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A silagem de milho pode ser uma forrageira de baixo teor de FDN
Enquanto produtores de leite dos EUA podem contar com ampla variedade de híbridos de milho de grão dentado, especialmente desenvolvidos para a produção de silagem, com ensiladeiras automotrizes, de várias linhas de colheita, com “cracker” (faz o esmagamento do grão), com aditivos cada vez mais eficientes para melhor ensilagem, etc., aqui no Brasil, de modo geral, temos que nos contentar com uma maioria de híbridos destinados a produção de grãos, de grão duro ou vítreo e maquinário ainda bastante rudimentar para tentar produzir uma silagem de boa qualidade.
Na Argentina, a ensilagem do milho é realizada por uma rede bem distribuída de “contratistas” (ensiladores terceirizados) que empregam maquinário moderno, com ensiladeiras automotrizes e instalam rapida- e eficientemente o “silo-bolsa” em locais definidos pelo cliente.
Lamentavelmente, aqui no Brasil, o individualismo e a falta de profissionalismo ainda faz com que a maioria arque com um investimento considerável em maquinário próprio, muitas vezes tecnologicamente superado.
Minha missão como “bloguista”, aqui no MilkPoint, tem como foco principal a produção leiteira da Região Sul, e, assim sendo, vou considerar a tecnologia do pessoal da região de Castro, PR, como “paradigma” para a obtenção de silagem de milho de alta qualidade.
Na Tabela abaixo constam as 10 melhores silagens e suas características, obtidas em concurso realizado naquela região, no ano passado.
Para melhor visualização dos dados da Tabela, acesse o link:
www.fundacaoabc.org.br/forragicultura/img/resultados_2011.jpg
O importante efeito da máxima compactação
Das técnicas de ensilagem, a compactação da massa é o fator dos mais importantes para a garantia de alta qualidade em silos trincheira ou de superfície, com cobertura de lona plástica. Isto demanda um planejamento adequado, compatibilizando a velocidade de colheita, o transporte e descarga no silo, com o maquinário disponível para a contínua compactação.
A oferta de informação sobre técnicas de produção de silagens é farta, inclusive recomendo o “Radar Técnico Conservação de Forragens”, do MilkPoint, de modo que pretendo me ater aqui, apenas, à questão do teor de FDN.
Quais condições ótimas contribuem para uma silagem de milho com baixo FDN?
- híbridos especiais
- altura de corte acima de 40 cm
- fermentação
- manejo da “desensilagem”
Para a escolha do híbrido de milho mais adequado para a ensilagem, em cada região, recomendo consultar também as empresas do ramo, que apresentam muita informação nos seus portais sobre as melhores práticas culturais (largura entre faixas de semeadura, densidades de plantio, adubação e tratos culturais) híbridos mais adequados para o escalonamento de plantio, digestibilidade das folhas e colmos dos híbridos, resistência ao tombamento e aos variados estrésses, etc.
O corte da planta, 40 cm acima do chão, possibilita o retorno de potássio ao solo e o descarte da porção mais lignificada do caule (com o maior teor de FDN), sem diminuir significativamente o rendimento de energia por hectare.
Tomando-se uma amostra, a mais representativa possível, do material verde que está sendo ensilado, de um híbrido da melhor qualidade, colhido no ponto certo, com tamanho de picado adequado, etc., e fazendo-se uma análise de laboratório, poderemos deparar-nos com teores de FDN abaixo de 40% na MS.
Entretanto, a silagem de milho servida no cocho, desse mesmo material original, poderá apresentar teores de FDN de 45%, 50% ou até de acima de 55% na MS. Tudo vai depender dos procedimentos adotados, também na ensilagem e na “desensilagem”.
A importância do teor de açúcar e a ação do inoculante na silagem de milho
O produto químico que melhor garante a conservação da silagem é o ácido lático, produzido pela fermentação natural dos açúcares da planta pelas bactérias especializadas no processo (lactobacilos).
Quanto mais açúcares forem necessários, para que a acidez produzida na massa alcance um pH ao redor de 4,0, tanto maior, por diferença, será o teor de FDN da silagem obtida.
Como mostra a equação simplificada:
FDN= 100 – (açúcares residuais + outros carbo-hidratos não fibrosos + proteínas + ácidos da fermentação + lipídeos (extrato etéreo) + minerais); assim, o teor de FDN será maior se o teor de açúcares residuais da fermentação for muito baixo ou nulo, e vice-versa.
Na medida em que a planta de milho vai completando seu ciclo, o açúcar da planta vai se translocando para o grão onde se transformará em amido (diminuindo a porção “leitosa” do grão). Ao colher-se o milho para a ensilagem, com mais de 30% de MS e a porção farinácea responder, mais ou menos, por dois terços do grão, a planta de milho ainda apresenta um teor de açúcar ao redor de 10% da MS, suficiente para uma adequada produção de ácido lático, especialmente quando se aplicar um inoculante eficiente para acelerar o processo. Um inoculante empregado para otimizar uma fermentação, com menos perdas, contém alta concentração dos lactobacilos mais aptos a produzir rapidamente a quantidade necessária de ácido lático, o ácido mais importante para reduzir o pH.
Portanto, é possível que duas silagens de milho, uma produzida em condições otimizadas (p.ex. com inoculante) e outra de fermentação casual, apresentem um mesmo pH final de 4,0. Entretanto, se o processo fermentativo for lento e consumir muito açúcar na silagem sem inoculante, o teor de FDN dessa silagem será proporcionalmente maior, conforme a quantidade de açúcar consumido. Ou seja, a silagem com inoculante poderá apresentar maior concentração de açúcar residual (o que significa menor teor de FDN) e assim, maior teor de energia (% de NDT) para a posterior fermentação no rúmen da vaca (v. Figura).
A rápida e eficiente compactação inicial do material picado no silo, para a retirada do ar, também contribui para a obtenção de uma silagem de milho com menor teor de FDN, pois evita a respiração celular que consome os açúcares na presença de oxigênio, com aquecimento do material. Assim impede-se também o processo de caramelização, que reduz a digestão da proteína do milho, que já é baixa.
É necessário o controle das perdas, após a abertura do silo
Uma outra etapa, visando preservar o teor de açúcar residual na silagem produzida, e que é tão importante quanto a ensilagem, é a “desensilagem” do material fermentado.
Muitas vezes uma silagem bem fermentada, com significativo teor de açúcar residual, pode resultar em perdas por degradação aeróbia, após a abertura do silo, dependente da penetração do ar na massa ensilada e do tempo de exposição ao ar, da superfície de corte do silo.
Esta degradação aeróbia pode ser acelerada em condições de temperatura ambiental mais elevada. Nesse caso, todo o cuidado com a fermentação na ausência de ar, produzindo ácido lático com economia de açúcares, ou seja, evitando as perdas por fermentação anaeróbia, torna-se quase que em vão, pois os açúcares residuais e o próprio ácido lático são atacados por leveduras e fungos, há produção de calor e, eventualmente, até de micotoxinas.
É um assunto de grande importância, que abordarei na próxima oportunidade.
ADENDO em 19.05.2012
Na resposta de 19.05. a Eduardo Côrtes, foi postado um link onde consta um artigo em língua espanhola, com descrição detalhada do sistema.
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Comentários:
Lavras - Minas Gerais - Estudante
publicado em 16/05/2012
Prof. Paulo
Gostei muito do artigo. Mas gostaria de saber sua opinião sobre o milho campeão do concurso da fundação ABC, o qual apresentou 36% de FDN na MS da silagem você não acha um valor muito baixo, não haverá um erro de análise? Desde já agradeço pela atenção e fico no aguardo de usa resposta.
Att,
Gustavo Salvati
Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Consultoria/extensão
publicado em 16/05/2012
Prezado Rafael,
Obrigado pela participação e comentário.
Consultando os portais da Pioneer e da Dekalb, produtores dos híbridos empregados, constata-se que os mesmos são recomendados para uso na Região Sul, especialmente para a produção de silagem.
A escolha do híbrido mais adequado é o primeiro passo para a produção de uma silagem de qualidade.
Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Consultoria/extensão
publicado em 16/05/2012
Prezado Gustavo,
Agradeço pelo interesse e questionamento.
Não acredito que, no caso, tenha havido erro de análise. Muitas vezes, são mais comuns os erros de amostragem, o que, também, não deve ser o caso.
Acontece que estamos acostumados com altos teores de FDN na maioria das nossas silagens mal produzidas, teores até acima de 60%.
Em edições anteriores do referido concurso, tais "muito baixos" teores de FDN também foram alcançados, e consultando-se a literatura internacional, principalmente a européia, esses valores são até comuns (por razões, entre outras, de clima).
Em resumo, o clima da região de Castro e um somatório de aspectos favoráveis (híbrido, época de plantio, ponto de corte, altura de corte, procedimentos de ensilagem e manejo de "desensilagem"), sem dúvida, permitem a produção de silagem de milho dessa qualidade.
São Manuel - São Paulo - Consultoria/extensão rural
publicado em 16/05/2012
Prezado Paulo,
Parabéns pelo artigo. Muito interessante e, como bem disse o colega Rafael (acima), esclarecedor.
As informações explicitadas são extremamente importantes quando avaliamos a questão dos carboidratos não fibrosos (CNF) de dietas para vacas de alta produção, pois interferem significativamente no balanceamento das dietas.
Chamo atenção para um aspecto usual, no dia-a-dia, sendo uma rotina entre muitos técnicos pela falta de tempo e/ou disponibilidade de acesso ou uso de laboratórios de bromatologia para obtenção de resultados de análises que é a formulação de dietas com silagem de milho com teor de FDN "chutado". Isso, dependendo do desafio proposto aos animais (target), pode trazer problemas para saúde ruminal dos animais de modo incisivo. É possível hoje trabalharmos com híbridos de qualidade e obtermos baixos teores de FDN (como mostram os dados). No entanto, sabemos que há uma grande amplitude em termos de qualidade de forragens e principalmente uma grande variação de FDN. De acordo com o ponto de colheita (corte) podemos ter silagens com 36% de FDN mas, "no mercado", encontramos números bem piores (FDN variando entre 53%-54% a 60%-65% em alguns casos).
O "fechamento" de uma dieta à base de silagem de milho com 36% FDN (campeã) x uma suposta silagem com 55% FDN e outra com 62% FDN levará a resultados, em termos de perfil de CNF na dieta, bem divergentes . Se por acaso considerarmos na biblioteca/banco de dados uma silagem com 62% de FDN, para alcançarmos a densidade almejada (Energia/Proteína) teremos que colocar uma quantidade razoável de concentrado. Se na prática (supondo que o material não tenha sido analisado) a mesma tiver 50% de FDN ou 45% de FDN, o que ocorrerá? No papel (computador) vamos ter uma dieta adequada (por exemplo entre 36 a 40% de CNF), ou seja, segura. Na prática, com um FDN inferior, poderemos ter excedente de CNF e, consequentemente, problemas sérios como acidose, acidose subclínica x laminite e laminite subclínica. Fora a questão de efetividade de fibra e perfil de granulometria (teste com as peneiras/Penn State University), tópico muito importante de ser avaliado também.
Logo, os dados apresentados são de grande valia para percebermos que, quando trabalhamos com forrageiras de qualidade é possível fornecermos "rações verdes" para o gado, reduzindo o uso de concentrados e, consequentemente, custo de arraçoamento. É importante frisarmos que muitos, certamente considerarão silagens e/ou volumosos de qualidade como volumosos mais caros, o que também não é verdade. O milho é o melhor exemplo disso. Quanto maior o investimento, maior o retorno. Quanto mais tecnologia empregada na sua produção, maior será o investimento, ok, mas teremos maior % de grãos na MS do material, maior NDT, maior digestibilidade, menor necessidade de correção com concentrado nas dietas e um custo em R$/kg NDT (energia) muito inferior quando compararmos com qualquer outra alternativa de volumoso.
Um grande abraço, até!
Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Consultoria/extensão
publicado em 16/05/2012
Prezado João Paulo,
Fico grato pelo comentário e pela pertinente complementação, no tocante à prática da alimentação, considerando os teores reais de FDN. Cumprimento o colega pelo conhecimento e segurança nas afirmações.
Castro - Paraná - Pesquisa/ensino
publicado em 16/05/2012
Parabéns pelo Blog e esclarecimentos prof. Paulo.
Meu nome é Igor, sou o coordenador do Concurso de Silagem da Fundação ABC.
Apenas complementando as respostas:
- Híbridos: no ano de 2011, estavam concorrendo 30 híbridos de 8 empresas diferentes. Mas somente 2 híbridos ficaram entre as 10 melhores silagens. Isso mostra a importância se escolher híbridos adequados para silagem, de acordo com resultados de pesquisa.
- Baixo teor de FDN: como o prof. Paulo comentou, está certo sim. A melhor silagem de 2009 teve FDN de 35, em 2010 FDN de 36 e em 2011 novamente 36. Na tabela somente mostra as 10 melhores. A pior silagem de 2011 teve 61% de FDN, seguindo a mesma metodologia de coleta e de análise.
Maiores informações em: www.fundacaoabc.org.br/forragicultura
Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Consultoria/extensão
publicado em 16/05/2012
Prezado Igor,
Agradeço pela participação e pela complementação de informações, parabenizando-o e sua Instituição pela iniciativa e sucesso do Concurso em questão.
Sem dúvida, as tecnologias empregadas pelos produtores da sua região, são um "benchmark", uma valiosa referência para os produtores de leite.
Obrigado.
Pilar do Sul - São Paulo - Produção de leite (de vaca)
publicado em 16/05/2012
Prezado João Paulo, você esta coberto de rasão, pois, a grasso modo falando, quando "chutamos" o FDN é extremamente complicado, principalmente em relação ao volume de milho grão moído, que sera inserida na dieta.
Exemplo: se for chutar que a silagem tem 55 - 60 de FDN, iremos colocar uma quantia "x" de milho, mas, se silagem estiver com 40 de FDN, você terá um problema muito serio com a saúde dos animais.
Pergunto, prof. Paulo e João Paulo, qual é o valor de amido na TMR, seguro para usar em dieta para vacas com 38 de media?
Valor: KG e %
Obrigado...Abraço...
Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Consultoria/extensão
publicado em 16/05/2012
Rafael,
Resumidamente: o teor de amido poderá variar entre 20 a 30% da MS da dieta (em média num teor de 25%), dependendo do tipo de amido (milho, sorgo, farelo de trigo, protenose, silagem de grão úmido, silagem de milho, etc.) e processamento (grão quebrado, moido grosseiramente, moagem fina, flocação, etc.), devido à variação na taxa de degradação no rúmen. Quanto mais degradável o amido, tanto menor deverá ser o seu emprego.
Interessante é a diferença que aparece, até na resposta em produção, com o melhor aproveitamento do amido de silagem de milho "madura", de longo período de ensilagem, em comparação com uma silagem "nova", de poucos meses de armazenamento.
Bom Despacho - Minas Gerais - Produção de leite (de vaca)
publicado em 16/05/2012
Professor Paulo,
Eu faço a colheita do meu milho com colhedora tracionada por trator, como a mesma não tem sistema de esmagamento de grãos eu faço um corte de 3,5 mm o que faz com que haja uma quebra de quase todos os grão. Gostaria de saber se este tamanho de corte traz algum aspecto negativo na silagem.
Desde já agradeço.
Um abraço
Ronaldo
São Manuel - São Paulo - Consultoria/extensão rural
publicado em 16/05/2012
Prezado Rafael,
Na prática, trabalhamos, exatamente, dentro da média explicitada pelo colega Prof° Paulo. Em dietas totais encontramos dietas com 22%, 25%, 28%. Eu, particularmente, controlo muito as dietas pelo teor de CNF% (carboidratos não fibrosos). Dependendo da fonte de energia da sua dieta, a concentração de amido varia. Atenção para dietas sem caroço e sem polpa com alta inserção de farelo de milho (4 a 6 kg/cabeça/dia, por exemplo + silagem de milho bem picada como volumoso). Podemos ter problemas, nestes casos (se não avaliar criteriosamente).
Costumo não exceder 40% de CNF% (NFC%; inglês) e atrelo este valor ao teor de amido da mesma. Não costumo exceder 28% a 30% de amido (máximo), na dieta total desde que haja boa efetividade de fibra, sempre.
É possível trabalharmos com CNF% mais alto (os americanos trabalham com valores mais altos, em muitos casos 42% a 44%, 45% de CNF%), o que gera muito mais leite, evidentemente. No entanto, é necessário muito mais cuidado, que podemos traduzir em taxa de degradação da fração fibra (taxa de passagem) e qualidade da mesma (fibra) na sua dieta (digestibilidade). Nestes casos é necessário trabalhar com forragens de altíssima qualidade, com uso de tamponantes (recomendável) e se torna obrigatório o controle da efetividade dessa fibra (monitoramento: teste das peneiras: Penn State Particle Size Box) bem como lança mão do uso de subprodutos que aumentem a concentração de fibra para controle de ambiente e pH ruminal.
É isso aí.
Um abraço, até!
Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Consultoria/extensão
publicado em 17/05/2012
Prezado Ronaldo,
Na ensilagem da planta inteira de milho em silos-trincheira, ou de superfície, tem sido recomendado um tamanho de picado de 1 a 2 cm, o que atende os quesitos para uma boa compactação e estrutura física da fibra vegetal ainda satisfatória para a ruminação da vaca.
Um tamanho de picado preponderantemente de 3 mm, sem dúvida, favorece ainda mais a compactação, a ação do inoculante no processo de fermentação e o aproveitamento do amido pelo animal , considerando-se, ao corte, teor de MS não inferior a 30%.
Entretanto, a dieta deverá conter, além dessa silagem de milho, quantidade suficiente de outras fontes de fibra efetiva (estimuladora da ruminação), sob pena de ocorrerem os distúrbios de saúde, mencionados acima pelo João Paulo.
Caratinga - Minas Gerais - Produção de leite (de vaca)
publicado em 17/05/2012
Prezado amigo do "Porteira Adentro" (desculpe mas não sei seu nome),
interessantes comentários. Mas como se mede o CNF? Não vi esse parâmetro nas análises do concurso de silagens. As análises feitas pelas empresas de rações incluem esse intem?
Agradeço sua atenção.
Caratinga - Minas Gerais - Produção de leite (de vaca)
publicado em 17/05/2012
Prezado Igor Carvalho,
quero também parabenizá-lo e à sua instituição pela inciativa e divulgação. É mesmo necessária a profissionalização das atividades de produção de comida em nosso país, e aumentarmos nossa qualidade e produtividade. Minha pergutna é sobre as colhedeiras utilizafdas e relacionadas em sua tabela. São aquelas específicas para silagem, automotrizes? Ou são as acopladas ao trator?
Obrigado
Caratinga - Minas Gerais - Produção de leite (de vaca)
publicado em 17/05/2012
Prof. Paulo,
o sr. desencadeou m interessantíssimo e proveitoso debate sobre o FDN, e fiquei mesmo um pouco surpreendido com a participação de tanta gente, e com a qualidade dos comentários. Parabéns!
A pergunta que nos fazemos é por que empresas fortes como as que existem no Brasil atualmente, multinacionais, não dispnibilizam sementes de milho melhores para silagem? Alguam sugestão de como poderíamos "pressionar" para consegui-las?
São Manuel - São Paulo - Consultoria/extensão rural
publicado em 17/05/2012
Prezado Eduardo Cortês,
Meu nome é João Paulo.
Permita-me esclarecer alguns conceitos sobre este tema:
Todos os ingredientes, usualmente utilizados como fonte de alimento para ruminantes, exceto minerais, apresentam carboidratos em sua composição, dos quais são divididos em carboidratos fibrosos (estruturais) e carboidratos não fibrosos (não estruturais). Você verá na literatura: CNF ou NFC (em inglês) ou mesmo CNE (carbo não estruturais). Essa terminologia está associado aos carboidratos que constituem a parede celular (estruturais de estrutura, da planta) da fração fibrosa do alimento ou aos carboidratos, não fibrosos, presente no interior das células, ricos em açúcares. Em outras palavras seria a fração mais rica em energia dos alimentos e de maior digestibilidade. Essa fração da dieta, dentro do rúmen é altamente degradada (quebrada), dando origem a ácidos graxos voláteis que são precursores (matéria-prima) de energia (voltam a virar açúcar/glicose) quando chegam ao fígado do animal.
Quanto mais energia na dieta (= concentrados/rações), maior será a formação de ácido propiônico e ácido lático no rúmen. O propiônico é precursor da desejada glicose (= mais leite) mas o ácido lático, por sua vez, atua como vilão pois tem alta capacidade de abaixar o pH ruminal. Dietas ricas em amido são, por excelência, ricas em CNF, com capacidade para gerar leite mas também com possibilidade de redução do pH ruminal se este ambiente não for controlado (fornecimento de fibra, para produção de saliva em quantidade suficiente para tamponar a dieta ou seja, equilibrar e evitar essa indesejável queda de pH). Isso nem sempre acontece, ou seja, esse cuidado. São conceitos nutricionais que qualquer técnico da área que tenha obtido boa formação deve saber e orientar.
Infelizmente o conceito de CNF é ainda pouco difundido e comentado no Brasil e você pode estimá-lo tendo em mãos o resultado de uma análise bromatológica usual, através da fórmula:
CNF = 100 - (%PB+%EE+%MM+%FDN)
Recomendo, sempre, que monitore e atente para os níveis de CNF´s (ou teor de CNF) das suas dietas para assegurar a saúde e ambiente ruminal adequado, proporcionando uma melhor absorção de nutrientes (pH) e, consequentemente, melhor otimização do seu investimento traduzido na forma de dieta.
Um abraço!
Caratinga - Minas Gerais - Produção de leite (de vaca)
publicado em 18/05/2012
Prezado João Paulo,
muito obrigado pelas respostas esclarecedoras, e pela informação sobre as dietas e o CNF. A partir de agora, com certeza vou estimar o CNF ao receber a bromatologia de nossa silagem. Estou surpreso, no bom sentido é claro, com o nível técnico de vários participantes deste blog. É muito bom saber que no Brasil temos profissionais tão bem preparados.
Uma outra dúvida. Pela sua explicação, ter uma quantidade de fibras é bom para reter alimentos no rúmen, aumentar mastigação e produção de saliva para segurar o pH em níveis satisfatórios. Ao mesmo tempo, falamos de silagens de forrageiras com baixo teror de fibras como melhores. Onde fica esse equilíbrio? Haveria "good" e "bad" fibras? Ou seriam as fibras altas de FDN que terímaos de reduzir em nossas forrageiras?
Mais uma vez obrigado por suas explicações.
Um abraço
Caratinga - Minas Gerais - Produção de leite (de vaca)
publicado em 18/05/2012
Prezado João Paulo,
por curiosidade, temtei calcular o CNF das 10 melhores silagens do concurso da Fundação abc, mas não encontrei % de EE e nem %MM (sei o que é EE, mas o que é MM?). Queria comparar se o CNF manteria a mesma classificação concluída no concurso.
Desculpe minhas dúvidas simples (ou mesmo simplórias), mas não sou técnico da área, apenas um arremedo de fazendeiro meio diletante que às vezes se mete a ler coisas e que gostou de ler os bons textos publicados neste espaço.
Um abraço!
São Manuel - São Paulo - Consultoria/extensão rural
publicado em 18/05/2012
Prezado Eduardo Côrtes,
Suas dúvidas retratam bem como o assunto deve ser debatido, para que possamos melhor esclarecer os parâmetros sobre o tema:
A fibra desejável em dietas, com certeza é a fibra de alta qualidade, a mais digestível possível. Não faça confusão com qualidade de fibra de volumoso com perfil de fibra em dieta total.
Numa dieta total, procuramos a máxima digestibilidade, possível da mesma e um bom consumo de MS (o adequado para cada arraçoamento). O mesmo raciocínio prevalece para sistemas de produção à pasto. Devemos fornecer um pasto com o melhor valor nutricional (VN) possível e com a máxima produção possível. No entanto, quanto mais produtiva (mais velha) for a forragem, mais fibra ela acumula e maior será o teor de lignina (porção indigestível da fração fibra). Logo o ponto de colheita de forrageiras em geral (conservadas/silagens) ou consumo das mesmas via pastejo deve ser realizado no ponto de intersecção entre o VN e a produtividade da cultura em questão.
Quando eu mencionei que evito dietas com mais de 40% de CNF, é um critério usual entre nutricionistas e ao mesmo tempo particular. Dependendo do perfil de qualidade da forragem usada na formulação podemos/devemos trabalhar com maior ou menor valor (segurança da dieta/prevenção de distúrbios metabólicos nutricionais). Nas nossas condições é prudente evitar níveis de CNF (DA DIETA) acima de 40%. Veja que não estou me referindo ao CNF da silagem (isolada). O que interessa é o teor de CNF total da sua dieta (representando aquilo que o animal vai consumir como um todo).
A nutrição de bovinos, principalmente de leite, é bastante complexa e interessante. Existem muitas possibilidades e combinações. Tudo depende muito do objetivo final. Se sua dieta estiver com baixa efetividade de fibra (porção da forragem que contém fibras longas/em termos físicos, mesmo, ou seja partículas maiores), mesmo com um CNF da dieta controlado você, eventualmente, pode ter problemas. Se seu CNF for alto ou acima de 40% com baixa efetividade de fibra eu diria que, certamente, você terá problemas por queda de pH ruminal, alta taxa de passagem (menor aproveitamento digestivo) e distúrbios. Quando encontramos dietas de silagem de milho (somente) + concentrados e, consequentemente, com grandes chances de baixa efetividade de fibra (se for cortada em tamanho de partícula pequena, o que é adequado para melhor ensilagem/resultado final e próprio consumo de MS) torna-se obrigatório a inserção de fibra na dieta (fibra longa, com tamanho de partículas maiores = 10 a 15 cm). Esta fibra, por exemplo pode ser de baixa qualidade (alto FDN e FDA = menos digestível), porque neste caso não queremos que esta (fibra), resulte em produção mas que faça com que a vaca macere mais o alimento, mastigue mais, produza mais saliva (tamponante) e, ao mesmo tempo, consigamos fazer com que o alimento permaneça um pouco mais no rúmen, diminuindo a taxa de passagem e minimize risco de distúrbios.
Um abraço!
São Manuel - São Paulo - Consultoria/extensão rural
publicado em 18/05/2012
Prezado Eduardo Côrtes,
Não se acanhe por não ser técnico da área. Pelo menos sua humildade vai fazer com que você trabalhe corretamente, ao passo que alguns indivíduos que por conhecerem um pouco, muitas vezes acham que conhecem tudo e por isso cometem, quase sempre, os erros mais grosseiros nos campos gerais do Brasil...
Vamos lá:
EE% = teor de extrato etéreo (= gordura/lípído), representa fração gordura da dieta
MM% = matéria mineral da dieta
Na tabela da Fundação ABC, realmente não há estes parâmetros. Como disse, numa bromatológica (análise) padrão, você recebe estes resultados.
Prof° Paulo:
Desculpe por estar fazendo uso demasiado do seu espaço.
Gostaria de poder acessar suas considerações sobre o tema/debate e gostaria de não mais responder questões técnicas, pois julgo ser correto a manifestação do Sr. autor do post, para que todos nós possamos partilhar do seu notável conhecimento.
Um abraço à todos!
Patrocínio - Minas Gerais - Produção de leite (de vaca)
publicado em 18/05/2012
gostaria que o setor tivesse uma ferramenta eficiente para os produtores acompanharem melhor a qualidade do leite paga pelos grandes laticinios .
Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Consultoria/extensão
publicado em 18/05/2012
Caro João Pedro,
Use do espaço como lhe aprouver, o importante é tentar ajudar, na medida do que for possível.
Fosse eu ter que discordar de algum aspecto de suas manifestações, eu me manifestaria.
Abraço,
Paulo
Castro - Paraná - Pesquisa/ensino
publicado em 18/05/2012
Olá Eduardo. 54% das silagens foram feitas com máquinas automotrizes e 46% com máquinas acopladas de 1 ou 2 linhas. Havia 9 marcas diferentes de ensiladeiras. Entre as 10 melhores, as máquinas marca "New Holland", "John Deere" e "Claas" são automotrizes. A "JF" é acoplada.
Parabéns à todos pela rica discussão.
Abraço.
Caratinga - Minas Gerais - Produção de leite (de vaca)
publicado em 19/05/2012
Prof. Paulo,
além da minha pergunta sobre como conseguiríamos sementes mais especializadas para silagem de miho, já que várias multinacionais de sementes estão trabalhando aqui, abusaria de sua paciência para adicionar mais uma sobre as peneiras, relatadas na tabela do concurso. São para avaliar o tamanho das partículas cortadas?
Gostaria também de ler seus comentários sobre inoculantes. Na tabela de resultados observamos que o 1º colocado o utilizou, e os 2º, 3º, 4º, e 5º colocados não o utilizaram. Nos 10 primeiros, 70% não usaram inoculante. Seu uso por todos teria feito diferença no resultado?
Caratinga - Minas Gerais - Produção de leite (de vaca)
publicado em 19/05/2012
Prezado Igor,
obrigado pela resposta e mais uma vez parabens pelo trabalho. Fiquei curioso sobre o concuros, e pergunto se seria possível dividir conosco os resultados dos 20 ou 30 primeiros colocados. Isto poderia aumentar nosso escopo de análise dos resultados.
Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Consultoria/extensão
publicado em 19/05/2012
Prezado Eduardo Côrtes,
Outro dia dirigi-me ao Dr. Odacir Klein, responsável pelo "blog" do milho no portal do Canal Rural e com bons contatos junto à entidade que congrega as empresas sementeiras, às quais ele repassou minha solicitação de informações sobre a área de milho plantada para a produção de silagem no País. Ninguém soube (ou quiz) responder, o que muito bem reflete a pouca importância que é ainda é dada aos produtores de silagem de milho.
Entretanto, acredito que com o aumento da área plantada (hoje, talvez, entre 2 a 3 milhões de ha plantados?), também através dos confinadores de gado de corte, a situação não tardará a mudar de figura.
Reitero o que já afirmei aqui no MilkPoint, falta união e voz ativa aos profissionais da produção leiteira no País; não há representatividade legítima, principalmente na esfera política.
Quanto à questão das peneiras, postei um ADENDO ao artigo, com uma figura que dá uma idéia do sistema. No link
http://www.das.psu.edu/research-extension/dairy/nutrition/pdf/separador-de-particulas-02-42.pdf/?searchterm=Particle%20Size%20Separator
encontra-se uma descrição detalhada do sistema, em língua espanhola. Em resumo, o percentual de partículas retidas retidas pelas diferentes peneiras determinará a adequação de uma silagem de milho, tanto para uma boa compactação quanto para o estímulo à ruminação. São sugeridos também os percentuais mais convenientes para silagem pré-secada e para a dieta total misturada.
Quanto ao uso de inoculante entre os participantes do concurso, há que se considerar que os critérios de avaliação do mesmo não consideram a totalidade de aspectos possíveis na apreciação da qualidade fermentativa e que envolvem análises mais onerosas de cromatografia gasosa, etc., que poderiam apontar pequenas, mas significativas diferenças nas concentrações de ácidos da fermentação, etanol, nitrogênio amoniacal, etc. e que fazem a diferença, em termos de perdas pela fermentação.
Por outro lado, em condições ótimas de ensilagem - que devem ter ocorrido entre esses 10 primeiros colocados - muitas vezes não se consegue perceber algum efeito na qualidade bromatológica e, muitas vezes, é a qualidade organoléptica da silagem com inoculante que fará a diferença para a vaca, no cocho.
Concordo que ainda há uma certa polêmica quanto à recomendação de uso ou não de inoculante na silagem de milho. Pessoalmente, acho que seu emprego sempre é uma garantia a mais de qualidade, sem ser, entretanto, uma panacéia, pois de nada adianta usar um inoculante descurando-se da compactação, vedação, manejo de ensilagem e "desensilagem", etc.
Como afirmei acima no texto, pretendo tratar também do assunto no próximo "post".
Agradeço pelo interesse demonstrado nos questionamentos.
Castro - Paraná - Pesquisa/ensino
publicado em 19/05/2012
Olá Eduardo. Infelizmente não podemos divulgar os demais. Do 11° ao 107°, apenas o produtor fica sabendo sua pontuação e colocação. Mas estou trabalhando todos estes dados em minha tese de doutorado que deve estar disponível ao público até o final do ano. Abraço.
Caratinga - Minas Gerais - Produção de leite (de vaca)
publicado em 21/05/2012
Prezado Prof. Paulo,
obrigadíssimo pela resposta. O teor de seu texto é estimulante, e me sinto priviliegiado em receber uma verdadeira consuyltoria para minhas perguntas simples.
Vou tentar conseguir essas peneiras, para estimular ainda mais nossa pequena equipe de silagem. Sou um pequeno/médio produtor, fazendo 850 ton desilagem de milho, embora devemos aumentar em 2012/2013. Tenho conseguido estimular a equipe, e acredito que fazendo os testes com as peneiras possa incentivar ainda mais a regulagem das máquinas e o cuidado com todo o processo, do plantio à desensilagem.
Concordo com nossa pouca representatividade legítima. Não sei como resolver os problema, mas um dia deve melhorar. Até porque tem sido o agribusiness o único supervait comercial brasileiro há mais de 10 anos. O brasil é pobre em dados, e a área de silagem de milho deveria estar didsponível no Ministério da Agricultura. Mas as sementeiras poderiam informar, sim, o quanto vendem de suas sementes rotuladas para silagem. Com mais de 2 mi de ha plantados, já é um grande mercado para investirem em sementes melhores.
Não posso deixar de parabeniozá-lo pela valiosa contirbuição neste blog. É uma pena que se aposentou da universidade, onde teria muito a contribuir, mas estamos aprendendo muito com sua atuação, e entusiasmando a todos.
Muito obrigado
Caratinga - Minas Gerais - Produção de leite (de vaca)
publicado em 21/05/2012
Prezado Igro Carvalho,
é uma pena não termos acesso a pelo menos mais 10 ou 20 colocações, mas vamos aguardar sua tese. Se um dia precisar comparar com resultados de silagem em minha região, terei prazer de enviar amostras. Não somos tão profissionalizados como a região de Castro e arredores, onde está reallizando seu trabalho, mas é uma outra realidade, com terrenos montanhosos, onde temos de aproveitar vales e chapadas, e onde predomina plantação de café.
Queria pedir uma favor. Estou interessado em adquirir as peneiras para fazer testes durante a colheita da silagem. Poderia me informar onde posso adquirir as peneiras da PennState aqui no Brasil.
Muito obrigado
Caratinga - Minas Gerais - Produção de leite (de vaca)
publicado em 21/05/2012
Prof. Paulo,
esqueci de dizer que aguardamos com mais expectativa ainda seu próximo post.
Obrigado pelo seu tempo e interesse em preparar artigos tão bons.
Eduardo Côrtes
Caratinga - Minas Gerais - Produção de leite (de vaca)
publicado em 21/05/2012
Prof. Paulo,
já imprimi o artigo de 15 páginas sobre peneiras, em espanhol, da PennState. Se tiver alguma dúvida, volto a importuná-lo.
Obrigado,
Eduardo Côrtes
Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Consultoria/extensão
publicado em 21/05/2012
Caro Eduardo,
Apraz-me saber da utilidade das informações que venho prestando, é um retorno estimulante.
Ainda ontem assisti a uma verdadeira aula sobre ensilagem no seguinte link:
http://www.engormix.com/MA-ganaderia-carne/foros/confeccion-silaje-gustavo-clemente-t24014/p0.htm
É uma palestra num video, em espanhol, de um especialista "hermano", mas perfeitamente compreensível (e sempre podemos repetir alguma parte pelo recurso cibernético).
Abraço,
Paulo
Quedas do Iguaçu - Paraná - Produção de leite
publicado em 23/05/2012
Caro Paulo,
Uma das dificuldades de avaliarmos a qualidade de nossa silagem, e outros volumosos, é a dificuldade em avaliarmos o material que produzimos.
Há uma lista de laboratórios, confiáveis, que fazem analise bromatológica, de forma completa?
Abraço
Michel Kazanowski
Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Consultoria/extensão
publicado em 23/05/2012
Prezado Michel,
Aí no Paraná, V. poderia tentar o Centro de Pesquisas em Forragicultura, da UFPR, em Curitiba, que mantém até um "Portal da Ensilagem", com e-mail ensilagem@ensilagem.com.br
A avaliação da qualidade de um alimento volumoso começa pela, relativamente, difícil tarefa da coleta de uma amostra representativa do que se pretende mandar analisar.
Recomendo seguir corretamente as instruções que forem fornecidas.
Depois tem a questão do envio da amostra, de modo muito rápido, com um acondicionamento adequado para evitar a deterioração, especialmente no caso de silagens.
Abraço,
Paulo
Quedas do Iguaçu - Paraná - Produção de leite
publicado em 24/05/2012
Determinadas épocas do ano se dá escassez de produção de forragem, as tais épocas de transição entre pastagens tropicais e temperadas no sul, ou o período seco no centro do Brasil.
Nesse período o uso de forragem conservada é imprescindível, tanto para as vacas quanto para os animais de recria.
De que forma devemos balancear a dieta destes animais de recria, principalmente os mais jovens, usando silagem de milho de alta qualidade, afim de não comprometer a saúde destes?
Abraço
Michel Kazanowski
Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Consultoria/extensão
publicado em 24/05/2012
Prezado Michel,
O objetivo maior desse post e do anterior foi alertar sobre a dificuldade de se atender às exigências nutricionais de vacas de maior produção, face à limitação de consumo de MS que apresentam, o que pode ser mitigado com o fornecimento de forrageira de alta qualidade, ou seja, de menor teor de FDN possível.
Essas forrageiras de maior qualidade, obviamente, são de maior custo de produção sendo isso melhor amortizado quando servirem de alimento à vaca de maior produtividade, o que, todavia, não preclui seu uso para as demais categorias, desde que considerada a relação custo/benefício.
A exigência nutricional para um crescimento médio diário de, digamos, 800 g, pode ser atendida por dieta com 60% a 65% NDT e 12% a 13% de proteína bruta, ou seja, uma pastagem de Tifton bem manejada, com uma pequena suplementação no cocho.
Havendo escassez de forrageira, a silagem de milho com suplementação protéica é uma boa alternativa, reservando-se, porém, a melhor silagem (de menor teor de FDN) para as vacas em lactação e usando-se para a recria a de menor qualidade.
Campo Grande - Mato Grosso do Sul - Produção de leite (de vaca)
publicado em 31/05/2012
JOVANE B. SILVA
PRODUTOR DE LEITE EM CAMPO GRANDE MS.
Prof. Paulo primeiramente quero parabenizar Sr. por todo conteúdo desse Post e outros os quais fui Literalmente presentedo por sua ricas informações.
Vamos lá, os problemas por desequilíbrio ruminal e suas consequencias não estariam mais relacionados a falta de uma adaptação mais criteriosa, pois é notavel que os animais hj até submetidos a diétas de auto percentual de concentrado, no meu caso lá na fazenda, tenho observado perfeita harmonia nos animais que passam por pre- parto de 30 dias de adaptação, chegando esses em lactação aos 15kg de concetrado na dieta, levando em conta a exigência de cada um.
Sabendo que na multiplicação das bactérias as aminolíticas podem dobrar de população a cada duas horas e por outro lado as fibrolíticas precisam de até mais 24hs pra essa proporção acontecer.
É importante balacear a diéta na questão da fibra efetiva mas se não fizermos uma boa adaptação e não cuidarmos sobra de cocho, alguns animais podem ser penalizados em sua saúde e consequentimente na produção por uma das grandes vilã que é a açidose sub-clinica.
Obrigado
Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Consultoria/extensão
publicado em 31/05/2012
Prezado Jovane,
Agradeço pela participação e comentário.
Sem dúvida, o conhecimento dos principios básicos de funcionamento do rúmen, onde a população microbiana depende do tipo de alimentação fornecida, dos aditivos empregados e do manejo no fornecimento das refeições, é fundamental para a viabilização de altas lactações. E, havendo uma alimentação individualizada, com a devida adaptação a novos ingredientes, controle das sobras, etc., facilitamos em muito a vida do animal.
Em suma, se o produtor souber cuidar do rúmen da vaca, o rúmen, por sua vez, cuidará da vaca.
Campo Grande - Mato Grosso do Sul - Produção de leite (de vaca)
publicado em 31/05/2012
Prezado Paulo,
Muito boa como sempre as suas considerações de infinita valia à todos...
obrigado por sua presteza e continue postando SEMPRE, pois acredito que a silagem
de boa qualidade é realmente o caminho para o sucesso da atividade leiteira no país.
OBRIGADO.
Concórdia - Santa Catarina - Méd. Veterinário
publicado em 15/06/2012
Prezado João Paulo,
Na verdade, CNF e CNE não são sinônimos. Os termos são diferentes justamente porque há compostos que são estruturais, fazendo parte da parede celular, mas não são fibrosos. Como é o caso da pectina, que tem fermentação mais lenta que o amido.
Certo, Prof. Mühlbach?
Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Consultoria/extensão
publicado em 15/06/2012
Prezado Cássio,
Com efeito, CNF e CNE não são a mesma coisa, por exemplo, uma silagem de milho com 45% de FDN, poderá apresentar 41% de CNF e 35% de CNE, sendo a diferança devida à pectina e aos ácidos de fermentação. Agora, nem sempre a pectina terá uma fermentação mais lenta do que o amido, depende do tipo de amido (por exemplo, sorgo) e do tipo de processamento sofrido pela pectina (por exemplo, duração de um período de ensilagem).
Obrigado pela participação.
Paulo
Rio Pomba - Minas Gerais - Estudante de Zootecnia
publicado em 17/06/2012
Prof. Paulo,
Qual técnica você me indicaria para avaliar a pH e densidade de silos tipo trincheira e de superfície? Li um trabalho do Sr. e fiquei com dúvidas principalmente sobre a amostragem. Irei fazer um levantamento das práticas de cultivo e ensilagem do milho no município de Rio Pomba-MG e gostaria de saber mais sobre a determinação de densidade.
Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Consultoria/extensão
publicado em 17/06/2012
Prezado Paulo César,
Recomendo a leitura do seguinte artigo, no link : http://www.scielo.br/pdf/rbz/v36s0/13.pdf
intitulado "Avanços metodológicos na avaliação da qualidade da forragem conservada" onde você encontrará a informação que busca.
Cumprimento-o pela iniciativa da realização do levantamento.
Saudações,
Paulo
Caratinga - Minas Gerais - Produção de leite (de vaca)
publicado em 17/06/2012
Prof. Paulo,
uma pergunta sobre o sorgo. Plantamos na safirnha uma pequena quantidade, e resolvemos cortar um pouco verde, sem ensilar, devido à quantidade plantada e pelo fato de não temos no Brasil máquinas acopladas que de fato consigam cortar os grãos de sorgo adequadamente. Quais seriam as características desse sorgo, colhido com grãos um pouco em formação, e colocado diretamente no cocho. O amido seria o mesmo do milho? Esses grãos teriam carbohidratos precursores de amido? QUais seriam eles? O caule seria mais rico em carbohidratos, já que estaria transportando os ingredientes para formar os grãos e o amido? O carbohidrato seria a frutose? Existem dados de conteúdo de FDN no sorgo nesse estágio?
Agradeço antecipadamente.
Eduardo Côrtes
Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Consultoria/extensão
publicado em 17/06/2012
Prezado Eduardo,
No Radar Técnico "Conservação de Forragens", aqui do MilkPoint, você encontrará essa informação sobre o sorgo, em seis partes, postadas pelo Dr. João José de Abreu Demarchi, a começar na data de 14/07/2000. Uma informação precisa e valiosa, que, certamente, esclarecerá as suas dúvidas.
Abraço,
Paulo
Rio Pomba - Minas Gerais - Estudante de Zootecnia
publicado em 17/06/2012
Muito obrigado Prof. Paulo
Grato
Lavras - Minas Gerais - Estudante
publicado em 18/06/2012
Paulo.
Gostaria de saber se neste concurso da fundação ABC, é regulamentado uma altura de corte padrão? Pois isto pode afetar diretamente no valor nutricional da silagem. Quanto mais alta a altura de corte melhor será este valor nutricional. Desde já agradeço pela atenção e fico no aguardo de sua resposta.
Att,
Gustavo Salvati
Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Consultoria/extensão
publicado em 18/06/2012
Olá Gustavo,
A sua pergunta é bem pertinente. Como não sei a resposta, repasso o e-mail do Igor Carvalho, que obtive no portal da Fundação ABC: igor@fundacaoabc.org.br, pressupondo que ele possa respondê-la.
Saudações,
Paulo
Castro - Paraná - Pesquisa/ensino
publicado em 18/06/2012
Olá Gustavo. Sim, a altura de corte influencia a qualidade da silagem. Quando o produtor decide erguer o corte, melhora a qualidade mas perde produção. Assim, no concurso, cada produtor corta na altura que considera mais adequada para a sua situação.
Lavras - Minas Gerais - Estudante
publicado em 19/06/2012
Agora entendo os dados de 36% de FDN..... desde já agradeço pela atenção
Att,
Carambeí - Paraná - Produção de leite (de vaca)
publicado em 20/06/2012
Prezado Gustavo,
Como produtor da região de Castro, gostaria apenas de lembrar que as silagens inscritos neste concurso, conforme o próprio regulamento deixa claro, são amostrados conforme critérios bastante rígidos, e devem, obrigatoriamente, ser retirados de silos abertos e em uso no trato dos animais.
Portanto, não teria sentido nenhum elevar o corte apenas para melhorar a posição em um concurso e ao mesmo tempo diminuir produção de milho, correndo-se o risco de deixar os animais sem alimento suficiente (lembro que boa parte dos produtores da região de Castro trabalha com produções altíssimas por hectare, já tendo sua área bastante utilizada, sem a possibilidade de se dar ao luxo de perder produção).
Em resumo, pelo que vejo na prática, comparando análises bromatológicas com as de silagens de meus vizinhos, teores de FDN ao redor de 40-42% são bastante comuns, e já vi também diversas análises de 37-40%. Com milhos cortados a aproximadamente 40cm do solo. Mas é claro, há também silagens de 45-50%, nem sempre se consegue as condições climáticas ideais.
Castro - Paraná - Pesquisa/ensino
publicado em 20/06/2012
Cláudio, obrigado pelas considerações, foi bem claro. Apenas confirmando para o Gustavo o que você disse: as amostras que participam do concurso são de silos comerciais, que estão sendo usados pelos produtores no trato das vacas. Não são de experimentos, nem de parcelinhas. Os produtores necessitam produzir silagem de qualidade mas também com grande volume de massa. Por isso, não podem se dar ao luxo de erguer o corte somente para participar do concurso e depois faltar comida para o gado. Aqui na região as lavouras são cortadas entre 30 e 40 cm de altura.
Lavras - Minas Gerais - Estudante
publicado em 20/06/2012
Prezado Igor,
Gostaria de saber de você quais as principais vantagens na sua concepção de trabalhar com uma altura de 40 cm de colheita? Desde já agradeço pela atenção e fico no aguardo de sua resposta.
Att,
Castro - Paraná - Pesquisa/ensino
publicado em 25/06/2012
As vantagens de cortar a 40 cm em relação a que altura?
Lavras - Minas Gerais - Estudante
publicado em 30/06/2012
a alturas mais baixas. De 20 cm ...por exemplo......?
Caratinga - Minas Gerais - Produção de leite (de vaca)
publicado em 02/07/2012
Prezado Gustavo,
vamos aguardar o comentário do Igor Carvalho, certamente com muito mais densidade que o meu. Mas gostaria de compartilhar com todos uma aritmética simples que fiz há algum tempo para tomar minha decisão de corte alto e envolver meu pessoal com ela. Geralmente cortávamos com uns 10 cm de altura, e hoje tentamos cortar o mais alto possível, o que provavelmente está nos 40 cm em média. Minhas contas são baseadas em uma quantidade média de 57.000 plantas/ha que conseguimos em nossos plantios de 20 ha.
Se cortamos 30 cm a menos por pé, em 1 ha teremos o curioso número de 17.100 m de cana de milho que, por ser a da base da planta, será a mais grossa, já secando, e provavelmente com mais fibras, Esses 17,1 Km de cana a mais por ha, nos 20 ha que plantamos serão 342 Km a mais de cana meio seca de milho que teremos de cortar, transportar, ensilar, socar, cobrir com lona, e cercar.
Raciocinando em termos de peso, um pé de kilho tem 2,80m, pesando em torno de 900 g, onde a espiga pesa em média 500 g. Um pé com essa dimensão vai pesar umas 400g, descontado a espiga; 30 cm então pesariam em torno de 55g pelo menos, considerando que ela é mais grossa que o restante do pé da planta. Por hectare seriam 3,135 ton de cana de milho, e em meus 20 ha seriam 62,7 ton a mais que eu teria, novamente, de cortar, transportar, ensilar. Tudo isto para um material de baixa capacidade nutricional.
Se eu não cortar e deixar essa cana de milho na lavoura, serão 3,1 ton de matéria orgânica a mais por ha, com potássio, etc, e ainda melhorando o orgânico do terreno.
Esses números, claro, são estimados e vão variar de plantio a plantio, mas em média é o que conseguimos em nossa propriedade, variando um pouco a mais, um pouco a menos, dependendo do tempo, da motivação dos funcionários, etc.
Se essa matéira de baixo valor nuitritivo vai fazer falta para encher a barriga da vaca, em propriedades que não têm muita capacidade de produção de comida, não vou discutir, Mas como dizem, estaremos apenas enchendo a barriga de vacas em propriedades que não estão dimensionando bem sua lotação.
Um abraço
Castro - Paraná - Pesquisa/ensino
publicado em 03/07/2012
É isso aí. Se precisa de comida, corta baixo. Se tem área disponível, pode levantar.
Carambeí - Paraná - Produção de leite (de vaca)
publicado em 22/08/2012
Só pra polemizar um pouco quanto a altura de corte, muitos produtores não possuem área sobrando, então aproveitam toda a área no inverno para produzir alimento para o gado. Muitos trabalham com pré-secado de aveia ou azevém. Se o milho for cortado a 40cm, e não for feito um preparo posterior da terra (o que muitas vezes não é feito, seja por custo extra gerado, relaxo ou simplesmente falta de o produtor achar necessário), no momento em que esse azevém/aveia for cortado e posteriormente recolhido, os 20cm de cana (ou 17,1km lineares por ha, como o Eduardo bem calculou) virão para o cocho da vaca de brinde. Com o bônus de estarem podres, com micotoxinas e todas as outras "vantagens" proporcionadas. Ou seja, nesses casos, é melhor cortar o milho baixo mesmo.
Por outro lado, um bom manejo de corte alto proporciona algumas outras vantagens, como a menor extração de nutrientes. Não sei os valores exatos, mas já vi cálculos bastante generosos quanto à diferença na extração de potássio, por exemplo. No preço atual dos insumos, é de se fazer pensar.















Rafael
Pilar do Sul - São Paulo - Produção de leite (de vaca)
publicado em 15/05/2012
Parabéns Paulo, como sempre muito esclarecedor.
Até que ponto a escolha do hibrido se torna importante?
No concurso de silagens, aparece apenas 2 empresas de híbridos, isso ocorreu porque esses híbridos são os melhores para silagem, ou é porque são as mais utilizadas na região de castro e Carambeí?
Obrigado...