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Qualidade, produtividade, profissionalismo, mas ainda tem o leite na beira da estrada.

Por Roberta Züge - postado em 18/08/2014

2 comentários
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 A Agroleite é uma feira distinguida pela exposição de tecnologia para a cadeia leiteira. O evento acontece anualmente em Castro, município que é reconhecido pela sua grande produtividade na pecuária de leite. Também tem como foco a apresentação de animais de grande potencial genético, além de ser uma grande vitrine para as diversas vertentes que compõem o agronegócio, não somente do setor lácteo.

É organizado pela Cooperativa Castrolanda, e, na semana do evento, são também realizados seminários, fóruns, e painel para se discutir genética, alimentação, qualidade animal, qualidade do leite e tecnologias voltadas ao setor lácteo. No entanto, existe espaço para agricultura, suinocultura e ovinocultura, que são importantes setores produtivos que compões à cooperativa.

Assim, devida a esta amplitude, é recorrente que receba visitantes de várias partes do Brasil, e, também, de estrangeiros, principalmente de países vizinhos à região sul do Brasil. Nesta ultima edição, pude organizar visitas, para um grupo de produtores e técnicos oriundos do Distrito Federal e entorno, o programa era parte de uma Missão Técnica coordenada pelo Sebrae-DF em colaboração com a Emater da região. Além da visita à famosa feira, o grupo queria conhecer propriedades leiteiras, pois a fama de muitas delas são amplamente divulgadas em diversas mídias. Este grupo era formado por produtores, técnicos e representantes de laticínios.

O grupo do DF e entorno no Moinho, no centro da Cooperativa Castrolanda




Com isto, de modo a otimizar o pouco tempo, foi feita uma agenda que pelas manhãs seriam dedicas às propriedades e a tarde à feira. Com a chegada do grupo somente na quarta à noite, tinha-se que correr para atender às expectativas. Até o sábado, a caminho do aeroporto, seria aproveitado para visitar outra propriedade.
Na quinta-feira, logo pela manhã, encontrei o grupo em Ponta Grossa, afinal o setor hoteleiro de Castro não comporta a imensa demanda do período da feira, e partimos em direção a Castro. Lá seria visitado a Fazenda Santa Cruz, a Arm Genética, do produtor Armando Rabbers, pecuarista bastante conhecido por ser o pioneiro, na América Latina, em introduzir um sistema de ordenha robotizada.

Visitantes na Arm Genética


Como esperado, pois a propriedade além da tecnologia, é extremamente bem organizada, possui uma área de recepção, para visitantes, muito agradável, na qual salta aos olhos a dedicação às vacas leiteiras, pois a decoração é digna de uma galeria de arte, além disto,  é regado ao espirito hospitaleiro e gentil do casal Rabbers, causou um forte impacto aos visitantes do DF. A produção de leite é recente, foi iniciada em 2007, com poucos animais originados da Harm, do Lucas Rabbers, que além de ser irmão do Armando, é um conhecido criador, que na Agroleite de 2013, ganhou as três categorias do torneiro leiteiro.

Na Arm Genética, os visitantes puderam elucidar dúvidas e perguntar abertamente como foi implantado o processo robotizado, a história da propriedade, os índices produtivos e conhecer os passos e as demandas para este incremento de produção. Afora apreciar o trabalho do robô e a tranquilidade com que as vacas se dirigem à ordenha.

No período da tarde, após um almoço no Moinho, estrutura típica da Holanda, o grupo pode desfrutar a feira. Lá conheceram as novas tecnologias, equipamentos, animais e diversos outros elementos que compões o agronegócio, especialmente do setor lácteo.

Na saída desta, no caminho para Ponta Grossa, uma parada foi realizada em Carambeí, município localizado entre Castro e Ponta Grossa, que é sede de outra famosa cooperativa, a Batavo, que também possui forte imigração holandesa e, do mesmo modo, concentra muitas e boas propriedades leiteiras. Mas, a parada foi gastronômica, na Frederica's Koffiehuis, uma conhecida casa de tortas, tanto de doces quanto de salgadas, local em que qualquer regime foi esquecido.

No dia seguinte, logo cedo, afinal leiteiro desconhece o que é acordar tarde, o grupo saiu de Ponta Grossa novamente para Castro, agora com destino à Fazenda Rhoelandt, também de um Rabbers, o Ronald, produtor de leite que possui uma imensa experiência, com perfil inovador e contestador, que busca novos conhecimentos e ousa na produção. Neste dia, o frio resolver mostrar a cara, quem não estava bem agasalhado pode conhecer, intensamente, a temperatura que as vacas holandesas almejam para seu dia-a-dia. Na visita, que percorreu todos os setores da produção, durante todo o tempo que o grupo permaneceu lá, o produtor Ronald Rabbers, explanou sobre a propriedade, começando pela colonização, a imigração dos primeiros holandeses no município, a criação da cooperativa, o início da produção e como alçaram tal patamar.

Fazenda Rhoelandt


Novamente, do mesmo modo que seu primo Armando, o Ronald conquistou os visitantes, pela sua simpatia, conhecimento e dedicação à fazenda. E, sobretudo, pelo padrão genético que suas vacas possuem e as tecnologias que são utilizadas, aliadas a qualidade que o leite se apresenta, o que tornou o rebanho uma referencia nacional.

Animais da Fazenda Rhoelandt


Igualmente, no período vespertino, o grupo voltou à feira, lá puderam assistir aos julgamentos de raças, visitar os stands e, neste ano, conhecer a Vila Holandesa, um centro comercial do agronegócio, com arquitetura forjando a estrutura da Holanda. Mas, ainda era sexta-feira. Apesar de a Agroleite ter finalizado, havia ainda o sábado.

Assim, após as malas prontas e o grupo “amuntado” na van, a partida foi em direção à Curitiba, mas antes havia outra parada, agora na Colônia Witmarsum. Diferentemente das cooperativas Castrolanda e Batavo, que foram formadas por imigrantes de origem holandesa, Wimtarsum, que está no município de Palmeira, foi concebida por um grupo de alemães de origem menonita, que mantém fielmente suas tradições e costumes. A cooperativa tem se destacado pela produção de queijos finos, que são muito apreciados pelos amantes de vinhos, os gourmets e os apreciadores de uma boa mesa.

Os queijos que foram para as mesas dos visitantes do DF.


Antes da chegada à propriedade, foi feita uma breve parada no centro da colônia, local que aos sábados há uma pequena feira de produtores, que comercializam doces, tortas, compotas, farinhas e vegetais que são produzidos ali mesmo nas propriedades da colônia. O forte sotaque não foi empecilho para a negociação, novamente os prazeres sensoriais se fizeram marcantes. Neste local, como uma coincidência divina, um ex-diretor da Cooperativa Wimtarsum, Arthur Sawatzky, que foi o idealizador da produção dos queijos finos, encontrou o grupo durante as compras, lá mesmo, informalmente, como um grupo de escoteiros ouvindo seu chefe, ele foi sabatinado pelos produtores. Calmamente, ele respondeu às diversas dúvidas, quase todas referentes ao sistema cooperativismo. Conceito que ainda patina em outras regiões do Brasil, mas que muito catapulta o agronegócio paranaense.

Na colônia Witmarsum

Já atrasados para a visita da Chácara Cristalina, mas muito satisfeitos com a conversa sobre o sistema cooperativo, o integrantes do DF partiram para a derradeira propriedade. Visitamos Egon Kruger, outro produtor, com décadas de história leiteira, que já fez animais excelentes, ganhou prêmios e títulos com suas vacas holandesas, como a primeira vaca holandesa brasileira a receber classificação internacional Excelente 95 (EX 95), mas que inesperadamente, há 3 nos, vendeu todos os seus animais de uma só vez, pois os problemas de saúde, aliada a dificuldade de mão de obra, não permitiam que ele realizasse a ordenha e as atividades rotineiras do leite. Apesar disto, como uma fênix, ele reconstruiu seu rebanho, agora com uma nova formatação de trabalho, formando uma parceria com outro produtor. Hoje produz mais de 1.400 litros dias, com 53 animais em lactação, sendo 42 primíparas. Demonstrando que profissionalismo impera na Chácara Cristalina.

Animal da Chácara Cristalina

Depois desta ultima visita, com os estômagos já avisando a hora do almoço, a van aportou em um restaurante típico dentro da colônia. O Bauernhaus, claro, de um alemão, que serve joelho de porco, ou de forma mais elegante: Eisbein, entre outras iguarias, de origem germânica ou não, mas que são fartamente servidas em um ambiente bem pitoresco.

Restaurante Bauernhaus



Após a visita gastronômica, a partida para o aeroporto foi imediata, lá o avião não iria esperar os visitantes. Mas, em 2015 eles deverão voltar....

Em contraste a toda esta “civilização láctea”, na semana seguinte estava em outra região, há poucas centenas de quilômetros de Castro, rumo à outra atividade de consultoria de qualidade, passei na estrada e vi uma garrafa pet, parada às 7h da manhã, parcialmente revestida de papel alumínio, mimetizando um tarro, contendo “leite”, e aguardava ser recolhida. Sim, somos simultaneamente a Índia e a Bélgica, também no leite.


O "leitinho"




Algumas fotos da missão são de Flávia Lage, médica veterinária da Emater-Df. 
 

 

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Opinião

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Comentários:

Kenio Patrick Aza

Piuí - Minas Gerais - Consultoria/extensão rural
publicado em 19/08/2014

Belíssimo texto.

É isso que nós, técnicos vivemos todos os dias. muitas das vezes o contraste ocorre no mesmo dia. Visitamos a Bélgica de manha e a Índia a tarde. Isso tudo misturado forma um Brasil....

renato calixto saliba

Brasília - Distrito Federal - Produção de leite (de vaca)
publicado em 20/08/2014

Eu, RENATO SALIBA fui um dos felizardos desta missão. Estive duas vezes na Nova Zelândia e fiquei impressionado nas duas vezes pela organização da cadeia de leite daquele País. Tem cooperativas fortes, produtores que tem LUCRO. Quando estive agora em Castro PR nesta missão tive a grata surpresa de ver que a região sul do Brasil não deve nada para a Nova Zelândia. A cadeia produtiva do Leite é muito bem organizada, boas Cooperativas e produtores de leite altamente tecnificados, animais de alta produção, alimentação de alto valor nutritivo e preços justos, portanto a atividade da LUCRO. Acredito que tudo isso só funciona é porque o PRODUTOR DE LEITE seja grande ou pequeno ele esta a frente do seu negócio. Portanto profissionalismo é a palavra chave junto com o COOPERATIVISMO. No agronegócio não tem lugar para o amadorismo. Ninguém pode se dar ao luxo de ter uma propriedade rural sem que ela dê lucro. Quem quiser produzir tem que ter assistência técnica e um projeto. Valeu a pena está missão. Quero agradecer aos produtores que abriram as suas propriedades para nos receber. Agradecer também ao Carlos (SEBRAE) e a Flávia Lage(EMATER/DF) pela organização da missão, que diga-se de passagem foi  perfeita. Gostaria de destacar o profissionalismo da ROBERTA ZÜGE,  que escolheu e foi muito feliz nas escolhas das propriedades e dos produtores que visitamos. Também mostrou que tem conhecimento dentro da atividade. Fui uma missão enriquecedora, onde saímos melhores do que entramos. PARABÉNS!!!!!!
OBS: Aos companheiros de missão obrigado pelos bons momentos que passamos
Forte abraço
RENATO SALIBA

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