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Quem desiste de produzir Leite?

Por Paulo Martins - postado em 28/11/2011

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A cada onze minutos o Brasil contou uma fazenda a menos produzindo leite, entre 1996 e 2006. Isso ocorreu em todas as regiões do país. Afinal, quem é esse produtor que desistiu de produzir leite e por quais motivos?

O Dr. Eliseu Alves, ex-presidente da Embrapa, já entrou para a história do Brasil. Ele transformou a sua, a minha e a vida de todos os brasileiros, quando ousou sonhar que seria possível um país subdesenvolvido gerar tecnologia própria para a produção de alimentos na região tropical. Um dia eu conto esta bela história. Nossa prosa hoje é outra. Em julho deste ano ele esteve na reunião anual da SOBER, uma sociedade científica que congrega pesquisadores brasileiros que se dedicam à economia e à sociologia rural. Lá, ele apresentou alguns dados sobre a mudança do perfil do produtor agrícola brasileiro. Vou apresentar os dados relacionados ao leite para que possamos analisá-los.

Veja a tabela 1. Perceba que o Brasil tinha 1 milhão, oitocentos e dez mil produtores de leite em 1996. Dez anos depois, entre os novos entrantes e os que saíram, havia 470 mil propriedades a menos produzindo leite. Em dez anos, portanto, a cada quatro produtores um deixou de produzir leite. Este fenômeno ocorreu em todas as regiões do Brasil, em proporções distintas. E foi na Região Sul que houve a maior redução de propriedades. Foram 194 mil. Na Região Nordeste a perda foi de 132 mil propriedades, o que equivale a dez vezes o número total de produtores argentinos. É muito, não? A Tabela 1 ainda demonstra que foi na Região Centro-Oeste que ocorreu a menor perda relativa. Lá, um em cada seis produtores deixou a atividade. Confesso que esperava uma redução menor ou até mesmo um crescimento do número de propriedades leiteiras na Região Norte, hipótese que os dados não confirmaram.

Tabela 1. Número de Produtores de Leite por Região. Brasil. 1995/96 e 2005/06.
. Número de Produtores de Leite por Região do Brasil, 1995/96 e 2005/06
Fonte: Alves, com base nos Censos Agropecuários 1995/96 e 2005/06

A estratificação dos dados permite verificar em que faixa de produção ocorreu a maior perda de produtores. A tabela 2 traz informações muito interessantes neste sentido. Perceba a desproporção entre produtores e produção. Veja que, em 1996, 87,6% das propriedades produziram até 50 litros por dia e foram responsáveis por 36,1% da produção. Em grandes números, quase nove produtores em dez produziram pouco mais de um terço da produção brasileira de leite. Este quadro mudou um pouco em dez anos. Em 2006, quatro em cada cinco propriedades mantiveram-se na faixa até 50 litros/dia e produziram um em cada quatro litros. Portanto, houve uma redução do número relativo de produtores nesta faixa e uma redução mais que proporcional da produção oriunda de propriedades que produzem até 50 litros/dia.

NA faixa dos que produziram entre 51 a 200 litros cresceu o número de produtores, em termos relativos. Em 1996 eram 10,5% e, dez anos depois, eles eram 18,6% do total de produtores. A participação desta faixa também cresceu substancialmente em termos de produção total. Em 1996, respondiam por 35,9% da produção e, dez anos depois, este percentual atingiu a 53,2%. Já na faixa acima de 200 litros/dia, entre 1996 e 2006 o percentual de produtores caiu à metade, caindo também a participação desta faixa no cômputo da produção total, fazendo com que 1% dos produtores ficassem responsáveis por 20% de toda produção.

Tabela 2. Produtores de Leite por Estrato de produção. Brasil. 1995/96 e 2005/06
Produtores de Leite no Brasil por Estrato de produção. 1995/96 e 2005/06
Fonte: Alves, com base nos Censos Agropecuários 1995/96 e 2005/06

O Brasil produziu 18,52 bilhões de litros de leite em 1996 e 24,62 bilhões me 2006. Portanto, em dez anos aumentamos a produção em 32,9%, mesmo com 26% de propriedades leiteiras à menos, o que sinaliza melhoria de índices de produtividade. A faixa de produção de leite até 50 litros/dia foi reduzida em pouco mais de meio milhão de produtores (503 mil), o que é uma brutal redução. É claro que parte destes produtores aumentou a produção e, em dez anos, trocaram de estrato. Mas, o fato é que a maior parte dos 500 mil realmente saiu da atividade.

Já na faixa de 51 a 200 litros/dia o número de produtores aumentou em 61 mil em dez anos e a produção cresceu 6,45 bilhões de litros. Para se ter uma noção da magnitude dos números, a produção advinda desta faixa ou estrato dobrou em dez anos, embora o percentual de produtores tenha crescido 32,1%. Portanto, acresceram à produção anual brasileira o equivalente à produção do Uruguai em 4 anos! Já o estrato de produção superior a 200 litros registrou queda de 34 mil para 14 mil produtores em dez anos. Em termos diários, a produção do grupo caiu somente 261,6 milhões de litros, o que corresponde a cerca de 717 mil litros de leite/dia. Somado aos 307 mil litros/dia que o pessoal que produz até 50 litros dia reduziu em termos de produção, os menores e maiores estratos reduziram a oferta em cerca de 1milhão, cento e oitenta mil litros/dia em 2006, comparado com 1996. Mas, a turma que produz entre 51 e 200 litros/dia mais do que compensou esta perda, pois este extrato aumentou a oferta em 17 milhões, 670 mil litros/dia.

Bem, o que fizemos até agora foi apresentar os dados do Censo. Agora, é preciso analisá-los. Mas, meu espaço acabou. Então, deixo para você esta tarefa. Mas, prometo voltar rápido. Dessa vez, postarei um novo artigo no início da segunda quinzena. Daqui a três semanas nos reencontramos aqui, partindo deste ponto, para começarmos a análise. Até lá, reflita sobre esses números.

 

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Opinião

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Comentários:

Paula Marques Meyer

Pirassununga - São Paulo - Pesquisa/ensino
publicado em 28/11/2011

Oi Paulo:
se vc me permitir uma pequena correção, o último Censo Agropecuário é 2006/2007.
Ótimo texto. Parabéns.
Paula Meyer (Analista agropecuário do IBGE)

Paulo Martins

Juiz de Fora - Minas Gerais - Pesquisa/ensino
publicado em 28/11/2011

Olá Paula,

Pequena, mas fundamental correção. Obrigado!

Fernando Fonseca Gomes

Indianópolis - Minas Gerais - produtor de leite representante da kera
publicado em 28/11/2011

Minha produção de leite começou assim

7  anos atrás eu estava praticamente quebrado(financeiramente dizendo)
Fiz  um financiamento (pronaf) pra comprar 4 vacas  de leite e algumas benfeitorias,como  o dinheiro era pouco  eu comprei bezerras filhas de boi nelore com vacas mestiças `a holandês. Fiquei sem renda alguma o dinheiro das benfeitorias  eu apliquei em um plantio de arroz , na época arroz estava bom de preço i resolvi arriscar a sorte,me dei muito mal ,deu uma enssolaçao na roça que  não pagou nem a colheita,mas em contra partida  me deu um bom ´pasto. fiquei com uma Mao na frente i outra  atrás  todos  vendo a luta de minha família e querendo  me  ajudar ,me adiantaram um dinheiro pra plantar hortaliças i quando produzicwm eu pagaria o adiantado.  Comecei  a plantar jiló plantei 2.000  pés de jiló daí quando começou a colher era 50 cxs por panha e panhava na quarta i no domingo,o dinheiro já estava dando pra pagar as dispesas da casa .
   Minha mãe vendo minha luta começou a dar vacas pra mim  tirar leite então começou com pouca  vaca e, o  leite delas como era pouco eu comecei a  fazer queijo e vender  .mas como o dinheiro do queijo era pouco eu comprava pintinhos  e ração de crescimento i nessa brincadeira  nós chegamos a quase 300 cabeças de galinhas poedeiras fora os frangos que nós vendia  ,então a mamãe começou a dar pra nós a metade dos bezerros tbm  uma cria da vaca era minha e a outra era dela  . nossas bezerras estavam crescendo  já estava ficando difícil  de conciliar leite ,hortaliças,Ceasa , mas tínhamos muita força de vontade de vencer , tive de abrir mao das hortaliças pra dar conta do restante das obrigações    ,então comecei a produzir mais leite e este dando conta já das depesas da casa,mas estava já com problemas nos nervos do braço,estava inflamando i doía muito ao tirar o leite,.
     Então fiz um novo financiamento i comprei 6 novilhas girolando registradas,nesta compra o homem que me vendeu elas disse assim pra mim "FERNANDINHO QUANDO ESTAS NOVILHAS  parirem  VC POE 1 KG DE RAÇAO NUM COCHO PRA VC TIRAR LEITE DELAS,QUE EMQUANTO ELAS COMEM ,ELAS ESQUECEM DE VC E APOJA BEM O LEITE"e quando elas começaram a parir  eu ficava penssando neste conselho e comecei a fazer assim do jeito que o homem me ensinou e elas começaram a produzir muito mesmo( mas elas foram, ficando veacas  e começaram   esconder o leite de mim pra deixar pros bezerros e eu tinha de pagar as rações que elas comiam e não estavam fechando as contas  no final do mês ,foi ai que um amigo meu me enssinou a aplicar ocitocina na veia da vaca  quando elas escondessem o leite fiz isso do jeito q meu amigo me ensinou ,daí sim  elas começaram uma boa produção e a parir todo ano um bezerro.
Eu sempre apostei no pouco produzir muito  ,eu vi na propaganda da TV um tal de convert h leite  i comprei e comecei a usar este produto  ,foi muito bom  mas estava ficando muito caro por vaca foi ai que escutei uma palavra chamada probiotico e comecei a pesquisar na net encon

Aluizio Marchi

Nova Venécia - Espírito Santo - Produção de leite (de vaca)
publicado em 28/11/2011

Aguardo com carinho a continuidade do artigo, para, então, manifestar minha franca opiniao, já que entrei no processo produtivo da cadeia leite e fiquei somente 23 meses.

Paulo Martins

Juiz de Fora - Minas Gerais - Pesquisa/ensino
publicado em 28/11/2011

Caro Aluizio,

Após o dia 15 postarei o segundo texto.

Merce Gregório

Uberaba - Minas Gerais - Mídia especializada
publicado em 28/11/2011

O meu pai foi um destes que desistiu da atividade leiteira neste período. Muito seguro, avesso aos empréstimos e cansado de madrugar para ordenhar as vacas trocou o sistema pela engorda. Somou a isso tudo, os exemplos negativos de conhecidos que investiram pesado na produção de leite e por fim tiveram prejuízos. É aquela máxima "uma propaganda negativa vale por 10 positivas", ainda mais para quem já estava desencantado com a atividade. Quem sabe um dia ele volte! É apaixonado pelo gado gir e com esses números atingidos pela raça na produção de leite, pode ser um caminho.
Mas, a história do meu pai e a de tantos outros nos faz ver que é preciso capacitar, incentivar, estimular, ajudar mais e mais e mais um pouco ainda os pequenos produtores, ou eles vão continuar deixando a produçao leiteira e ficando, as vezes, sem condições de viver no campo.

Merce Gregório - Uberaba-MG

Paulo Martins

Juiz de Fora - Minas Gerais - Pesquisa/ensino
publicado em 28/11/2011

Caro Merce,

Aguarde o próximo artigo, pois eu acho que estará na linha do que você pensa.

Geraldo Carlos da Silva

governador valadares - Minas Gerais - Consultoria/extensão
publicado em 28/11/2011

Sr. Paulo Martins.

Leio sempre os seus artigos e sei do seu enorme conhecimento da atividade leiteira.
Trabalhei na região leste de Minas Gerais e norte do Espirito Santo, do ano de 1989 a 2009, sempre na pecuária leiteira. De 2009 pra cá trabalho na mesma atividade, porém na região nordeste do estado, e que possui as mesmas caracteristicas da região leste de Minas e o norte do Espirito Santo. Comecei na propriedade da minha família e depois em laticínios, especificamente na compra de leite, ou seja, junto ao produtor. Não digo por outras regiões, o seu estudo é a nível de Brasil. Estou falando de uma região que está no entorno de Governador Valadares.
Segundo alguns estudos, uma importante bacia leiteira do estado.
Durante estes anos, foi quase insignificante o número de produtores que saíram da atividade. Neste período analisado pelo senhor foi exatamente o período da granelização em nossa região. Aconteceu que vários produtores não tiveram como granelizar o seu leite. Por vários motivos...acesso precário, falta de energia elétrica, falta de recursos por parte do produtor para adquirir o resfriador. Contudo, ninguém parou de produzir leite. Ao contrário, alguns pecuaristas de corte é que migraram para o leite. A saída encontrada foi usar o resfriador do vizinho, leite em latões ajuntados em um único ponto de coleta, os chamados tanqueiros. E isso explica o crescimento de produção de uma determinada faixa. São vários produtores agrupados em um único ponto de coleta e apenas um cadastrado no laticínio.
Pergunto. Será que este fenômeno não aconteceu em outras regiões???
A fonte do Censo Agropecuário, acredito que seja o número de produtores cadastrados nos laticínios. Com certeza em nossa região existem muitos casos de agrupamentos de produtores e apenas um cadastrado.
Fica aqui esta análise.

Abraços.

Paulo Martins

Juiz de Fora - Minas Gerais - Pesquisa/ensino
publicado em 28/11/2011

Olá Geraldo,

O Censo considera uma visita à fazenda e a entrevista com o proprietário. Então, a reunião de vários produtores em torno de um ctanque comunitário interfere, mesmo, é nãs estatísiticas dos laticínios, que afirmam que reduziram o número de produtores por terem reduzido o número de coleta.

Na minha região da Zona da Mata o número de produtores reduziu visivelmente. Se eu tomar por base a minha região, vou concluir erradamente que: a) o leite está desaparecendo do Brasil e b) ´Ninguém consegue ganhar dinheiro com leite. Então, olhar somente uma regiçao cria erro de análise...

Renato H. Fernandes

Teixeira de Freitas - Bahia - Consultoria/extensão
publicado em 28/11/2011

Caro Paulo,
Como vai, tudo bem? Quanto tempo?
Quero te parabenizar pelo artigo e agradecer por me inspirar a voltar a escrever no MilkPoint.
No idos de 2000, prof. Sebastião Teixeira Gomes, outro de meus ídolos na Economia Rural, já apontava a tendência de concentração da produção de leite. Muitos supostos produtores eram na verdade apenas aproveitadores de leite e, para o caso de muitos outros, a saída da atividade poderia ter efeitos maiores no campo social do que na oferta e no abastecimento do mercado. Espero, e até acredito que, com o país beirando o pleno emprego, boa parte dos que saíram o tenham feito com destino a opções melhores de trabalho e renda. Produzir leite é uma atividade bem sacrificante, concordam?
Fiz uma tabulação semelhante para o café da Bahia, no trabalho de "Diagnóstico..." que realizei ano passado. Foi confirmado que a produção de café também se concentra fortemente, mesmo porque a produtividade média dos produtores maiores chega a ser duas vezes maior que a daqueles que exploram áreas menores que 10 hectares. Imagino que noutros estados, especialmente Minas, tal tendência possa ser um pouco menos expressiva, mas não me assustaria se encontrasse resultados semelhantes numa tabulação a nível nacional.
Fica o desafio para os formuladores da política de reforma agrária - se é que ela ainda faz sentido no Brasil de hoje - de fazer com que os assentados obtenham produção acima do ponto de equilíbrio de seus negócios. Vi raríssimos exemplos disso nos assentamentos que visitei. E também vi raríssimos casos de sucesso entre pequenos produtores não assentados. Via de regra, não há assistência técnica, muito menos gerencial, efetiva.
Será que não já passou, e muito, da hora de pararmos de fingir que (com raríssimas e honrosas exceções, a quem já me desculpo pela generalização) o modelo de extensão rural e assistência técnica estatal e gratuita é efetivo na melhoria da vida dos produtores? O sucesso do Projeto Educampo (de novo, Gomes) está aí pra mostrar o caminho alternativo e eficiente ao "SUS rural".
Tento responder sua pergunta contando a minha experiência pessoal. Também desistem de produzir leite produtores medianamente tecnificados que:
- encontram outras opções de exploração para as fazendas;
- se envolvem em outras atividades pessoais que limitam sua possibilidade de dedicação (sem dia, nem hora) ao leite
- não encontram mão-de-obra de nível técnico capacitada para tocar o dia a dia da fazenda e nem jovens que aspirem ser trabalhadores da bovinocultura de leite;  e
- já estão mais que cansados das aporrinhações causadas pela fraquíssima integração da cadeia do leite.
De presidente de associação de produtores e fornecedor campeão de qualidade a silvicultor. Nosso bom-vaqueiro chefe, hoje encarregado pela lavoura. Palavras dele: "Nunca mais quero ver uma vaca de leite na vida!!"
Produzir leite é uma atividade apaixonante. Te pergunto se a produção nacional não poderia evoluir bem mais rápido e solidamente.
Abraço,

Paulo Martins

Juiz de Fora - Minas Gerais - Pesquisa/ensino
publicado em 28/11/2011

Olá Renato,

Muito Bom falar com você, Está sumido... Na verdade, a redução de produtores também aconteceu com o café, segundo o Ibge. você fez comentarios muito interessantes, que eu concordo, conforme vc verá no próximo artigo.

José Manoel de Oliveira Moura

Goiânia - Goiás - Produção de leite
publicado em 28/11/2011

Bem  eu também não fico atrás, comecei com 10 novilhas registradas compradas em Uberaba. Inseminei, comprei tanque de resfriamento, comprei mais vacas, cheguei a tirar em média 250 litros por dia. Até que após alguns anos, estou deixando a atividade, estou vendendo as vacas. Lamento muito, mas se fosse relacionar a quantidade de itens que contribuem contra quem gosta de tirar leite, chegaria a mais de 500 itens negativos, que contribuem para que a vaca vá pró brejo.

Paulo Martins

Juiz de Fora - Minas Gerais - Pesquisa/ensino
publicado em 28/11/2011

Prezado José Manoel,

seria muito interessante vocêcompartilhar conosco os motivos que estão fazendo com que você deixe de produzir leite

Renato H. Fernandes

Teixeira de Freitas - Bahia - Consultoria/extensão
publicado em 28/11/2011

Caro Geraldo,

O Censo Agropecuário é baseado em entrevistas feitas em cada fazenda.

Abraço,

Renato

Renato H. Fernandes

Teixeira de Freitas - Bahia - Consultoria/extensão
publicado em 28/11/2011

Obrigado, Paulo. Fico aguardando a parte 2, ansiosamente!

Aproveitando pra dar notícias ao amigo. O grande presente que a produção de leite me deu foi, a partir das palestras como presidente da Assoleite, ter tomado gosto ainda maior pela  Economia Rural, ter feito MBA no DER-UFV  e enveredado pela área de consultoria.

Hoje além da Relevo, atuo também com a Link, uma corretora de produtos agropecuários, cujo foco principal é café.

Forte abraço,

Paulo Ricardo da Nova

São José dos Pinhais - Paraná - Produção de leite (de vaca)
publicado em 28/11/2011

Caro Paulo,
Estou a cinco anos na atividade leiteira. Já lidei com hortaliças e com frango. Acredito no leite.Hoje produzo cerca de 200 litros diários. Tenho investido forte em genética e obviamente na melhoria da alimentação, com silagem de milho e pastagens de qualidade.Tem sido muito difícil. Acreditava que o ponto de equilibrio seriam 200 litros diários, mas hoje penso que tenho que aumentar rapidamente para 300 litros.Estou também registrando meus animais para poder ter uma renda adicional com a venda de novilhas prenhas. Faço inseminação com sêmen de qualidade, inclusive sexado.
Ainda acredito na atividade leiteira. Trabalho sozinho, minha esposa trabalha fora e meu filho estuda, com isso conta com a ajuda deles apenas em finais de semana.
Parabéns pelo artigo.
Paulo da Nova

Paulo Martins

Juiz de Fora - Minas Gerais - Pesquisa/ensino
publicado em 28/11/2011

Olá Paulo,

Gostei de ter conhecido um pouco da sua história recente. Pelo visto, você está no caminho certo, pois está procurando crescer baseado em teconologia.

PAULO ROBERTO VIANA FRANCO

Juiz de Fora - Minas Gerais - Consultoria/extensão
publicado em 28/11/2011

Prezado Paulo Martins, estivemos juntos no Proleite, mas por varios motivos nos separamos, mas a ideia de emancipar os produtores continua e me permite comentar sobre o artigo. Só sai da atividade produtor sem assistência e que esta errado economicamente, com sua atividade dando prejuizo.
Todos os produtores que tem renda na sua atividade, vão em frente.   O leite bem tirado(eficiente) é um  dos negocios mais rentaveis do agronegocio.
Quem sai da atividade é produtor ineficiente, não importando o tamanho.
Deveria consultar o programa Balde Cheio e sua filosofia de trabalho, que tem muito a ver com as ideias iniciais do PROLEITE.
Temos que levantar uma bandeira sobre assistência competente para levantar a auto estima dos produtores e modificar o modo de pensar de todos. Um Abraço Paulo Viana

Paulo Martins

Juiz de Fora - Minas Gerais - Pesquisa/ensino
publicado em 28/11/2011

Olá Paulo,

Concordo com você. Bom encontrar com você novamente, por meio do milkpoint.

César Abud Melhem

Jequié - Bahia - Produção de leite (de vaca)
publicado em 29/11/2011

Caro Paulo;
Estou no ramo desde 2005,quando passei a administrar a fazenda de meu Pai em função de problema de saúde.Na época produzíamos 180l/dia e tínhamos 58 vacas e umas 20 mamotas.Hoje,temos 84 vacas 12 novilhas e 43 mamotas,sendo a metade de inseminação.Usamos sêmen neozelandês e da Lagôa das raças Jersey,Jersey/Holandez,Holandez,Gir leiteiro.Renovamos as matrizes vendendo as vacas de baixa lactação e outros problemas,como intervalo entre partos,e hoje estamos com 550l/dia e com média de 11Kg/vaca.dia.
Entendo que as pessoas estejam deixando de produzir leite porque o negócio leite,é de ganhos por escala e para tanto a quantidade e a produtividade são decisivos.Isso quer dizer que a atividade exige uma gestão eficaz e a sua lucratividade não é só no leite,mas também e principalmente pela venda de crias.O leite só é lucrativo ou um bom negócio,a partir de 1000l/dia e com uma produtividade mínima de 10Kg/vaca.dia.
Produtores que não fazem conta,tendem a quebrar e desistir.Não dá para esperar só da vaca.Precisamos investir em alimentação com bôas pastagens,concentrado,cana,melhoramento genético etc... e isso nem todos fazem:fiacam esperando que as vacas façam tudo sózinhas.
Não é facil,mas a atividade é apaixonante e acho,pelo menos para mim,que é impossível desistir.Quero ir longe.

Paulo Martins

Juiz de Fora - Minas Gerais - Pesquisa/ensino
publicado em 29/11/2011

Caro Cézar,

ótima evolução para pouco tempo. Sua frase resume tudo: não dá pra esperar só da vaca. Que você continue crescendo, com tecnologia e planejamento. Esse é o caminho.

LUIS EINAR SUÑE DA SILVA

Goiânia - Goiás - Consultoria/extensão rural
publicado em 29/11/2011

Salve Paulo
Achei oportuno demais seu texto.
Estamos numa encruzilhada. ou o produtor leiteiro se profissionaliza e tecnifica sua empresa urgentemente ou sucumbe. Não há mais espaço para amadores ou gigolôs de vacas. O leite remunera sim senhor, mas só aos capacitados para tal.
Leite da mesma forma que aves, sobrevive com capacidade gerencial, eficiência,  assessoria capacitada, produtividade das vacas e principalmente de escala.
Nas consultorias ressaltamos estes pontos para mostrar aos produtores os números que são muito positivos se comparados á outras atividades.
Espero "haver entendido o espirito da coisa" e aguardo seu artigo parte 2.
Abraço
Luis Einar Suñe
Med. Vet.
Orizona - GO

Paulo Martins

Juiz de Fora - Minas Gerais - Pesquisa/ensino
publicado em 29/11/2011

Prezado Luiz Einar,

Está acabando o espaço para amadores também no leite. Concordo plenamente com você!

César Abud Melhem

Jequié - Bahia - Produção de leite (de vaca)
publicado em 29/11/2011

Obrigado,Paulo!
Só para complementar,quero registrar que tem sido fundamental para o nosso crescimento, a assitência técnica do Veterinário  Rodrigo Gondim, pela Nestle/ DPA/GERALEITE.Para um pequeno produtor, temos feito coisas ousadas para o pouco tempo,mas fundamentais,como por exemplo,uma área de 2ha irrigada e adubada que hoje comporta 20 vacas em 28 piquetes( ameta é chegar a 25 vacas nesta área até novembro/12).As vacas recém-paridas e com produção diária acima de 20Kg/dia, são o destino destes piquetes.À medida que o tempo passa e a lactação vai baixando,se não hover suporte para mais vacas,estas dão o lugar para outras que vão chegando.A altura do pasto é controlada e os resíduos são aparados/roçados mecanicamente.Temos uma série de outras ações como a recria por lote de idade,inseminação,manejo,etc...que não caberia agora relatar,mas se quiser conhecer  mais um pouco, estarei disponível para contato.O trabalho mais técnico começou em 2008 com a implantação do Projeto NZTE pelo professor Adilson Aguiar. Entre 2005 e 2006 tínhamos resultados pífios,com média de 5Kg/vaca.dia e animais limitados.Com o novo trabalho implantado, até mesmo algumas vacas de produção máxima de 11Kg/dia,que escaparam do descarte,produzem hoje em duas ordenhas(antes de 2008 era uma só) entre 18 e 24Kg/dia.

Paulo Martins

Juiz de Fora - Minas Gerais - Pesquisa/ensino
publicado em 29/11/2011

Cezar,

Parabéns por reconhecer técnicos que estão ajudando a transformar o leite por meio da assistência técnica. Saber reconhecer, ter gratidão é uma das caracterísiticas mais caras que valorizo numa pessoa.

Rodrigo Zambon

Teutônia - Rio Grande do Sul - Acessor Técnico
publicado em 29/11/2011

Bom dia Dr. Paulo,

Elogiar um artigo seu chega até ser redundancia, pois todos são ótimos. Gostei muito desse, pois retrata o que vemos a campo com frequencia que é essa redução no numero de produtores.
Por outro lado talvez esses numeros não sejam de se lamentar, na minha visão reduziu os "tiradores de leite" e não os produtores, pois mesmo reduzindo esses numeros a produção aumentou.
A algum tempo atraz li uma materia no jornal Folha de São paulo que depois foi publicado aqui no Milkpoint tambem, nessa matéria mostrava que 12% dos produtores eram responsaveis por 81% do leite produzido.
Trabalho a alguns anos com assistencia tecnica e vejo grandes dificuldades em mudar a cabeça principalmente dos pequenos produtores para melhorarem a qualidade do leite, como esse serviço de assistencia ainda é muito carente e não abrange todos os produtores, o foco tem que ser em que produz mais mesmo, pois se eu trabalhar 12% dos meus produtores eu melhoro 81% do volume de leite. Os outros 88% dos produtores devem ser trabalhados tambem, desde que estes queiram ser trabalhados.

Att,

Rodrigo Zambon

Paulo Martins

Juiz de Fora - Minas Gerais - Pesquisa/ensino
publicado em 29/11/2011

Caro Rodrigo,

Você tem a tarefa mais árdua e mais nobre do setor, que é transferir conhecimento por meio da assistência técnica.

Guilherme Alves de Mello Franco

Juiz de Fora - Minas Gerais - Produção de leite (de vaca)
publicado em 29/11/2011

Prezado Paulo: Parabéns pela, como de praxe, consistente e profícua análise. Pegando o mote de sua resposta ao Geraldo Carlos da Silva, de Governador Valadares, realmente, em nossa região, o número de produtores de leite caiu drasticamente. Considero este fenômeno um sinal de que as coisas por aqui não estão sendo bem conduzidas e a maioria dos que se vinculavam à atividade não tiveram vontade ou força financeira para evoluir, sendo engolidos pelo mercado. É que, atualmente, a produção de leite, pelo menos no nosso quinhão estadual (Zona da Mata/Sul de Minas Gerais) não aceita mais produtores de cinquenta a cem litros de leite, que eram a maioria no estágio inicial das respectivas bacias leiteiras. Por lado outro, os que evoluímos destes patamares para mil, dois mil litros diários, conseguimos obter uma lucratividade muito maior que os daquele platô, já que a quantidade produzida passou a ser, também, remunerada pelos laticínios, com incentivos de 2,5 a 5% sobre o volume produzido. Produzir mais passou a ser o negócio. Veio, também, a obrigação do fomento da qualidade, o que obrigou muitos a se adequarem ou a sair do mercado - poucos, infelizmente, preferiram a adequação. Hoje, só os mais profissionalizados permaneceram, o que eu não sei se foi ruim ou bom, embora, indiscutivelmente, necessário.
Como você respondeu ao Luiz Einar (Orizona-GO), "está acabando o espaço para amadores também no leite". Por isso, projetos que levem ao aumento insignificante na produção (de cinquenta para cem, duzentos litros/dia) não são mais interessantes, porque o gasto de conhecimento e técnicas apuradas não corresponderá ao ganho ideal na atividade. Precisamos, se quisermos recuperar nossa bacia leiteira, de ideologias que transformem o pequeno tirador de leite (aquele que ordenha suas vacas na chuva, no barro,sem pré e pós "dip", que coloca o leite em latões, que tem animais desnutridos e que produzem não mais que cinco litros/dia, aquele que "tira um leitinho para a broa e para comer com angú") em um real produtor, que cumpre as regras da qualidade e produz com substância, que não seja apenas digno ou com autoestima renovada (isto, ricos ou pobres, todos somos), mas, sim, eficiente, pois a atividade é rentável apenas para estes.
Por fim, não se pode ficar esperando que este cenário mude a passo de tartaruga, já que, como temos observado, o mercado mundial cresce e nos exige em progressão geométrica. A evolução tem que ser acelerada, quase imediata, ou o leite internacional sufocará ao doméstico, como tem acontecido.
A transmutação em autossuficientes é necessária para impedir a enxurrada de leite alienígena em nosso mercado. e, nós só chegaremos a este ideário se nos transformamos em grandes produtores. A FOME DO MUNDO - A CADA INSTANTE - NOS COBRA ISTO.
Um grande abraço,

GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO
FAZENDA SESMARIA - OLARIA - MG

Paulo Martins

Juiz de Fora - Minas Gerais - Pesquisa/ensino
publicado em 29/11/2011

Olá Guilherme,

Concordo com tudo que você disse. Interessante é que pedi aos leitores para refletirem sobre o texto e as pessoas estão agindo assim. Você não me surpreendeu, pois é sua característica trazer ricas contribuições aos artigos, com sua sempre clara posição.

Fabiano Santos Junqueira

Pará de Minas - Minas Gerais - Pesquisa/ensino
publicado em 29/11/2011

Dr. Paulo,

sou veterinário, produtor  e Prof. de bovinocultura de leite na Unipac Bom despacho e na Unifor (Formiga - MG). Um fenômeno que observei nos últimos anos é que os profissionais liberais que "brincavam" de tirar leite (o que era frequente aqui em MG) estão diminuindo muito. só estão ficando os que levam a atividade de forma profissional. A brincadeira fica cara!! O sr. teria algum dado concreto que confermaria esta minha observação?
Att.
Fabiano Junqueira

Paulo Martins

Juiz de Fora - Minas Gerais - Pesquisa/ensino
publicado em 29/11/2011

É verdade, Fabiano. Eles descobriram que é caro brincar de produzir leite. Mas, ainda tem muito advogado, médico e dentista, que só lembra da fazenda no final de semana. Esse pessoal vai saindo aos poucos. É o setor se depurando...

LUIS EINAR SUÑE DA SILVA

Goiânia - Goiás - Consultoria/extensão rural
publicado em 29/11/2011

Caro César
O que vc. comenta é verdade, acho que o Paulo vai esmiuçar muito mais este assunto na segunda parte, mas posso assegurar-lhe que os procedimentos como melhora de genética, produtividade por vaca, conforto, gestão profissional e nutrição se constituem na base para o bom resultado.
Trabalhamos em cima de dados reais dos produtores o número mágico é 1000L/DIA, para aqueles que desejam uma renda liquida acima de R$ 7.000,00.
Discordo entretanto que a produtividade das vacas deva ser acima de 10L/dia.É muito baixo para vc. obter lucro, vamos falar de vacas produzindo 6500 litros/305 dias lactação.
Recordo de haver lido um pensamento, lamentavelmente me foge o autor que diz assim: - Neste mundo competitivo que advirá só existirão dois tipos de empresários o que faz poeira e o que come poeira, vc. é que escolherá em qual grupo vai querer estar.
É disso que sempre falamos aos produtores, e muitos mudam de patamar produtivo, acredite.
Abraço

Warlem

São Luís de Montes Belos - Goiás - Produção de leite (de vaca)
publicado em 29/11/2011

Dr. Paulo , agradeço a oportunidade para opinar sobre esta atividade que muito contribui para o desenvolvimento de nossa região, região esta de medios e pequenos produtores de leite, na minha opinião deveria por parte do ministério da agricultora e pecuária , olhar com bons olhos para os produtores,incentivando através de assistência técnica, a comessar pela recuperação de pastagens que já estão degradadas a muitos anos bem degradadas mesmo, e custa muito para o produtor recupera-las , outro item é melhorar genéticamente nosso rebanho leiteiro, outro item estradas e logística, logística para termos um preço sustentável, em fim ser uma atividade econômicamente viável.(até breve).

Paulo Martins

Juiz de Fora - Minas Gerais - Pesquisa/ensino
publicado em 29/11/2011

Olá Warlem,

Assistência técnica é a palavra chave, creio eu.

LUIS EINAR SUÑE DA SILVA

Goiânia - Goiás - Consultoria/extensão rural
publicado em 29/11/2011

Caro Guilherme
Faço das suas palavras as minhas.
Nosso trabalho é por mudança de patamares produtivos. Aqueles produtores de 500 litros que não possuem a ambição de ir para 1000 litros, não faz parte do grupo que merece nosso esforço técnico.
Aqueles de 1000 litros devem se ver no grupo de 2000 e assim por diante.
A grande luta é mover da estática e da baixa estima aqueles que como vc. diz "tiram leite para fazer 1 broa".
Promovemos iniciativas interessantes neste sentido e os resultados estão aparecendo.
No decorrer deste debate vamos trocando idéias.
Enfim, toquemos em frente que a conversa tá boa.
Abraço

Guilherme Alves de Mello Franco

Juiz de Fora - Minas Gerais - Produção de leite (de vaca)
publicado em 29/11/2011

Prezado Paulo: Não gostei da sua observação (rsrsrs). Sou Advogado, vou à Fazenda Sesmaria somente aos finais de semana, mas não "brinco de tirar leite" (rsrsrs). Tenho uma equipe técnica de peso me assessorando, que são meus olhos e ouvidos durante a semana. Todavia, concordo que existem muitos aventureiros na profissão,mas, estes, duram pouco. "Assistência técnica é a palavra chave", como você disse. Por lado outro, com as tecnologias que se desenvolvem no mundo atual, o "olho do dono" não é mais o que engorda o porco. Atualmente, de minha residência, aqui em Juiz de Fora, estou em contato direto com meus funcionários (visual e através de voz), em tempo real, por meio de um sistema informatizado, via satélite, que me traz a fazenda para o computador pessoal. Daqui, vejo o problema e tento resolvê-lo com a equipe, sem, necessariamente, estar na propriedade.
Um abraço,


GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO
FAZENDA SESMARIA - OLARIA - MG

Paulo Martins

Juiz de Fora - Minas Gerais - Pesquisa/ensino
publicado em 29/11/2011

Prezado Guilherme,

Você pensa no seu negócio 24 horas! Você é exemplo a ser seguido. Li um livro que me colocou muito a pensar. Chama-se fora de série - outlier de Malcolm Gladwell. Com exemplos de personalidades famosas ele procura mostrar que quem se destaca não é pelo talento, mas por ter se dedicado duro, e por ter aproveitado oportunidades surgidas. Penso que é assim para tudo, inclusive para ter sucesso em leite e sei que você concorda.

Fernando Fonseca Gomes

Indianópolis - Minas Gerais - produtor de leite representante da kera
publicado em 29/11/2011

guilherme  eu sou pequeno produtor de leite aqui no municipio de indianopolis ,eu vejo   a pecuaria leiteira como um a  empresa q tem de ser olhada e gerenciada diariamente ,atualmente produzo 300 litros dia  /mas comecei com 6 litros de leite i neste ano ainda espero ter um trator financiado ,pra mim ajudar na produçao de leite ,eu vi no uso de leveduras da kera a qual represento,  a oportunidade de fazer as vacas mais produtivas i com mais produçao de crias futuras  me  deu um aumento de quase 30 % em minha produçao diaria e quero viver muitos anos de leite

Guilherme Alves de Mello Franco

Juiz de Fora - Minas Gerais - Produção de leite (de vaca)
publicado em 29/11/2011

Prezado Fernando: pedindo licença ao conterrâneo Paulo, devo dizer que seu ideal de produzir leite deve ser seguido por todos, pois são atitudes assim que mantêm o caminho para a excelência na produção brasileira. Se cada um de nós quiser evoluir e lutar para isso, como o senhor, o Brasil será, em breve, um grande exportador de leite, ao invés do importador que ainda somos. O futuro está nas mãos dos empresários do leite, como o senhor é. Temos que continuar a ser profissionais, caminhar sempre à busca de mais produção, mais tecnologia e mais genética. É uma estrada que nunca tem fim. Ainda bem!!! Prospere sempre e boa sorte.
Um abraço,

GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO
FAZENDA SESMARIA - OLARIA - MG

Guilherme Alves de Mello Franco

Juiz de Fora - Minas Gerais - Produção de leite (de vaca)
publicado em 29/11/2011

Prezado Paulo: Em gênero, grau e número.
Um abraço,


GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO
FAZENDA SESMARIA - OLARIA - MG

Murilo Rodrigues Shibata

Abatiá - Paraná - Consultoria/extensão rural
publicado em 29/11/2011

Prezado Paulo,

Assim como outros colegas aguardo a segunda parte do artigo para tecer maiores comentários. Sou extensionista rural no Paraná e convivemos diariamente com várias das causas que contribuem para essa desistência de produtores. Na realidade são inúmeras causas, mas  acredito de que acordo com o estrato de produção a que pertençam alguns fatores tem mais peso que outros.

Por enquanto parabéns pela escolha do tema que é de extrema importância para quem atua na linha de frente da extensão. Acredito que devo levar esse tipo de questionamento nas minhas próximas reuniões a campo.

Um abraço!

Paulo Martins

Juiz de Fora - Minas Gerais - Pesquisa/ensino
publicado em 29/11/2011

Caro Murilo,

obrigado pela participação. Se o número e a qualidade dos comentários continuar assim, o próximo artigo será construido por vocês!

Carlos Marcelo Saviani

Madison - Wisconsin - Estados Unidos - Diretor Global de Marketing na Genus ABS
publicado em 29/11/2011

Caro Paulo,

Muito interessante estes dados. Algo semelhante comecou a acontecer nos EUA apos a decada de 40 quando eles tinham 4.6 milhoes de produtores com uma media de 5 vacas e hoje o pais tem apenas 65 mil fazendas e 9 milhoes de vacas, mas produz 84 bilhoes de litros e crescendo. Guardadas as proporcoes, voce ve processo semelhante acontecendo no Brasil?

Obrigado,

Carlos

Paulo Martins

Juiz de Fora - Minas Gerais - Pesquisa/ensino
publicado em 29/11/2011

Prezado Carlos,

Creio que estamos iniciando um processo de redução de produtores que deverá ser longo, mas será definitivo, como aconteceu em todos os países que se profissionalizaram. Obrigado por sua participação.

João Henrique Rodrigues

São Roque de Minas - Minas Gerais - estudante e produtor de leite
publicado em 29/11/2011

caro paulo parabens pelo artigo  moro na regiao da serra da canastra cuja regiao quase toda producao de leite se transforma em queijo canastra so que este fato tambem acontece por aqui. temos verificado que pequenos produtores de outras regioes que nao adquaram a granelizacao nao pararam de produzir leite e passaram aproduzir queijo artesanal e vendem no mercado clandestino ,porq pelas informacoes que tenho se produz queijo de leite cru  em quase todo pais

Paulo Martins

Juiz de Fora - Minas Gerais - Pesquisa/ensino
publicado em 29/11/2011

Minha hipótese é que o mercado de queijo é o mais desorganizado de todos os mercados de produtos lácteos brasileiros. Obrigado pelo comentário.

Carlos Marcelo Saviani

Madison - Wisconsin - Estados Unidos - Diretor Global de Marketing na Genus ABS
publicado em 29/11/2011

Paulo, obrigado pela pronta resposta, com a qual eu concordo 100%. Qual o papel que a industria de processamento/laticinios tem e terao neste processo?

Paulo Martins

Juiz de Fora - Minas Gerais - Pesquisa/ensino
publicado em 29/11/2011

Carlos,

Isso dá um artigo inteiro. O papel da coordenação da cadeia é da indústria. Assim é nos suínos, nas aves, setores que realmente se organizaram. O leite está distante disso. Ainda não temos coordenação de cadeia nem visão de longo prazo neste setor brasileiro. Pretendo tratar desse assunto detalhadamente, mais à frente.

LUIS EINAR SUÑE DA SILVA

Goiânia - Goiás - Consultoria/extensão rural
publicado em 29/11/2011

Salve Paulo
Acabou a época dos amadores. A região que trabalhamos aqui no Goiás mostra claramente esta nova etapa,  aqueles produtores que perceberam essa nova tomada de posição estão crescendo em cima da ineficiência de muitos.
Infelizmente ainda prevalece aquele pensamento de que "eles fazem igual ao avô fazia" e os assessores ou técnicos servem apenas para apagar fogueiras quando ocorrem, só que muitas vezes já chegamos tarde para finalizar o incêncio financeiro.
Por outro lado, e este é o compensador, existe aqueles que permitem intervir até em sua vida financeira pessoal na busca por melhor padrão de vida e profissionalizar sua empresa rural. É com eles que os consultores e assessores gostam de trabalhar pois a recompensa é mútua. Recordo de um pequeno produtor que no início de 2010 produzia 239 litros dia, mês passado, seguindo um planejamento que adotamos estava com 900 litros dia, basicamente foi mudando dieta, manejo e substituição de vacas por outras mais produtivas.
Fatos como este e muitos outros nos dizem que este é o caminho, nós tecnicos gestores devemos estar em cima da informação e trabalharmos com produtores comprometidos.
Abraço

Paulo Martins

Juiz de Fora - Minas Gerais - Pesquisa/ensino
publicado em 29/11/2011

Prezado Luiz Einar,

Concordo com os seus comentários, que são muito pertinentes.

LUIS EINAR SUÑE DA SILVA

Goiânia - Goiás - Consultoria/extensão rural
publicado em 29/11/2011

Salve Fernando
Me permita 2 observações:
1- Produzir 300 litros/dia vc. não vai ser feliz caso tenha sonho de ganhar dinheiro nesta atividade; Quem trabalha neste ramo sabe quanto sobra por mêspara vc.
2- Estou há 30 anos na profissão e desconheço qualquer aditivo que promova ganhos de 30%;
Nosso fórum é para discutir princípios gerenciais e acho que sua vontade foi comercial.
Desculpe-me se meu entendimento foi equivocado.
Abraço

Fernando Fonseca Gomes

Indianópolis - Minas Gerais - produtor de leite representante da kera
publicado em 29/11/2011

este aditivo faz o rumen absorver mais o q a vaca come ,nisto  ela  aumenta a absorçao de capim transformando tudo q come em leite ,meu gado é nelorado caro luiz ,mas a produçao é de vaca de genetica muita  diferente da minha ,ha i meu ccs hj é de menos de 200,proteina  mais de 3.40 e gordura 4.37, existe hj  desconfiança no meio  rural pq os picaretas  fez  desmerecer a confiança   do homem do campopelas pessoas serias, se me contasse o q estas leveduras faz em vacas de leite  eu duvidaria assim como vc duvidou,se quer informaçoes a respeito me ligue 034 98167044

Guilherme Alves de Mello Franco

Juiz de Fora - Minas Gerais - Produção de leite (de vaca)
publicado em 30/11/2011

Caro Fernando Fonseca Gomes: peço licença ao conterrâneo Paulo para comentar a deselegância de sua participação que foi meramente comercial, dentro de um contexto de estudo, onde a mesma não cabe. Espero que esta sua tosca tentativa de comércio tenha sido frustrada e que sua publicidade do produto reverta em repúdio ao mesmo pelos produtores, afinal, perdemos nossos preciosos tempos para oferecer reprimenda à sua atitude, o que poderia estar revertido para o estudo sério, que é nosso interesse e do articulista. A Equipe do Milkpoint deveria retirar dos comentários aqui publicados as suas participações que visam, exclusivamente, à publicidade de determinados produto e marca, já que o objetivo do Paulo não é este (e o de nenhum de nós). Por outro lado, minha CCS é 38 e minha UFC 65 (última análise da EMBRAPA) e não utilizo os produtos indevidamente anunciados.
Um abraço,


GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO
FAZENDA SESMARIA - OLARIA - MG

LUIS EINAR SUÑE DA SILVA

Goiânia - Goiás - Consultoria/extensão rural
publicado em 30/11/2011

Bom Dia Fernando
Como respondi ontem, este fórum não é comercial.
Com muito mais propriedade o Dr. Guilherme explicitou o que buscamos nesta "charla" sobre os problemas de nossa atividade.
Se desejares podemos abrir outro fórum sobre nutrição em gado leiteiro e raças para produzir leite. Como lhe afirmei ontem, vaca que produz 10 litros por dia dá prejuízo, isso é animal de corte é para gancho de frigorífico. Vc. está desejando entrar numa competição de Fórmula 1 com um Fusquinha.
Busque informação aqui no Milkpoint sobre os 100 melhores produtores de leite do Brasil. Estes sim deverão ser os seus espelhos.
Ahh, já ía esquecendo, conheço a empresa e produtos que vc. revende, sou med. veterinário, trabalho com nutricição/seleção e gestão há 30 anos, o que lhe comentei sobre leveduras não foi lido em catálogo de vendas, e, acredite, sem alimentos de qualidade e genética leiteira não há aditivo milagroso.
Só para concluir, existem trabalhos que citam que o uso de leveduras deprimem o crescimento de bactérias celulolíticas ( não concordo ) por isso ainda temos muita coisa para ser esclarecida neste mundo fantástico que é o ambiente ruminal de uma vaca leiteira.
Fernando, nós trabalhamos com planilhas de levantamento geral da propriedade leiteira, que posso disponibilizar á vc., para fornecer seu custo de produção, mas antes de preenchê-la pegue um lenço, pois seus índices e o uso de gado anelorado para produzir leite, vão fazer vc. chorar, junte a família para a choradeira, quem sabe algum membro mais lúcido não lhe convença a adquirir umas boas holandesas de 25 litros/dia. Aí sim vc. será um produtor leiteiro, por "enquanto é aprendiz de feticeiro". Brincadeira!!!
Paulo, obrigado pelo espaço no fórum, sei que este não é seu objetivo maior ao lançá-lo, mas afinal vamos aparando pequenas arestas enquanto discutimos o âmago de nossa pecuária de leite.
Abraço
Luis Einar Suñe
Orizona - GO


Fernando Fonseca Gomes

Indianópolis - Minas Gerais - produtor de leite representante da kera
publicado em 30/11/2011

Vc nao esta intendo os produtores deste Basil tem uma nova tecnologia revertida a seu favor eu estou mostrando ao mesmo tempo a milhares de produtores q tem algo no mercado a favor  deles , sendo comercial ou nao ,eu estou mostrando algo q muito poucos tem o conhecimento,informacao, sendo ela beneefica tem de estar  em maos de qualquer produtor  q queira estar informado,assim como muitos, um dia eu aluguei meu sitio e tbm larguei de mao de ser produtor de leite. I estou de volta de 7 anos pra ca i tem mais comecei com uma vaca só e hj. Ja tenho um tanto q garanta minha expanssao futura. Estamos falando de pessoas q um dia parou com a producao i q aqueles q voltaram, voltaram pra ser a diferenca, neste pais oa produtores  as vezes larga da atividade por falta de um estimulo,por falta  as vezes de ter conhecimento de novas tecnologias,   olha  so  pra vc ver eu nao tenho interesse nehum de fazer propaganda pra vallle  mas eles tem um remedio que combate a mastite  i que nao deixa residuo no leite   (sem carencia alguma pro leite) i sao poucos os produtores que sabem disto,nós da classe produtora deste país temos é de somar conhecimento  inao apenas guardar pra si o q sabe.
   Senhor guilherme  nós produtores  temos de mostrar conhecimento ,mas conhecimento pra  todos,   pq só mostrando conhecimento   que podemos fazer  a diferença  num todo  i dizer que  fazemos a diferença la fora,pq sempre sera nos minimos detalhes  que sairemos  em destaque no todo  i é informando o pequeno produtor   que está a soluçao  da atividade  porque é nele que é produzido a maior parte do leite deste país.
no mais agradeço i tenha uma boa tarde.

ass; FERNANDO FONSECA

Fernando Fonseca Gomes

Indianópolis - Minas Gerais - produtor de leite representante da kera
publicado em 30/11/2011

eu tenho este gadin de leite por enquanto senhor luiz,por enquanto,mas é com este gadim q terei  uma boa matriz de 25 litros dia  i ninguem cria gado  na laje.......

Daniel Andrade

Mato Verde - Minas Gerais - Produção de leite (de vaca)
publicado em 01/12/2011

Boa tarde senhores!

Obrigado Dr. Paulo pelo artigo e a todos que publicam comentários compartilhando mais conhecimentos e experiências, o titulo do artigo chamou minha atenção de imediato, identifiquei-me com o titulo, não por que eu tenha desistido, pois na verdade minha luta está para começar, mas sim por que ando buscando e adquirindo conhecimentos para gerenciar a propriedade do meu pai, para que no futuro ela não faça parte dessa triste realidade abordada no artigo.
Está sendo um grande desafio, eu sou um Analista de Sistemas e há dois meses um leigo em todos os aspectos da produção leiteira, meu pai possui uma propriedade grande com bom potencial, localizada no norte de Minas e atualmente não possui nenhum tipo de controle, registros e acompanhamento, nem mesmo a informação básica de quantos animais existem no rebanho consegui, ela produz em média 600 L/Dia. Muita coisa aprendi em materiais do SEBRAE, SENAR, EMATER, nos artigos do MilkPoint e nas experiências compartilhadas dos produtores Brasil a fora.
Aprendi que a produção leiteira é uma atividade que necessita de uma gestão eficiente, para aumentar a rentabilidade e os lucros. Sei que o caminho é longo e muito tenho a aprender, mas estou confiante em realizar um bom trabalho! Muito obrigado pela ajuda e experiências compartilhadas de todos vocês que acreditam na atividade leiteira no Brasil.

Paulo Martins

Juiz de Fora - Minas Gerais - Pesquisa/ensino
publicado em 01/12/2011

Daniel,

Gestão é fundamental. Assistência técnica também. As duas tem de caminhar juntas. O tecnico sugere, você decide. Para decidir, você mede. Para medir, você anota. Esse é o caminho. Boa sorte!

Guilherme Alves de Mello Franco

Juiz de Fora - Minas Gerais - Produção de leite (de vaca)
publicado em 01/12/2011

Prezado Fernando Fonseca Gomes:  Pedindo mil desculpas ao Paulo pelo desvio de assunto, deixo a você a mensagem que podemos citar produtos (probióticos, por exemplo) sem citar nomes de fantasia nem marcas. Não existe só o produto ou o fabricante citados. Por isso, sua intervenção não deixou de ser jogada comercial. O conhecimento sem divulgação é igual a nada, mas  o comércio deste conhecimento é pior ainda.
um abraço,


GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO
FAZENDA SESMARIA - OLARIA - MG

Karina

Lavras - Minas Gerais - Consultoria/extensão rural
publicado em 01/12/2011

Estávamos precisando mesmo de dados mais recentes de produção e de produtores. Acho que seria interessante estratificar um pouco mais no que diz respeito à produtores acima de 200 L/d, para sabermos a porcentagem de grandes produtores no Brasil e quantos por cento da produção total que estes contribuem por dia, números que são bem relevantes.
Parabéns pelo trabalho!

Paulo Martins

Juiz de Fora - Minas Gerais - Pesquisa/ensino
publicado em 01/12/2011

Karina,

Concordo com você. Irei procurar obter esta estratificação.

Ronaldo Marciano Gontijo

Bom Despacho - Minas Gerais - Produção de leite (de vaca)
publicado em 01/12/2011

Prezado Fernando,

   Sei que aqui não é o espaço para discutirmos sobre o uso de levedura, mas como você fala tanto sobre a mesma vou te contar uma coisa que me parece que você desconhece. Aqui na minha região as fabricas de ração usam levedura a muito tempo, e eu nunca vi diferença entre uma ração com levedura e outra sem. E sobre o medicamento sem carencia para mastite, ele é velho e não presta, já usei e não fez efeito. Quem tentar produzir leite usando produtos milagrosos, capins milagrosos, etc., só vai ajudar o sujeito a fazer parte do numero dos que desistem da atividade. O tempo dos amadores está acabando, só vão ficar os profissionais.

Um abraço

Ronaldo

Guilherme Alves de Mello Franco

Juiz de Fora - Minas Gerais - Produção de leite (de vaca)
publicado em 01/12/2011

Prezado Paulo: Penso que os que se debruçam sobre o mercado de leite, voltados ao estudo da produção, têm cometido o engano de imaginar que a redução do número de produtores vai se dar somente entre os pequenos, o que não é uma verdade. A questão não é de quantidade, mas, sim, de qualidade. E qualidade não depende do número de vacas, do volume de leite produzido e da classe econômica a que pertence o produtor, mas, sim, do grau de profissionalismo demonstrado. Destarte, teremos produtores de vinte, trinta vacas continuando na atividade, com eficiência, ao lado daqueles que possuem mil, duas mil, cinco mil delas, igualmente profissionalizados. Por óbvio, devemos encontrar patamares mínimos de produção para se manter dentro do mercado, pois a quantidade de leite produzida, em contrapartida, será um limitante, como hoje tem sucedido - pelo menos em nossa região -  com aqueles que produzem de cem litros/dia para baixo, que já não encontram muitos compradores para o seu produto e, quando encontram, é por preços aviltados . Todavia, a estes, ainda resta associar-se a outros e fazer volume interesante ao mercado comprador, desde que com qualidade. Deflui daí que, como nos alertou Richard Bach, em seu lapidar "Ilusões", "o que a lagarta chama de fim do mundo, o mestre chama de borboleta". Tudo ainda pode ser possível, basta trabalho, seriedade e gerenciamento eficiente.
Um abraço,


GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO
FAZENDA SESMARIA - OLARIA - MG

Paulo Martins

Juiz de Fora - Minas Gerais - Pesquisa/ensino
publicado em 01/12/2011

Guierme,

Os pequenos tendem a ser os últimos a saírem, pois têm custo de oportunidade menor.

Guilherme Alves de Mello Franco

Juiz de Fora - Minas Gerais - Produção de leite (de vaca)
publicado em 01/12/2011

Prezado Paulo: Com certeza, desde que os grandes sejam eficientes, porque se enveredarem pelo campo dos achismos e das substâncias pouco profissionais, com soluções mirabolantes e sem sentido,  vão embora muito mais cedo (rsrsrs). Por isso, debates como este que você fomentou são de grande valia, porque trazem, além da informação, a capacitação para pensar, repensar e agir, justamente o que falta ao produtor nacional. Poder participar, de alguma forma, ainda que singela e pouco técnica, neste processo, é muito salutar, ainda mais para mim que muito mais tenho a aprender que a ensinar. Obrigado pela oportunidade.
Um abraço,

GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO
FAZENDA SESMARIA - OLARIA - MG

Paulo Martins

Juiz de Fora - Minas Gerais - Pesquisa/ensino
publicado em 01/12/2011

Guilherme,

Você tem ideias ricas e estimula a participação. Obrigado por compartilhar este espaço.

Guilherme Alves de Mello Franco

Juiz de Fora - Minas Gerais - Produção de leite (de vaca)
publicado em 02/12/2011

Prezado Paulo: Você sabe que, para mim, é uma honra.
Um abraço,


GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO
FAZENDA SESMARIA - OLARIA - MG

LUIS EINAR SUÑE DA SILVA

Goiânia - Goiás - Consultoria/extensão rural
publicado em 02/12/2011

Salve Daniel
Bem vindo ao fórum do Paulo.
Sua linha de raciocínio para ser eficiente está correta.
Uma boa assessoria técnica e de gestão lhe proporcionará ótimas alegrias criando gado de leite.
Abraço

LUIS EINAR SUÑE DA SILVA

Goiânia - Goiás - Consultoria/extensão rural
publicado em 02/12/2011

Salve Paulo
Respondi ao Guilherme sem ler sua mensagem. Concordo em cada letra.
Tá muito bom este bate papo.
Abraço

LUIS EINAR SUÑE DA SILVA

Goiânia - Goiás - Consultoria/extensão rural
publicado em 02/12/2011

Salve Guilherme
Concordo com suas conclusões. Acho mesmo que o sistema de associativismo e cooperativismo poderiam reunir estes pequenos produtores para fortalecê-los comercialmente. Entretanto vejo estes sistemas também ineficientes para mudar os números de um produtor de poucos litros. A assistencia técnca é paternalista e de baixa qualidade na maioria das vezes. O grau de instrução daqueles, impede que se visualizem como empresários, assim na minha percepção, imagino que os pequenos estão saindo do mercado mesmo, migrando para outras atividades que ainda paguem muito pelo produto por ainda possuir pouca gente fornecendo.
Nesta semana um amigo empresário, relatou-me que numa recente viagem a Itália, visitou uma que beneficiava 80 mil litros dia no fabrico de queijo recolhendo leite de 19 produtores e com 5 funcionários na produção. Dizia-me  ele: Se elaboro o dobro desta quantidade e tenho 150 funcionários e 500 produtores como posso competir com esta fábrica??
Este é o outro lado da moeda, e nós técnicos devemos caminhar juntos aos dois pólos da cadeia, sem deixar de lembrar em quem manda nela ao final. Devido a situações como estas que urge uma posição neste assunto, a qual seria ou profissionaliza-se ou tá fora do mercado. O setro agrícola já saiu na frente.
Abraço

LUIS EINAR SUÑE DA SILVA

Goiânia - Goiás - Consultoria/extensão rural
publicado em 02/12/2011

Caro Paulo
Bom Dia
Acho que dispensa comentários a enorme satisfação que é discutir um tema tão importante como este lançado á mesa por você.
Talvez seja estar sonhando um pouco alto, desconheço sua vontade ou possibilidades de fazermos germinar este tema e evoluirmos para um seminário nacional ou regional de gestão da atividade leiteira. Não necessitamos de "gringos" para mostrar aos interessados como viver bem da atividade, apenas técnicos lúcidos, pé-no-chão, de preferência produtores que façam o ABC do tema.
Deixo aqui minha sugestão e apoio incondicional.
Abraço
einarsune@hotmail.com
64 9671 3211

Paulo Martins

Juiz de Fora - Minas Gerais - Pesquisa/ensino
publicado em 02/12/2011

Prezado Luiz,

Sua idéia é muitíssimo interessante. Seria muito bom adensar esta discussão. Todavia, não me encontro no exercício de cargos de decisão, o que me impede de organizar um evento como o proposto. Quem sabe, uma insitiuição ou mesmo o milkpoint resolve abraçar esta causa?

Guilherme Alves de Mello Franco

Juiz de Fora - Minas Gerais - Produção de leite (de vaca)
publicado em 02/12/2011

Prezado Luiz Einar: Com certeza, a situação dos produtores de menos de trezentos litros/dia é bastante complicada, porque, por problemas de escala e de viabilidade comercial, pouquísimas empresas laticinistas irão, em futuro próximo, aceitar recolher o leite que eles produzirem. Fica caro o transporte refrigerado deste produto em quantidades tão pequenas. Por isso, muito embora concorde com o Paulo quando ele afirma que "os pequenos serão os últimos a saírem porque têm custo de oportunidade menor", alerto para o fato de que a inviabilidade técnica do acolhimento destas menores produções pode, de igual sorte, vitimá-los.
A conclusão de que o único caminho que possuem é associar-se a outros é corolário desta situação, mas, cabe o aviso de que, no Brasl, nós não alimentamos, em nossas veias - ao contrário do que acontece em outros países - o ideal do associativismo, o que emperra a maioria das ações neste sentido.
Não acredito na reunião destes pequenos produtores em cooperativas, já que estas, pelo menos no setor leiteiro, já se mostraram desanimadoras. As que sobreviveram a esta realidade, tornaram-se laticínios comuns, esquecidos dos comandos que as animaram e vivem da exploração do produtor. Além do mais, a facilidade e a mobilidade de capital tem levado ao calvário de fraudes e prejuízos, que são comuns dentro do sistema e que podem ser aferidas dentro do próprio MILKPOINT, que é pródigo em notícias deste quilate.
Profissionalismo, genética, capacidade de evolução, métodos de criação eficientes, assistência técnica de qualidade e paciência são os únicos caminhos a percorrer.
Quem não trilhar por estas avenidas, dificilmente sobreviverá.
Um abraço,


GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO
FAZENDA SESMARIA - OLARIA - MG

Daniel Andrade

Mato Verde - Minas Gerais - Produção de leite (de vaca)
publicado em 02/12/2011

Obrigado Dr. Paulo.

Minha primeira atividade será realizar um levantamento da propriedade, para em seguida começar com os registros e controles.  Com o levantamento da propriedade e uma boa amostra de dados espero criar um cenário para receber um suporte técnico adequado.

Saudações Amigos!

Daniel Andrade

Mato Verde - Minas Gerais - Produção de leite (de vaca)
publicado em 02/12/2011

Obrigado Luis.

Está sendo uma honra fazer parte do fórum, tenho muito a aprender com a experiência dos senhores.  
Você está certo, irei estudar meios de viabilizar o suporte técnico.

Saudações amigos.

LUIS EINAR SUÑE DA SILVA

Goiânia - Goiás - Consultoria/extensão rural
publicado em 02/12/2011

Salve Daniel
Sábias são as palavras do Paulo quando reforça os passos iniciais para o sucesso de seu novo empreendimento.
Discussões tão interessantes como estas que ele brilhantemente iniciou tb. permitem contatos profissionais entre os participantes.
Projetos racionais como este que vc. pretende implantar são especiais para quem busca uma pecuária leiteira sólida e profissional.
Deixo meu e-mail para que possamos seguir tecendo informações,
einarsune@hotmail.com
64 9671 3211

LUIS EINAR SUÑE DA SILVA

Goiânia - Goiás - Consultoria/extensão rural
publicado em 02/12/2011

Grandes verdades Guilherme
Que revolução nos patamares produtivos aconteceria se os órgãos competentes abraçassem uma causa destas com seriedade , sem corrupção, com qualidade e  competência técnica.
Quem sabe??
Abraço

LUIS EINAR SUÑE DA SILVA

Goiânia - Goiás - Consultoria/extensão rural
publicado em 02/12/2011

Salve Fernando
Boa Tarde á todos
Sua última intervenção no fórum me deixou imobilizado técnica e gramaticalmente falando. Mas tudo bem, vamos em frente com a pecuária leiteira e juntos tentemos salvar os que se encontram em perigo,  "nóis dakí í  vóis dahí"
Esperemos pela segunda parte do fórum.
Abraço

Fernando Fonseca Gomes

Indianópolis - Minas Gerais - produtor de leite representante da kera
publicado em 02/12/2011

sou caipira ,nao sou doutor ,oq qsei foi  i é por conhecimento  voluntario  como disse eu sou caipira i me orgulho de ser caipira ,escrevendo certo ou errado  em meu portugues , quem le entende bem ,mas com muito respeito  ,assim me criei  com repspeito ,sem abusar aos menores dos menores,todos iguais,.........

Marcelo Pereira de Carvalho

Piracicaba - São Paulo - Empresário
MilkPoint - publicado em 02/12/2011

Paulo, Luiz Einar: o Interleite 2012 (em Chapecó entre 3-5 de abril e Uberlândia, 11 a 19 de setembro), terá um forte foco em gestão e na discussão desse ambiente de negócios que vocês estão discutindo.

Paulo, ótimo artigo, refletido também na discussão que gerou. Vou formular algumas ideias e participar aqui também. Aguarde!

Paulo Martins

Juiz de Fora - Minas Gerais - Pesquisa/ensino
publicado em 02/12/2011

Marcelo,

O Interleite 2012 já começou!

Marcelo Pereira de Carvalho

Piracicaba - São Paulo - Empresário
MilkPoint - publicado em 05/12/2011

Paulo,

Dando seqüência, minha análise é um pouco distinta da que vem sendo feita nessa discussão. Sem dúvida muitos saíram da atividade quando se analisa os produtores abaixo de 50 litros/dia. Dez anos se passaram de 95/96 a 05/06, o país melhorou e a renda idem. Quem produzia menos de 50 litros/dia e não conseguiu crescer acabou saindo, ou pela mudança de geração (os filhos não continuaram), ou por haver alguma alternativa melhor de renda do que produzir essa quantidade. Dos que ficaram, é provável que boa parte tenha o leite como algo secundário. Afinal, 50 litros/dia é muito pouco mesmo.

Mas o que me chama atenção - e aí me surpreende que ninguém tenha abordado isso - é a queda da participação dos "grandes" produtores, aqueles acima de 200 litros/dia. O que aconteceu para que a participação destes no total tenha caído? Acredito que tem a ver com o ambiente de investimentos que temos conversado ultimamente: à medida que existem alternativas mais seguras, menos difíceis do ponto de vista de operação, o produtor acaba fazendo outra coisa ao invés de imobilizar capital na produção de leite. Ao menos analisando esse período do Censo.

Apesar disso, em uma conta rápida surge um outro aspecto interessante. Apesar da quantidade total de leite produzida por aqueles de mais de 200 litros ter subido pouco (de 4,8 bilhões para 5,0 bilhões), o volume por produtor quase triplicou: de 380 litros para 980 litros entre 1995/96 (considerei a produção de 17 bi) e 2005/06 (considerei 25 bi).  

Por fim, uma última observação. Já estamos em 2011 e minha impressão é que esse novo decênio 2005/06 para 2015/2016 vai trazer mudanças bem mais significativas nestes números. Ou não?

Grande abraço,

Marcelo

Paulo Martins

Juiz de Fora - Minas Gerais - Pesquisa/ensino
publicado em 05/12/2011

Olá Marcelo,

Estamos no campo das hipóteses, exatamente por não termos bons indicadores. Não acompanhamos sistematicamente propriedades e não sabemos o motivo de produtores estarem saindo da atividade, não é mesmo? Nos EUA, as universidades fazem acompanhamento contínuo, exatamente com o propósito de monitorarem o que ocorre no setor, em termos conjunturais e estruturais. No Brasil, não me atreveria a propor algo deste tipo, pois acredito que as agências de fomento à pesquisa iriam considerar esta iniciativa como algo sem relevância, que não poderia ser considerado pesquisa. Dessa forma, fica difícil sair deste quadro de suposições em que nós nos encontramos.

Aluizio Marchi

Nova Venécia - Espírito Santo - Produção de leite (de vaca)
publicado em 05/12/2011

O produtor precisa de cooperativas de laticínios que pensem o novo, que andem lado a lado com o produtor, que disponham de políticas de gestão eficientes. Infelizmente não as temos nessa região. Analisam somente do portão da usina para dentro. O leite sai da propriedade, é processado em três a quatro dias. Nas gôndolas dos supermercados e afins se eleva de R$0,60 a 0,70/litro para R$1,90 a 2,00/litro. Um incremento superior a 200%. Há um descompasso vergonhoso. Outra contrapartida requerida é a do poder público. Estradas rurais sem manutenção. Dois dias de chuvas interrompem o transporte em grande parte das propriedades. O Estado não indeniza o sacrifico de um animal acometido de doença incurável. No âmbito federal, somos bi tributado pela Previdência Social. Outro fator que impõe barreiras: grãos são produzidos a mais de 1.000 km. Milho, soja e carroço/farelo de algodão chegam do oeste da Bahia, triangulo ou do centro-oeste do país. Alto custo de transporte e ficamos quase impossibilitados de suplementar um animal. A uréia ano passado era até 48% mais barato que hoje. Ainda assim, podemos fazer contas e aplicar o remédio em dose compatível para evitar prejuízo. Mas há um fator chave, chamado mão-de-obra. O mercado oferece pouquíssimas opções de profissional capaz de trabalhar com a mínima responsabilidade. O cidadão começa muito bem, aprende lidar com os equipamentos, com os animais, com a dosagem certa da ração, com a limpeza e higiene requeridas. Tudo no início são flores. Aí, num certo dia ele esquece de adubar ou aduba de forma errada; outro dia deixa de fazer o "pré dip" e o leite cai no resfriador com resíduos. Noutro ele chega atrasado e prejudica o horário da ordenha. Você começa a olhar os cochos e ver que estão desprovidos de sal. O bebedouro está com excesso de lodo. Já se passaram 12 meses de carteira assinada e aí ele sonha com o seguro desemprego. Chega bêbado na ordenha e começa a gritar com as vacas. Você chama a atenção dele e ele te agride verbalmente. Você demite-o por justa causa, mas a "lei trabalhista" é manca. Só possui a perna do empregado. O empregador não tem onde se apoiar e acaba revertendo o motivo por "sem justa causa" porque não consegue homologar a rescisão; paga 40% de multa do FGTS para ele e 10% para o governo. Ele vai trabalhar na fazenda próxima, sem carteira até que receba todos os salários desemprego. E repete a proeza a cada 12 meses de contrato de trabalho.  Este é o motivo que nos faz desistir.

Paulo Martins

Juiz de Fora - Minas Gerais - Pesquisa/ensino
publicado em 05/12/2011

Olá Aluizio,

Mais do que desabafo, você fez uma reflexão sobre uma situação que não é apenas sua. Todavia, permita-me lembrar que a margem entre o preço do leite recebido pelo produtor e o preço pago pelo consumidor não corresponde ao lucro da indústria ou cooperativa. Alí tem custos de captação, processamento, distribuição e, PRINCIPALMENTE, os impostos e os ganhos do setor varejista, que é a maior parte.   

Estêvão Domingos de Oliveira

Caçu - Goiás - Médico Veterinário - Consultoria/Extensão
publicado em 05/12/2011

Caro Sr. Paulo Martins e demais participantes...

Excelente artigo e muito bons comentários. Parabéns a todos.

Gostaria de relatar uma experiência pessoal e profissional.

Trabalho há 5 anos como consultor de propriedades leiteiras na região de Quirinópolis, Caçu e Cachoeira Alta- GO.  No início de minha experiência profissional aqui na região havia muitas dúvidas sobre qual o primeiro ponto a atuar em uma propriedade leiteira para obter o melhor resultado possível em um curto espaço de tempo. Após algumas experiências mal sucedidas aprendi que o primeiro passo sempre será a avaliação do objetivo do proprietário rural. Se o proprietário tem por objetivo crescer na atividade, se tornar mais eficiente, obter melhor remuneração, todas as outras etapas são fáceis, pois basta utilizar o conhecimento técnico que está amplamente disseminado pela rede de conhecimento existente (internet, revistas, palestras).  O fundamental é o produtor rural ter vontade de melhorar e saber que ninguém é capaz de fazer tudo sozinho. A produção leiteira profissional, assim como todas as outras atividades existentes, demanda assistência técnica competente. O técnico que trabalha com produção de leite deve ser atualizado e sempre estar estudando. Observo muitos profissionais no campo que se comprazem em permanecer quase que somente com o conhecimento obtido durante a graduação e pouco fazem pela sua atualização. Não buscam participar de simpósios ou especializações que são muito comuns atualmente. Como consequência são difundidas por alguns técnicos práticas e metodologias de trabalho que pouco ou nenhum resultado trazem ao produtor no longo prazo.
A falta de vontade do produtor em profissionalizar-se aliada muitas vezes a assistência técnica defasada e pouco competente explica muitas dessas saídas de produtores da atividade leiteira.

A educação continuada dos produtores e dos técnicos que atuam no campo ao meu ver são as palavras chave para manter e melhorar as fazendas leiteiras de nosso país.

Abraços a todos

Paulo Martins

Juiz de Fora - Minas Gerais - Pesquisa/ensino
publicado em 05/12/2011

Prezado Estêvão,

Saber o que o produtor deseja é fundamental. Quantos, efetivamente, querem crescer? Reconhecer que é necessário assistência técnica também é fundamental. Mas, temos de reconhecer que tudo fica obsoleto, principalmente conhecimento e muitos não buscam reciclagem...

LUIS EINAR SUÑE DA SILVA

Goiânia - Goiás - Consultoria/extensão rural
publicado em 05/12/2011

Salve Marcelo
Bom Dia
Como falei ao Paulo, tenho algumas idéias na área de gestão para nosso setor, ocorre que a política e o fraco sistema cooperativo não possuem interesse algum em projetos que venham necessitar de trabalho. Infelizmente.
Cursos pelo Milkpoint, por exemplo, capacitam milhares de técnicos, mas a grande população alvo só é atingida com soluções levadas ao campo, para tanto precisamos de um corpo técnico capacitado e remunerado dignamente. Concorda?
Veja por exemplo o programa Balde Cheio, só funciona mesmo em São Paulo e parte de Minas, pq. necessita parceria com prefeituras por exemplo. Muitos secretários de agricultura,que ali estão por serem homonimos políticos do prefeito, sequer ouviram falar do programa. Sabe qual o valor da parceria do programa com as prefeituras? R$ 1.200,00. Rdículo. Tal assunto ficou muito claro no GoiásLeite agora em outubro.
Na mesma ocasião, o presidente do SENAR-GO tb. apresentou uns 10 técnicos que estavam iniciando no setor, coitados, vc. olhava nos olhos deles e via que miravam para o infinito, como que atônitos com o peso que lhes estavam depositando sobre os ombros. Gente egressa recentemente da universidade, o que podem fazer para salvar um produtor que tira 200 litros e está desmotivado? Consigo te mostrar a gravidade da situação?
Se lhe interessar podemos discutir o plano que tenho para implantar no dia em que uma secretaria estadual decidir seriamente em mudar o perfil do produtor de leite nos estados.
Abraço
Luis Einar

Renato H. Fernandes

Teixeira de Freitas - Bahia - Consultoria/extensão
publicado em 05/12/2011

Caros Marcelo e Paulo,

Não abordei, teoricamente, o caso da saída do leite por opção. Simplesmente, contei o meu exemplo pessoal, cuja realidade é exatamente a que você descreve, Marcelo.

Abraços,

Renato

Carlos Marcelo Saviani

Madison - Wisconsin - Estados Unidos - Diretor Global de Marketing na Genus ABS
publicado em 05/12/2011

Caros Marcelo e Paulo,

Tambem pensei nesta questao dos produtores acima de 200 litros, mas se voce analisar bem o numero de produtores nesta categoria ele reduziu-se a menos da metade mas a producao absoluta continuou quase a mesma (ao redor de 5 bilhoes de litros). Isto e, com uma producao muito maior por produtor o que nos leva a crer que os que estao ficando sao mais profissionalizados ou estao investindo no crescimento do rebanho ou ambos. Se olharmos o relatorio anual da IFCN de 2011, na pagina 85 que fala sobre o Brasil, ele mostra que a populacao de vacas em fazendas com mais de 200 animais saltou de alguns milhares para mais de 2 milhoes de animais, chegando junto da populacao dentro da categoria de fazendas com 70 a 100 vacas. Construcao de rebanho por isso vacas de menor producao media? Mesmo assim alguma coisa nao bate com o relatorio do Censo, principalmentem em funcao dos 28% da producao em 1996.

Outro ponto interessante e que o relatorio da IFCN quebra a categoria de ate 50 animais em duas, de 1 a 10 e de 10 a 50. Vemos que a categoria de 10-50 animais cai vertiginosamente ano apos ano, saindo de 6 milhoes de animais para 4 milhoes, mas a de 1 a 10 vacas cresce ate 2006 e se estabiliza de la ate 2010 em cerca de 10 milhoes de vacas, praticamente metade do rebanho de vacas leiteiras do pais (eles consideram a populacao de vacas de leite em 22,9 milhoes em 2010). A questao e, podemos considerar uma fazenda com uma, duas ou 5 vacas um produtor de leite ou seria mais uma atividade paralela, complementar da fazenda? Acho dificil uma familia sobreviver com este pequeno numero de vacas sem ter outra atividade. Ja visitei inumeras fazendas agricolas ou de pecuaria de corte que tem um pequeno rebanho leiteiro para a subsistencia da fazenda ou para dar uma rendinha extra para os funcionarios. Aqui entram tambem os sitios e chacaras de final de semana, aonde o proprietario tem alguns animais apenas pelo prazer de poder ser "fazendeiro". Isto explicaria por que esta categoria continua existindo e ate crescendo? Poderiamos dizer que acima de 10 animais ja estariamos entrando na categoria de produtores de leite realmente, aonde a complexidade e a dedicacao a atividade aumentam significativamente e aonde a dependencia da lucratividade do leite ja e a principal? Neste caso, analisando os numeros de ambos os relatorios, seria correto concluir que economicamente falando a atividade so e interessante no Brasil em fazendas acima de 50 vacas?

Obrigado e Um Abraco,

Saviani

Guilherme Alves de Mello Franco

Juiz de Fora - Minas Gerais - Produção de leite (de vaca)
publicado em 06/12/2011

Prezados Marcelo e Paulo: Infelizmente, como bem assinalou o Paulo, permaneceremos, por muito tempo, ainda, no hemisfério das hipóteses,em termos de Brasil. Não se deve olvidar, todavia, que a aSsistência técnica massiva e a pesquisa são incipientes em nosso território, ao contrário do ocorre nos Estados Unidos da América, por exemplo. Mas, precisamos iniciar este novo parque tecnológico de informações ou ficaremos cada dia mais longe das evoluções. Acredito que debates como este já são um presságio dos bons ventos que nos levarão ao porto seguro destas análises, que urgem não ser tão futuras assim.
Por lado outro, Marcelo, entendo que a tomada de posição da indústria com relação aos índices mínimos de qualidade tenha sido o maior fomentador desta debandada dos pequenos produtores e, em muitos casos, dos que você considera como "grandes". Muito mais que a assunção de outras atividades, já que, como temos apreendido, nestes últimos cinco anos, produzir em escala e com qualidade tem sido bom negócio.
Com certeza, até 2015, haverá muita mudança neste cenário, principalmente em relação àqueles que - pequenos ou grandes - não se tornarem profissionais.
Um abraço,


GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO
FAZENDA SESMARIA - OLARIA -- MG

Guilherme Alves de Mello Franco

Juiz de Fora - Minas Gerais - Produção de leite (de vaca)
publicado em 06/12/2011

Prezado Carlos Macedo Saviani:  Pedindo licença ao Paulo, gostaria de deixar para você e para aqueles que têm visitado as páginas deste magnífico debate, a certeza pessoal que, com profissionalismo, pequenos rebanhos, de até cinquenta vacas em lactação, podem ser muito mais produtivos e viáveis do que muitos de quinhentos animais ou acima. Em minha propriedade, tenho, em lactação, apenas e tão somente, vinte e oito animais da raça holandêsa, com média de lactação acima de quarenta e cinco litros/animal/dia, e doze, da raça jersey, com média de vinte e cinco litros/animal/dia. Produzo dois mil litros de leite por dia. Todos são puros de origem e não misturo as raças, só os leites produzidos por cada uma das vacas.
Portanto, não é o número de animais que conta, mas, sim, a produção e a qualidade do leite encaminhado à indústria (minha CCS  é 38 e minha UFC 45 - em última análise da EMBRAPA, realizada em 03 de Dezembro de 2011, podendo garantir que tais índices são médios).
Por minha produção, mantenho, há cinco anos, contrato de preço mínimo anual.
Por lado outro, cinco, dez vacas, é muito pouco, mesmo que sejam muito produtivas.
Um abraço,


GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO
FAZENDA SESMARIA - OLARIA - MG

Carlos Marcelo Saviani

Madison - Wisconsin - Estados Unidos - Diretor Global de Marketing na Genus ABS
publicado em 06/12/2011

Caro Guilherme,

Sem duvida resultados tecnicos muito interessantes. Parabens! E quanto aos resultados financeiros? Voce pode abrir qual e a renda liquida media por mes que estes indices lhe proporcionam ou pelo menos a lucratividade % por litro de leite produzido? Voce tem tambem alguma renda extra vindo da venda de animais? 100% do sustento da sua familia vem desta atividade?

Muito obrigado pelas informacoes. E um caso pratico que pode nos ajudar e muito a elucidar a questao do por que ha tantos produtores desistindo da atividade e para onde esse processo vai caminhar.

Um Abraco,

Saviani

Guilherme Alves de Mello Franco

Juiz de Fora - Minas Gerais - Produção de leite (de vaca)
publicado em 06/12/2011

Prezado Carlos Maciel Saviani: Obrigado pelas palavras. Como mantenho contratos de preço mínimo (o que, infelizmente, não é a situação da maioria), possuo uma renda mensal, com o leite, de R$ 18000,00 (dezoito mil reais). Minha despesa beira aos R$ 10000,00 (dez mil reais) por mês e o lucro em torno de R$ 8.000,00 (oito mil reais). De dois em dois anos, renovo o plantel e vendo novilhas de até quinze meses (em torno de vinte),o que me dá uma receita substancial, já que são animais puros, filhos de touros e vacas "top"e que possuem grande valor no mercado . Não sou pecuarista de profissão (mas, sim, de paixão), eis que exerço a Advocacia Trabalhista, sou autor de livros e artigos de Direito do Trabalho, palestrista em Congressos e Simpósios e dou aulas em Universidade.
Todavia, separo bem as atividades e as exerço com independência.
Um abraço,


GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO
FAZENDA SESMARIA - OLARIA - MG

LUIS EINAR SUÑE DA SILVA

Goiânia - Goiás - Consultoria/extensão rural
publicado em 06/12/2011

Dr. Guilherme
Boa tarde
Nestes poucos dias que divagamos sobre a nossa atividade, já tornei-me admirador de sua clareza de pensamentos. Se trabalhássemos com empresários do seu timbre este Brasil do leite teria outros números, acredite.
Deixe-me abusar de sua boa vontade e solicitar a planilha de custos de sua leitaria. Sempre temos discussões no campo e dados como os da sua empresa colaboram muito quando buscamos mudar o foco de nossos assessorados.
Antecipadamente lha agradeço se for possível este favor.
meu mail é einarsune@hotmail.com.
Grande abraço

Guilherme Alves de Mello Franco

Juiz de Fora - Minas Gerais - Produção de leite (de vaca)
publicado em 06/12/2011

Prezado Luís Einar: Obrigado por suas palavras. Há muitos empresários do leite, como eu, no Brasil, felizmente. Acontece que a maioria não o é (rsrsrs). Por isso, as baixas produtividades do nosso rebanho. Com relação à minha planilha de custos, entendo muito arriscado a divulgação deste tipo de informação, já que nenhuma propriedade é igual à outra e as "receitas de bolo", no caso da pecuária leiteira, quase sempre não dão certo. Prefiro permanecer nos números generalizados, menos afensos às interpretações menos rigorosas e, portanto, muito mais tênues. Não há mistérios: aquisição de alimentação o mais barato possível, produção de silagem de milho e plantio sistemático de cana de açúcar, genética, genética, genética e manejo, manejo, manejo (rsrsrs), sem esquecer bons e dedicados funcionários e técnicos competentes. Além disso, estudo, muito estudo, pois somente pode desenvolver um excelente projeto quem está por dentro da atividade a que se propõe executar. Pelo menos, nós tentamos (rsrsrs).
Um abraço,


GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO
FAZENDA SESMARIA - OLARIA - MG

LUIS EINAR SUÑE DA SILVA

Goiânia - Goiás - Consultoria/extensão rural
publicado em 06/12/2011

Valeu Guilherme
Entendo perfeitamente, pretendia apenas ter uma ferramenta a mais na mão para as discussões e demonstrar que alguém ganha dinheiro com leite neste país.
Concordo 100% com os ítens a perseguir par obter os resultados.
Grande abraço

Carlos Marcelo Saviani

Madison - Wisconsin - Estados Unidos - Diretor Global de Marketing na Genus ABS
publicado em 06/12/2011

Excelente discussao! Estou apenas sentido a falta das opinioes contundentes do Clemente. Aonde sera que anda o nosso amigo? Um outro ponto que acredito que devemos levar em consideracao nesta discussao e sobre o qual gostaria muito de saber a opiniao de todos, e sobre o papel das industrias processadores de leite. Todos sabemos que elas gostariam de captar o maximo de leite possivel de um numero o menor possivel de produtores e que estejam o mais proximo possivel da industria. Sem falar no interesse constante pela melhoria da qualidade. Mas ate que ponto o papel delas e ativo neste processo? Se olharmos por exemplo para o setor avicola e compararmos hoje com 40/50 anos atras, ele foi totalmente transformado e a industria processadora teve papel fundamental nesse processo (principalmente com o advento das integracoes). Acredito que milhoes de produtores de frango sairam da atividade e hoje um numero bem menor de granjas, mas com milhares de aves, conseguem ser lucrativas e se manter na atividade. Voces veem o mesmo acontecendo na pecuaria leiteira?  

LUIS EINAR SUÑE DA SILVA

Goiânia - Goiás - Consultoria/extensão rural
publicado em 07/12/2011

Salve Carlos
Li atentamente seu interessante pensamento sobre onde se incluiria a participação das indústrias e captadores de leite no processo de profissionalização e melhor remuneração dos produtores de leite.
Trabalho diretamente ligado a 2 destes e sem querer de maneira alguma defendê-los, deixe-me tecer alguns comentários que acho pertinentes:
- Todos os cursos e treinamentos que que promovemos em ambas as instituições, recebem um público baixíssimo. Explicação: O produtor desde que finaliza sua atividade de tirar leite no turno da manhã, até chegar a cidade resta-lhe pouco tempo para retornar ao turno da tarde, assim muitos preferem não assistir;
- A fidelização dos produtores é muito difícil, pois eles não dependem da ração e da necessidade da venda para um único captador ou fornecedor de insumos, como no caso da avicultura. As vacas são próprias e, se o preço baixar muito ele solta o gado para o pasto, mantém o patrimônio animal, rendendo pouco, mas e daí??
- A genética e nutrição da avicultura teve um salto gigantesco, alavancado pelos integradores. O progresso genético, controle leiteiro, registro de animais nas associações de gado leiteiro é ridículo se comparado com o crescimento possível.
Veja bem, o rebanho brasileiro deve ter hoje 40 milhões de fêmeas, outro dia uma empresa, talvez a líder, comemorava a venda de 3 milhões de doses de sêmem. Se contarmos que para emprenhar uma vaca, usa-se 1,7 doses aprox., vemos que são números ínfimos se comparados á países de pecuária mais competitiva e desenvolvida. No Brasil, somando-se as vendas Leite e Corte, ainda não inseminamos 20% das nossas fêmeas aptas.
Ainda vemos "produtores" usando touro Nelore nas vacas de leite, para baixar custo. Tem técnico ensinando a diminuir o talhe das vacas holandesas para que comam menos, cruzando com raças de porte minúsculo.
Para descontrair, há um ditado na minha região que diz assim: Se um indivíduo não consegue criar Holandesas e é muito orgulhoso para criar cabra, deixa ele criar qualquer raça. Brincadeira!!!
Englobando neste comentário, a pecuária de corte, os índices brasileiros de eficiência produtiva e reprodutiva, onde temos taxa de prenhez ,indices de retorno ao cio, sobrevivência ao nascimento, bezerros por vida útil da vaca, taxas de desfrute, taxa de reposição, uso da IA e por aí vai..... é assustador perceber que nestes 30 anos que labuto na atividade, estes indicadores quase não se moveram positivamente.
Finalizando, volto a ressaltar que do modo que percebo nossa atividade, para se atingir o produtor e transformar seu perfil, mudando-o de patamar produtivo, somente ações corretas de extensão rural que cheguem a fazenda é que podem transformar os números que aí estão, para tanto o poder público deveria se enganjar sériamente, mas acho sinceramente que não presenciaremos tais atitudes. Universidades, técnicos, assessores, consultores e indústria não temos esta força e tampouco verbas para um projeto da envergadura que merece.
Abç

Guilherme Alves de Mello Franco

Juiz de Fora - Minas Gerais - Produção de leite (de vaca)
publicado em 07/12/2011

Prezado Carlos Macedo Saviani: Concordo com você. O Clemente da Silva, a quem aprendi a admirar profundamente durante o magnífico debate que se formou em torno de meu artigo "Leite a pasto e confinamento de gado de leite: o que os técnicos nunca dizem", com suas sempre preciosas intervenções, está a fazer falta neste convívio. Com relação à sua assertiva sobre o papel da indústria neste ecossistema de produção, entendo que o mesmo tende a ser capital, como vem ocorrendo nos últimos seis anos, quando, parece, alguns bons empresários do setor, finalmente, começaram a ver no produtor não um ser a explorar, mas, sim, um parceiro.Tanto é assim que, hoje,  já temos notícia de empresas laticinistas destinando reprodutores de alto padrão a seus fornecedores, financiando, sem juros ou com juros módicos, a aquisição de ordenhas, tanques de expansão, a construção de currais e salas de ordenha, animais, tratores, sementes e tantos outros implementos à produção.  Já temos, pelos bons Laticínios, pagamento por qualidade, cursos de boas práticas de ordenha, disponibilização de Médicos Veterinários e Agrônomos aos produtores, cursos de inseminação artificial, distribuição de sêmen de boa qualidade, financiamento de material para inseminação (botijões, luvas, pipetas, entre outros). Tudo isso vem mudando o perfil do produtor e pode ser um dos pilares para o desaparecimento de muitos e o crescimento de outros tantos. Parece, portanto, que o embrião das integrações de que você fala já está formado: falta nascer a cria. Para isso, é necessário uma radical profissionalização dos pecuaristas de leite, deixarmos de lado a ideia de que a "economia famliar" é o futuro, porque não é. No máximo, rende bons votos aos políticos. O futuro é a empresa, com empregados, tamanho e produção. O futuro é uma Agrindus S/A, do Roberto Jank Júnior e, não, o sítio da "Vovó Benzica", com suas vaquinhas pintadas que não dão leite, ordenhadas pelo "Vovô Zezé", com seus reumatismos e dores de coluna. O futuro, finalmente, depende só de nós.
Um abraço,


GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO
FAZENDA SESMARIA - OLARIA - MG

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