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Leite de vaca subnutrida: problemas para a vaca, produtor e indústria

Por Paulo R. F. Mühlbach - postado em 13/01/2012

56 comentários
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Pesquisas realizadas no Rio Grande do Sul (Fischer & Zanella e colaboradores) vêm comprovando que a subnutrição da vaca leiteira não só diminui drasticamente a quantidade de leite produzido mas também altera sua composição, com prejuízo na qualidade. Isso até era esperado, mas carecia-se de dados mais detalhados e levantados cientificamente. Essa subnutrição é mais manifesta nos períodos de escassez de pastagem, durante as estiagens, invernos rigorosos, no chamado “vazio outonal” e também no verão, quando o produtor da Região Sul, também lavoureiro, se dedica mais às culturas do período, sem dispor de suficiente forragem conservada.

Como conseqüência, segundo as pesquisas, a subnutrição da vaca, de certo modo, pode até afetar a relação do produtor com a indústria. Acontece que a subnutrição resulta na alteração da composição normal do leite (queda dos teores de caseína, lactose, minerais, extrato seco, etc.) e de outras características químicas (aumento do cálcio iônico, uréia) e físicas (crioscopia, densidade).

Por outro lado, para certos produtos, como o leite “longa vida”, a indústria valoriza a estabilidade térmica da matéria-prima e isso é testado a campo, quer me parecer, de modo equivocado, com a prova do álcool (alizarol), que também serve para medir a acidez do leite. Daí que surge o problema, pois o leite da vaca subnutrida é mais sensível ao álcool e reage como se fosse “ácido”, podendo então ser condenado pela indústria. É o que os pesquisadores denominaram de “LINA”, leite instável (ao álcool) não ácido. Portanto, em tais casos, o teste de estabilidade térmica, feito através da prova do álcool em alta concentração, não é um procedimento adequado. Segundo as mesmas pesquisas, em determinada cooperativa do RS, onde foram coletadas 2396 amostras de leite durante um ano, o problema foi constatado em 55 % das análises.

Entretanto, mesmo que tal teste do álcool venha a ser substituído por outro, o fato de a vaca estar numa situação de subnutrição continuará persistindo, e não por falta de tecnologia, pois o conhecimento adquirido com décadas de pesquisa permite, hoje, o cálculo correto de qualquer dieta. O que falta é o fornecimento adequado de alimentos para o gado leiteiro nas diferentes fases produtivas e, principalmente, durante a lactação, buscando otimizar a produção e mantendo a saúde e a capacidade reprodutiva do animal.

Todavia, na prática, constata-se muito empirismo no tocante à alimentação do rebanho leiteiro, sofrendo especialmente a vaca em lactação as consequências mais graves. E a situação pode, em certos casos, até se agravar com o uso de sêmen de touros cada vez mais “melhoradores”, de crescente mérito genético para aumento da produção de leite de suas crias, o que não deixa de ser um contra-senso.

Acontece que, em muitos casos, o avanço genético para o aumento da secreção de leite no úbere da vaca leiteira não vem sendo acompanhado pelo melhoramento concomitante da alimentação. Isso se torna mais crítico, especialmente no início da lactação, pois para o organismo de uma fêmea lactante a cria tem toda a prioridade, ou seja, se uma vaca foi “melhorada” geneticamente para produzir 40 litros ao dia, seu metabolismo direciona-se prioritariamente para essa demanda, por força da natureza. Em outras palavras, o organismo do animal procura trabalhar para que a “cria” receba seus 40 litros diários de leite! Assim, mesmo estando mal alimentada, a vaca de bom potencial genético leiteiro tenta realizar aquilo para o qual foi “programada”, porém sem consegui-lo e à custa de sua saúde: perdendo peso e condição corporal, padecendo de distúrbios digestivos e metabólicos e anulando a sua capacidade reprodutiva.

É obvio que a sustentabilidade desse tipo de “exploração” fica comprometida e a condição corporal da vaca torna-se a de um animal famélico e há produtor de leite que acredita que tal condição corporal (foto) seja algo ainda “normal”.

Por outro lado, a margem estreita da atividade leiteira, onde a alimentação representa 50 % do custo de produção, e a propalada “vocação” generalizada do Brasil para uma produção preponderantemente “a pasto” (sem considerar a “genética” de cada rebanho e o efeito do clima sobre a disponibilidade de forragem) e a alegação de que tal proposta permite a diminuição do custo operacional de produção (sem considerar o efeito sobre o custo total) são “meias verdades” que, quando levianamente disseminadas, agravam ainda mais a situação.

Portanto, o sistema de produção escolhido deverá compatibilizar o aporte alimentar com as exigências nutricionais adequadas ao mérito genético buscado em cada rebanho.
 

 
Afora tudo isso, há que se considerar ainda o aspecto ético. Será que o consumidor mais bem informado aceitará, indefinidamente, um produto proveniente de um animal faminto?
 

 

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Comentários:

SANDRO LUIS BALD

Cunha Porã - Santa Catarina - Consultoria/extensão
publicado em 13/01/2012

Essa questão de crioscopia realmente ja foi constatado na cooperativa que eu trabalho o nivel fica entre 523 a 530.

Fernando Melgaço

Goiânia - Goiás - Assessoria de imprensa
publicado em 13/01/2012

Ilmos. Professores Fischer, Zanella et al.
Prezados professores,
Quero, antes de mais nada, parabenizá-los pelo excelente trabalho de pesquisa realizado pelos senhores aí no RS.
Também aqui em Goiás, eu e professores da UFG,realizamos trabalho semelhante com leite cru da Bacia Leiteira de Goiânia, no qual encontramos dados semelhantes.
Atenciosamente,
Fernando Melgaço

HELDER DE ARRUDA CÓRDOVA

Castro - Paraná - Pesquisa/ensino
publicado em 13/01/2012

Prof. Paulo,

A produção de leite a pasto, realmente, expõe a atividade a risco desnecessários em épocas de escassez de chuva. Infelizmente essa prática vem sendo fomentada aqui no sul em regiões sujeitas a seca no verão em nome da sustentabilidade. Concordo com o senhor é preciso rever esse sistema de produção ou mudar a genética utilizada nessas áreas.

Helder de A. Córdova - Med. Vet. M.Sc.

Paulo R. F. Mühlbach

Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Consultoria/extensão
publicado em 13/01/2012

Prezado Helder,
Agradeço pela manifestação.
Pois é, que sustentabilidade é essa? Principalmente os pequenos produtores em área,  que são os que mais sofrem numa situação como esta estiagem está demonstrando, pondo em risco seu patrimônio semovente.  Produção leiteira não pode ser regida por dogmas ou ideologias políticas. Sem racionalidade e flexibilidade não se alcança a almejada sustentabilidade.
Um abraço.

Andréia Aparecida Conceição

Laranjeiras do Sul - Paraná
publicado em 13/01/2012

Prof. Paulo,

Visitando pequenos produtores observa-se inúmeras vezes a situação descrita pelo Helder, acredito as pastagens perenes são muito interessantes pela diminuição de gastos anuais com sementes, operações agrícolas e também em alguns casos reduzem processos erosivos causados pelo preparo do solo, além de outras vantagens como o adiantamento de pastejo em relação a espécies anuais. Mas minha preocupação neste sentido, refere-se a maneira como implantam-se estas pastagens. Observo questões básicas como uma análise do solo, para recomendação de adubação para pastagens, esquecida por muitos produtores, escolha das espécies e manejo incorretos, além de adubações em cobertura e manutenção.
Pelo menos informações que tenho são de que o pasto tem um potencial limite de  produtividade de leite, e que considerando o melhoramento genético mesmo em pequenas propriedades (proveniente de inseminação artificial, aquisição de matrizes mais especializadas para a a produção de leite), somente o pasto não é suficiente para suprir as necessidades de manutenção e produção dos animais.
Além disso tenho observado, não sei se coerente, mas muitos produtores ainda não trabalham a questão de conforto animal, neste caso sombra e água em quantidade e qualidade disponíveis, então os animais ficam pouco tempo nos piquetes, o que muitas vezes não é o suficiente para a ingestão necessária de matéria seca, salientando ainda a questão qualidade desta pastagem disponível muitas vezes está muito abaixo do esperado, por questões antes mencionadas e também pelo próprio ciclo das pastagens de verão. Outro ponto refere-se a conservação de forragens como a silagem, ainda percebe-se produtores com potencial genético, bom plantel mas sem reservas conservadas para  períodos críticos quando ocorre o período de escassez de pastagens entre uma estação e outra. Além claro da questão fornecimento de concentrados para um melhor balanceamento da dieta dos animais conforme potencial produtivo.
Mas acredito que o nosso papel como profissionais é justamente observar algumas questões e procurar orientar os agricultores de que é necessário adotar tecnologias em adubação e manejo de pastagens, conforto animal, fornecimento de concentrados, entre outras.
Com tantos ajustes que podem ser feitos nas propriedades mesmo que pequenas me entristece a situação de produtores querendo trocar ou adquirindo animais com potencial produtivo achando que esta atitude resolve o problema de produção, quando o problema é MDF ( popularmente conhecido como Mal da Fome).

Abraço e parabéns pela matéria.

Paulo R. F. Mühlbach

Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Consultoria/extensão
publicado em 13/01/2012

Prezada Andréia,
Gostei da sua participação aqui neste blog. Considero suas observações corretas e pertinentes, parabéns!
Como estamos vendo, a atividade leiteira é a mais complexa das explorações zootécnicas e, para ser bem conduzida, exige um produtor especializado, face ao relativamente alto risco operacional.
As tecnologias e o conhecimento necessário em manejo do solo, produção e conservação de forragens, balanceamento de dietas, exigências nutricionais das diferentes categorias do rebanho, manejo reprodutivo, melhoramento genético, manejo sanitário, manejo da ordenha, operação e manutenção de maquinário e equipamentos, planejamento e construção de instalações, etc. refletem essa complexidade. E, acima de tudo, a atividade necessita de um competente gerenciamento, para o controle dos custos de produção.
Mas, é uma atividade apaixonante para o técnico e para o bom produtor chega a ser um sacerdócio.
Sucesso nas suas atividades.

Carine A. Silva

Patos de Minas - Minas Gerais - Estudante
publicado em 13/01/2012

Ola Paulo!  Qual sua opinião para producao de leite 2012? E exportação?
Obrigada.
Carine,

Paulo R. F. Mühlbach

Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Consultoria/extensão
publicado em 13/01/2012

Olá Carine,
Acho que as opiniões expressas pelos especialistas no seguinte link:
http://www.milkpoint.com.br/mercado/giro-lacteo/fechamento-de-2011-e-perspectivas-para-2012-na-visao-de-alguns-nomes-do-setor-77043n.aspx
poderão lhe informar melhor.
Cordialmente,
Paulo




Marcello de Moura Campos Filho

Campinas - São Paulo - Produção de leite (de vaca)
publicado em 14/01/2012

Prezado Paulo Mülbach

Parabens pelo artigo.

O ruminante, especialmente a vaca leiteira, é um animal complexo sob o aspecto nutricional, que tem requisitos que tem que ser atendidos nas várias fases de produção.

A maioria dos produtores de leite no Brasil tem baixa instrução, e mesmo quando a instrução é maior, pode ter informação mas não formação técnica.

Penso que para resolver o problema de desnutrição de vacas de leite é necessária assistência técnica capacitada e permanente aos produtores, para orienta-los não só quanto à nutrição, mas tambem sobre potencial genético e manejo dos animais e pasto mais adequado a um sistema produtivo, de forma a assegurar resultados que permitão não só aos produtores exercer a atividade de forma sustentável, como evoluir em termos de produtividade e competitividade. Só aasim deixaremos de ser importadores de leite para atender ao mercado interno ( o que acontece há décadas ) e poderemos passar a ser exportadores de leite e lácteos.

O grande desafio é como implementar assistência técnica capacitada e permanente aos produtores, que exigirá parcerias público-privadas envolvendo recursos dos governos federal, estaduais e municipais, da indústria e dos produtores.

Penso que o Governo e a cadeia produtiva  deveriam discutir com profundidade a viabilização dessas parcerias público-privadas, em termos de recursos e de papel dos vários agentes, se quizermos que a pecuária leiteira do quadro de baixa produtividadse e competividade em que de forma geral se encontra. E se isso acontecer com certeza estaremos equacionando também o problema de desnutrição em vacas leiteiras.

Abraço

Marcello de Moura Campos Filho
  Presidente da Leite São Paulo

Paulo R. F. Mühlbach

Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Consultoria/extensão
publicado em 14/01/2012

Prezado Presidente Marcello,

Seus comentários são muito oportunos e pertinentes; efetivamente, a questão da assistência técnica é crucial para a evolução permanente de nossa pecuária leiteira.

No meu ponto de vista, está em processo uma "seleção natural" da população de produtores, cujo número se reduzirá substancialmente, permanecendo os mais capacitados, aqueles mais abertos à assistência técnica e que sabem  e podem valorizá-la. Essa redução numérica de produtores, com aumento de produção, possibilitará, não apenas a assistência massal, mas algo mais focado e dirigido, com cobrança de resultados.

A assistência também envolverá, cada vez mais, o profissional autônomo  especializado, remunerado diretamente pelo assistido, que também passará a cobrar por resultados. Um exemplo disso já vi funcionar muito eficazmente no Uruguai, há mais de vinte anos, onde um grupo de uns dezoito produtores contrata um engenheiro-agrônomo e um médico-veterinário e esses profissionais, bem remunerados, se dedicam exclusivamente aos membros do grupo (grupos CREA).

Apesar da demanda por assistência técnica especializada, principalmente nessa questão envolvendo a nutrição do gado leiteiro,  temos até certa oferta ociosa de pessoal técnico habilitado, provavelmente devido ao assistencialismo generalista e gratuito ao qual muitos dos nossos produtores ainda estão acostumados.

Porém, como tudo é dinâmico e dependente da demanda do mercado consumidor, e este apresenta-se em crescimento, acredito que o processo de mudança entrará numa fase de aceleração, nesse sentido. Imagine quando o mercado asiático efetivamente passar a consumir leite e derivados.

Agradeço sua participação e pela oportunidade da interação.

Marcello de Moura Campos Filho

Campinas - São Paulo - Produção de leite (de vaca)
publicado em 15/01/2012

Prezado Paulo Mühlbach

A sua citação de um grupo de 18 produtores no Uruguai que contrataram um agrônomo e um veterinário para atender ao conjunto é semelhante a casos que ouvimos dizer que ocorrem na Argentina, e entendemos que é um caminho a seguir.

A Associação dos Técnicos e Produtores de Leite do Estado de São Paulo - Leite São Paulo é uma associação congregando técnicos e produtores visando o desenvolvimento da pecuária leiteira. Nós acreditamos que o técnico é o catalizador do desenvolvimento da pecuária leiteira e que o caminho a seguir é realmente viabilizar técnicos atendendo núcleos de produtores, e estamos trabalhando para isso.

Você tem informação sobre o nivel de instrução e de recursos financeiros dos produtores no Uruguai e Argentina?

Uma dificuldade que enfrentamos é o nível de instrução e de recursos financeiros da maioria dos produtores.

Em função da realidade brasileira, achamos importante estabelecimento desse caminho o estabelecimento de parcerias público-privadas, envolvendo governo ( federal,estadual,municipal ), indústrias/cooperativas e os produtores. Estamos promovendo a discussão da viabilização dessas parcerias, em termos de recursos e do papel dos vários agentes.

De fato já está havendo uma seleção natural de produtores. Falam que atualmente a cada 11 minutos um produtor de leite deixa atividade. No meu ver, essa velocidade ainda é muito baixa, pois nesse rítimo daqui a 20 anos ainda teremos cerca de 700.000 produtores, quando para atender à necessidade do mercado interno e exportar não precisariamos mais do que 200.000 produtores produtivos e competitivos. Por isso acho que a velocidade dos que deixam a atividade nos próximos anos vai aumentar.

Penso que devemos criar oportunidades para todos os produtores que queiram permanecer na atividade, abrindo a possibilidade a todos que queiram participar desses núcleos de produtores assistidos por um grupo de técnicos.

Face ao grande número de produtores de porte muito pequeno, com nivel de instrução muito baixo e com muito pouco recurso, um ponto que tem surgido nessas discussões é a necessidade dos técnicos de nível superior ( veterinários, agrônomos, zootecnistas ) trabalharem com técnicos de nivel médio no atendimento de grupos de produtores, no sentido de que uma assistência técica efetiva e frequente possa ser feita com custos menores.

Abraço

Marcello de Moura Campos Filho

Paulo R. F. Mühlbach

Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Consultoria/extensão
publicado em 15/01/2012

Prezado Marcello,

Sua interessante réplica tenta-me a adentrar numa discussão sobre a temática da assistência técnica que merece muito mais espaço e preparação que minha incipiente experiência como "bloguista" pode oferecer, de momento. Talvez possamos retomar a discussão de modo mais específico numa outra oportunidade.

Mas, tentando responder sua indagação: o meu  contato casual com um grupo CREA "lechero", no Uruguai, por ocasião da seca de 1989, assistindo a uma de suas reuniões, impressionou-me pelo nível de interesse e conhecimentos que os participantes demonstravam. Sem dúvida, a formação escolar do cidadão uruguaio comum excede ao da média do brasileiro, e isso se reflete no meio rural daquele país.

Pelo que sei, e principalmente na Argentina, os grupos CREA são constituídos por empresários rurais, de certo modo a liderança do setor, de modo que não deve haver limitações em recursos financeiros próprios.

Em meados dos anos 80 surgiram aqui no RS os CITEs (Clubes de Integração e Troca de Experiências) que tem na FEDERACITE a sua federação e regulamentação, inspirados nos CREA argentino e uruguaio. Todavia, esses clubes congregam basicamente os pecuaristas de corte, aqui no RS conhecidos como os "fazendeiros", enquanto que a produção leiteira é exercida principalmente pelos descendentes dos "colonos", e hoje, também, além desses agricultores de pequenas e médias propriedades, se iniciam na atividade leiteira certo número de granjeiros de soja de médio porte.

Em resumo, a produção leiteira do RS está nas mãos de uma classe muito desunida, sem uma representatividade legítima junto às instituições governamentais e reindivicatórias.

Oxalá sua Associação progrida cada vez mais, frutificando e servindo de motivação e exemplo para a classe dos produtores leiteiros profissionalizados de todo o País.

Cordiais saudações,

Paulo Mühlbach

Carine A. Silva

Patos de Minas - Minas Gerais - Estudante
publicado em 15/01/2012

Obrigada!
Carine.

Andréia Aparecida Conceição

Laranjeiras do Sul - Paraná
publicado em 15/01/2012

Prof. Paulo,

Obrigada pelas suas colocações.

Guilherme Alves de Mello Franco

Juiz de Fora - Minas Gerais - Produção de leite (de vaca)
publicado em 15/01/2012

Prezado Paulo: Como você já deve ter podido verificar, sou adepto do confinamento integral de bovinos de leite. Uma das vantagens que vejo neste sistema é, justamente, o aporte de alimentação, balanceada e rica, em quantidade suficiente para os animais, possibilitando, assim as produções de alto volume. Se você verificar nas fotografias de meus animais, trazidas à minha página, aqui no Milk Point, constatará que todos, sem exceção, sejam eles bezerros ou vacas em pré parto ou início de lactação, se apresentam com escore corporal entre três e  quatro, ideal para o bom desenpenho vital dos mesmos. Entendo que você deve reduzir custos, mas, sem por em risco a saúde das vacas, já que a mesma é reflexo do que entra pelas suas bocas. Concordo que, a pasto, não dá para atingir a estas metas. Para isso, assistência técnica forte e eficaz são indispensáveis, já que, como afirma o companheiro Marcello, o produtor, a não ser que seja técnico da área, não arregimenta o necessário conhecimento para entender a complicada sistemática alimentar de seu rebanho. Ficar a mercê de "planilhas milagrosas" é sucumbir, já que, nesta área, não existe receita de bolo, devendo, cada rebanho, ter uma padronagem específica de dieta total. Eu, por exemplo, adoto o sistema de dieta única, para todos os animais, só variando as quantidades fornecidas, seja qual for a faixa etária e o estágio produtivo em que se encontram. Este "modus agendi" é excelente para mim, mas não sei se o será para meu vizinho.
Parabéns pelo artigo e bem vindo ao "site". Tenho certeza que todos nós vamos lucrar - já estamos colhendo bons frutos, como o presente artigo - muito com a sua vinda.
Um abraço,

GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO
FAZENDA SESMARIA - OLARIA - MG

Paulo R. F. Mühlbach

Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Consultoria/extensão
publicado em 15/01/2012

Prezado Guilherme,

Agradeço por sua participação, também neste blog.
Sem dúvida, tenho acompanhado com muito interesse suas discussões que frutificaram do seu pródigo artigo sobre as vantagens do sistema confinado. Muito do seu conteúdo poderia ser aproveitado como uma verdadeira apostila para a formação zootécnica em produção leiteira.

Todavia, como você também o ressalva, muito do "modus operandi" que lhe é adequado, poderá não convir ao seu vizinho.

Não sei se existe outro país como o nosso, onde as condições possíveis para a produção de leite sejam tão heterogêneas, sob os mais variados aspectos, como clima, solo, estrutura fundiária, mérito genético dos rebanhos, capacidade e disponibilidade da mão-de-obra e gerenciamento, infra-estrutura de produção e processamento, assistência técnica, pesquisa de base e pesquisa aplicada, tradição cultural, instrução e poder aquisitivo do mercado consumidor, etc., etc., de forma que é muito difícil chegar-se a uma unanimidade, a um consenso, sem o debate construtivo e bem fundamentado, especialmente sobre esta temática que trata dos sistemas de produção. Mesmo porque, como dizem, a unanimidade é burra.

Agora, uma coisa é certa: se o cidadão quer manter um plantel com produção média diária de 40 litros/vaca, a dieta não poderá ter mais de 30% de fibra em detergente neutro na matéria seca total, e isto restringe em muito os tipos de alimentos possíveis.

Obrigado pela avaliação da minha despretensiosa contribuição, o que me motiva a prosseguir nesta nova atividade, como acadêmico aposentado, que ainda tem, numa boa discussão sobre Produção Leiteira, a sua "cachaça".
Abraço,

Paulo Mühlbach

Franco Ottavio Vironda Gambin

Jambeiro - São Paulo - Produção de leite (de vaca)
publicado em 15/01/2012

Caros colegas do leite , creio que estou no lugar errado produzindo leite na regiao errada,,mas procuro manter minhas vacas no melhor escore possivel, mas os custos  estes benditos ,sonho com milho a 25,00- ´por saco de 60Kg,  aqui no Vale do Paraiba custa R$38,00 por 50Kg,,   a silagem de milho 130,00 por tonelada e tudo o mais tambem esta caro , nao so insumos, uma broca de aço rapido aqui custa R$5,00   na Italia R$1,50 (Alema) um paquimetro digital Chines 125,00 la fora 25,00 com nota fiscal .Creio que a culpa de tudo isso seja   nossa,nao sabemos sair para as ruas e fazer  nossos protestos, ha muita propaganda enganosas por ai . Hoje no Estadao a manchete -era ... --tudo aqui e mais caro que no exrerior--. O ponto de equilibrio  no meu caso e 163 litros de leite , se produzimos menos   tenho de escolher nao pagar meu leiteiro,os impostos ou oferecer dieta mais pobre  para  quem nao tem culpa nenhuma. Nao devemos esmorecer, ainda chegarei 1000 litros,  mas pergunto e os pequenos  muitas vezes com suas vacas magras     .

Paulo R. F. Mühlbach

Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Consultoria/extensão
publicado em 16/01/2012

Prezado Franco,

Seu objetivo de procurar manter o melhor escore corporal possível no seu plantel está correto, pois pior estado nutricional implicará no aumento dos custos de tratamento veterinário.
Também concordo com a atual carestia generalizada; dizem que, atualmente, a nível mundial,  o imóvel mais caro, o Toyota Corolla mais caro e o Big Mac mais caro estão no Brasil.

A aquisição de insumos, de modo associativo, em maiores volumes, certamente ajudaria em baixar estes custos.

Pondo mais lenha na sua fogueira: de acordo com o levantamento recente feito pelo MilkPoint, no link
http://www.milkpoint.com.br/mercado/giro-lacteo/pesquisa-custo-de-producao-sera-o-maior-desafio-para-2012-77179n.aspx
a população pesquisada demonstrou que, a partir dos 1000 litros diários, o custo da mão-de-obra seria o predominante, ou seja, os desafios do produtor de leite são permanentes.

Quanto aos pequenos? Aqui na Região Sul temos pequenos em área que produzem mais de 1.000 litros diários, e esses, com mão-de-obra familiar, no médio e longo prazos, certamente persistirão. Os demais, fatalmente, terão que ser redirecionados para outra atividade, de acordo com sua infra-estrutura disponível.

Guilherme Alves de Mello Franco

Juiz de Fora - Minas Gerais - Produção de leite (de vaca)
publicado em 16/01/2012

Prezado Paulo: Temos que parar de entender que o pecuarista familiar não tem custos com mão de obra, já que os membros da família dispensam suas forças de trabalho para o empreendimento e, isto, possui o mesmo valor de um empregado contratado, já que deixaram de exercer outras atividades para carrearem seus esforços para a empresa da família, enquanto poderiam estar recebendo de outros lados. Portanto, não é por ser familiar que não possui gastos com mão de obra. Este é o tal custo de oportunidade, que deve ser considerado. Por lado outro, verificamos que grande parte das famílias têm encontrado resistência quanto à continuidade do negócio, já que os novos membros, seduzidos pelos conglomerados urbanos,  abandonam o campo.
Quanto à diversidade de opções que nosso País nos oferece, elas, me perdoe, não são tão grandes assim e passam, sempre, pelo profissionalismo dos que as abraçam.
Como você mesmo pode constatar, os rigores do tempo têm sido, não só no seu Estado (e note que o Rio Grande do Sul é um dos mais propícios à criação a pasto), mas em todos os rincões, um grande fomentador de prejuízos para os que se utilizam dos variados tipos de pastejo. Diferentemente, os confinadores, continuamos nossas rotinas com a mesma segurança de outras épocas, ainda que se tente dizer que a chuva prejudica-nos, também, pela queda do volume produzido de silagem. Para os que somos eficientes, discordo deste parâmetro, porque plantamos mais cedo nosso milho, em áreas estudadas e, portanto, nossa produção não irá sofrer grandes variações e a silagem se dará como de costume. Acredito que os prejuízos são muito maiores para os que se utilizam de pastos, porque, debaixo d'água, as vacas não conseguem se alimentar e o barro agride a fisiologia do animal, fazendo surgir problemas de casco, respiratórios, além de aumentar a incidência de mastites clínicas e subclínicas. Isto tudo contabilizado, não creio que exista outro sistema de criação mais eficiente que o da reclusão integral do gado de leite. Além do mais, o alimento que é destinado às nossas vacas, vem, via de regra, de localidades não atingidas pelas enchentes ou pelas estiagens profundas, porque, é de sabença meridiana, o milho é cultura de altitude e a soja, uma "commoditie" internacional que, facilmente, se encontra arraigada às áreas sem ou de pouco problema. Alie-se a isto que adquirimos, com constância, volumes destes alimentos suficientes para que se alimentem os animais por longos períodos e podemos, em substância, transpor estes lapsos de incerteza com mais tranquilidade.
Por tais fatores, minha produtividade (e a de todos os confinadores profissionais) continua a mesma, sem grandes variações, enquanto a oferta do leite no mercado cai. Nestes momentos, sobe nosso lucro, já que, em época que  normalmente o preço despenca no mercado, a tendência é de manter-se a alta de preços, pela escassês já instalada no mesmo.
Um abraço,


GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO
FAZENDA SESMARIA - OLARIA - MG

Paulo R. F. Mühlbach

Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Consultoria/extensão
publicado em 16/01/2012

Prezado Guilherme,

Obviamente, que, no cômputo de custos de produção, a mão-de-obra familiar deverá ser  considerada. Agora, até que ponto e em que grau os encargos sociais, horas-extras, férias, eventual risco de querela de direito trabalhista, etc. deverão ser incluídos, eu não saberia dizer.

Outra vantagem que vejo com a mão-de-obra familiar é a postura em relação à eficiência, o rendimento da hora trabalhada. Se você é o dono da vaca, seu cuidado é mais esmerado, de modo geral; é o "olho do dono que engorda o boi", conforme o dito popular. E, como você o sabe, o detalhe é fundamental, observando-se permanentemente os animais, sua ruminação, comportamento em geral, etc. E, na medida em que um funcionário bem treinado alcança esta eficiência, seu valor e custo também aumentam.

Quanto à questão da sucessão, do interesse do jovem pela atividade, tenho visto isso crescer aqui no Sul, com a disseminação de cursos federais agrotécnicos e de faculdades de Ciências Agrárias pelos  interiores de RS, SC e PR.  E  isso também pode, e até deveria, ser fomentado por uma propaganda governamental bem conduzida.

Cada vez mais, a questão da mão-de-obra se tornará mais crítica. Há quase 40 anos, quando fazia meu doutorado na Alemanha, me surpreendi quando um ordenhador profissional chegou de Mercedes numa determindada propriedade para substituir o proprietário, que saía de férias para a Itália.

Por esse motivo, já naquela época, Karl Rabold iniciou as primeiras pesquisas em direção à robotização da ordenha, hoje uma realidade que se dissemina, paulatinamente, numa relação custo/benefício progressivamente compatível, no momento, apenas ainda, nos países do hemisfério norte, Mas, sabe-se lá, quando seu emprego começará a valer a pena também aqui no Brasil.

E, para mim, há sim, grande heterogeneidade no tocante aos sistemas de produção existentes no País, exatamente em relação ao profissionalismo ou à falta do mesmo no exercício da atividade. Isto chega a ser uma obviedade.

Quanto às vantagens da produção de leite em confinamento, não tenho nada a objetar, pelo contrário, sou defensor desse sistema, principalmente na pequena propriedade, com rebanho de alto mérito genético.

Portanto, acredito no sucesso de seu empreendimento e o felicito, desejando-lhe progresso e satisfação na defesa dessa sua convicção.



Hugo Zardo Filho

Panambi - Rio Grande do Sul - Revenda de produtos agropecuários
publicado em 16/01/2012

Estimado Professor.

Parabens pelo artigo.
Alem de professores, técnicos e produtores abnegados, quem mais estaria interessado no problema apresentado, senao a industria?
Onde fica a indústria nessa questão?
E orgaos fiscalizatorios, secretarias e ministérios..?
Nao sei se os mais importantes clientes de nossa cadeia, crianças e idosos, estão em condiçoes de exigir algo. Entao, quem fala por eles?

SDS

Paulo R. F. Mühlbach

Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Consultoria/extensão
publicado em 16/01/2012

Caro Hugo,

Obrigado, também pelas pertinentes observações. De fato, o silêncio, até certo ponto, quase omissão, dos laticínios, pelo menos na discussão sobre essa questão, dá o que pensar. Vai ver porque o leite instável ainda rende algum lucro após o seu processamento.
Quanto ao mercado consumidor brasileiro, este ainda é uma "maria vai com as outras", geralmente imitando o comportamento noticiado pela mídia estrangeira e aqui difundido pela mídia local. Na minha opinião, como essa questão de leite instável não é mais uma realidade no chamado "primeiro mundo", pois lá as vacas são mais bem alimentadas e manejadas, vamos ter que aguardar pelo amadurecimento e conscientização do consumidor tupiniquim em relação a esse aspecto.
Um abraço.

Vivian Fischer

Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Pesquisa/ensino
publicado em 16/01/2012

Olá Paulo, grata pela citação e parabéns pelo artigo oportuno. Ainda algumas coisas a acrescentar dos nossos últimos trabalhos sobe a restrição: efetivamente o animal percebe a restrição como algo aversivo: nos primeiros dias após a a restrição, os índices de cortisol plasmático são mais elevados que as vacas sem restrição;;oi comportamento social muda: além da busca incessante pelo alimentos (mas sem encontra-lo), as vacas aumentam a frequência das interações agonísticas entre os animais e apresentam estereotipias (antes inexistentes). Ocorrem mudanças na anatomia e fisiologia das junções entre as células epiteliais mamárias, com alteração no equilíbrio salino e iônico do leite, o que explica parcialmente as alterações nos cátions, lactose e demais atributos deles dependentes, como em especial a estabilidade no teste do álcool (tivemos todas as vacas instáveis no álcool .68% e algumas vacas que baixaram a 50% de etanol na solução do teste, ou seja, quase um leite caprino).  Mas as nossas vacas podem sofrer de outros estresses além da fome, como o calórico. Temos dados super interessantes quanto a isto também. Obrigada pela iniciativa.

Paulo R. F. Mühlbach

Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Consultoria/extensão
publicado em 16/01/2012

Olá Vivian,

Como podes constatar,  no presente caso, valho-me dos dados levantados por vocês, tentando praticar a extensão da pesquisa que não conseguia exercer na função pública,  agora sentindo-me mais à vontade e descompromissado.

Assaz interessantes  as observações complementares decorrentes da restrição alimentar, especialmente sobre as mudanças nas junções das células mamárias e seus efeitos. Os artigos devem estar sendo publicados, pois como dizem," informação que não é difundida, não existe".
Contínuo sucesso a toda a equipe.

Guilherme Alves de Mello Franco

Juiz de Fora - Minas Gerais - Produção de leite (de vaca)
publicado em 16/01/2012

Prezado Paulo: Devo dizer que na proporção em que as mesmas são realizadas, como se fosse outro funcionário qualquer, já que, se o parente não atuasse, teria que ser contratado um empregado para estas sobretarefas. Embora considere que o "olho do dono é que engorda o capado" (rsrsrs), temo que há parentes que são menos cuidadosos que o empregado, já que têm a certeza de que não perderão seus empregos se agirem com desídia (rsrsrs). Já passei por esta experiência. Infelizmente, este não é o quadro que encontramos em Minas Gerais, onde a debandada para os centros urbanos é considerável. A robotização do campo brasileiro somente ocorrerá, com substância, daqui há uns cinquenta anos, após os robôs que aqui chegarem já estarem obsoletos, superados por outros muito mais eficientes. É a realidade do terceiro mundo.
Um abraço,


GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO
FAZENDA SESMARIA - OLARIA - MG

Vivian Fischer

Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Pesquisa/ensino
publicado em 16/01/2012

Paulo, em relação ao "silêncio da indústria", não acho que o leite instável dê lucro ou que as empresas não se importam. Elas se preocupam e desejariam um leite de elevada qualidade. Porém existem equívocos em como estimular ou medir essa qualidade. O pagamento por volume e a não remuneração dos teores de proteina e sólidos é um dos fatores  que leva à produção de leite com baixo teor de sólidos do leite. OUtro equivoco é avaliar a estabilidade aumentando desnecessariamente o teor de etanol da solução. è cada vez mais frequente o uso de concentrações acima de 80%. POr outros lado, faltam indícios seguros de qual o nível adequado de etanol utilizar. Em termos de resultados de pesquisa não parece haver sentido em aumentar acima de 74% de etanol, mas honestamente faltam mais medidas, ainda mais considerando as mudanças tecnológicos e nos equipamentos.
Eu pessoalmente discordo da política atual de muitas indústrias de fazer o teste do álcool nas fazendas usando concentrações superiores a 72%. Entre as alegações, estão a que o uso de concentrações maiores permitiria a melhor visualização da ocorrência dos coágulos (sinceramente muitas das pistolas usadas no teste dificultam a visualização) e contrabalançaria a evaporação do álcool da solução, sobretudo em dias quentes. Seria melhor aferir a solução (um alcolômetro custa 45,00 ou menos) e melhorar a visualização da pistola, pois o aumento do etanol na solução pode (e provoca) a ocorrência muito maior de resultados positivos no teste (coagulações).
De nossa parte vamos iniciar esses estudos com vistas a informar o setor produtivo com ênfase nas industrias os efeitos do uso de diferentes concentrações de etanol.
abraços


Vivian

Paulo R. F. Mühlbach

Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Consultoria/extensão
publicado em 16/01/2012

Vivian,

Outra vez, obrigado. É com grande satisfação que divulgo todos esses comentários e complementações sobre o assunto levantado. Há muita sede de informação a esse respeito e quanto mais ampla a discussão e esclarecidas as dúvidas, tanto melhor consolidaremos o conhecimento. Este espaço estará sempre à disposição.

Vivian Fischer

Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Pesquisa/ensino
publicado em 16/01/2012

Estamos finalizando a redação desse artigo, sobre os efeitos da restrição severa. Já apresentamos algumas informações no II simpósio internacional  de leite instável em Colônia-Uruguai, em setembro 2011 e venho incluindo parte das informações nas minhas palestras do simleite, zootec. Mas concordo contigo, precisamos divulgar mais...

Guilherme Alves de Mello Franco

Juiz de Fora - Minas Gerais - Produção de leite (de vaca)
publicado em 16/01/2012

Prezada Vivian Fischer: Com a licença do Paulo, teço algumas considerações sobre as observações contidas em suas pesquisas e, de forma oblíqua, à do Paulo. Com certeza absoluta, a queda ou ausência de um padrão alimentar, não só em quantidade mas, também, em qualidade é fator limitante em qualquer sistema de criação de gado de leite. Este aspecto vem sendo observado por mim, desde que meu avô, em meados de 1970, exercia criação extensiva destes animais. As vacas são seres muito afeitos à rotina e se esta é quebrada, respondem, de forma imediata, com a baixa de produção. Comparo-as a alguns idosos humanos, mesmo sendo, em alguns casos, ainda jovens. Com relação a animais de alta performance, este problema ou circunstância mais se acentua, eis que a simplória troca de elementos componentes de sua dieta já acarreta grandes desníveis. Lembro-me perfeitamente o custo que foi quando introduzi gorduras hidrogenadas na alimentação de meu rebanho, visando melhor resguardo ruminal - foi um caos (tanto o cheiro quanto o gosto fizeram diversas vacas recusarem o alimento), a ponto de, em alguns casos, ter que eliminar o novo elemento, muito embora seja de vital importância nas altas lactações. Assim se dá, também, quando a dieta integral se apresenta insuficiente ou empobrecidade de valores essenciais, sendo que, em ambos os casos, se não houver providências imediatas, pode-se atingir ao quadro de subnutrição, tão bem alertado pelo Paulo, e que promove perdas irreparáveis nas lactações individuais.
Quanto ao aspecto do estresse calórico, confesso a você que não sou muito indicado para analisar seus efeitos, porque o uso de aspersores, de ventiladores e, a partir do ano de 2013, de ar condicionado central, fazem com que este entrave não tenha lugar no meu sistema, muito embora já tenha presenciado seus funestos sintomas em propriedades em que pude visitar (até mesmo a recordista mundial de produção de leite em um só dia, a vaca Polônia, aí do Rio Grande do Sul, na reportagem exibida pelo Canal Rural, apresentava sintomas desta enfermidade, como excesso de salivação e dificuldades de respirar).
Gostaria de ouví-la quanto a este aspecto, já que meu interesse é o conhecimento, melhor arma para o combate de qualquer anomalia, tanto de manejo quanto de sanidade no rebanho. Conhecimento nunca é demais e quanto mais aprendo menos sei.
Um abraço,

GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO
FAZENDA SESMARIA - OLARIA - MG

Vivian Fischer

Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Pesquisa/ensino
publicado em 16/01/2012

Olá Guilherme, obrigada pelas considerações. O que pudemos observar é que no periodo quente, a privação de sombra (tão comum a gente olhar as vacas em piquetes sem qualquer sombra natural ou artificial, mas lembro que o estresse calórico pode ocorrer também em confinamentos sem ventilação, resfriamento ou aspersão) causa redução expressiva na produção leiteira, redução enorme na estabilidade do leite, pode causar acidose metabólica (depois da alcalose respiratória), além de alterações expressivas no teor de lactose, proteina, densidade, acidez titulável. No nosso caso. As vacas manisfestaram o estresse por mudanças do comportamento ingestivo, pastando muito menos, ofegavam muito, perdiam muita saliva e aumentaram a sua temperatura corporal acima de 40°C. As vacas com acesso à sombra permaneceram bem, pastavam mais meso durante o dia. Nesse caso, a tecnologia se limitou a ter árvores e permitir o acesso à sombra pelos animais. Nada complicado.
abraços

Vivian Fischer - professora do departamento de zootecnia da UFRGS

Andréia Aparecida Conceição

Laranjeiras do Sul - Paraná
publicado em 16/01/2012

Prezada Vivian Fischer,

Achei muito interessante sua colocações e gostaria de saber se já está disponível seu trabalho em relação ao estresse calórico, citado acima, e como poderia acessar.

Obrigada.

Vivian Fischer

Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Pesquisa/ensino
publicado em 16/01/2012

Olá Andréa, como vais? Os dados ainda não foram publicados, apenas alguma coisa nos anais do zootec e do simleite. Lá você pode encontrar a minha palestra e alguns desses dados.

Andréia Aparecida Conceição

Laranjeiras do Sul - Paraná
publicado em 16/01/2012

Olá Vivian, tudo bem.
Agradeço sua atenção e irei procurar pela sua palestra, acho muito interessante que trabalhos como o seu possam ser divulgados em sites como o Milkpoint, para consultas de profissionais e produtores à informações científicas.
Tenho muito interesse na área de bem estar animal, se tiver alguma dica de trabalhos ficarei grata.

Agradeço sua atenção.

Andréia.

Vivian Fischer

Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Pesquisa/ensino
publicado em 17/01/2012

Eu trabalhei mais na área de bem estar ligado à bovinos de corte e ovinos. Mas em relação às vacas leiteiras temos a linha de pesquisa dos efeitos de fatores estressantes (restrição alimentar, estresse calórico e vamos iniciar outros brevemente). Mas se acessares nossas principais revistas científicas nacionais e internacionais, vais encontrar muito material. Outro site que podes olhar  é o do ETCO.

Abraços


Vivian

Hugo Zardo Filho

Panambi - Rio Grande do Sul - Revenda de produtos agropecuários
publicado em 17/01/2012

Paulo e Viviam

O uso de sombra natural nao tem surtido efeito algum nas vacas que assistimos. Traz o aumento na mao de obra na sala de ordenha. Pior, força o aumento do uso de agua na sala de ordenha.
Animais que concentram-se sob as arvores criam poças de lama. Estas poças de lama e esterco, muito atrativas pela umidade, acabam por sujar os tetos das vacas. Em termos de efetividade, vacas acima de 30 litros, nao observo nenhuma melhora com a sombra. Se somarmos o prejuizo dos tetos sujos, acho uma estratégia pouco favoravel.

Muito necessaria esta discuçao.

Paulo R. F. Mühlbach

Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Consultoria/extensão
publicado em 17/01/2012

Hugo,

Para vacas acima de 30 litros eu recomendaria o confinamento, o qual, bem  conduzido, minimizaria substancialmente o problema. Todavia, o problema persistiria também com as vacas de menor produção, não confinadas, pois seus tetos sujariam igualmente.

Na Argentina usam "sombrites" móveis nos alfafais em pastejo e lá o clima é mais seco, ou seja,  esta não seria, necessariamente, uma receita válida para  nós, daqui da Região Sul.

Imagino que, dependendo da topografia, especialmente em locais mais planos, uma drenagem natural por escorrimento, ou a pavimentação localizada nos locais sombreados, não seriam soluções definitivas. Sem  dúvida, a questão do barro é crucial para os problemas CBT do leite e  mastites.

De fato, aí  ainda tem muito "pano prá manga".

Hugo Zardo Filho

Panambi - Rio Grande do Sul - Revenda de produtos agropecuários
publicado em 17/01/2012

Paulo

Concordo com a sugestao do confinamento. Mas é um passo que poucos conseguem dar, ou estao dispostos a dar. A maior parte dos tecnicos desencoraja produtores a investir. Nao temos linhas de credito disponiveis adecuados. (juros e prazo)
Para produtores que nao chegaram ao freestal, estamos utilizando a sala de espera ou adaptando currais de resfriamento. Levamos as vacas pelo menos quatro vezes ao dia, e resfriamos as vacas.

Paulo R. F. Mühlbach

Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Consultoria/extensão
publicado em 17/01/2012

Hugo,

Posso imaginar, que em períodos que possam levar as vacas em lactação ao estrésse calórico, vocês consigam manter um nível de ingestão de alimento próximo do ideal. Se possível, gostaria de saber como é determinada a relação custo/benefício desse procedimento de resfriar os animais.

Luciano Paiva Nogueira

Sete Lagoas - Minas Gerais - Produção de leite (de vaca)
publicado em 17/01/2012

Quanto a esta questão do stress térmico, para quem não tem condições de montar um free stall com ar condicionado, não seria interessante se estudar a utilização do Girolando?
Temos um exemplo de experiência em minha região (BH-MG), em que uma das maiores produtoras de leite do pais irá trabalhar com o Girolando 3/4hol-gir na tentativa de reduzir o stress térmico e melhorar os índices reprodutivos. Aqui faz calor durante sete a oito meses do ano. As vacas puras sentem muito o seu efeito, mesmo as confinadas com redutor de temperatura corporal.

Paulo R. F. Mühlbach

Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Consultoria/extensão
publicado em 17/01/2012

Prezado Luciano,

Obrigado por sua participação aqui e sua  sugestão.

Recebi o convite do MilkPoint para tratar, neste blog, de  assuntos que possam interessar mais aos produtores de leite da Região Sul, onde me encontro. Obviamente, todos são benvindos a participar, pois muitos assuntos são de interesse comum, porém, há certas questões na produção leiteira que, face às diferenças regionais, não são de adoção generalizada. Acho que a questão do limite geográfico para o emprego do gado azebuado na exploração leiteira é uma delas.

Sem dúvida, que o clima tropical ao natural demanda uma adaptação à temperatura, tolerância ao carrapato, etc., enfim, gado mais rústico quando o objetivo é uma produção a campo. E vocês aí no Centro-Oeste tem nos cruzamentos Girolando uma opção interessante para os sete a oito meses de canícula em regime extensivo.

Nosso clima aqui é considerado sub-tropical e nas regiões mais altas  é quase temperado, com invernos por vezes até com neve, além de geadas frequentes. Embora tenhamos, no verão, também alguns períodos (semanas) de muito calor, com a adoção de certos procedimentos de manejo para propiciar maior conforto, principalmente às vacas em lactação, o problema pode ser resolvido, não justificando abrir-se mão das vantagens do gado leiteiro de raças européias.

Então, a grande maioria dos nossos produtores da Região Sul, muitos deles com pequena ou média propriedade, prefere trabalhar com  vacas com produção média acima de 30 litros/dia, ao invés de, comparativamente, manejar três vacas de 10 litros/dia, para o mesmo volume de leite.

Luciano Paiva Nogueira

Sete Lagoas - Minas Gerais - Produção de leite (de vaca)
publicado em 17/01/2012

Paulo, compreendi todo o seu texto e com ele concordo com base nas informações do clima. Se o stress dura poucas semanas não faz sentido abandonar a raça mais produtiva.
Mas sou obrigado a discordar quanto á média de leite atribuída ao Girolando. Trinta litros/dia para a 1/2 sangue é uma realidade para mim. Claro que em condições de clima mais frio talvez isso não ocorra, mas a evolução da produtividade do Girolando torna isso plenamente possível em minha região em pastejo rotacionado com suplementação.
No caso dos 3/4, tenho visto criadores com esta média em rebanhos consideráveis.

Parabéns pela clareza do artigo.

Paulo R. F. Mühlbach

Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Consultoria/extensão
publicado em 17/01/2012

Prezado Luciano,

Obrigado, mais uma vez.
Longe de mim a pretensão de entender de Girolando. Daí que fui procurar agora alguma informação  no portal http://www.girolando.com.br
Eis a cópia  "ipsis letteris"  da informação no portal Girolando:
"A média de produção leiteira por lactação é de 3.600 Kg. (duas ordenhas/dia) em 305 dias, com 4 % de gordura, acumulando uma produção vitalícia acima dos 20.000 Kg de leite, que inicia-se normalmente aos 30 meses de idade. O período de lactação médio gira em torno dos 280 dias, tendo o pico de produção entre os 30 e 100 dias com ótima persistência."  
Então a média diária seria 3.600 kg : 280 dias= 12,85 kg/dia, ou seja, não muito distante do meu exemplo, onde, na verdade, me refiro a valores médios do nosso gado mais comum aqui no Sul, o popular SRD (sem raça definida) e não, necessariamente, ao Girolando.

Talvez você tenha se referido à produção ao pico da lactação, pois se uma vaca produzir  uma média de 30 litros/dia, numa lactação de 280 dias o volume total será  de 8.400 litros! Daí o portal  do Girolando teria que fazer alguma correção nas suas informações, certo?.

Vivian Fischer

Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Pesquisa/ensino
publicado em 17/01/2012

A discussão é interessante, mas como ficam então os sistemas silvo pastoris? Será que não é possível manejar a questão do barro com a densidade de árvores ou com abrigos artificiais  móveis? Por que não fazer um escore de limpeza pra fundamentar isto? A limpeza do úbere fica na dependência de outros fatores como pastagens bem densas, local seco pra deitar, etc.

Concordo que a limpeza do úbere é extremamente importante, mas o conforto animal também o é.


Afinal de contas, como fica o bem estar dos animais? É frequente observarmos as vacas leiteiras colocando a cabeça à sombra dos moirões, pois não há mais nada para garantir o conforto térmico?

Fica a proposta de encontrarmos soluções, mas que a sombra alivia o estresse calórico e mantém a produção e qualidade do leite, não tenho dúvidas.

Paulo R. F. Mühlbach

Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Consultoria/extensão
publicado em 17/01/2012

Vejo que tenho que viajar mais, pois não conheço ainda nenhuma propriedade leiteira com sistema silvo pastoril e desconheço que proporção do leite produzido na Região Sul provém desse tipo de exploração. Posso imaginar isso funcionando bem com gado de corte, em áreas relativamente grandes.

Agora, sem "sombra" de dúvidas, sombra & água fresca é fundamental para a vaca em lactação, esteja ela desfrutando disso a céu aberto, ou num confinamento bem manejado.

Hugo Zardo Filho

Panambi - Rio Grande do Sul - Revenda de produtos agropecuários
publicado em 17/01/2012

Paulo

Da pra pensar em muitas maneiras de organizar os dados de rebanho.

Separei critérios de facil acesso para qualquer produtor.

Dois criterios em relaçao as vacas.
1 - receita/vaca/dia e custo de alimentaçao/vaca por dia (max 42%)
2 - relaçao de kg de leite  :  kg de concentrado(de 3,5 a 4,0)

Dois critérios em relaçao ao rebanho
Vacas em produçao x animais nao lactantes (maximo 1:1)
Nao baixar de 50% do rebanho de vacas confirmado.

Mantendo os crérios acima, vamos analisar as perdas.

As propriedades que nao resfriaram ano passado e resfriaram esse verao tiveram diferença de 38%.
Se compararmos o rebanho no inverno com o verao uma queda de 10% a 15%. Ainda nao conseguimos o mesmo desenpenho do inverno.

Embora nao mantivemos o resultado do inverno anterior, aumentamos e muito o resultado do verao anterior.
Se admitirmos que 50% da diferença é custo de alimentaçao(ingestao maior de MS) e custo de resfriamento, teremos ums diferença de 19%.
Em 30000 litros mes, significa R$ 5000,00. Em QUATRO meses R$ 20000,00.

Havendo alteraçao dos critérios listados acima(se piorar), este número se amplia.

Desculpe a falta de didatica.

Andréia Aparecida Conceição

Laranjeiras do Sul - Paraná
publicado em 17/01/2012

Prezados Paulo e Vivian,

Em relação a sistemas de sombreamento acredito eu na minha pouca experiência e pelo que já li até hoje, ser de extrema importância no sistema produtivo de leite, por todas as questões já mencionadas. Como exposto pela professora Vivian, basta andar pelo interior e observar as vacas quando há temperaturas elevadas, ficam espremidas em míseras sombras onde nem ao menos conseguem deitar-se para a ruminação após os pastejos.
Em relação ao acúmulo de barro nas sombras, tenho observado este fator quando o produtor resolve aproveitar os maciços florestais existentes na propriedade, os quais não possuem uma densidade adequada, então os animais ficam todos amontoados, também vejo a questão da localização da água, muitos produtores acabam colocando os bebedouros junto a estes maciços florestais. Então há muitas condições de piqueteamento mas com as vezes apenas um local de sombra o que acarreta nos animais diariamente irem aos piquetes mas voltarem para o mesmo local de sombra, desta forma há realmente acúmulo de barro, esterco, enfim um local propício para contaminações.
Sobre sistemas silvo pastoris, gostaria de citar o trabalho aqui no Paraná do IAPAR - Instituto Agronômico do Paraná, eles possuem o Projeto Redes, que consiste em acompanhamento técnico (agrônomos, zootecnistas, veterinários) de algumas propriedades leiteiras (propriedades familiares) e em muitas destas propriedades foram implantados sistemas silvo pastoris. Tive a oportunidade de visitar algumas propriedades onde usou-se eucalipto e grevílea, mas o sistema consiste em faixas com distâncias entre elas que variam de 20 a 50 metros (varia conforme tamanho dos piquetes), e a distância entre as árvores no plantio, pode ficar em torno de 2,5m, pois pode haver perda de árvores após adultas, então o stand final entre plantas fica em torno de 4 metros. Observei nas visitas que os animais ficam deitados ao longo da sombra feita pelas árvores, ou seja, não tendem a se amontoar, formando barro, também há outro fator, sendo utilizado um piquete por dia, os animais não estarão sempre no mesmo local de sombra, ou seja esta sombra a grosso modo descansa junto com o piquete, até vale salientar que embaixo das árvores também havia pasto, no caso destas propriedades era Tifton.

Agradeço a atenção.

Andréia Aparecida Conceição

Laranjeiras do Sul - Paraná
publicado em 17/01/2012

Só acrescentando mais uma observação, temos muitos animais de origens européias, embora na maioria das nossas propriedades aqui na minha região não são puras, mas as cruzas são entre raças européias, as quais são exigentes quanto a temperaturas. Só para citar, após vários dias de calor intenso aqui, tivemos desde sexta-feira temperaturas mais amenas após a abençoada chuva, então basta observar o comportamento dos animais, pastejando em horários que na semana anterior não se via nenhum animal nos pastos sem sombreamento.

Guilherme Alves de Mello Franco

Juiz de Fora - Minas Gerais - Produção de leite (de vaca)
publicado em 17/01/2012

Prezada Vivian: Nós, os confinadores, somos sempre acusados de não nos preocuparmos com o bem estar dos animais, forçando produções acima do que a vaca poderia produzir e que esta estaria sofrendo pelos rigores do sistema. Após mais de cinco anos de confinamento integral de gado de leite, verifico que, ao contrário, nós somos os que mais nos preocupamos com a sanidade física e psicológica de nossos animais, tentando minimizar os rigores do clima com soluções cada vez mais confortáveis. Tanto é que, se você tiver possibilidade de visitar um confinamento profissionalizado, as vacas recebem tratamento de animais de companhia, que vão desde banhos cotidianos (alguns mais de uma vez ao dia) até colchões cada vez mais macios e absorventes de sujidades e impactos. Veja o caso simples do estresse calórico: em confinamentos integrais como o nosso, este fator não tem quaisquer preponderâncias, graças aos sistemas de refrigeração (que acredito sejam  os utilizados pelo companheiro Hugo Zardo Filho - os aspersores de névoa ou, mesmo, os esguichadores de água antes das ordenhas, que são, atualmente, os que usamos no nosso plantel e que serão substituídos pelos sistemas de ar condicionado - quando cita resfriamento dos animais) que mantêm a temperatura em níveis quase ideais para as vacas holandêsas (de 15 a 20º C). Por isso, nossos animais são tão mais felizes que os criados a campo, de tal sorte que, ao deixarmos abertas as porteiras do galpão, à noite, para que os animais possam, se quiserem, se dirigir aos piquetes de descanso, quase nenhum deixa o conforto de sua baia (usamos o sistema de "tie stall" e, não, "free stall"). Não há barro em excesso, nem vacas sujas, nem vacas estressadas calorica ou psicologicamente. Quanto ao investimento em sistemas de climatização (ar condicionado) seu custo logo se dilui com a resposta positiva nas lactações e na sanidade do rebanho. Como o galpão não é tão grande, pois abriga, no máximo cinquenta vacas, o investimento não é tão gigantesco como parece. Grandes redes de supermercados investem muito mais em seus ambientes, já que muito maiores e que precisam de maquinário muito mais potente, e obtêm lucro. Por nós não o teremos? Vejo muitos produtores preocupados com os gastos e, não, com os animais, no ledo engano de que investir em confortabilidade não gera qualquer receita - só despesa - e que tudo isso não passa de "benfeitoria diletante". Só para exemplo, nossa média animal/dia, na raça holandêsa, é de 46,5 litros, acima da maioria dos rebanhos e dezenas de vezes maior que a nacional. Se não fosse o conforto que dispensamos aos animais, dúvido que as lactações seriam tão expressivas. São conceitos que devem ser cultivados, mais que o milho para a silagem (rsrsrs) e que, infelizmente, não ecoam, na maior parte das fazendas leiteiras que conhecemos. Temos que parar de esperar as benesses governamentais  e fazer nossa parte.
Um abraço,


GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO
FAZENDA SESMARIA - OLARIA - MG

Paulo R. F. Mühlbach

Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Consultoria/extensão
publicado em 18/01/2012

Prezado Hugo,

Obrigado pelo empenho na resposta ao meu questionamento.
Em resumo, o fato é que vocês, indubitavelmente, comprovaram o benefício do resfriamento dos animais com esses argumentos financeiros, que, em última análise, são os decisivos para a adoção de alguma nova técnica.

Paulo R. F. Mühlbach

Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Consultoria/extensão
publicado em 18/01/2012

Prezada Andréia,

Muito interessante e esclarecedor o seu depoimento, demonstrando a viabilidade do sistema silvo-pastoril na sua região e o modo de controlar a super-lotação para evitar o acúmulo de barro.
Mesmo assim, ainda é um sistema muito dependente dos humores do clima, o que, principalmente com rebanhos de maior mérito genético, poderá resultar em prejuízos periódicos de certo vulto, conforme estamos vivenciando com essa seca atual na Região Sul.

E, como você também já deve ter observado, não é fácil para uma vaca de maior produção realizar a colheita de suficiente quantidade de matéria seca num tempo de pastejo de, no máximo, oito horas.

Vivian Fischer

Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Pesquisa/ensino
publicado em 18/01/2012

Pessoal, estou gostando da discussão. Porém quero deixar claro que não sou contra ,em principio, qualquer sistema produtivo. Mas vamos ressaltar algo> produtividade não é^garantia de bem estar animal. basta ver os confinamentos de gado de corte, com ganhode peso muito superioers a 1 kg e os animais mantidos em acidose subclínica. Cientificamente o criterio para medir bem estar não deve ser relacionado apenas à produtividade. por outro lado concordo que conforme a raça e potencial produtivo da vaca, devemos adequar o sistema produtivo, embora normalmente se faça o contrário....a vaca que se adapte. Sendo assim, minha maior contribuição é mostrar que o estresse térmico (calórico, no nosso caso manifestado pela restrição de acesso à sombra) afeta mais do simplesmente a produção de leite.
Agradeço pelo compartilhamento de informações.

Hugo Zardo Filho

Panambi - Rio Grande do Sul - Revenda de produtos agropecuários
publicado em 18/01/2012

Em respeito a sombra. Imaginei que estavamos conversando sobre a efetividade da sombra no resfriamento de vacas de leite.
Jamais imaginei que estavamos medindo o efeito da sombra contra o efeito da restriçao de sombra.
Nao tenho nenhuma experiencia com vacas sem acesso a sombra. Mas imagino que a sombra é menos desumana que a restriçao a sombra.
Quanto a avaliaçao das vacas, me parece que se faz a partir de um termometro acoplado a um dispositivo vaginal.
Mesmo somando vento, vento com velocidade e agua, ainda assim os animais sofrem alteraçoes e nao conseguem compensar o aumento da temperatura corporal.

Nilson André C. Menezes

Itabuna - Bahia - Consultoria/extensão rural
publicado em 28/01/2012

Parabéns a todos debatedores. Somente pessoas realmente comprometidas com a atividade leiteira e que, acima de tudo, gostam do que fazem poderiam desenvolver um debate desse nível. Muito bom.

Paulo R. F. Mühlbach

Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Consultoria/extensão
publicado em 28/01/2012

Prezado Nilson,

Obrigado pelo comentário; nosso compromisso é com a informação que seja útil ao produtor de leite profissionalizado.

Joelma ap. da silva

Caconde - São Paulo - Produção de leite (de vaca)
publicado em 21/07/2012

Tenho duas vacas que fiz teste para fazer queijo de seu leite,e o leite nao qualhou
O que pode ter sido?

Antonio Marcos de Mesquita Silva

Caconde - São Paulo - Produção de leite (de vaca)
publicado em 22/07/2012

Joelma se voce ferveu o leite ele não vai qualhar.

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