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A "babel" da comunicação com o produtor de leite da Região Sul

Por Paulo R. F. Mühlbach - postado em 06/09/2012

 

Frequentemente, flagro-me a pensar sobre o que se processa na cabeça do produtor de leite diante da diversidade de informações sobre sistemas de produção, tecnologias, métodos, legislações, inovações, insumos, etc. que lhe são repassadas através dos vários meios de comunicação, extensão rural e assistência técnica, atualmente disponíveis àqueles produtores de leite profissionalizados e mais interessados.

Essa heterogeneidade e complexidade é até natural que exista, face às condições de desenvolvimento do setor leiteiro ainda vigentes num país de dimensões continentais, em comparação com outras regiões do planeta, também grandes produtoras de leite, onde estrutura fundiária, infraestrutura geral, origens culturais e étnicas, tradição, hábitos alimentares, etc. estão mais consolidados e melhor definidos.

Apesar do dito que a unanimidade é burra e que das discussões e divergências poderão advir soluções para os mais variados problemas, há situações já melhor definidas no setor produtivo da Região Sul, em que a experiência e os conhecimentos técnicos existentes clamam por um consenso, com o intuito de queimar etapas, evitar desperdícios e, principalmente, facilitar a vida do produtor de leite. Posso me referir aqui ao sistema de produção de leite da colônia holandesa da região dos Campos Gerais, PR, o qual pode servir de modelo para várias outras microrregiões sulinas.

Quanto às incongruências, são, no mínimo, de “causar espécie” certas atitudes de dirigentes do âmbito de governo regional e de órgãos da classe, em romaria ao estrangeiro, alegadamente na busca de tecnologia de produção. Por exemplo, cito as frequentes viagens à Nova Zelândia, país de clima tipicamente temperado, porém de exploração leiteira exclusivamente sazonal (a qual, incontestavelmente, lhe é perfeitamente adequada), quando aqui reclamam dos prejuízos da estacionalidade da produção, que teima em persistir e para a qual a “receita” neozelandesa em pouco poderia contribuir.

Ou, causa estranheza, quando autodenominados líderes do setor vão buscar “genética” em países de produção leiteira inexpressiva, com rebanhos de produtividade medíocre. Ou, ainda, quando dirigentes do setor industrial lançam críticas pela imprensa pelo fato do produtor ter o “mau hábito” de alimentar suas vacas leiteiras com milho e farelo de soja (subentendendo-se que a vaca esteja sendo alimentada como um suíno ou uma ave), sem o emprego de alimento volumoso.

Também não são raras as alegações de dirigentes da indústria sobre um elevado custo de produção do leite, supostamente decorrente de insuficiente produção de leite a pasto, enquanto que durante a última estiagem na Região Sul, com todas as pastagens esturricadas, choveram críticas em relação à insuficiente disponibilidade de milho, armazenado na forma de grão ou conservado na forma de silagem.

Acho até que o produtor de leite não “esquenta” muito com isso, afinal, pelo fato de conviver permanentemente com as atribulações da atividade, já é suficientemente “curtido”, devendo ter assimilado uma índole e tolerância toda especial.

Porém, quem é do meio técnico e procura manter uma empatia pelo setor de produção, sente-se frustrado com tais incoerências e estultices. A meu juízo a causa de muitos desses fatos é consequência da fragilidade das direções técnicas das entidades de classe e governamentais perante seus superiores leigos, indicados por razões meramente políticas. Ou seja, não há a devida meritocracia em determinados quadros e comandos das ações em prol do desenvolvimento da pecuária leiteira.

Decisões são tomadas para atender interesses políticos, sem uma consulta aprofundada aos diferentes segmentos de apoio (ensino, pesquisa e extensão rural) também envolvidos com produção leiteira. Ademais, não posso acreditar que não exista um quadro técnico suficientemente competente para as assessorias necessárias.

Contudo, ultimamente, dirigentes das indústrias de laticínios do RS vem externando manifestações em favor da instalação de uma Embrapa em Produção Leiteira, voltada às condições da Região Sul, (link: http://www.milkpoint.com.br/cadeia-do-leite/giro-lacteo/rs-governo-e-industrias-planejam-criar-instituto-para-promover-o-leite-gaucho-80431n.aspx) o que considero acertado.

Nada mais justificável, pois a Região Sul, com sistemas de produção mais intensivos, solo e clima favoráveis, ausência de canaviais, com propriedades com mais emprego de mão de obra familiar e rebanhos de maior produtividade está a caminho de tornar-se a maior produtora de leite do País.

Se isso está ocorrendo “ao natural”, em que pese a ausência de um órgão coordenador realmente competente, o que dirá se pudermos contar com tal entidade específica.

Caso venha a ser concretizada, fica a grande expectativa que a instalação desta Embrapa Leite Região Sul se localize na região que concentre a população de produtores de leite mais vocacionados, mais significativos e representativos do todo.

Fica, também, a esperança que, além de uma pesquisa aplicada integralmente voltada às reais necessidades do sistema de produção mais representativo, haja também uma coordenação geral da pesquisa no setor e o conhecimento gerado chegue efetivamente ao campo, numa linguagem homogênea e acessível e, principalmente, através de demonstrações práticas.

Vamos ver o que poderá acontecer.
 

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Comentários:

João Walter Dürr

Uppsala - Uppsala - Suécia - Pesquisa/ensino
publicado em 10/09/2012

Prezado Paulo.
Me alio às tuas confabulações, já que por tantos anos militamos na mesma ingrata batalha! Teu diagnóstico é típico de uma cadeia produtiva jovem, de crescimento acelerado e sem tempo para que uma cultura de produção pudesse ser estabelecida. Quanto a investimentos estratégicos no setor, mais do que novos centros de pesquisa creio que o setor leiteiro precisa de uma organização que congregue produtores em torno de serviços de coleta de dados de manejo e assistência técnica, nos moldes dos DHI americanos. Não existem organizaçöes de produtores no Brasil com foco na produção (algumas associações de raça tentam fazer isso, mas não é o seu mandato). Somente com uma base de dados consistente vai ser possível mudar a cultura leiteira no Sul e no resto do país. Até mesmo dos políticos!
Para encerrar, esqueceste de mencionar a falta de comprometimento das indústrias de laticínios com o desenvolvimento consistente do setor produtivo, o que me parece ainda mais grave do que a desinformação dos políticos.
Saudações da Suécia!

Paulo R. F. Mühlbach

Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Consultoria/extensão
publicado em 10/09/2012

Prezado João Walter,

Muito obrigado pelo apoio e comentários complementares, tão pertinentes.
Tu és um exemplo de como o setor leiteiro do País deixa escapar para o estrangeiro um técnico de escol e  grande e meritório conhecimento.
Menos mal, que a Intebull esteja em tão boas mãos.
Até quando o setor leiteiro nacional vai continuar perdendo, por falta de lideranças competentes?

Eder Ghedini

Tapejara - Rio Grande do Sul - Médico Veterinário.
publicado em 10/09/2012

Dr. Paulo, seu ponto de vista espresso nesta matéria é a dura realidade da atividade leiteira no RS principalmente. Cito-lhes onde recentemente em uma feira voltada para a atividade, durante uma discussão por membros envolvidos com o setor, um destes colocou na oportunidade sua passagem pela China onde desenvolveu e concluiu seu curso de pós doutorado, citava este o crescimento da produção chinesa com números de dar inveja, onde em questão de poucos anos este povo triplicou sua produção de forma organizada. Colocou este professor ainda que se um país realmente almeja tais índices estes podem sim ser buscados, mas nosso país como colocastes busca um crescimento de forma desordenada e mal orientada e desta forma continuará "remando" de um lado só da canoa.
Cito lhes ainda que durante visitas técnicas que realizei junto a um laticínio da região, pude perceber uma realidade bem ruim no que se refere  a forma como é conduzido a atividade por parte dos produtores, estes por sua vez carentes de informação técnica idônea e voltadas realmente para que exista uma simbiose entre os elos produtivos. A picaretagem anda mais que notícia ruim!
Farei agora mensão ao último parágrafo escrito pelo Dr. João Walter onde penso que,
as indústrias não fazem a sua parte porque os órgãos fiscalizadores estão corrompidos, assim como a política no país, existem sim mensalões, troca de favores, caixa 2....... tudo em prol da produção e não da qualidade, além do favorecimento pessoal e não coletivo!
Forte abraço Dr. Paulo e Dr. João Walter.

Vivian Fischer

Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Pesquisa/ensino
publicado em 10/09/2012

Olá Paulo, oportuna a tua consideração sobre a enorme diversidade existente por aqui nos sistemas de produção. Questiono porém a  necessidade da insta~lação de "mais" uma embrapa votlada à pecuária leiteira no RS. Temos duas embrapas (Pelotas e Bagé) com rebanhos leiteiros, e na eterna luta pela obtençaõ de recursos, Precisareos de uma terceira embrapa?
abraços

Paulo R. F. Mühlbach

Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Consultoria/extensão
publicado em 10/09/2012

Prezado Eder,

Agradeço pela participação e pelas informações prestadas. De fato, há, ainda, muito por fazer, pelo menos estamos saindo do estado de inércia.
Saudações

Paulo R. F. Mühlbach

Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Consultoria/extensão
publicado em 10/09/2012

Olá Vivian,

Não refuto teu questionamento e não duvido que as Embrapas de Pelotas e Bagé tenham dificuldades na obtenção de recursos para a pesquisa em produção leiteira.
Todavia, desta vez, manifesta-se explicitamente a iniciativa privada na demanda de resultados para esse setor de produção.
Talvez, Pelotas e Bagé, mais voltados para a economia e características de seu entorno geográfico, não tenham conseguido demonstrar ainda como seus programas de pesquisa atenderiam às demandas daquele produtor leiteiro mais típico e representativo da Região Sul, situado em outras macrorregiões, no caso do RS, no noroeste do estado.
Sabe-se lá se todo esse interesse das indústrias de laticínios não venha a ser  ratificado com um significativo aporte de recursos para a pesquisa solicitada.
Vamos aguardar o andar da carruagem.

Valfrido Tomaz Curvelo

Bom Conselho - Pernambuco - Produção de leite (de vaca)
publicado em 11/09/2012

Dr. Paulo parabéns pelas suas colocações tão claras e objetivas. Concordo plenamente  que devemos buscar modelos produtivos próprios para cada Região. Cito o exemplo do Nordeste que tenta adotar modelos europeus, americanos, etc., quando temos condições totalmente diversas, com luminosidade e temperatura constantes, além de forrageiras capazes de produção o ano inteiro, como a Palma Forrageira-ótima fonte de energia- que pode ser armazenada no campo, onde continua crescendo por anos até sua colheita
Ainda, fontes de proteínas como a leguminosa Leucena , o  Guandú,  entre outras. Também a Moringa oleiféra capaz de fornecer até 800 t/Ha ano de matéria natural ,riquíssima em proteína, e nada disto é estimulado com a devida veemência. Várias gramíneas que têm a bicaracterística de fenarem naturalmente no campo, e continuamos a produzir em dependência do farelo de soja e milho, que não produzimos e  dos armazéns que a as comercializam com mais de 30% de preço, devido ao alto custo de transporte das regiões produtoras. Ou estabelecemos modelos regionais próprios ou não iremos a lugar nenhum.

Guilherme Alves de Mello Franco

Juiz de Fora - Minas Gerais - Produção de leite (de vaca)
publicado em 11/09/2012

Prezado Paulo R. F. Mühlbach: Parabéns pela análise que, ainda que setorizada, aplica-se à quase totalidade do território nacional. O cerne da questão é o que informou o Dr. João Walter Dürr - "a falta de comprometimento das indústrias de laticínios com o desenvolvimento consistente do setor produtivo". O que temos verificado, em nossos constantes estudos sobre o mercado produtivo de lácteos brasileiro, no qual estamos, irremediavelmente (rsrsrs) inseridos, é que, com raríssimas exceções, os laticÍnios pátrios não dedicam nenhuma forma de incentivo aos seus fornecedores, para que os mesmos adotem as tecnologias necessárias, envidando esforços no sentido  de  que este desenvolvimento setorial tenha lugar. A relação entre indústria e fornecedor é predatória, na direção de que àquela pouco importam as dificuldades que este esteja enfrentando para produzir com qualidade e quantidade suficientes e obter uma mínima margem de lucro. Esquecida de que se as porteiras se fecharem, a falta e matéria prima consistente fará, também, em efeito cascata, que as suas tenham que ser baixadas. A indústria laticinista nacional tem navegado por mares revoltos, tendo por combustível o sangue daqueles que a mantêm na rota (seja ela de progresso ou de colisão). Esta mentalidade é tal qual a do Governo Federal que, apesar de possuir evidências, as mais seguras, da importância da pecuária leiteira para sua balança comercial e para seus "projetos sociais", não impede a importação desenfreada nem que a "exploração do homem pelo homem" continue atuante no mercado, não cria linhas de crédito realmente acessíveis aos pequenos.
Isto nos faz - até mesmo - torcer para que um técnico da estirpe do João Walter Dürr continue onde se encontra, para não ter que voltar ao Brasil e ficar ou decepcionado com o quadro aqui reinante, ou desempregado, por ausência total de competência dos gestores da indústria e do País. Por isso, se me permite, um conselho ao João - fique por aí, onde você, tenho certeza, tem grande valor.
É duro um profissional da cadeia produtiva do leite como eu ter que externar este tipo de sentimento, mas asseguro, ainda, que tenho inveja daqueles que estão trabalhando e produzindo em lugares onde são respeitados, pois, aqui, fazem questão de nos dizer que não nos reconhecem.
Finalmente, de nada nos adiantará aumentar o número das unidades da EMBRAPA GADO DE LEITE (temos uma aqui em Juiz de Fora) se as pesquisas tão importantes por ela realizadas não chegam aos produtores que, como eu, têm que se virar para trazer subsídios de outros povos, outros mundos, outras visões e aplicá-los em território nacional, se quiserem sobreviver.  
Parafraseando o Eder Ghedini, "a picaretagem anda mais que notícia ruim, enquanto a ciência, a evolução estão estagnadas". Uma pena, poderíamos ter um futuro brilhante, mas o que se vê é o fundo negro do poço.
Um abraço,

GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO
FAZENDA SESMARIA - OLARIA - MG
=HÁ SETE ANOS CONFINANDO QUALIDADE

João Walter Dürr

Uppsala - Uppsala - Suécia - Pesquisa/ensino
publicado em 12/09/2012

Caro Guilherme.
Agradeco as palavras elogiosas. Gostaria e acrescentar alguns pontos à essa reflexão.
Primeiramente sobre a questão de "fuga de cérebros", a qual fui associado por ti e pelo Paulo. Creio que há duas dimensões desse fenômeno, aquela em que o profissional altamente qualificado se vê obrigado a buscar colocacão do exterior por absoluta falta de condicões de trabalho no país de origem e também aquela em que o país conquista a posicão de exportar profissionais para ocupar posicões estratégicas em nível internacional. O fato do diretor geral da FAO ser brasileiro, por exemplo, é uma conquista e não uma perda de talento. Eu mesmo ocupo uma posicão de influência global na área de genética leiteira por ter aproveitado uma grande oportunidade profissional, não realmente por estar impossibilitado de atuar no Brasil. O que se tem a lamentar, talvez, seja o pouco que podemos fazer pela insercão internacional do Brasil em funcão da falta de infraestrutura da cadeia nacional. Estamos logrando exito, por exemplo, em inserir a Argentina e o Uruguai nas avaliacões genéticas de touros internacionais do Interbull, justamente por estes países possuirem uma cultura leiteira mais sedimentada e,consequentemente, melhores fundamentos estruturais, como a adocão do controle leiteiro centralizado e provas de touro representativas. Mantemos tambem estreito contato com pesquisadores da Embrapa Gado de Leite para inserir o Brasil no Interbull, os quais vem fazendo um esforco heróico para criar as condicões necessárias.
Tudo isso está relacionado com essa falta de uma cultura leiteira no país, que explica também a falta de comprometimento (falta de visão, eu diria) de boa parte dos laticínios brasileiros. A falta de cultura comeca pelo consumidor, que abre mão do direito de consumir um produto mais seguro e nutritivo por não saber diferenciar entre um produto lácteo de alta ou baixa qualidade.
Mas como tenho dito em diferentes ocasiões, às vezes perdemos a paciência com a realidade que nos cerca, mas se olharmos com atencão para trás veremos que há vários sinais de que nosso esforco tem produzido mudancas e vale a pena continuar tentando!
Um abraco.

Diego Zeni

Ibirubá - Rio Grande do Sul - Médico Veterinário
publicado em 12/09/2012

Prezado Paulo !
Parabéns pela matéria.
A muito tempo eu não lia nada que demonstra-se algo tão parecido sobre o que eu penso a respeito de sistemas de produção leiteira no Brasil, principalmente no RS. O que geralmente é apresentado, são matérias que defendem um sistema de produção onde a produção diária dos animais, não paga a conta, pois as vezes chega a ser menor do que uma "cabrita" produz.
A respeito da instalação de mais uma EMBRAPA no RS, eu concordo com essa necessidade, pois sei que pesquisas são muito importantes, mas precisam ser bem aplicadas,  ao sistema produtivo que REALMENTE produz leite no RS, (Noroeste do estado).
Mais uma vez parabéns pela matéria !!!

Guilherme Alves de Mello Franco

Juiz de Fora - Minas Gerais - Produção de leite (de vaca)
publicado em 13/09/2012

Prezado João Walter Dürr: É justamente isto o que acontece - os profissionais de escol têm que deixar o Planeta Brasil para terem reconhecimento em outras paragens, como foi o seu caso e o do Diretor Geral da FAO e o de tantos outros compatriotas, muito mais do que "condições de exportar profissionais", já que estas não possuímos, muito pelo contrário, os que vão, como você, nos fazem enorme falta.
Outro aspecto é o subdesenvolvimento tecnológico da produção leiteira nacional, que impede, justamente, "a inserção internacional" do Brasil. Só para você ter uma ideia básica disso, diversas metodologias que meu Gestor Operacional (Holandês, com Mestrado e Doutorado na Espanha, e experiência profissiona em Israel - coitado, veio parar no Brasil, rsrsrs) adotou no manejo de minha propriedade, que seriam comuns em outras paragens do Globo Terrestre, aqui causam espécie sempre que as divulgo.
É complicado. Mas, sinceramente, espero que, em um dia bem próximo, possamos estar, pelo menos, no estágio intelectual de nossos irmãos sulamericanos e possamos parar de pensar em leite a pasto e adotar sistemas mais tecnificados e produtivos, retomando o caminho do real desenvolvimento, cientes que produzir leite não é só ter volume (1000, 2000, 13000  quilogramas/dia), mas, também, eficiência.
Talvez, como aliás, tudo aqui no Brasil, nossos netos...
Um abraço,

GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO
FAZENDA SESMARIA - OLARIA - MG
=HÁ SETE ANOS CONFINANDO QUALIDADE=

Paulo R. F. Mühlbach

Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Consultoria/extensão
publicado em 13/09/2012

Prezado Valfrido,

Agradeço pela participação com suas interessantes declarações, que muito bem demonstram a heterogeneidade de sistemas e tecnologias possíveis em produção leiteira no Brasil.

Cabe ao corpo técnico processar essa diversidade e orientar seus assistidos sobre a tecnologia mais adequada na sua região de atuação, para evitar a "babel" de informações entre os produtores de leite.

Paulo R. F. Mühlbach

Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Consultoria/extensão
publicado em 13/09/2012

Prezado Diego,

Muito obrigado pela participação e vamos torcer pela destinação racional dos escassos recursos do erário público para a pesquisa agropecuária e, quando  pertinente, exercer nossa cidadania no monitoramento da sua aplicação.

Paulo R. F. Mühlbach

Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Consultoria/extensão
publicado em 13/09/2012

Prezados Guilherme e João Walter,

Registro minha satisfação por tê-los atraído com meu artigo, de modo a suscitar esse interessante debate.

Muitas vezes, estando de fora, podemos observar melhor certos contextos e o fato lembrado pelo João, com respeito à "cultura leiteira" ainda incipiente num mercado local de 190 milhões de potenciais consumidores de laticínios, mereceria mais considerações.

Pergunto-me do porquê que nos países de colonização britânica, por exemplo, a produção leiteira evoluiu mais rapidamente do que nos países de colonização ibérica?

Talvez, pela razão de que em Portugal e Espanha não exista aquele inverno rigoroso, com prolongada necessidade do confinamento total dos animais, criando este vínculo muito próximo entre a vaca leiteira, que continua a alimentar seu tratador, o qual, em troca lhe garante a sobrevivência dando-lhe o abrigo, antigamente, praticamente debaixo do mesmo teto.

Acho, que, pelos menos em parte, isso tem a ver com nossa realidade brasileira.
Mas é uma teoria.

P.S.: há, como sempre,  exceções: a cultura açoriana de produção leiteira, recurso natural de grande importância para sobrevivência naquele arquipélago isolado no Atlântico. Na Califórnia os produtores leiteiros de descendência açoriana são mestres na atividade.

César Alberto Coutinho

Nova Prata - Rio Grande do Sul - Revenda/ distribuição de produtos para a produção
publicado em 17/09/2012

Prezado Prof. Paulo

Tuas observações são muito pertinentes, e sempre as utilizo como fonte para passar em frente, pois nossa experiencia de 30 anos à campo, demonstra que, ainda existe muita falta de informação ao produtor, e sim uma preocupação de sempre ocupar espaço dele, tirando cada vez mais.
É evidente que notamos um movimentos do mercado controlador, principalmente dos laticínios, de tornar a atividade leiteira da mesma maneira que integrações de suinos e aves, monopólios comerciais, isto pode prejudicar, e muito a atividade, num futuro próximo, não ha preocupação em fornecer extensão rural no verdadeiro sentido da palavra, que falta, mais sim, buscar cada vez mais leite, a um sacrificio maior de quem produz.

At

Coutinho - Veterinário..   

Guilherme Alves de Mello Franco

Juiz de Fora - Minas Gerais - Produção de leite (de vaca)
publicado em 18/09/2012

Prezado Paulo F. R. Mülbach: Não acho que tenha muito a ver com colonização, mas, sim, com interesse. No caso do Brasil, atividades como a pecuária de leite estavam colocadas em plano abaixo do terciário, eis que o que importa ao colonizador, na época das grandes navegações (seja qual for o povo que o compusesse), era a exploração das riquezas naturais (ouro, pedras preciosas, madeira, especiarias), tudo o mais sendo mero meio de subsistência dos que para aqui eram destinados. Destarte, a necessidade da criação de gado de leite em nossas terras, vinculava-se, apenas e tão somente, ao alimento, sem outras conotações comerciais.
Outro aspecto que se pode levar em conta é o período de imigração estrangeira (italianos, japoneses, alemães) que, a princípio, não detinham interesse na pecuária, voltando-se muito mais para a agricultura (aliás, muitos vieram para laborar nas lavouras de café).
Todos estes ciclos, talvez, tiveram muito mais importância do que, propriamente, a colonização inicial e podem ter interferido consistentemente no futuro da pecuária leiteira nacional. Note-se que a chegada dos imigrantes holandêses ao Paraná é que representa o marco inaugural do desenvolvimento da pecuária de leite na região de Castro. Tudo porque este povo já detinha o conhecimento na criação de gado leiteiro, há anos, e não vieram como exploradores, mas, sim, em busca de melhores condições de vida.
Quanto ao subdesenvolvimento tecnológico dos produtores pátrios este se deve ao pouco interesse dos Governos, que preferiram deixar o campo na ignorância, sob a égide do princípio de que os desaculturados são mais bem manipulados que os detentores de sabedorias multiplas. Tanto é assim que, até nos tempos hodiernos, ainda verificamos pouco incentivo à pesquisa, ao divulgar das diferentes experiências, à prática de novas fronteiras de conhecimento agropecuário, com as entidades às quais foi deferida a condição de desenvolvimento da agropecuária apenas sobrevivendo, a duras penas, em face da escassês de recursos a elas destinadas, como é o caso da EMBRAPA, muito embora tenhamos profissionais os mais gabaritados do mundo, como é o seu caso, o do João Walter Dürr e do Paulo Martins (EMBRAPA GADO DE LEITE - Juiz de Fora - MG)  e, tantos outros que, se formos citá-los, gastaríamos mais de três "posts" só neste intento (rsrsrs).
Finalmente, os Uruguaios, os Chilenos e os Argentinos, mestres sulamericanos na criação de gado leiteiro, foram colonizados pelos Espanhóis, muito embora saibamos da importância para a pecuária leiteira de lá das Missões Jesuíticas (que possuíam muito mais interesse na catequese dos povos indígenas que no comércio), que trouxeram suas experiências criatórias europeias para a região, tendo braços até o Rio Grande do Sul.
Como se vê, não é só culpa dos queridos Portugueses (rsrsrs).
Um abraço,


GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO
FAZENDA SESMARIA - OLARIA - MG
=HÁ SETE ANOS CONFINANDO QUALIDADE=

Paulo R. F. Mühlbach

Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Consultoria/extensão
publicado em 18/09/2012

Prezado César Coutinho,

Obrigado por participar; obviamente, quanto às ações da indústria, temos que ressalvar as honrosas exceções no tocante à assistência técnica.
Todavia, no contexto geral, as condições são, de fato, muito precárias.

Jorge Antonio Loebens

Vera Cruz - Rio Grande do Sul - Produção de leite (de vaca)
publicado em 18/09/2012

Prezado Professor,
Como sempre, excelente tema e quantas colocações pertinentes já tivemos. Um pouco de filosofia também não faz mal.Fez-me lembrar de palestra de historiador irreverente com o tema "Brasil, que país é este? Este país tem jeito?" Uma das coisas cômicas colocadas por ele remetia ao fato de que o primeiro intendente enviado ao Brasil pela coroa Portuguesa na época da colônia era uma espécie de mensaleiro apanhado com a boca na botija  pelo desvio de recursos para a construção de um aqueduto que levaria água para lugar nenhum. Como havia mais alguns envolvidos e bem relacionados, como prêmio de consolação virou o primeiro intendente do  Brasil colônia.  Fez outra análise interessante sobre a questão da origem dos países desenvolvidos X sub-desenvovidos do ponto de vista tecnológico e científico, rendendo a origem desta divisão ao movimento da Reforma iniciado por Martinho Luthero. Surgiram daí os países predominantemente protestantes dentro de suas diferentes versões e os países predominantemente católicos romanos, com visões bem diferentes. Um dos principais questionamentos de Martinho em relação a Igreja da época era a ideia de que todo cidadão deveria entender o que lê (vem daí a primeira tradução da bíblia para a linguagem laica) e que foi o fermento para o desenvolvimento da escrita, da imprensa , a popularização do conhecimento e desenvolvimento científico. Por muito tempo os católicos ficaram recitando missas em latim, voltados de costas para o povo, entendendo que a este não interessava entender o que era recitado e quando o pecado estava consumado a solução era o confessionário. Independente do credo e das convicções religiosas, faz pensar. O que isto tem em haver com leite? Sei lá. Recentemente vi pequeno anúncio em jornal de grande circulação:"Consulado americano abre 600 mil vistos para pesquisadores do mundo inteiro". Já pensou o que é isto em termos de capacidade pensante. Precisamos de mais Embrapas? Com certeza e de preferência que não produzam em latim.
Abç.

Paulo R. F. Mühlbach

Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Consultoria/extensão
publicado em 19/09/2012

Prezado Guilherme,

Agradeço pelo novo e interessante comentário.
Sua referência à colônia holandesa do PR corrobora o efeito étnico-cultural no desenvolvimento daquela pecuária leiteira, onde, ao que me parece, ajudas governamentais sempre se originaram da Holanda, desde a infraestrutura inicial para os imigrantes até o contínuo apoio tecnológico aos seus descendentes.
Isto enseja uma comparação com o  interesse do governo nacional em fomentar a pecuária leiteira, cujo o início deu-se efetivamente há, apenas, uns 50 anos, com a criação da Embrapa de Coronel Pacheco, focando no desenvolvimento em clima tropical, mais precisamente beneficiando o estado de Minas Gerais.
Tanto é assim que, para a Região  Sul, as inovações tecnológicas desenvolvidas na microrregião de Castro lhe são muito mais adequadas do que a pesquisa em realização  em Coronel Pacheco, especialmente no que se refere a sistemas de produção. Um argumento sólido para a criação de uma Embrapa Gado de Leite de cunho regional, já que nossa região também não apresenta uma pesquisa forte em produção leiteira, tanto na academia quanto nas respectivas instituições estaduais de pesquisa.
Abraço,
Paulo

Paulo R. F. Mühlbach

Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Consultoria/extensão
publicado em 19/09/2012

CORREÇÃO: A Embrapa Gado de Leite foi fundada em 1976, portanto, há, apenas, 36 anos!!

Paulo R. F. Mühlbach

Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Consultoria/extensão
publicado em 19/09/2012

Prezado Jorge,

Obrigado pela participação com suas interessantes ilações filosóficas em relação à produção leiteira.
Pondo mais lenha na fogueira: li outro dia que os povos europeus do norte, de pele clara, na prevenção ao raquitismo e outras doenças ósseas, teriam desenvolvido o hábito de maior consumo de leite e derivados (em relação aos povos de pele morena do sul europeu) pela necessidade maior de cálcio, associada à menor exposição ao sol e decorrente deficiência da vitamina D (o que, efetivamente acontece nos longos períodos de inverno). Talvez isso também tenha algo a ver.

Guilherme Alves de Mello Franco

Juiz de Fora - Minas Gerais - Produção de leite (de vaca)
publicado em 19/09/2012

Prezado Paulo R. F. Mühlbach: Não sou contra a criação de mais unidades da EMBRAPA, porque será um aumento substancial nas pesquisas que vai melhorar o panorama caótico em que se encontra a nossa pecuária leiteira. O que não aceito é que dezenas de valiosas mentes e de experimentos de ponta nunca passem do ar condicionado dos gabinetes  e adentrem ao campo, onde deveriam ser colocados a prova, eis que, da forma hoje assumida, sinceramente, é jogar dinheiro fora. Precisamos trazer os Joãos Walter de volta ao nosso meio, com reais condições de trabalho, divulgar os ensinamentos de um José Carlos Lyra Fleury ("Caio Capim"), um dos precursores do manejo de integração floresta-pecuária e que quase ninguém conhece, estreitar a entidade com o conglomerado social a que se destina. Se assim não o fizermos, de nada adiantará o esforço financeiro governamental.
Um abraço,


GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO
FAZENDA SESMARIA - OLARIA - MG
=HÁ SETE ANOS CONFINANDO QUALIDADE=

Cássio André Wilbert

Concórdia - Santa Catarina - Méd. Veterinário
publicado em 28/09/2012

Prezado Prof. Paulo,

Excelente discussão iniciada pelo sr. Entretanto, considero muito oportuna a pergunta da profa. Vivian. Será necessário criar mais uma unidade da Embrapa no estado? Não seria melhor fortalecer os grupos de pesquisa em produção leiteira em Pelotas e Bagé, o que aconteceria com um investimento bem menor? Não poderia ser fortalecida a atuação da Embrapa Trigo (mesmo sendo uma unidade de produto) na produção leiteira? Qual o principal problema: falta de pesquisas ou dificuldade em transferir as tecnologias já existentes ao setor produtivo? Nesse sentido, não seria mais interessante instalar centros de transferência de tecnologia em diferentes regiões do estado, que prospectariam demandas de pesquisa diretamente nos centros produtores e levariam até estes soluções tecnológicas (muitas delas já existentes)?
Abraço

Paulo R. F. Mühlbach

Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Consultoria/extensão
publicado em 29/09/2012

Prezado Guilherme,

Considero válida sua contestação quanto à  extensão dos resultados da pesquisa ao campo.  No meio acadêmico falta-nos a figura do "Extension Professor" e, certamente, a interação Embrapa/Emater poderia ser mais profícua, com mais empatia em relação às demandas regionalizadas em produção leiteira.
Assim, há muito resultado de pesquisa limitado às publicações nos periódicos científicos, não chegando em tempo hábil ao público-alvo, como também há muita sobreposição e repetição desnecessária de trabalhos científicos, muitas vezes "pesquisando-se" o óbvio.
Mas estamos evoluindo, pois a nossa pesquisa agropecuária ainda é jovem, sem muita tradição. Nos EUA o "Journal of Dairy Science" (Ciência em Produção Leiteira) existe desde 1917, há 95 anos informando pesquisa aplicada, ininterruptamente.
Sem dúvida, a socialização da informação pela Internet (como é o caso do MilkPoint) está possibilitando uma nova era na comunicação, também com o produtor de leite, embora isso ainda esteja ocorrendo de modo incipiente.
Seria de grande valor a participação dos produtores de leite nas enquetes que vem sendo conduzidas, também pelo MilkPoint, obtendo-se a custo praticamente zero informações atualizadas que poderiam ajudar a priorizar as linhas de pesquisa nas diferentes instituições.
Mas, aos poucos, estaremos chegando lá.

Paulo R. F. Mühlbach

Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Consultoria/extensão
publicado em 29/09/2012

Prezado Cássio,

O Rio Grande do Sul é, hoje, o segundo estado em produção de leite e acredito que a Região Sul não tardará a ser a maior captadora de leite do País, portanto, seriam válidos maiores investimentos regionais em Pesquisa Leiteira.

Obviamente, não devemos desmerecer as inegáveis contribuições das Embrapas de Pelotas e Bagé, onde a pesquisa em Produção Leiteira é apenas um dos produtos trabalhados para os seus respectivos meios  geográficos (Terras Baixas e Campanha), e também sabemos reconhecer a participação da Embrapa Trigo, de Passo Fundo, na pesquisa com plantas  forrageiras, principalmente as de crescimento hibernal.

As regiões  Noroeste e Norte do RS respondem atualmente por cerca de 70% da captação de leite, apresentando a maior concentração de produtores de leite e de laticínios e uma instituição de pesquisa voltada especificamente para a produção leiteira atenderia melhor as demandas dessas regiões, estando também mais próxima das bacias leiteiras do oeste catarinense e  oeste paranaense.

Na minha opinião, a própria nova Embrapa Leite aí localizada poderia também servir de centro de transferência de tecnologia, pela proximidade às mais importantes bacias leiteiras da Região Sul, que se encontram ainda em pleno desenvolvimento, muito fomentadas a fim de atender à capacidade ociosa do parque industrial já instalado.

Pela estrutura fundiária existente, de pequenas e médias propriedades com predominante mão de obra familiar, pelas condições de solo e clima, pelas práticas agrícolas existentes e a integração lavoura-pecuária, a produção leiteira é a grande vocação dessa região.
As várias universidades localizadas nas referidas regiões poderiam ser parceiras importantes no desenvolvimento das pesquisas.

Marcos Valesan

Iraí - Rio Grande do Sul - Produção de leite (de vaca)
publicado em 30/09/2012

Prezado PAULO.
  Parabéns pelo conteúdo.
Realmente temos condições de produzir mais e com qualidade,porém,oque se vê aqui na minha cidade,é um tremendo e desordenado vai e vem de produtores,levados pela EMATER, em visitas a propriedades modelos de outras cidades,andando centenas de quilômetros,entulhados em um ônibus,que ao chegar na propriedade estão tão cansados que passam o dia sem entender nada,e ainda aguentam a volta, que normalmente se da ao anoitecer.Porém oque mais me causa espanto,foi a entrevista que o "chefe" da unidade da minha cidade concedeu a emissora aqui da cidade,onde,segundo ele,os produtores daqui não devem adquirir animais de 40 ou 50 litros dia,pois são animais que" adoecem" facilmente,devendo estes ter em suas propriedades animais de menos produção em maior número.
E o pior,em conversa com o gerente do banco, o qual não cito o nome,decidimos que o banco financiaria na minha propriedade a recuperação de pastagens, pelo programa ABC (AGRICULTURA DE BAIXO CARBONO),porém,o projeto deveria se feito na EMATER,que para minha surpresa,só atende aos produtores nas quarta-feiras,mais surpreso ainda fiquei quando o encarregado pelos projetos disse me que não sabia fazer tal projeto,pois ainda não tinha feito nenhum por este programa ABC..Menos mal,o gerente do banco conseguiria um técnico, por conta do banco, para elaborar tal projeto,no entanto,precisaria que um técnico da EMATER acompanhasse e desse assistência ao projeto, porém, mais uma vez a EMATER se negou a dar assistência por falta de tempo ..................................................................................................................................................................................................................................................Bem, para resumir,agradeci ao gerente pela atenção,pedi desculpas por ter tomado o tempo dele,voltei para casa,vendi  algumas das novilhas criadas a "chocolate",e fiz a recuperação por conta própria..
Oque eu quero dizer é o seguinte,que venha a EMBRAPA ,mas que tenha comprometimento dos órgãos já existentes em repassar essa tecnologia,que haja seriedade e responsabilidade dos dirigentes e dos encarregados de fazer os resultados das pesquisas chegar até aquela propriedade onde,ainda, se tira leite de uma vaquinha,amarrada na sombra de uma goiabeira,e sabe-se lá oque é a tal da internet...
Abraços dr. PAULO e me desculpe pelo desabafo.

Paulo R. F. Mühlbach

Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Consultoria/extensão
publicado em 30/09/2012

Prezado Marcos,

Obrigado pela participação, muito interessante, e seu "desabafo" é muito bem-vindo, pois este espaço aqui está aberto a todos os interessados, principalmente aos produtores de leite.

Este episódio envolvendo a EMATER, aí na sua região, é típico dessa "babel" a que me refiro no artigo. Aqui no RS, parece que toda a vez que há uma troca de governo, o novo comando político da instituição EMATER imprime a sua ideologia, não dando seguimento aos programas anteriores, sobrepujando qualquer argumentação do corpo técnico.

Então, tudo indica que a prioridade atual no Rio Grande do Sul, pela ótica do presente comando político da EMATER, é novamente a produção de leite "a pasto e de modo orgânico" (como se outros sistemas não preconizassem também o emprego de uma planta forrageira "orgânica"...). Nesse caso, de fato, uma vaca de 50 litros/dia dificilmente não "adoeceria",  precisasse ela depender exclusivamente do "pasto".

Portanto, é lamentável que, devido à orientação política ESTADUAL da EMATER do RS, um produtor de leite profissionalizado e plenamente habilitado não possa ter acesso ao recurso FEDERAL do Programa ABC, o qual, ao que parece, está sobrando.

Aliás, a incongruência vai até mais longe: o programa ABC preconiza o emprego de biodigestores para a captação do metano (mitigando a emissão de gases de efeito estufa e disponibilizando energia de baixo custo na propriedade) a partir do aproveitamento do esterco, somente possível de ser coletado  racionalmente num sistema de produção leiteira confinada.
Durma-se com um barulho desses!

Guilherme Alves de Mello Franco

Juiz de Fora - Minas Gerais - Produção de leite (de vaca)
publicado em 09/10/2012

Prezado Paulo Roberto Frenzel Mühlbach: Você tocou num aspecto muito importante - a sobra dos recursos destinados à Agricultura de Baixo Carbono. Isto deve-se não ao desinteresse ou à falta de conhecimento dos produtores, mas, sim, à extrema burocracia que se tem para acessar aos volumes financeiros oferecidos, já que o Banco do Brasil S/A. é um dos mais burocráticos do mercado. Muitos preferem as ofertas das instituições bancárias particulares e, com isto, o apoio deixa de ser governamental, de sorte que o próprio produtor, às suas expensas, banca sua produção, sem quaisquer incentivos ou subsídios. Isto, como diria Bóris Casoy, "é uma vergonha".
Um abraço,

GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO
FAZENDA SESMARIA - OLARIA - MG
=HÁ SETE ANOS CONFINANDO QUALIDADE=

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