainda não nos é cabível.

RENATO DOS SANTOS

Acadêmico de Medicina Veterinária

Ronaldo Marciano Gontijo

Bom Despacho - Minas Gerais - Produção de leite (de vaca)
postado em 25/07/2012

Prezada Fernanda,

Na realidade quando analisamos bem a fundo a relação entre homens e animais, percebemos claramente que ou todos estão em vantagem ou todos estão em desvantagem. Se os animais estão passando fome ou subnutridos não vão produzir e por sua vez seus proprietários não terão renda, este é o ciclo da pobreza no meio rural. No meu entendimento não existe outra forma de se quebrar este ciclo sem que se leve conhecimento de novas técnicas de criação e manejo. Sei que muitas vezes é difícil ganhar a confiança das pessoas, afinal estamos tentando mudar toda uma tradição que se mantem por anos, talvez por séculos, mas devemos insistir. Mas como levar esse conhecimento sem ajuda do poder público? É preciso muita gente para levar informação até as famílias que estão nas regiões semi-áridas. Serão anos de trabalho para mudarmos esta triste realidade e tudo isto terá um custo, custo este que somente o estado tem como pagar.

Como produtor eu faço meu trabalho de forma profissional dentro de minha fazenda, como cidadão eu estou tentando chamar a atenção dos que podem mais para o problema, se tiver algo mais que eu possa fazer para ajudar, por favor me diga. Não vou fugir das minhas responsabilidades, isto eu te garanto.

Estou aberto para debatermos sobre esta lei, gostaria muito de saber como a lei pode ser benéfica para todos.

Meus respeitos

Ronaldo

Ronaldo Marciano Gontijo

Bom Despacho - Minas Gerais - Produção de leite (de vaca)
postado em 25/07/2012

Prezado Adrian,

Quase todos investimos no bem estar animal, até mesmo quando não percebemos. Você acredita que até mesmo uma simples análise de solo tem relação com o bem estar animal? Pois tem, a correção de solo vem a atender a produção de boas forragens, que por sua vez será a base alimentar do rebanho. Quase tudo que a gente investe em nossas fazendas tem relação direta com o bem estar:  a troca dos insufladores da ordenha no tempo certo, um bom pré e pós dipping, a limpeza dos bebedouros, vacinação, cursos de qualificação para os trabalhadores, ventiladores na sala de espera e de ordenha, sombreamento no local de alimentação e descanço dos animais. Enfim, seria mais fácil citar o que não teria relação com o bem estar animal, este termo é que é novo, mas as ações que o garantem vem sendo defendidas por técnicos, veterinarios e produtores a vários anos e os resultados são visíveis, veja o quanto a produção de leite brasileira cresceu na última década. Na maioria das fazendas os ganhos em produtividade aumentaram significativamente, em muitos casos a produção de leite no periodo seco passou a ser maior que no periodo chuvoso, tudo isto não teria sido possível se as condições dos animais não tivessem melhorado muito.

Um abraço

Ronaldo  

Ronaldo Marciano Gontijo

Bom Despacho - Minas Gerais - Produção de leite (de vaca)
postado em 26/07/2012

Prezado Guilherme Franco,

Realmente eu fui mal interpretado, não sou nem jamais serei contra qualquer avanço tecnológico que venha a contribuir com a melhoria da qualidade de vida de nossos animais. E muito menos sou a favor de qualquer lei que se mostre contra os que estão em um estado tecnológico mais atrasado que nós.

Para fins de comparação, a raça humana demorou mais de 4 milhões de anos para sair dos primeiros australopitecus até chegar ao homo sapiens, a criação de animais demorou cerca de 10 mil anos para chegar ao nível tecnológico que as melhores fazendas dos EUA e Canadá chegaram. Nós estamos inferiores aos norte americanos, e não é por isso que deveriamos ser punidos, ainda existem tribos na Africa que vivem como na pré história e nem por isso podemos dizer que precisa de leis para puni-los apenas por estarem atrasados. Sendo assim, não podemos punir nossos conterraneos apenas por não estarem no mesmo nível tecnológico que nós estamos.

Eu acho que seria muito melhor criarmos leis que obrigassem nossos governos a manterem assistencia técnica de qualidade para os que não podem pagar, a sociedade ganharia mais com isto. Criar multas só serve para aumentar a corrupção, prender pessoas de bem junto com traficantes, assassinos, estupradores, etc. seria um abuso, tão repugnante como a ditadura militar, o nazismo, a inquisição e outros eventos vergonhosos que a humanidade devia lutar para que nunca mais aconteçam. É isto que eu penso, posso ser o mais idiota do mundo por me preocupar com os que tem menos recursos e oportunidades, mas prefiro ser criticado e ter a minha consciência tranquila. Não posso ter sentimentos para com os animais se não tiver capacidade de ter sentimentos para com os da minha espécie.

Um grande abraço

Ronaldo

Ronaldo Marciano Gontijo

Bom Despacho - Minas Gerais - Produção de leite (de vaca)
postado em 26/07/2012

Prezado Renato,

Pela frase de Gandhi, podemos dizer que damos de dez na Índia. E olha que eles se acham muito bons com os animais.

Um abraço

Ronaldo

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