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Forrageira de alta qualidade, um insumo escasso no nosso meio?
Os demais componentes necessários para maior produtividade, como os alimentos concentrados, os suplementos especiais (como gordura e proteína protegidas da fermentação no rúmen), minerais quelatados, os aditivos em geral, os equipamentos e maquinário, a somatotropina, a genética, os medicamentos e, mesmo, a capacitação da mão-de-obra e seu gerenciamento, enfim, todo e qualquer aspecto adicional de infra-estrutura e insumos que propiciem o bem-estar da vaca de boa produção leiteira e garantam a qualidade do leite, nós podemos, com maior ou menor empenho e dificuldades, produzir e reproduzir, satisfatoriamente, nas nossas diversificadas condições de exploração.
Entretanto, por razões climáticas, a produção de forrageiras das regiões temperadas, com teor de FDN (fibra em detergente neutro) não superior a 50% da matéria seca (MS) da planta, fica restrita aos períodos de outono-inverno, especialmente na Região Sul.
O que é FDN?
A FDN de uma forrageira afeta a sua ingestão pela vaca
Essas forrageiras, denominadas também de plantas C3 (em razão de a molécula inicial, formada na fotossíntese, apresentar 3 átomos de carbono) toleram baixas temperaturas e menor luminosidade, sendo exemplos a alfafa, o azevém, a aveia, os trevos.
A limitação das gramíneas tropicais
A lignina é a substância que, quando em maior concentração, garante a rigidez dos tecidos, necessária para o porte geralmente ereto das gramíneas tropicais, aspecto importante para um rápido desenvolvimento nos períodos de ambiente favorável dos trópicos (suficiente umidade, altas temperaturas e muita luminosidade). Como consequência desse rápido crescimento, a grande maioria das gramíneas C4 apresenta menor teor de FDN somente durante um período relativamente curto.
De modo geral, o teor de FDN dessas gramíneas, quando oferecidas aos animais, situa-se bem acima de 55% da MS, o que restringe o seu consumo pela vaca leiteira, basicamente devido à lenta fermentação no rúmen, resultando em períodos mais longos de enchimento gástrico.
A importância da fibra e seu efeito no consumo
Avaliando-se os resultados de muitas pesquisas, constatou-se que uma vaca consome, mais ou menos, o equivalente a 0,9 % do seu peso na forma de FDN proveniente de forrageira, ou 1,2% do seu peso na forma de FDN da dieta total (portanto, incluindo a FDN do concentrado). Por exemplo, uma vaca de 650 kg consumiria, então, ao redor de 5,9 kg de FDN de forrageira (650 kg x 0,9%). Essa relação entre um percentual do peso e o teor de FDN da forrageira permite uma estimativa do seu potencial de consumo e esses valores não são totalmente rígidos, podendo apresentar uma certa variação.
Como a forrageira de alta qualidade faz a diferença
Para produzir 45 litros/dia, o consumo diário de MS da vaca de 650 kg não chega a ultrapassar os 24 kg, mesmo se a dieta apresentar, apenas, 25 % de FDN (resultando num consumo de, no mínimo, 6 kg de FDN). Daí, a ingestão máxima de concentrado (com 12% de FDN na MS), não deverá exceder 13 kg de MS/dia, o que corresponde a 1,5 kg de FDN proveniente do concentrado (13 kg MS x 12% FDN).
Como já visto, para manter o rúmen funcionando normalmente, no mínimo 4,5 kg da FDN dessa dieta (75%) deverão ser da forrageira (6,0 kg de FDN total – 1,5 kg de FDN do concentrado). Se a forrageira for de qualidade sofrível, com FDN de 65% na MS, seu consumo estimado será de, apenas, uns 7 kg de MS (4,5 kg FDN/65% FDN), porém se esse volumoso apresentar 40% de FDN, o consumo alcançará 11 kg de MS (4,5 kg FDN/40% FDN), ou seja, uns 4 kg de MS a mais, possibilitando à vaca de 45 l/dia realizar seu potencial de consumo total de 24 kg de MS (13 kg do concentrado + 11 kg da forrageira) o que, novamente, para a vaca, implicará em grande diferença.
No caso de se tentar fornecer a essa vaca uma dieta com forrageira de baixa qualidade, não será possível “compensar” sua baixa ingestão com mais concentrado, o que, além de ser antieconômico, afetará a saúde do rúmen, causando queda do teor de gordura do leite e acidose. Na verdade, em tais condições fisiológicas de acidose de rúmen, o consumo máximo de alimento nunca será alcançado, pois, além de inibir o apetite, o excesso de concentrado deprime o consumo da forrageira.
A opção de forrageira tropical de alta qualidade
A esta altura caberia a pergunta: além da alfafa, aveia, azevém, trevos e demais leguminosas, cujos cultivos apresentam restrições climáticas, existiria uma outra opção de gramínea C4, com um teor de FDN que se aproxime do baixo teor das forrageiras C3 e que seja capaz de ser produzida, de modo sistemático e com alta produtividade, em situações climáticas diversificadas?
A resposta é afirmativa, seria a planta inteira de milho, usando-se o híbrido mais adequado a cada região, colhido no ponto certo.
Todavia, para que essa forrageira, originária dos trópicos, apresente um teor de FDN inferior a 55%, na forma de silagem, além do ponto de corte, a técnica de conservação deverá ter cuidados especiais, o que mereceria uma discussão específica em outra oportunidade.
ADENDO (em 13.04.): Para consubstanciar minhas informações, deixo uns dados da literatura nacional sobre teores de FDN de gramíneas tropicais.
ADENDO (14.04.)
ADENDO 2 (14.04)
ADENDO de 17.04.
Comentários:
Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Consultoria/extensão
publicado em 05/04/2012
Valeu Geisson, obrigado!
Pilar do Sul - São Paulo - Produção de leite (de vaca)
publicado em 09/04/2012
Ótimo artigo!
Muito esclarecedor.
Você poderia me informar se cortar o Tifton verde com altura em torno de 40 cm, ele terá o FDN baixo. Já que não consigo fazer minha silagem com FDN abaixo de 55%
Obrigado...
Quedas do Iguaçu - Paraná - Produção de leite / acessoria
publicado em 09/04/2012
Caro Paulo,
O uso de gramíneas C4, devidamente cultivada, adubada intensivamente e efetuado seu corte precoce não permite alcançar tal nível de qualidade?
Isso sacrificaria a produtividade destes materiais. No entanto, como tais plantas tem uma alta taxa de crescimento em clima tropical, como o nosso, ainda apresentariam alta taxa de produção.
Abraço
Michel Kazanowski
Guilherme Alves de Mello Franco
Juiz de Fora - Minas Gerais - Produção de leite (de vaca)
publicado em 10/04/2012
Prezado Paulo: Por estas questões - pouco divulgadas - é que, cada dia mais, o sistema de criação por confinamento integral de gado de leite vem avançando e se tornando o sistema a ser adotado em futuro bem próximo e justifica seu crescimento a nível mundial. Veja você, que está no Rio Grande do Sul, um dos melhores Estados para a produção de pastagens, que a dificuldade de manter um pastejo adequado à altas produções é de grande monta. Imagine em localidades em que o pasto, por si só, já é difícil (o que não é raro, no Brasil)?
Um abraço,
GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO
FAZENDA SESMARIA - OLARIA - MG
=HÁ SETE ANOS CONFINANDO QUALIDADE=
Bom Despacho - Minas Gerais - Produção de leite (de vaca)
publicado em 10/04/2012
Prezado Michel,
Esse tipo de manejo não compromete as plantas? A vida útil das pastagens não será prejudicada? Seria pastejo ou colheita mecanizada? O custo-beneficio seria compensador se comparado com o milho?
Um abraço
Ronaldo
Camacan - Bahia - Produção de leite (de vaca)
publicado em 10/04/2012
O pastoreio em piquetes de amendoim forrageiro, em tempo previamente determinado por dia, em regiões de clima quente e úmido, contribuiria de alguma forma para amenizar a situação do FND alto em nossas pastagens?
Em que grupamento se enquadraria a leguminosa acima citada, C3 ou C4?
Campo Grande - Mato Grosso do Sul - Produção de leite (de vaca)
publicado em 10/04/2012
JOVANI B. DA SILVA
CAMPO GRANDE MS
Sr Paulo, muito bom seus esclarecimentos Parabens...
Chiapeta - Rio Grande do Sul - Produção de leite (de vaca)
publicado em 10/04/2012
bom dia, professor exelente seu artigo, obrigado por compartilhar o seu conheimento conosco, e ja estou ancioso para ler a sequencia da materia sobre ponto de corte, a técnica de conservação deverá ter cuidados especiais.
abraços.
Caratinga - Minas Gerais - Produção de leite (de vaca)
publicado em 10/04/2012
Muito esclarecedor o artigo. O sorgo e girassol seriam comparáveis ao FDN do milho?
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Produção de leite (de vaca)
publicado em 10/04/2012
Professor, sempre digo: vaca é uma máquina que transforma materia prima de baixa qualidade em produto de altissimo valor agregado(o leite), daí ser uma máquina tão complexa! Entender dela é essencial! Seu artigo ajuda muito a nós leigos nessa dificil missão de entender de vaca!Parabens. João
Ijuí - Rio Grande do Sul - Consultoria/extensão
publicado em 11/04/2012
ola professor
muito interessante seu artigo, pessoas como o senhor devem escrever todos os dias um artigo neste padrao, uma vez que a area de nutricao como um todo sempre e esquecida pela maioria, infelizmente as pessoas nao lembram que o leite entra pela boca....
abraco fico no aguardo de mais artigos.....
teofilo otoni - Minas Gerais - Produção de leite (de vaca)
publicado em 11/04/2012
Professor:
Pena que depois de tanta explicação sobre FDN, C3e C4 você tenha restringido ao maximo a nossa opção de forrageira tropical, nos deixando em suspense.
Creio eu que muito melhor seria o Sr com tanto conhecimento nos fornecer uma diretriz de forrageira e seu ponto exato de corte deixando a esplicação de FDN para o resumo
Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Consultoria/extensão
publicado em 13/04/2012
Prezados participantes do blog,
Após alguns dias de ausência, retorno para procurar responder, inicialmente, aos comentários mais inquisitivos.
Devo dizer que não sou um especialista em forrageiras tropicais, mas tenho procurado dados da literatura nacional e estrangeira e, raramente, encontra-se dados de composição bromatológica com teores de FDN que não sejam superiores a uns 55% da MS.
Adicionei alguns dados da literatura nacional ao texto do blog, como ADENDO.
Chama a atenção o artigo com braquiária humidícola, onde não foram constatadas diferenças nos teores de FDN, comparando-se idades de rebrota de 14 a 56 dias e níveis de adubação nitrogenada de 0 a 400 kg de N/ha. Todos os valores de FDN são elevados.
Resultados similares são os com capim-elefante, à exeção da cultivar Roxo que com 28 dias de rebrote apresentou o menor teor de FDN, ainda assim, de 62,4%, muito elevado para propiciar alto consumo de MS.
Na pesquisa de Costa e colaboradores, em Goiás, o capim Marandú mostrou teores de FDN acima de 60% no período da seca, chegando a 80% no período das águas.
Em relação às observações do Rafael e Michel, associo-me aos questionamentos do Ronaldo quanto à economicidade do processo de colher a forrageira tropical com poucos dias de rebrote e com baixo rendimento.
O último trabalho, realizado em Nova Odessa, SP, com Marandu, Setária e Tanzânia, colhidos aos 35 dias de rebrota no outono é que apresenta uns teores mais razoáveis de FDN, porém num período de baixo crescimento.
Se tais tipos de gramíneas tropicais pudessem ser produzidas, consistentemente e economicamente, com baixos teores de FDN, o Brasil já estaria inundando o planeta com leite...
Caratinga - Minas Gerais - Produção de leite (de vaca)
publicado em 13/04/2012
Prezado Professor,
muito bom o tema levantado, e obrigado pelas infornações sobre essas forrageiras, de uso tão generalizado no Brasil.
Mas ainda faço a pergunta sobre dados das silagens de sorgo, girassol e milheto, já que o sr. disse que a planta interia do milho seria a única que teria FDN abaixo dos 55%. Os inoculantes alterariam os teores de FDN em silagens de milho ou capim elefante?
Obrigado
Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Consultoria/extensão
publicado em 14/04/2012
Prezado Jackson,
Conforme você pode constatar no ADENDO de hoje (14.04) ao post, acima, o amendoim forrageiro, uma leguminosa, portanto planta C3, apresenta teores de FDN compatíveis com um maior consumo.
Seu pastejo controlado, como "banco de proteína", contribui para aumento da ingestão da parte forrageira da dieta para produções de, até, uns 30 litros/vaca. Acredito que o manejo dessa leguminosa no pastejo não seja fácil, de modo a manter sua persistência como pastagem.
Não tenho experiência com a ensilagem dessa planta, mas acho que seja possível, de preferência fazendo uma pré-secagem (emurchecimento) e adicionando um bom inoculante.
A ensilagem em corte direto fica dificultada pelo alto teor de água, quando será necessário dar vazão ao "chorume" de dentro do silo, sob pena de apodrecimento do material. Lembro que o efluente (chorume) é altamente poluente ao ambiente.
Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Consultoria/extensão
publicado em 14/04/2012
Prezado Eduardo,
Seus questionamentos são pertinentes. Mas, vamos relembrar: afirmei que a planta inteira de milho pode apresentar um teor de FDN próximo ao das forrageiras C3, sendo uma forrageira capaz de ser produzida de modo sistemático e com alta produtividade em diferentes condições climáticas.
De fato, sorgos graníferos, milhetos e girassol podem apresentar teores de FDN abaixo de 55%, como o milho. Entretanto, o girassol, na forma de silagem, apesar de apresentar um baixo FDN, tem um caule muito lignificado, de baixa digestibilidade e sua silagem apresenta baixo teor de MS, o que prejudica sua fermentação e, com isso, seu consumo pelo animal.
O milheto não pode competir com o milho em termos de produtividade, apesar de, quando bem manejado, apresentar teores de FDN adequados a um maior consumo.
Já os sorgos forrageiros, em que pese a maior produtividade, geralmente, apresentam teores de FDN acima de 60%, quando colhidos para a ensilagem.
No ADENDO 2 (14.04) ao post, deixo alguns dados da literatura nacional, onde você poderá verificar essas características mencionadas.
Assim, fica difícil a qualquer uma dessas opções suplantar a planta inteira de milho, em termos de qualidade e de produtividade. O sorgo granífero é a opção que mais se aproxima dessas vantagens do milho, até por ser uma planta mais tolerante ao déficit hídrico.
Uma fermentação bem conduzida na ensilagem e os devidos cuidados na "desensilagem" do milho podem favorecer um teor de FDN mais baixo, o que pretendo abordar, especificamente, mais adiante.
Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Consultoria/extensão
publicado em 14/04/2012
Prezados Guilherme, Jovani, Ademar, João Marcos e Rodrigo,
Agradeço pelos comentários e manifestações.
A minha satisfação está em poder prestar alguma contribuição aos interessados na alimentação da vaca de alta produção leiteira, pois quem entender como a FDN afeta o consumo, já está com mais de meio caminho andado.
Campo Bom - Rio Grande do Sul - Produção de leite
publicado em 16/04/2012
Parabéns pelo artigo, ficou evidente a importancia da qualidade da forrageira para altas produções de leite. Entretanto ainda tenho algumas dúvidas.Uma delas é que uma boa silagem de milho tem uma percentagem alta de grãos de milho, então como ela se diferencia de uma silagem de capim misturada com mesma percentagem de grãos de milho ? O FDN da mistura será equivalente ?
Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Consultoria/extensão
publicado em 16/04/2012
Prezado Jaime,
A proporção de grãos numa silagem de planta inteira de milho pode estar entre 45% e 50% da MS, dependendo da altura de corte e do tipo de híbrido (para grão, ou para silagem) e o teor de FDN da silagem pode variar de menos de 50% a mais de 60%.
Devo ressaltar que, para fins de estimativa de consumo de uma forrageira, o teor de FDN a considerar é o da própria forrageira, e não o da mistura de forrageira com grãos.
Mas você pode, teoricamente, misturar qualquer "capim" com grão de milho de modo a alcançar um teor de FDN, por exemplo, de 30%, mas isso não significa, necessariamente, que a mistura seja adequada para maximizar o consumo.
As coisas são bem mais complexas do que o modo simples (quase simplório) como estou tentando repassar aqui no texto, pois além do teor de FDN de uma dieta, também deverá ser considerada a proporção de concentrado na mistura.
Numa dieta para vaca em lactação, a quantidade de concentrado nunca deverá exceder os 60% da MS ingerida, o que poderia acontecer, caso a mistura, para chegar a 30% de FDN, fosse com uma forrageira de alto teor de FDN (por exemplo, capim-elefante, de 2 m de altura, com 80% de FDN).
Como já dito, não se pode "compensar" baixa qualidade de forrageira com excesso de concentrado. O "segredo" do alto consumo de alimento (e maior produção) está na qualidade do volumoso.
Panambi - Rio Grande do Sul - Revenda de produtos agropecuários
publicado em 17/04/2012
Brilhante Professor
Gostaria de saber qual o potencial de uma combinaçao de silagem de milho(55 FDN ou menos) com Pre secado de azevem(alta qualidade)?
Sera que poderiamos trabalhar abaixo de 40% de concentrado na dieta de alta produçao?
Obrigado.
Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Consultoria/extensão
publicado em 17/04/2012
Prezado Hugo,
Para responder tua pergunta "grosso modo" adicionei mais uma tabela ao "post" (ADENDO 17.04.) onde poderás verificar que, com uma combinação de volumosos, como os a que te referes, cujos teores não excedam 50% de FDN, a quantidade de concentrado necessária excederia os 10 kg diários somente quando a produção de leite passar, mais ou menos, dos 40 l/dia.
Essa Tabela da Universidade de Wisconsin, à qual adaptei a qualidade das forrageiras, também mostra que, com volumoso de baixa qualidade, para uma produção de 30 l/dia, a quantidade de concentrado necessária já é excessiva, criando problemas de saúde ao animal.
Sem dúvida, quem dispor de silagem de milho com baixa FDN e pré-secado de azevém, de alta qualidade, está "com a faca e o queijo nas mãos".
São Manuel - São Paulo - Consultoria/extensão rural
publicado em 17/04/2012
Prezado Paulo,
Parabéns pela escolha do tema e dados fornecidos e explanados em seu post.
Tenho encontrado muita dificuldade em "promover" consumo de MS advindo da pastagem quando me deparo com animais com maior potencial de produção (animais holandeses em pastejo ou com maior grau de sangue holandês, bem como cruzados com demais raças leiteiras do continente europeu). São animais com maior capacidade de ingestão e melhor conversão, no entanto, mesmo manejando bem a pastagem (controle da altura de resíduo) o efeito substitutivo tem impacto significativo nos resultados. Na prática, se "cortamos" a suplementação no cocho (volumoso + concentrado) para "forçar" maior ingestão de pasto a produção cai, mesmo no verão. E qual seria a solução?
Tenho debatido muito isso com produtores (capacidade efetiva de ingestão de forragem via pasto) e acredito que o melhor caminho seria a escolha correta do padrão racial do rebanho submetido ao regime de pastejo (rotacionado/intensivo). Sob o meu ponto de vista, animais especializados (ou com maior potencial de produção, mesmo que oriundos de cruzamentos) merecem e devem ser submetidos à um regime integral de confinamento. Animais menos especializados com menores requerimentos podem e devem ser explorados sob o regime de pastejo e suplementação somente com concentrado (ração), no verão.
Seus números (apresentados acima) esclarecem muito bem isso. Podemos verificar que, em alguns casos, mesmo forrageiras nobres como o Tifton-85 encontramos elevados teores de FDN. Num dos seus quadros ilustrativos, temos um Tifton-85 com 18 dias (= novo/rebrota) com mais de 70% de FDN... De um modo geral, mesmo em condições de primavera verão, pelos números apresentados, podemos constatar valores de FDN de diferentes gramíneas tropicais oscilando entre 60 a 75% de FDN. O que é muito alto e, sempre irá gerar dificuldade de ingestão por parte dos bovinos.
Agora vamos à prática, novamente. Suponhamos que venhamos a oferecer para um suposto rebanho acesso à uma pastagem com 50% de FDN, conforme mencionado em seu texto. Seria o equivalente, de acordo com a capacidade máxima de ingestão via FDN aos 11,8 kg de MS de forragem, citados. Se oferecermos uma pastagem com 22% de MS, por exemplo, seria o equivalente a, praticamente, 54 kg de forragem. Na prática, até mesmo em programas de confinamento total temos dificuldade de fazer com que um animal consuma isso. Em outras palavras, em dietas com silagem de milho de qualidade, por exemplo, com 10 a 15 kg de suplementação entre concentrados e subprodutos (como polpa cítrica e caroço de algodão) conseguimos ingestões de 38 a 42 kg de MO (matéria original). Na prática, com qualquer tipo de forragem, a partir de 30 kg de MO o consumo começa a "ficar difícil". Se o animal estiver produzindo pouco leite, acredito que seja possível ingerir um pouco mais de volumoso (por podemos oferecer menor quantidade de concentrado e nos depararmos com menor efeito substitutivo).
O que o Sr. acha?
Um abraço!
Caratinga - Minas Gerais - Produção de leite (de vaca)
publicado em 17/04/2012
Prezado Professor,
obrigado pela resposta. Em minha região, a safrinha tem precipitação baixa, por isso perguntei sobre silagem de sorgo e girassol, mais tolerantes a deficit hídrico. NOssa estratégia tem sido milho (imbatível para silagem) na safra e uma alternativa na safrinha, como o sorgo.
Algum inoculante poderia reduzir fibras em uma silagem de capim, p.e.?
Aguardamos com grande expectativa sua anunciada publicação sobre ensilagem e desensilagem.
Um abraço e obrigado por dividir conosco seus conhecimentos.
Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Consultoria/extensão
publicado em 18/04/2012
Prezado João Paulo,
Obrigado pela participação e ponderações pertinentes.
De fato, é muito difícil conciliar alta produção com volumoso de qualidade insuficiente.
A pasto, em determinadas condições, uma vaca poderia colher, digamos, 0,3 g de MS por bocado; então para colher, por exemplo, 10.000 g de MS seriam necessárias umas 33.000 bocadas! Isso se a altura do pasto for adequada e o animal dispor de suficiente tempo para o pastejo (lembrando que a vaca não pasteja mais que 8 horas/dia).
Ainda tem o importante aspecto do bem-estar, que é difícil em determinados períodos a pasto (sombra e água fresca nas proximidades do pasto, topografia, condições de terreno, temperatura ambiente, etc.) o que afeta sobremodo a disposição para o pastejo.
Geralmente, as gramíneas tropicais cespitosas são manejadas em altura de pastejo de um metro, o que dificulta à vaca manipular os bocados com eficiência. Originalmente, em condições naturais, a vaca tem o pastejo ideal à altura de 15 a 20 cm. O bovino é um ruminante pastejador, e não selecionador/ramoneador, como a cabra, antílope, girafa, etc. Mas, obviamente, dispondo do tempo, a vaca procurará a forrageira de melhor qualidade, se houver suficiente oferta.
Temos que ter em mente que muitos experimentos a pasto, realizados com gado de corte, com exigências nutricionais muito aquém daquelas para a lactação , não podem ser referência de consumo para a vaca leiteira.
Em condições de confinamento, a vaca deveria dispor de todo o tempo que desejar para o acesso ao alimento fresco (e não, predominantemente, às sobras). Nos países do hemisfério norte, com escassez de mão-de-obra, existem máquinas que, permanentemente, empurram a dieta total misturada para dentro do cocho. Essa dieta é oferecida duas a três vezes ao dia, exatamente para estar fresca, palatável, estimuladora do consumo.
Sem dúvida, o efeito substitutivo do concentrado quase sempre se faz presente, e temos que minimizá-lo dentro do possível... e o assunto é vasto.
Quedas do Iguaçu - Paraná - Produção de leite / acessoria
publicado em 15/05/2012
Prezado Paulo,
Perdoe-me pela ausencia ao debate.
O que posso dizer a respeito do uso de forrageiras tropicais, por experiência, é que os dados de pesquisa que encontramos não condizem com o que vemos a campo. Talvez pelo método que a anaise tenha sido feita, seja pela época. Não sei.
Tenho aqui dados de analise bromatológica de Tifton 85 e Jiggs manejados com intervalo de pastejo de 19 dias, no centro-sul do PR, analisado no laboratório da Embrapa. Área que acompanho. Segue:
TIFTON 85
MS Total - 16,48
PB - 22,58
EE - 3,06
FB - 24,21
MM - 10,5
DIV - 74,12
NDT - 66,79
JIGGS
MS Total - 14,04
PB - 27,48
EE - 3,76
FB - 22,99
MM - 12,21
DIV - 65,32
NDT - 67,8
Quanto a redução dos dias de intervalo de pastejo. Este acaba sendo necessidade já que com o avançar do verão neste intervalo o pasto acaba passando do ponto, acamando e as perdas na eficiencia de pastejo acabam sendo muito evidentes. De forma alguma esse processo compromete o stand de plantas.
Quanto a economicidade deste sistema em comparação do milho, teriamos que comparar o custo da dieta baseada exclusivamente em silagem de milho e capim. Nunca fiz tal comparação. De qualquer forma, a margem bruta de 2011 ficou em R$ 10.286,37/ha/ano. O que não considero ruim. Ainda mais que esta propriedade esta longe de alcançar o maximo de seu potencial.
Acredito, pessoalmente, que ambas as gramineas (milho x pasto) terão resultados muito semelhantes, se manejados no mesmo nivel de tecnologia. De qualquer forma é muito díficil encontrar no Brasil lugar que produza pasto o ano todo, sendo indispensavel compensar com volumoso conservado. Nesse ponto a silagem de milho sem duvida seria a melhor opção para quem produz pasto.
Baseado em todas estas questoes que a uns 10 dias, em contato com pesquisadores e professores doutores da área, na Universidade Federal Tecnológica do Paraná, fechamos parceria na qual eles avaliaram amostras das duas áreas de pastejo ( Tifton e Jiggs) a cada ciclo de pastejo, afim de medirmos as variações bromatológicas no decorrer do ano, a produção anual de MS, a eficiencia de pastejo, a produção da aveia+azevem+trevo que é sobressemeado na mesma área no inverno, taxa de acidificação do perfil de solo pelo uso constante e pesado de adubação nitrogenada, principalmente uréia, NNP, FDN, entre outros ligados a produção de pastagem tropical, além da avaliação economica desse sistema. O material será publicado assim que concluido.
Abraço
Michel Kazanowski
Quedas do Iguaçu - Paraná - Produção de leite / acessoria
publicado em 15/05/2012
Continuando...
Nos Estados Unidos, onde trabalhei, balanceavamos dietas de lotes de vacas com 55 litros de média, com animais produzindo mais de 90 litros/dia. Estas dietas eram compostas com mais de 60% de volumoso. O que economicamente é excepcional, já que o custo do concentrado em muito excede o do volumoso, além de todo o benefício a saúde dos animais que consomem tal dieta.
A silagem de milho entrava com menos da metade da porção total do volume de forragem, o demais era complementado por pré-secado ou de alfafa ou azevem. A questão recai sobre a qualidade desses materiais e a dificuldade de produção no clima tropical brasileiro. No entanto, apesar da enorme qualidade que estas plantas produzem, sua produção anual de MS é baixa.
O que me vem em raciocinio é o seguinte: Com base nos dados de analise bromatológica acima editados, somado a uma produção de 30, 40, 50...ton MS/ha/ano, dependendo da região do país, não poderíamos, dessa forma, ter a maior produtividade por área do planeta associado ao menor custo de produção?
Abraço mais uma vez
Michel Kazanowski
Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Consultoria/extensão
publicado em 16/05/2012
Prezado Michel,
Mais uma vez, obrigado pela participação com as interessantes informações.
Como estamos constatando, tudo é dinâmico; as novas cultivares de capim bermuda são cada vez melhor adequadas para maiores consumos, pelos teores mais baixos de FDN que podem apresentar.
Por outro lado, nas análises mais antigas da fibra insolúvel em detergente neutro não se fazia a correção para as cinzas e proteína, o que dava valores mais altos.
As análises apresentadas são, de fato, de materiais excepcionalmentenmuito bons, com elevados teores de PB (que podem ser considerados até excessivos) e baixos teores de FB (fibra bruta). Aliás, melhor que a análise para FB é a análise para FDN.
Chama a atenção o teor de MS dos materiais, 16,5 e 14 %, então, característicos da planta tenra, na fase vegetativa, com boa qualidade, porém baixo rendimento por corte ou pastejo.
Seu relato do manejo demandado com essas gramíneas tropicais concorda com minhas afirmações quanto às dificuldades encontradas para garantir o menor teor de FDN possível, o que, contudo, não invalida o seu emprego, principalmente ao se considerar o clima prevalente aí em Quedas do Iguaçú e a produtividade de rebanho que, no caso, seria buscada.
Meus parabéns pela margem bruta/ha que está sendo alcançada e aguardo, com grande interesse, os resultados dos estudos com a Universidade.
Entretanto, julgo muito difícil alcançar as produções de até 50 t de MS/ha (!), especialmente considerando o estágio vegetativo aos cortes, na busca por melhor qualidade. Lembrando que altas produções também tem o seu custo (adubações, irrigação, etc.).
Bom Despacho - Minas Gerais - Produção de leite (de vaca)
publicado em 16/05/2012
Prezado Michel,
Você já mandou analisar o DNA desse tifton e desse jiggs? Uma graminea com valor nutritivo superior ao da alfafa é no algo fora da realidade, não tem como imaginar que nos EUA onde esses capins foram desenvolvidos eles não tenham percebido que haviam criado uma planta que fosse capaz de substituir o milho e com a vantagem de produzir mais. Será que Deus é brasileiro e nos presenteou com uma mutação nesses capins?
Um abraço
Ronaldo
Caratinga - Minas Gerais - Produção de leite (de vaca)
publicado em 17/05/2012
Prezado porfessor,
seu artigo gerou um proveitoso debate, e agradecemos por isto. Agradeço também a todos os que trouxeram informações.
Ainda continuo em dúvida sobre a possibilidade de inculantes em silagem de capim reduzirem fibras.
Obrigado
Caratinga - Minas Gerais - Produção de leite (de vaca)
publicado em 17/05/2012
Prezado Michel;
a bromatologia está muito boa, mas como podem acontecer erros em métodos de laboratório, involuntários na maioria das vezes, vou me permitir sugerir repetir o experimento e fazê-lo em triplicata, preferencialmente com as amostras sendo analisadas em laboratórios diferentes. Pare ser ainda mais rigoroso com a metodologia, seria bom que o laboratório fizesse o teste cego, em triplicata, e com uutra gramínea de controle.
Ninguém está duvidando, mas achados tão bons (e queremos todos que estejam corretos) necessitam ser repetidos. Aguardamos com grande interesse os resultados finais, e mais uma vez agradeço sua colaboração.
Quedas do Iguaçu - Paraná - Produção de leite / acessoria
publicado em 19/05/2012
Caro Paulo,
Acredito que temos em mãos uma excelente opção de planta forrageira para trabalharmos em dietas de vacas de alta produção, talvez não vacas muito acima de 40 litros dias, mas até ai vai muito bem.
Na verdade não sabemos ao certo até onde dá pra chegar. Em geral, os rebanhos trabalhados a pasto tem vacas de baixo potencial produtivo, mestiços, o produtor não faz um bom manejo zootécnico da sua fazenda entre tantos pontos mais. Em confinamento, pelo alto capital imobilizado, é crucial fazer o dever de casa para não trabalhar no vermelho.
Trabalhar com milho silagem é, sem duvida, uma ótima opção. Porém trabalhar com apenas uma opção de volumoso, que pode sofrer interferencias climáticas, seja seca, granizo, vento, ou doenças que comprometam sua qualidade é colocar todos os ovos em uma mesma cesta e, em anos como o atual, poder amargar um alto custo de produção.
O assunto é muito vasto para debatermos. O que me incomoda por parte de produtores é técnicos é um total preconceito quando se fala de capim C4. Como isso fosse uma praga que cobre os solos brasileiros. Que nos torna atrasado perante a produção de outros países, quando na verdade a pobre planta pouco tem a ver com isso. O que realmente nos torna atrasados é a má gestão dos nossos indices zootécnicos e economicos porteira adentro.
Caro Ronaldo,
Uma simples pergunta: Quanto % do território americano apresenta clima tropical? Nesse poucos % que tu for citar é usado pasto como fonte de volumoso?
Caro Eduardo,
Eu quando vi tais resultados foi uma surpresa tão quanto. Quando apresentei aos técnicos da UTFPR, pensei que eles também teriam a mesma reação. Me enganei. Eles desenvolvem atividades em algumas propriedades da região e as análises deles haviam dado uma boa semelhança, mesmo com apenas 2 anos de manejo. O que eles gostariam de saber, e foi nossa proposta, foi medir as variações durante os vários ciclos de pastejo, durante o seu periodo de produção. A analise que tenho em mão mediu FB, gostaria que a Embrapa tivesse analisado ao invés disso FDN e FDA. Faremos isso nas novas analises. Muito importante também, mediremos a produção de MS anual nesse tipo de manejo.
Como tu mesmo citastes, queira que seja correto, poderemos afogar o mundo com nossa produçao.
Abraço a todos
Michel Kazanowski
Quedas do Iguaçu - Paraná - Produção de leite / acessoria
publicado em 21/05/2012
Caro Paulo,
Fuçando pelos debates do site vi artigo seu sobre vacas de alta produção relatando a atual recordista mundial Ever-Green-View My 1326-ET.
Trabalhei nesta fazenda por um ano e meio e este animal nasceu nos meus braços no tempo que lá estava. Foi esta mesma fazenda que citei acima que usavamos dieta com mais de 60% de forragem na MS total. A média RHA deste rebanho hoje é de 16.489 litros. É surpreendente o que genética+conforto+alimentação pode fazer. Outro ponto que chamava a atenção era a persistencia de lactação. Mais que produzir muito no pico de lactação é produzir isso por muito tempo. Como as vacas eram coletadas continuamente, mesmo em lactação, e enquanto correspondiam, mantinhamo-as em lactação por tempo indeterminado. Fruto disso cerca de 15% das vacas ordenhadas ja estavam em lactação por mais de 1000 dias. Era comum essas vacas ultrapassarem mais de 100.000 libras em uma lactação.
Algo curioso que tinhamos no manejo das vacas, que eram confinadas, que elas dispunham de uma area de pasto, de uns 2 ha, no qual as levavamos todos os dias, faça chuva, sol ou neve, para ficar por cerca de 4 horas. Nessa hora que identificavamos cio e problemas de deslocamento.
Nada de luxo, muito moderno ou exuberante havia naquele local. Alias o estabulo das vacas tinha mais de 100 anos, o trator, coitado, um Case da época que eles vinham na cor branca e não vermelha, a ordenha era a mesma de quando o Thomas, dono da fazenda, ordenhava, quando adolecente, ele está com mais de 60 hoje.
Atender as necessidades básicas das vacas é o que precisamos fazer para produzir muito e lucrar no mesmo nível nessa atividade. No Brasil costumamos distorcer o significado de tecnologia, onde o belo, o sultuoso, é o tecnológicamente avançado.
Abraço,
Michel Kazanowski
Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Consultoria/extensão
publicado em 21/05/2012
Caro Michel Kazanowski,
Parabéns, rapaz! Está muito bem evidenciado o fato que soubeste aproveitar as boas oportunidades que tiveste, compartilhando agora, generosamente, tuas experiências e conhecimentos.
Sem querer dar uma de saudosista, apenas relatando a coincidência, quando adolescente tive a oportunidade de conviver um ano (1963/64) numa pequena fazenda no meio-oeste americano, voltando de lá decidido a cursar Agronomia e focar em produção leiteira, o que tento fazer até hoje, embora, isso seja, apenas, de modo acadêmico.
Concordo, a atividade leiteira racional não comporta o luxo, sem, todavia, abrir-se mão do que seja uma tecnologia verdadeira.
As mudanças estão em marcha, o conhecimento começa a chegar no seu público-alvo pelas atuais facilidades de comunicação e pelo idealismo ainda existente.
Abraço,
Paulo
Caratinga - Minas Gerais - Produção de leite (de vaca)
publicado em 21/05/2012
Prezado MIchel,
interessante sua experiência nos EUA. Onde é essa fazenda em que trabalhou? Você poderia nos dizer quem é o pai dessa recordista e qual a sua produção?
Aquela pergunta que você deixou acima, sobre o % do território americano que apresenta clima tropical, e se nesse clima eles usam pasto. Você poderia nos falar um pouco sobre isto?
Quando finalizar a experiência com a universidade, poderia falar para nós sobre os resultados aqui neste espaço?
Obrigado por nos falar de sua interessante experiência.
Um abraço
Quedas do Iguaçu - Paraná - Produção de leite / acessoria
publicado em 22/05/2012
Caro Paulo,
Imagino, como deve ser ver a pujante agricultura americana de hoje tendo convivido com a realidade da década de 60 por lá. É uma experiência fantástica este intercâmbio cultural.
Quando voltei cheguei a prestar vestibular. Faltaram alguns pontos para entrar no curso de agronomia na UEM. Acabei me envolvendo na atividade leiteira e não pude mais voltar a vida acadêmica. Embora não somente nas cadeiras universitárias reside o conhecimento. É a curiosidade e a experimentação que nos move.
Hoje o grande avanço que vive a agricultura brasileira esta pautado na democratização do maior dos insumos que compoe qualquer produção, o conhecimento. É muito fácil trocar informações, encontrar anais, pesquisas ou debates, como esse. Tudo oriundo dos novos meios de comunicação.
Abraço
Michel Kazanowski
Quedas do Iguaçu - Paraná - Produção de leite / acessoria
publicado em 22/05/2012
Caro Eduardo,
A fazenda está na "Dairy Land" americana, Wisconsin. Embora, hoje este não seja mais o maior estado produtor, concerteza é o mais tradicional. A dita é uma filha de Morty, sua produção na primeira lactação, aos 2 anos de idade, foi de 16.780 litros. A segunda lactação, aos 3 anos, 20.800 litros. Aos 4 anos e 5 meses, incríveis 32.735 litros. Esta vaca não teve nenhum tratamento especial, aliás nenhuma tinha, estava no estábulo junto com todas as outras vacas, comendo a mesma dieta. Foi uma surpresa para o próprio produtor, que nunca imaginava uma ascenssão tão grande na terceira lactação. Ela tem várias irmãs filhas de O-Man, Titanic, Picston Shottle, Goldwin, mas nenhuma passou de 20.000 litros. Coisas da genética.
Infelismente não tive a oportunidade de visitar fazendas ao sul. Porém em estados como Flórida, Carolina do Sul e Califórnia é comum vacas se alimentando no pasto. Isso que o clima lá nem é tropical, eqivale-se ao sul do Brasil. Numa avaliação feita em 2009, no meio da crise do leite americana, constatou-se que aqueles que adotavam pasto estavam se saindo financeiramente bem melhor que os que adotavam confinamento. Por que então a grande predominância de confinamento por lá?
Fiz essa pergunta ao Thomas uma vez e ele me respondeu: Se eu pudesse, como você, manter minhas vacas o ano todo no pasto, eu o faria. Infelismente é impossível, já que boa parte do ano não há produção de forragem. É besteira fazer os dois. Ou se confina ou se pasteja. Se não dá pra pastejar o ano todo, ou a maior parte dele, se confina.
A alta produtividade animal americana se dá por uma simples questão. Otimizar o custo de alojamento de um animal confinado. O custo fixo não muda se tu tiver 40 litros de média ou 20.
Essa é a realidade brasileira? Precisamos ter vacas com tal produção para sermos competitivos? Sei que o custo de manutenção de uma vaca de 600kg é o mesmo se ela produzir 20 ou 40 litros, portanto uma vaca de 40 é mais lucrativa. No entanto, qual dessas é mais fácil de se encontrar por aí? Ao invés de buscarmos um rebanho de alta produção, não é mais simples, a curto prazo, conseguirmos uma alta lotação animal/ha, com alta produção e qualidade de forrragem investindo em fertilidade de solo?
Jamais devemos abandonar o melhoramento genético, afinal a melhoria na alimentação, do manejo e do conforto precisa vir acompanhado de vacas que tenham capacidade de produzir mais, com persistencia de lactação e longevidade. Porém precisamos tirar da cabeça que só com vaca de mais de 30 litros/dia é possível ganhar dinheiro.
Concerteza dividirei os dados obtidos. O conhecimento só é valido quando compartilhado.
Abraço
Michel Kazanowski
Guilherme Alves de Mello Franco
Juiz de Fora - Minas Gerais - Produção de leite (de vaca)
publicado em 22/05/2012
Prezado Paulo: Peço sua licença para interagir com o amigo Michel Valter Kazanovski, que aprendi a admirar nas diversas e preciosas participações dele no Milk Point.
Prezado Michel: Só não concordo com a sua assertiva segundo a qual, por ser mais rara, a vaca com produção diária de mais de trinta quilogramas/dia deve ser descartada de nossas pretensões. Não, seguramente, não é por este caminho que devemos nos enveredar. Devemos, sim, perseguir a vaca de mais de trinta, quarenta, cinquenta, sessenta quilogramas de leite por dia, pois, ao contrário do que você expende, elas são as que mais lucro dão, já que, como é de sabença meridiana, de nada nos adianta encher um pasto com vacas, se elas não responderem com produção. Isto tem lugar, aqui, nos Estados Unidos, no Canadá, em Israel. Basta um simples exemplo - se temos quinhentas vacas de vinte quilogramas cada a pasto (dez mil quilogramas/leite/dia) - o que é difícil de encontrar, a pasto, não é muito melhor termos 200 de cinquenta quilogramas, para produzir os mesmos dez mil quilogramas, confinadas? Temos que parar de levar em consideração somente o animal isolado, mas, também, que menos animais são menos problemas sanitários a resolver, menos mão de obra a contratar (porque não nos iludamos: vacas de leite não são animais de corte, que só precisam de vermifugação, vacina, sal e curativos esporádicos - a pasto ou confinadas, se de alta produção, reclamam iguais cuidados, se não maiores no manejo a pasto).
Não há sentido de desenvolvimento sem evolução genética dos rebanhos. Sua experiência estadunidense, tenho certeza, lhe conduz a isto.
Como você sabe, já transitei por todos os sistemas de produção de leite - nenhum deles foi mais efetivo, lucrativo e seguro como o confinamento integral.
Temos que ser profissionais e, não, como é comum entre nossos pares, escolher o caminho mais fácil (leite a pasto). Sou profissional e, portanto, eficiente. Esta a regra a ser cumprida, como se fosse responsável pelo nosso próprio sopro de vida (algumas vezes, realmente, o é).
Um abraço,
GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO
FAZENDA SESMARIA - OLARIA - MG
=HÁ SETE ANOS CONFINANDO QUALIDADE=
Guilherme Alves de Mello Franco
Juiz de Fora - Minas Gerais - Produção de leite (de vaca)
publicado em 22/05/2012
Prezados Paulo e Michel: Só mais uma observação - Não é o luxo que nos traz a evolução, mas, o lixo só nos conduz a ele.
Um abraço,
GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO
FAZENDA SESMARIA - OLARIA - MG
=HÁ SETE ANOS CONFINANDO QUALIDADE=
Bom Despacho - Minas Gerais - Produção de leite (de vaca)
publicado em 24/05/2012
Prezado Michel,
Desculpe a demora, até onde eu sei apenas a Costa Leste dos EUA apresenta clima sub tropical, desconheço quanto % de pastagens que se usa por lá, mas não deve ser nada representativo, visto que a quase totalidade das fazendas americanas fazem uso de sistemas confinados. Mas qual relação isto tem com o alto teor de FDN de nossas forrageiras tropicais? Me desculpe a franqueza, mas até agora eu concordo com o texto do Professor Paulo, mesmo com a divulgação de seus resultados fantasticos do jiggs e do tifton 85. São a exceção e não a regra. Cabe a pesquisa agora identificar a razão destes resultados tão bons. Se são devido a uma mutação genética nestes capins esta será uma revolução para todo setor pecuario. Mas não podemos descartar a possibilidade destes resultados serem devido a condições climaticas restritas apenas a sua região ou até mesmo a um erro na analise.
Um abraço
Ronaldo
Caratinga - Minas Gerais - Produção de leite (de vaca)
publicado em 25/05/2012
Prezado Michel,
desculpe a demora em responder. Havia lido sobre a recordista que era filha do Stouder Morty, mas queria saber se ainda era a mesma, Tenho algumas filhas do Morty, muito boas, e uma delas excepcional.
Obrigado pelas informações sobre sua estada nos EUA, nos reassegurando que o que uma grande produtora de leite precisa é genética, boa comida, conforto, e alguém que saiba e goste de cuidar. Luxo é dispensável.
Acredito que confinamento e pastejo dependerão do tipo de gado, do tipo e local da fazenda e, a meu ver o mais importante, da expertise do produtor. Tenho aprendido várias coisas, às vezes pagando caro pelo aprendizado, e cada vez mais me conscientizo que sei muito pouco e tenho muito ainda a aprender. Vivo a cada dia as controvérisas sobre escolhas de modelos produtivos. Mas aprendi que vacas holandesas puras necessitam bom conhecimento do seu manejo. Nem todos saberiam ter lucro com elas. A fazenda também precisa ser adequada, dependendo da região, altitude, áreas para fazer comida, disponibilidade de comprar alimentos, instalações apropriadas para o período chuvoso, etc. Para minha realidade atual, onde temos a fazenda em MG, confino no inverno e mantenho pastagem de tifton 85 e mombaça no verão, quando também organizamos as férias de funcionários, com cnosequente redução de mão-de-obra. Como esse é o ´período de plantio de milho, silagem, etc, seria mais difícil ter a mão de obra para manter um rebanho confinado, pelo menos na minha realidade. Para o próximo verão vamos manter as vacas >3/4 confinadas de dia, indo passear à noite, e comparar resultados. Nosso rebanho é mestiço, com algumas reses 15/16, mas animais 5/8 em diante passam de 45-50 Kg/dia no inverno comendo silagem de milho, feno de tifton, e ração. No período seco vão para o pasto. Com certeza nossa produção de silagem de milho tem melhorado, mas após este blog, vamos melhorar muito mais, Agradeço sinceramente a todos, especialmente ao Prof. Paulo pela sua competência e pela condução deste debate.
Parabéns Michel, também pela sua participação com ponderações muito interessantes e de muito conhecimento, aliando boa teoria com a prática tão necessária.
Quedas do Iguaçu - Paraná - Produção de leite / acessoria
publicado em 28/05/2012
Caro Eduardo,
A incerteza convive na mente de todos aqueles que não acreditam em verdades absolutas e se atrevem a trilhar novos caminhos.
Quando voltei dos EUA estava convencido que aquele era o melhor sistema de produção. E, tendo a possibilidade de importar genética da fazenda que trabalhava, comecei a adaptar minha propriedade afim de corrigir os principais defeitos que poderiam comprometer a produtividade destes animais. Porém durante tal comecei a descobrir potencial no meu proprio rebanho que desconhecia. Como Dr. Paulo citou, há muita genética escondida nos rebanhos.
Buscava montar um confinamento, seguir as três etapas citadas por Carlos Oddino, porém hoje experimentando alcançar MB superior a R$ 10.000,00/ha/ano e vendo oportunidade de melhorar tal, prefiro muito mais alcançar a maximização da eficiencia do atual sistema que trabalho. Aonde isso vai me levar só o tempo dirá.
Dois pontos eu poderia destacar como foco. Produzir, com alta qualidade e em alta quantidade, forragem para elevar a carga animal e reduzir o uso de concentrado via maior consumo de forragem (baixa FDN) e buscar animais lucrativos (reproduzem bem e produzem muito). O resto é complemento.
Como diz Luis Bittencourt: "É você quem cuida de seu negócio, e se você está ganhando dinheiro por que, então, se preocupar com os outros?
Abraço
Michel Kazanowski
Quedas do Iguaçu - Paraná - Produção de leite / acessoria
publicado em 29/05/2012
Caro Ronaldo,
Como tu mesmo atesta, epenas uma pequena faixa apresenta condições propícias a produção com gramineas tropicais. Não é a toa que em um país temperado não haja agricultura tropical.
Os altos niveis de FDN das nossas gramineas tropicais ocorrem pelo mesmo motivo que as analises de silagem de milho, apesar de terem condições de produzir menos de 35% de FDN, como mostra o concurso de silagem da Fundação ABC, apresentam 55, 60, 65%... de FDN. O problema não é a planta, mas o mal uso da mesma.
Dizer que silagem de milho é melhor que pasto é algo muito relativo. Ou pode ser muito melhor ou extremamente pior, que além de valor nutricional baixo pode conter elementos tóxicos que podem comprometer a saude das vacas.
Foi justamente para sair deste disse e não disse, que propus a UTFPR fazer tal acompanhamento. 1 ano nos dará o resultado de pelo menos 15 amostragens de cada uma destas espécies.
Anexo ao processo de avaliação dos compostos nutricionais os mesmos pesquisadores farão o balanceamento da dieta das vacas e apresentaram a economicidade de tal. Quando concluirmos podereis elucidar de forma mais concreta as duvidas pertinentes ao uso dessa forragem.
Abraço
Michel Kazanowski
Caratinga - Minas Gerais - Produção de leite (de vaca)
publicado em 29/05/2012
Prezados,
foi um grande prazer interagir com tantos tão bem preparados. Sou muito ignorante nessa área, mas tenho aprendido com todos vocês, e mais uma vez agradeço muitíssimo, Cometemos menos erros agora, mas temos um longo caminho de aprendizado pela frente.
Ao Prof. Paulo, pergunto quando será seu próximo artigo neste blog. Esperamos com expectativa (e com a certeza de que será muito bom) o artigo e o debate que certamente vai acontecer neste espaço.
Michel, sua experiência também é enriquecedora, e sua particpação fundamental. Aliás, quero registrar que a experiência de todos foi enriquecefora para mim, Mesmo com as controvérsias, que sempre existirão, já que estabelecer experimentos que resolvam essas questões não é fácil, devido a tantas variáveis que existem nas diferentes fazendas. Deixo esse desafio metodológico para o Prof. Paulo.
Grande abraço a todos.
Caratinga - Minas Gerais - Produção de leite (de vaca)
publicado em 29/05/2012
Prezado Guilherme,
vi que dua propriedade é em MG, e que é um entusiasta do confinamento. Gostaria de um dia poder visitar sua fazenda, se não for incoveniente.
Um abraço
Eduardo
Bom Despacho - Minas Gerais - Produção de leite (de vaca)
publicado em 04/06/2012
Prezado Michel,
Não creio que esta pesquisa trará os resultados que você espera, é muito pouco provável que você consiga uma planta tropical capaz ao menos de empatar com o milho na alimentação de vacas leiteiras.
Um abraço
Ronaldo
Bom Despacho - Minas Gerais - Produção de leite (de vaca)
publicado em 04/06/2012
Prezado Michel,
Dê uma olhada neste link; http://www.ufpi.br/subsiteFiles/ciencianimal/arquivos/files/DM_DLCA.pdf , depois me diga o que achou.
Um abraço
Ronaldo
Quedas do Iguaçu - Paraná - Produção de leite / acessoria
publicado em 04/06/2012
Caro Ronaldo,
Creio que com esta pesquisa teremos dados, algo muito escasso. Se os resultados forem superiores ou inferiores somente com a experimentação poderemos responder. Portanto dada a importancia da pesquisa.
Além disso, mais que avaliarmos qualidade dos materiais será a analise de custo da dieta. Nesse ponto pode pesar pontos como custo de mais de R$ 500,00/ha somente em sementes para implantar uma lavoura de milho.
Além disso estamos vendo com a UFPR para avaliarmos a eficiencia do uso de N nesse mesmo experimento.
Peço paciencia. Tentaremos gerar o maior número de dados possível para elucidarmos o maior número de dúvidas.
Não consegui acessar o link. PAGINA NAO ENCONTRADA.
Abraço
Michel Kazanowski
Bom Despacho - Minas Gerais - Produção de leite (de vaca)
publicado em 05/06/2012
Prezado Michel,
Creio que os dados não são tão escassos, o link que eu queria que você desse uma olhada é apenas mais um de vários que traz resultados de analises de gramineas, incluindo o tifton 85. O mais interessante é que não encontrei nenhum resultado do tifton 85 que apresentasse teor de FDN abaixo de 60% , mesmo quando foram realizadas analises com o capim colhido aos 18 dias. Os dados existem, principalmente de experimentos realizados na região sudeste, nordeste e centro-oeste, o que falta é humildade dos técnicos para aceita-los. O pasto não é ruim, desde que seja usado nas categorias menos exigentes pode sim contribuir para uma maior lotação por área e consequente redução de custos.
Um abraço
Ronaldo
Caratinga - Minas Gerais - Produção de leite (de vaca)
publicado em 05/06/2012
Prezado Ronaldo,
também não consegui entrar no link que enviou; só aparece que é da Universidade do Piauí, mas diz mesmo "Página não encontrada". Sinto-me o mais ignorante em agricultura e pecuária neste privilegiado grupo, mas gostaria de dizer que dados são sempre benvindos. Alguns não são muito bons, por problemas de metodologia ou de execução, já que tanta coisa pode dar errada em experimentos em um país tão diverso que tem áreas de terra no equador e areas em clima temperado, e áreas intermediárias entre esses extremos, com regimes de chuva também diversos.
Seus pontos de vista são muito bons e nos instiga a todos pensar mais no assunto.
Mas o custo-benefício entre produzir mais ou menos dependendo do preço da comida é mesmo um desafio num país de diversidades como o nosso, onde nem todos têm condições, seja pela caracterísitca da fazenda ou pela capacidade de invesitimento e/ou de custeio, de ter a comida ideal o ano todo. Eu gostaria muito de ler alguma coisa que respondesse a essa pergunta, comparando condições o mais semelhantes possíveis, qual o melhor custo benefício: confinar na seca e produzir leite a pasto intensivo e adubado nas águas. Acho um estudo difícil de ser realizado, mas você tem alguma indicação desses dados?
Um abraço
Caratinga - Minas Gerais - Produção de leite (de vaca)
publicado em 05/06/2012
Prof. Paulo,
em face do recente e interessante debate sobre diferentes possibilidades de comida na seca e nas águas, tenho duas perguntas.
O Sr. acha que um dia poderemos introduzir (ou tirar) genes que reduzissem FDN das plantas tropicais sem que elas perdessem a produtividade? Sabe se algum país já tem experiências nesse sentido?
O que a NOva Zelândia, tão citada como local de grande eficiência no custo/benefício da produção de leite, usa para tratar seu gado durante o ano?
Uma outra pergunta é se sabe onde adquirir as peneiras desenvolvidas na Universidade da Pensylvania?
Muito obrigado.
Um abraço
Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Consultoria/extensão
publicado em 05/06/2012
Prezado Eduardo,
Em relação a sua pergunta sobre melhoramento de forrageiras tropicais sugiro a leitura de uma revisão muito boa e atual em: http://www.uco.es/organiza/servicios/publica/az/php/img/web/25_13_18_1122REVISIONAvaliacaoAraujo.pdf
A transgenia vai avançar cada vez mais e grandes transformações estão a caminho, também com o uso de enzimas para aumentar a digestibilidade das forrageiras tropicais.
Nunca estive na Nova Zelândia, mas leio o que posso a respeito. É um país de clima tipicamente temperado, a pastagem predominante é de azevém perene com trevo branco, a produção de leite é, em 95% das propriedades, sazonal. A lactação média dura 250 dias, as parições se concentram todas em agosto e de maio a fins de julho todo o mundo, vacas, leiteiros e indústria tiram férias. Só continuam os produtores, poucos, que abastecem o mercado local (três milhões de habitantes?) que usam "ração", silagem, feno, etc., porque são melhor remunerados pelo leite.
Contudo, também os produtores de leite para a exportação produzem silagem (milho, excedente de pasto), o que, não é muito divulgado. Portanto, não existe "mágica", apenas o uso racional de um recurso natural disponível, a pastagem de clima temperado, de FDN ao redor de 40%.
Outro dia vi que no portal da ITC do Brasil, Castro, PR, havia esse jogo de peneiras em seu catálogo eletrônico.
Abraço,
Paulo
Bom Despacho - Minas Gerais - Produção de leite (de vaca)
publicado em 11/06/2012
Prezado Eduardo,
Se você quiser eu posso te enviar o conteúdo do link por e-mail, é só me passar seu e-mail que eu te envio. É um estudo feito no nordeste, achei interessante o fato que mesmo com o tifton 85 colhido aos 18 dias o teor de FDN ainda foi superior a 70%, sendo mais alto inclusive que o teor do tanzania e marandu.
Meu amigo, não se considere ignorante por aqui, creio que ão sei nada mais que você, não sou técnico, sou apenas um produtor de leite que tenta aprender um pouco mais para conseguir me manter na atividade. Infelizmente a gente encontra muito estudo sobre produtividade de capins, sobre analises bromatológicas mas não temos testes feitos a nível de campo para nos dar um direção. Como você mesmo disse nosso país tem vários tipos de clima e solo, quanto as fazendas temos desde as menos tecnificadas até as mais modernas, como não existe receita de bolo que possa ser usada na produção de leite temos que avaliar nossas próprias fazendas para decidirmos qual manejo e alimentação usar. Aqui em Minas nós não temos como fugir do confinamento na época de seca, isto é fato. Sobre o uso de pastagem rotacionada no período chuvoso você deve avaliar se suas vacas quebram o leite e quanto quebram, faça isto por lote, toda vez que a redução na produção for igual ou maior que o valor da silagem consumida você pode chegar a conclusão que o pasto vai ser mais caro que manter suas vacas no cocho.
Um abraço
Ronaldo
Guilherme Alves de Mello Franco
Juiz de Fora - Minas Gerais - Produção de leite (de vaca)
publicado em 11/06/2012
Prezado Eduardo Côrtes: Agradeço o seu interesse. Fica até chato ter que repetir, mas, por determinações do Gestor do meu Programa de Criação Intensiva de Gado de Leite, não são mais (desde 2007) permitidas visitas na área do confinamento integral. A justificativa dele resume-se ao fato de que, de 2005 a 2007, as visitas eram franqueadas, mas o número de visitantes tornou-se tão grande que estava interferindo não só nos trabalhos normais da propriedade, mas, também, na produção, já que as vacas de alta performance são animais muito ligados à rotinas e tudo o que interfere nelas causa estresse e baixa de produtividade. Daí, de forma radical, ele resolveu não mais permitir a presença de pessoas estranhas ao serviço. Porém, o sistema de "tie stall", que adotamos, não é diferente, em nada, dos demais sistemas de igual valia existentes por aí (talvez pelos formatos do projeto, questões de arquitetura, mas, não, de manejo).
Além do mais, os primeiros semestres de cada ano são dedicados aos trabalhos de restauração de benfeitorias, de manejo reprodutivo e de tomada de decisões visando à otimização da produção, que é adotada de forma seriada, impedindo, mesmo, a possibilidade de qualquer interferência externa.
Estamos montando um esquema de visitas voltadas para o setor histórico da propriedade, com a elaboração de um museu e na difusão de imagens de todos os passos da criação, dos tempo de meu avô até os atuais, com utilização de vídeos institucionais e folders, mas, isso é coisa para daqui dois ou três anos.
Um abraço,
GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO
FAZENDA SESMARIA - OLARIA - MG
=HÁ SETE ANOS CONFINANDO QUALIDADE=
Quedas do Iguaçu - Paraná - Produção de leite / acessoria
publicado em 11/06/2012
Caro Ronaldo,
É complicado tomar como base um estudo feito em clima, solo, horas de luz, manejo, regime pluviométrico, fertilidade e etc, tão distantes. Mesmo dentro do próprio estado os dados não batem. Exemplo disso são os dados de produção de azevem em Castro, menos de 300km daqui, que pouco me servem, ja que boa parte das variaveis acima são diferentes na minha propriedade. Aqui se maneja capim bermuda com 18 dias de intervalo. Tenho certeza que no nordeste este intervalo é bem menor para ter a mesma qualidade. Exempo disso é o capim mombaça que aqui se maneja com 30 dias e lá da pra fazer o rodizio em 21.
Não quero tirar o crédito da pesquisa. No entanto ela não foi realizada aqui. É por isso que nós, um grupo de produtores, realizamos anualmente testes de campo para avaliarmos resultados produtivos na area de produção agricola. Este ano testamos em area experimental 42 variedades de milho e 23 de soja. Por isso que a variedade mais plantada de soja é uma variedade não recomendada pela pesquisa para nossa região, por termos avaliado por 3 anos consecutivos mostrando ser a de maior produtividade.
Alem disso estamos realizando experimentos para aplicação de toda a adubação nitrogenada no pré-plantio de milho e no pré-pastejo dos animais, inoculação de sementes de milho com Azospirillum, uso de URAN no pré-pendoamento, uso de gesso, entre outros.
Assim como na agricultura, precisamos afinar mais os resultados na produção pecuaria. Para isso a experimentação é indispensável. A bromatologia da pastagem é bastante variável nas diferentes estações do ano, temos que avaliar isso para podermos acertar de forma correta a dieta das vacas.
O milho é sem duvida um excelente alimento para as vacas. Porém não é a unica opção. As plantas C3, de alta qualidade, são restritas a uma pequena fatia do país, portanto precisamos trabalhar mais para melhorarmos os indices das plantas C4 para que possamos nos tornar mais competitivos frente aos nossos concorrentes, e isso não esta restrito exclusivamente ao milho.
Se avaliarmos a dieta de vacas de alta produção americanas tu verá que a silagem de milho não entra nem na metade da porção total de forragem fornecida aos animais, mesmo sendo a silagem deles de melhor qualidade que a nossa, devido ao tipo de hibrido plantado. A maior porção é da alfafa, mesmo ela sendo bem menos produtiva que o milho. Será por que introduzir na dieta uma forragem de alto valor protéico é interessante ja que este item representa o maior custo na dieta? Se produzirmos capim com alto valor protéico, sem comprometer o consumo devido ao alto teor de fibra, não poderemos compor uma dieta mais economica e mais saudavel ao animal que suplementar toda a proteína via concentrado?
Abraço
Michel Kazanowski
Quedas do Iguaçu - Paraná - Produção de leite / acessoria
publicado em 11/06/2012
Prezados amigos,
Gostaria de indicar uma leitura interessante de trabalho realizado pela Universidade de Iowa.
Millionaire Model Dairy Farms
http://www.extension.iastate.edu/dubuque/page/resources-and-presentations-dr-larry-tranel
Foi o artigo mais lido nos EUA em 2011.
Abraço
Michel Kazanowski
Caratinga - Minas Gerais - Produção de leite (de vaca)
publicado em 11/06/2012
Prezadp Prof. Paulo,
obrigado pelas respostas. Já salvei o artigo e já vi que é uma boa revisão sobre nossas forrageiras; vou dar uma lida com mais calma quando tiver um pouco mais de tempo. Pesquisar enzimas e transgenia para melhorar nossas forrageiras sem perder produtividade seria uma boa escolha de nossas agencias de fomento de pesquisa que tanto dinheiro gastam em projetos pouco relevantes e pulverizam recurosos em tantas areas.
Via as peneiras na ITC, como sugeriu. O preço é salgado (R$1.900,00), mas vou avaliar.
Revi agora rapidamente todas as intervenções e mais uma vez constato o quanto seu texto suscitou de debate, aprendizado, e troca de experiências. Parabens mais uma vez!
Caratinga - Minas Gerais - Produção de leite (de vaca)
publicado em 11/06/2012
Prof. Paulo,
uma correção: o preço da peneira, acompanhada de balança digital e jarro medidor é de R$1.100,00, e não R$1.900,00 como disse anteriormente. Ainda é cara, mas é tentadora.
Um abraço
Caratinga - Minas Gerais - Produção de leite (de vaca)
publicado em 11/06/2012
Prezado ROnaldo.
são sempre dúvidas que temos. Ano passado começamos piquetes de 1 ha para rotacionar o gado durante as chuvas, que ocorrem em minha região (MG também, leste do estado) de out-mar. Pela primeira vez vou observar a variação da produção de leite, comparada com a época do confinamento. Mas também é uma comparação dificil, pois direcionamos um pouco as mais holandesas a parirem na seca. e 1/2, 3/8 e 1/4 a parirem nas águas, embora sempre existem reses misturadas nesses dois períodos.
Ou seja, as condições de produção acabam variando.
Até termos dados de experimentos feitos em regões semelhantes, vamos seguindo nossos instintos e bom senso. Para confinar todo o tempo eu teria de aumentar a área de plantio de milho e investir na infraestrutura do tratador, concretando uma área bem maior.
Sobre os dados do experimento no nordeste, você não acha que o tifton apresentar fdn mais alto que outras forrageiras é meio estranho? Nâo seria relacionado à fertilidade do solo?
UM abraço
Caratinga - Minas Gerais - Produção de leite (de vaca)
publicado em 11/06/2012
Prezado Guilherme,
obrigado pela resposta. Não tem problema a questão da visitação. Compreendo perfeitamente a dificuldade que uma visita pode representar, alterando a rotina quando o trabalho é intenso.
Como cada propriedade tem uma característica de área, topografia, recursos humanos, capacidade financeira, gestão, etc., nem todas as experiências são necessariamente reproduzíveis. Por isso queremos sempre aprender visitando para avaliar muito mais as características da propriedade que necessariamente instalações e manejo. Como você disse, essas são práticas conhecidas e accessíveis.
Parabens por ter encontrado o sistema que melhor adaptou-se às características de sua propriedade, e por ter tantos interessados em conhecer sua experiência.
Um abraço
Caratinga - Minas Gerais - Produção de leite (de vaca)
publicado em 11/06/2012
Prezado Michel.
obrigado pelo link. Já entrei e salvei todos as 4 partes do artigo sobre aquele produtor. Entrei também na página de extensão da U. of Iowa. Considerando as diferenças, e claro, acho que tem muita coisa boa lá que dá para eventiualmente aplicar aqui.
Gostaria de reforçar que para a vaca (e para nós) o bom é um alimento de alta nutrição que ela pudesse pastar. Como mostra os artigos que recomendou, em uma rápida passagem de olhos que fiz agora. Aliás foi interessante ver que escrevem também sobre a qualidade de vida do produtor de leite. Este é um ponto esquecido, mas de grande importância. Cada vez mais temos dificuldade de encontrar trabalhadores para produção de leite nas fazendas.
Teria muito interesse em saber dos desdobramentos das experiências que estão fazendo com os outros produtores sibre milho, etc. Meu interesse é saber se está dando certo, se vocês estão conseguindo avaliar bem e concluir em cima dos resultados. Não é uma tarefa fácil, mas de grande importância. Acredito que o mais difícil de uma pesquisa ainda é executá-la de maneira correta e uniforme, e também ter gente boa analisando e discutindo as interpretações.
É animador ver sua energia e multi-atividades, trabalhando em tantas frentes e áreas tão relevantes.
Um abraço
Um abraço
Caratinga - Minas Gerais - Produção de leite (de vaca)
publicado em 11/06/2012
Prof. Paulo,
tem-se falado muito na cana com alimento de melhor custo-benefício que a silagem de milho. Poderia comentar alguma coisa sobre isto?
Mais uma vez agradeço.
Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Consultoria/extensão
publicado em 11/06/2012
Prezado Eduardo,
Com exceção do norte do Paraná, a cana não encontra clima muito propício para o seu cultivo aqui na Região Sul, pelo que não tenho experiência com essa forrageira.
O que sei da literatura, é que, apesar de um teor de FDN razoável, em torno de 47%, sua fibra é muito pouco digestível, e, na comparação com silagem de milho, em dietas para maiores produções de leite, seu desempenho fica limitado pelo baixo consumo que apresenta.
Acredito que seu emprego se restringe às produções de leite de, no máximo, até uns 25 kg/vaca, podendo também ser uma opção na alimentação de novilhas, havendo uma suplementação adequada para compensar, principalmente, seu baixo teor de proteína.
Tenho a impressão que, no rúmen, não deve ser fácil para a população microbiana lidar ao mesmo tempo com sacarose (de rapidissima fermentação) e a lignina da casca, que deve ser do tipo da encontrada no bambú...
Abraço,
Paulo
Guilherme Alves de Mello Franco
Juiz de Fora - Minas Gerais - Produção de leite (de vaca)
publicado em 11/06/2012
Prezado Eduardo Cortês: Entendo o seu sistema de aprendizado. Realmente, a visitação às fazendas é de grande valor para o mesmo. Eu mesmo visitei inúmeras fazendas de confinamento integral antes de adotá-lo em minha própria propriedade. Com certeza, as peculiaridades não podem e não devem ser reproduzidas, sob pena de termos nossa experiência malfadada. Tanto assim que, na contramão do que normalmente ocorre, optei pelo "tie stall" ao invés do "free stall", porque com aquele eu consigo eliminar, de vez, a competição entre os animais pelo alimento. São questões particulares - como você mesmo disse - e que podem não ser as ideais para outros.
Todavia, estou à sua disposição para qualquer esclarecimento ou informação que, em minha pequena cultura sobre pecuária de leite, possa eu lhe acrescentar.
Um abraço,
GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO
FAZENDA SESMARIA - OLARIA - MG
=HÁ SETE ANOS CONFINANDO QUALIDADE=
Guilherme Alves de Mello Franco
Juiz de Fora - Minas Gerais - Produção de leite (de vaca)
publicado em 12/06/2012
Prezados Paulo e Eduardo Cortês: Peço licença, ao amigo Paulo, para externar uma opinião a respeito da cana. Em rebanhos de alta produção, esta tem sido adicionada, no lugar de qualquer capim, à silagem de milho para composição de volumoso, criando a mistura ideal para as necessidades dos animais. Nós, aqui na Fazenda Sesmaria adotamos, com muito sucesso, este método.
Por lado outro, em separado, sem a presença da silagem de milho, concordo com o amigo Paulo que há forte limitação de consumo e não deve ser adotada como única forma de volumoso.
Um abraço,
GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO
FAZENDA SESMARIA - OLARIA - MG
=HÁ SETE ANOS CONFINANDO QUALIDADE=
Bom Despacho - Minas Gerais - Produção de leite (de vaca)
publicado em 17/06/2012
Prezado Michel,
A pesquisa é de muita importancia sim, por isso fiz questão de te mostrar que o simples fato de reduzir o intervalo entre pastejos não transforma uma planta C4 em uma C3. Não sei se no seu caso especifico houve uma mutação no capim ou se foi somente devido a uma super estercação e as características climáticas de sua região, mas o fato que temos é que não vamos conseguir um capim com qualidade superior a alfafa em qualquer região do país. Eu particularmente espero que os pesquisadores usem seu tempo e suas mentes para desenvolver um novo capim de melhor qualidade, repetir velhas pesquisas com velhos capins é jogar dinheiro fora. Se nós aqui no Brasil não tivermos vontade de desenvolver um capim de alta qualidade não vão ser os americanos que o farão para nós não.
Um abraço
Ronaldo
Bom Despacho - Minas Gerais - Produção de leite (de vaca)
publicado em 17/06/2012
Prezado Eduardo,
Achei mais estranho o marandu apresentar menor teor de FDN que o tanzania e o tifton 85. Se você pesquisar vai perceber que os menores teores de FDN do tifton 85 são superiores a 60%, sendo que até hoje o menor teor que eu já vi era de 62%, mas no geral se encontra acima de 70%, até mesmo nos EUA os valores foram na casa de 70%, o que o tifton 85 apresenta superior as outras gramineas a apenas o teor de proteina.
Um abraço
Ronaldo
Caratinga - Minas Gerais - Produção de leite (de vaca)
publicado em 18/06/2012
Prezado Guilherme,
sobre a mistura de cana e silagem de milho. Que percentuais vocês estão usando? Fizeram controle sobre produtividade nas misturas? Você conhece alguma literatura sobre essa mistura que avalia produtividade?
Um abraço
Caratinga - Minas Gerais - Produção de leite (de vaca)
publicado em 18/06/2012
Prof. Paulo,
minha pergutna agora é sobre misturas com silagem de milho. Como o sul não usa cana, conhece algum dado de mistura de silagem de milho com capim picado (irrigado na época da seca)? Jà foi dito aqui que se mistura cana picada com silagem de milho sem muito prejuízo. A mistura com o capim picado, 9:1 ou outro percentual, se não atrapalhar muito a produção, poderia economizar significativamente para o produtor.
Uma segunda pergunta bem simplória é sobre partículas de silagem de milho. Como um significativo umero de procutores utilizam máquinas de corte acopladas, com suas deficiências de quebrarem milho, se associarmos à silagem alimentos mais ricos em fibra como feno de tifton ou capim elefante picado poderia compensar as partículas menores de uma silagem cortada com regulagens que quebrassem mais os grãos de milho? Ou isso não interferiria com o tempo em que a silagem ficaria no rumen?
Não sei se me expliquei adequadamente, mas ás vezes penso em repassar na ensiladeira silagem com muitos grãos não quebrados, e associar alimentos com mais fibra para enventualmente "segurarem" a silagem por mais tempo no rumen.
Como disse é uma pergunta simplória...
Obrigado.
Um abraço,
Eduardo Côrtes
Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Consultoria/extensão
publicado em 18/06/2012
Prezado Eduardo,
A proporção de um volumoso em mistura com a silagem de milho numa determinada dieta para produção de leite dependerá da qualidade desse volumoso e da produção de leite almejada, de modo que fica difícil estabelecer uma "receita" de uso geral. Recomendo consultar um técnico especializado da sua região, que faça os cálculos necessários com as informações a partir de um levantamento de dados o mais completo possível na sua propriedade.
A outra pergunta é muito válida. A eventual deficiência de fibra estruturada numa silagem de milho excessivamente picada pode ser compensada com a inclusão de, cerca de, 1 kg de matéria seca, seja de um feno de tifton ou de outra forrageira verde picada em partículas maiores (de uns 5 cm) na dieta total misturada.
É muito importante observar a ruminação dos animais e monitorar o teor de gordura no leite, que tende a baixar em dieta com falta de suficiente estrutura física.
Caratinga - Minas Gerais - Produção de leite (de vaca)
publicado em 18/06/2012
Prezado ROnaldo,
você tem razão sobre FDN do tifton. Depois que escrevi é que me lembrei que o tifton tem mesmo altos índices de FDN. Ainda acredito que a pesquisa brasileira poderá encontrar uma forma, seja transfectando gens ou produzindo enzimas capazes de digerir fibras em nossas forrageiras. Se isto acontecer, aí sim teremos uma dianteira com nossas forrageiras de alta produtividade.
Teremos de pesquisar essas coisas no Brasil, em projetos e estratégias específicas, que infelizmente nossos governos não têm se mostrado capazes de pensar e implementar.
Desenvolvimento tecnológico não se faz do dia para a noite, e nem se faz sem investimento em educação. A Coréia do Sul está aí para não me deixar mentir. Investiram pesado nos anos 50 em educação, e o fazem até hoje. Por isso exportam navios, automóveis e eletro-eletrônicos para o Brasil, e nós exportamos minério de ferro in natura para eles.
Forrageiras tropicais de alta produtividade mas de menor qualidade somos nós que temos. E teremos, nós mesmos, de ter capacidade de pesquisarmos uma forma de aprovetá-las melhor. Porque ninguém vem nos salvar...
Um abraço
Caratinga - Minas Gerais - Produção de leite (de vaca)
publicado em 19/06/2012
Prof. Paulo,
obrigado pelas respostas.
Um abraço













Geisson Schirmann Vasconcelos
Formigueiro - Rio Grande do Sul - Produção de leite (de vaca)
publicado em 05/04/2012
Excelênte artigo professor!
Como sempre o senhor acerta em cheio em seus artigos.