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Prevenção de onfalopatias em bezerros

Por Carla Maris Machado Bittar e Marília Ribeiro de Paula
postado em 20/10/2010

14 comentários
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Neste último mês iniciamos mais um experimento com bezerros em aleitamento no Depto. de Zootecnia da ESALQ. Começamos a captar bezerros de várias propriedades da região e percebemos um problema constante, independentemente do tamanho e nível de tecnificação da propriedade: problemas umbilicais ou as onfalopatias.

As onfalopatias representam uma das maiores preocupações com bezerros nos rebanhos brasileiros, tendo como principais causas: fatores ambientais, higiênicos, traumáticos, bacterianos e congênitos, que isolados ou em associação provocam processos inflamatórios e/ou infecciosos nas estruturas do umbigo. Tais infecções podem resultar em septicemia, que ocorre devido presença de bactérias que ascendem a partir dos vasos umbilicais ou do úraco causando septicemia aguda ou crônica com patologia articular, meningites e abscessos hepáticos.

A maior parte das onfalopatias ocorre devido à falta de desinfecção ou cura do umbigo do animal recém-nascido. A desinfecção correta do umbigo logo após o nascimento dos animais é algo que pode significar bom desempenho, saúde e contribuir significativamente na diminuição da mortalidade de bezerros.

Em um estudo da Universidade de Cornell, bezerros leiteiros com umbigos não desinfetados apresentaram taxa de mortalidade de 18%, enquanto que bezerros com umbigos desinfetados tiveram 7% de mortalidade. Além de efeitos marcantes na taxa de mortalidade, o desenvolvimento de infecções de umbigo resultou em peso vivo 2,5 kg menor aos três meses de idade quando comparado a bezerros sem infecções.

A falta de assepsia correta do cordão umbilical logo após o nascimento também está relacionada à ocorrência de hérnia umbilical. A hérnia pode ocorrer na região próxima ao umbigo, em conseqüência da saída de parte das vísceras através da abertura umbilical. Com a abertura umbilical dilatada pode-se produzir uma evasão do peritônio e partes externas da pele traduzindo-se externamente por aumento de volume (Figura 1). Partes do omento maior e eventualmente porções do intestino delgado podem ser facilmente repostos na cavidade abdominal por meio do anel herniário, exceto nas hérnias estranguladas. As pequenas hérnias umbilicais podem resolver-se espontaneamente, porém as hérnias umbilicais maiores ou estranguladas exigem correção cirúrgica. Embora as hérnias possam ser em resposta a traumatismos, principalmente coices, pisadas e ao transporte inadequado, a maior parte das vezes está relacionada com as infecções de umbigo que começam no local do parto.

Os problemas umbilicais causam muitas perdas econômicas nos sistemas de produção uma vez que geram custos com medicamentos e assistência veterinária, aumentam a taxa de mortalidade ainda retardam o crescimento de novilhas de reposição.


Figura 1. Aumento de volume na região umbilical

Infecções

O cordão umbilical exposto será mais rápido e severamente contaminado de acordo com o ambiente no qual o bezerro é criado nos primeiros dias de vida. Existe uma relação inversamente proporcional entre o aparecimento de onfalopatias e bom manejo de bezerros. Quanto mais aberto, limpo, arejado e higienicamente tratado o ambiente dos recém-nascidos, menor é a ocorrência de afecções.

A estrutura do umbigo é bastante complexa e está envolvida com artérias e veias e com o fígado, um órgão importante para a vida do animal (Figura2). É possível que ocorra falha parcial ou completa de retração das artérias umbilicais, veias ou úraco no abdômen ao nascimento, e sua exposição a danos físicos e infecção é muito maior do que o normal. Em alguns casos, o úraco pode não fechar completamente. Assim, a urina irá escorrer por vários dias, a partir do cordão umbilical mantendo-o úmido e aberto a infecção.

Os sinais de infecção são caracterizados pelo aumento de volume do umbigo, dor à palpação e eventualmente secreção purulenta e mau cheiro. O sintoma mais comum é a dilatação ou espessamento do cordão umbilical. Em bezerros sadios, a espessura do cordão é mais ou menos a de um lápis comum. Porém, quando há inflamação do umbigo, essa espessura pode tornar-se bem maior. Passando-se a mão pela região, pode-se notar que temperatura superior a do corpo do animal, característico de processos inflamatórios. O bezerro fica febril, apático e triste. Quando há o envolvimento das articulações, em função do desenvolvimento de artrite ou poliartrite, os animais apresentam dificuldade na locomoção com claudicação (manqueira). Nos casos em que ocorre somente o desenvolvimento de abscessos hepáticos, somente a necropsia pode revelar a infecção.


Figura 2. Estrutura do umbigo de bovinos

Prevenção

Trabalhos de levantamento de campo mostram que toda vez que se observam problemas de hérnia umbilical, o produtor utilizava apenas alguns produtos leves para imersão do umbigo, que não eram os de secagem, ou seja, não continham álcool em sua composição. O melhor produto para a cura do umbigo continua sendo a solução de iodo 5-7%, embora muitos produtores insistam em buscar substitutos.

Além do uso de soluções inadequadas, com menor poder de cicatrização, um erro comum na cura do umbigo é não realizar imersão completa da estrutura, logo que possível após o nascimento. Pesquisadores acreditam que a ação de secagem ou o efeito da imersão do umbigo seja tão importante quanto à ação de desinfecção. Alguns estudos de campo mostram aumento nas hérnias umbilicais quando os produtores passam a usar solução de iodo mais fraca. Após a imersão do umbigo, o bezerro deve ser transferido para um ambiente limpo e seco para protegê-lo de uma variedade de patógenos.

Outro erro comum é o retorno da solução utilizada para dentro da garrafa contendo a solução nova, de forma que depois de alguns tratamentos a concentração da solução já não é mais de 5 a 7%. Quando treinamos alunos, produtores e tratadores na realização desta tarefa mostramos o quanto é importante que a solução esteja sempre nova na garrafa. A solução colocada em recipiente para a realização da imersão deve ser descartada e não reutilizada.

A melhor forma para a prevenção de onfalopatias é realizar a cura correta do umbigo logo após o nascimento do animal, com limpeza e corte do cordão umbilical, seguida da imersão em uma substância cáustica e que, preferencialmente, mumifique o cordão umbilical, como solução de iodo a 5-10% ou ácido pícrico (5%). É interessante que esta prática de manejo seja repetida duas vezes ao dia até a completa cicatrização (Figura 3). Quando esta tarefa é realizada de forma adequada, a mumificação e subsequente queda do cordão ocorre entre dois a três dias após o nascimento.


Figura 3. Bezerro com cicatrização adequada do cordão umbilical

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Comentários

marcelo erthal pires

Belém - Pará - Produção de leite
postado em 20/10/2010

Prezada Carla, parece um tema de pouco enteresse, mas esconde muitas coisas vitais, na nossa reposição dos rebanhos, as infecções umbilicais trazem problemas, e vamos voltar ao tema do diagnóstico prévio, e as medidas preventivas de capital importância. Foi muito feliz na escolha do tema, novamente. saudações marcelo

Carla Maris Machado Bittar

Piracicaba - São Paulo - Pesquisa/ensino
postado em 22/10/2010

Marcelo,
Obrigada!
Temos a percepção de que este ainda é um dos pontos de estrangulamento na criação de bezerras. Embora os produtores entedam que esse é um ponto de extrema importância para o sucesso da criação, este aspecto ainda é muito negligenciado.
Abs.,
Carla.

ricardo serpa

São Lourenço do Sul - Rio Grande do Sul - recria de terneiras holandesas
postado em 29/10/2010

Professora Carla
Tenho uma criaçao de bezerras holandesas,onde compro as terneiras logo apos o colostro em torno de 4 dias de produtores de leite da minha região,em seguida levo para minha propriedade onde crio com sucedaneo,onde aparece varios casos de hernia unbilical,quanto a mortalidade estou com um indice de zero a mais de um ano em torno de 110 bezerras.crio ate atingirem 200kg apos vendo para os campos de recria onde encontro muitas dificuldades de encontrar negocios.
Parabens pela materia isto que o nosso produtor precisa.
um abraço Ricardo Serpa

ricardo serpa

São Lourenço do Sul - Rio Grande do Sul - recria de terneiras holandesas
postado em 31/10/2010

Prezada professora Carla,belas explicações tenho um criação de terneiras holandesas,onde compro de produtores logo após a toma do colostro em torno de 4 dias e crio com sucedaneos de primeira linha,estou a mais de 30 meses sem obitos em torno de 110 terneiras e realmente aparecem alguns casos de hernias onde faço a correção com um veterinário.Como não tenho problemas de higiene e faço o transporte corretamente qual pode ser o motivo destas hérnias?
Minha maior dificuldade é na comercialização destas terneiras porque faço a venda quando elas atingem um peso aproximado de 160KG.
Sem mais no momento um abraço.

Carla Maris Machado Bittar

Piracicaba - São Paulo - Pesquisa/ensino
postado em 08/11/2010

Caro Ricardo,

É muito importante que o umbigo seja curado corretamente, e isso significa queima-lo com solução iodada entre 5-7% logo após o nascimento e depois duas vezes ao dia até completa cicatrização e queda do coreo mumificado.
Caso esteja realizando esta tarefa corretamento sugiro que verifique se as bezerras que apresentam hérnias são filhas de um mesmo touro...está é uma possibilidade, mas a maior causa é realmente a cura inadequada.
Att.,
Carla Bittar

marcelo erthal pires

Belém - Pará - Produção de leite
postado em 14/11/2010

Prof.Carla Maris,

se poder abusar um pouco de sua paciência e tempo ?
Apareceu uma bezerra com dois inchaços no malar, de ambos os lados - as cegas, mas é sintoma de alguma enfermidade previamente descrita, ou seria coisa mais genérica de uma infecção oportunista?

meu agradecimento e respeito..................................................marcelo

Carla Maris Machado Bittar

Piracicaba - São Paulo - Pesquisa/ensino
postado em 17/11/2010

Caro Marcelo,

Difícil dizer o que é sem avaliar o animal. É somente um inchaço ou tem mais um aspecto de abscesso? O ideal seria mesmo chamar um veterinário até a propriedade para avaliar o manejo sanitário geral, inclusive o calendário de vacinação dos animais de diferentes categorias.
Att.,
Carla Bittar

marcelo erthal pires

Belém - Pará - Produção de leite
postado em 17/11/2010

Doutora Carla,

era alguma infecção oportunista mas abaixo o endema, praticamente sumiu, pensei em alguma síndrome pré-descrita, e Veterinários tem 2 formandos fora os que cursaram e não terminaram....mas a perguta estaria dirigida a uma"pediátra veterinária".
Agradeço vossa atenção.........................................marcelo

José de Souza Carvalho

Barreiras - Bahia - Produção de gado de corte
postado em 18/11/2010

Prof Carla, Boa Noite!
Sao validas suas explicacoes, porem aqui na minha fazenda o bezerro ao nascer recebe um ml de dectomax via subcutania e o i­ndice de mortalidade ha tres anos eh zero num universo de 200 bezerros ano.
Grato,

Ze Carvalho

Carla Maris Machado Bittar

Piracicaba - São Paulo - Pesquisa/ensino
postado em 23/11/2010

Caro José,
Esta é uma prática herdada dos rebanhos de gado de corte, onde a contenção e acompanhamento do bezerro são mais dificeis do que num rebanho leiteiro. O uso de solução iodada funciona muito bem quando bem realizada e tem menor custo. No entanto, se a prática funciona bem na sua propriedade, sem problemas. O importante é reduzir as taxas de morbibade e mortalidade!
Att.,
Carla Bittar

Carla Maris Machado Bittar

Piracicaba - São Paulo - Pesquisa/ensino
postado em 23/11/2010

Caro Marcelo,
Que bom que conseguiram resolver o caso!!
Não sou veterinária, mas podemos dizer que trabalho sim na pediatria...rs.
Abs.,
Carla Bittar

Carla Maris Machado Bittar

Piracicaba - São Paulo - Pesquisa/ensino
postado em 03/05/2011

Caro Piero,

Obrigada! Vou manter seu contacto.

Att.,

Carla Bittar

Corbulon Soares de Macêdo

Eunápolis - Bahia - Consultoria/extensão rural
postado em 03/05/2011

Prezada Carla, parabéns pelo artigo.


Aproveitando o "gancho" da criação de bezerras, porém, mudando o assunto. Gostaria de sanar uma duvida com relação ao fornecimento do leite as bezerras.


A duvida surgiu após ler artigos de 2 diferentes profissionais com recomendações distintas sobre a goteira exofágica. No caso da utilização do balde para fornecimento do leite, o mesmo pode ficar no chão ou aproximadamente 50 cm de altura (ou seja, bezerra beber leite com pescoço esticado)?


Qual deles esta com a razão?





Atenciosamente,


Corbulon Macedo

Elisa

Terenos - Mato Grosso do Sul - Produção de leite
postado em 15/01/2014

gostaria de saber o que acontece com um bezerro aqui na chacara, ele ao nascer a mae morreu, cuidamos delecadamente, mas o cordao umbilical saiu sem secar-se no periodo certo ,agora este bezerro que toma mamadeiras nao consegue andar parace que existe uma inflamação nas articulações e de ficar deitado direto pois nao tem equilibrio para ficar em pé esta se machucando o que devo fazer que remedio aplicar pois ja entrei com antinflamatorios e nao deu certo ele nao anda parece fraqueza mas é bemalimentado com leite de vaca mas nao aceita capim apenas o leite por favor mande resposta em meu email ficarei grata obrigada elisa elisamaribonilha@hotmail.com

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