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Leite em 2011: rentabilidade favorável da atividade pode estimular oferta em 2012

Por Marcelo Pereira de Carvalho (MilkPoint) e Maria Beatriz Tassinari Ortolani (MilkPoint)
postado em 26/12/2011

 

Em 2011, o produtor de leite se deparou com preços de insumos mais caros, elevando o custo de produção. A Figura 1 ilustra a evolução do índice nos últimos 12 meses, de acordo com o ICPLeite/Embrapa, que mede a variação dos custos de produção. Ao longo de 2011, o ICPLeite/Embrapa acumulou aumento de 18,67%.

Figura 1. Evolução do Índice de custo de produção de leite - ICPLeite/Embrapa - no período de novembro/2010 a novembro/2011. Base: abr./2006 = 100


Fonte: Embrapa

Felizmente para o produtor, os preços pagos pelo leiteno campo também se apresentaram altos em boa parte do ano, com pequena oscilação. Com isso a rentabilidade do produtor rural manteve-se interessante e competitiva.

Dados do CEPEA apresentados na figura 2 mostram o comportamento da curva de preços corrigidos pela inflação e comparados com os anos anteriores. Pelo perfil das curvas, é perceptível que 2011 foi um ano de maior estabilidade frente aos anos anteriores. Além disso, os preços médios foram significativamente superiores. Em valores corrigidos pela inflação, os preços em 2011 devem ser cerca de 8% mais altos do que em 2011. Em valores nominais, a diferença passa de 15%. Mais importante do que os picos de preços foi a ausência de vales: aqueles momentos em que os preços atingem patamares mais abaixos e afetam significativamente o resultado da operação. Para efeito de comparação, em janeiro de 2010 os preços médios ficaram abaixo de R$ 0,60/litro.

Figura 2: Série de preços médios pagos ao produtor - deflacionado pelo IPCA (média de RS, SC, PR, SP, MG, GO e BA)


Fonte: Cepea (valores deflacionados pelo MilkPoint).

É interessante fazer uma observação sobre o comportamento da curva de preços a partir de junho. A elevação não característica dos preços no início do segundo semestre ocorreu devido a fraca safra na região Sul do país. A produção local foi afetada pelo clima e não respondeu como se esperava.Com isso, em agosto e setembro os preços voltaram a subir, após alguns meses de relativa estabilidade.

Mas esses preços mais elevados realmente compensaram os custos mais altos? Acreditamos que sim.

Em uma simulação feita pelo MilkPoint, é possível avaliar que mesmo com os aumentos nos custos de produção durante o ano, o produtor teve estabilidade em sua rentabilidade e trabalhou no lucro de abril a novembro (Figura3). Essa conclusão é obtida ao se analisar a receita menos o custo da ração para uma vaca de 20 kg/dia, sendo o resultado corrigido pela inflação. O valor resultante é o que sobra para pagar os demais custos e resultar em lucro ao produtor.

Percebe-se que o segundo semestre de 2011 proporcionou um resultado cerca de 20% superior em relação ao segundo semestre de 2010 e início de 2011. Considerando que os demais custos apresentam pouca variação no curto prazo, esse é um indício de melhoria da rentabilidade da atividade em 2011, apesar dos custos mais altos e das importações de leite e queijos, que atingiram patamares bem mais altos do que no ano anterior.

Gráfico 3: Receita menos custo da ração- últimos 12 meses



Além da estabilidade em bons níveis, é interessante observar que o final de 2010 e o início de 2011 não se apresentaram com preços e resultado típicos dessa época do ano, em que o produtor especializado muitas vezes perde dinheiro. O gráfico 4 é feito a partir dos dados do ICPLeite/Embrapa e preços do leite em Minas Gerais apontados pelo Cepea/USP. No entanto, como o ICPLeite/Embrapa trabalha com os valores relativos apenas, nós arbitrariamente colocamos o valor de R$ 0,525/litro como custo em julho de 2007, corrigindo a partir daí pela inflação.

A diferença entre as linhas azul e vermelha é a lucratividade, considerando que esse produtor não teve nenhum ganho de produtividade nesse período, o que evidentemente não deve ter ocorrido. Os pontos principais da análise: primeiro, nota-se que tanto o verão de 2009 como de 2010 verificaram momentos de prejuízo, seguidos de picos de preços e lucro mais elevados. Já em 2011 não tivemos os vales nem os picos - após a recuperação dos preços a partir de março/abril, a lucratividade se manteve em um confortável planalto, pelo menos até novembro.

Gráfico 4. Estimativa de preços/custos/lucro de um produtor de leite em Minas Gerais



E as perspectivas continuam favoráveis. Insumosutilizados na ração das vacas como milho e farelos de soja, trigo e algodão retrocederam recentemente agora em novembro, apresentando deflação de 4,06%, e foram os principais responsáveis pela queda de 0,57% comparado ao mês anterior no ICPLeite/Embrapa, rompendo assim, a sequência de aumentos desde abril. Ainda, os valores do milho e da soja caíram cerca de 15% nas cotações futuras ao longo do primeiro semestre.

Já estamos próximos da virada do ano e o cenário se apresenta com leve baixa de preços ao produtor, preços de insumos mais brandos e rentabilidade favorável para essa época do ano. Tudo isso nos leva a concluir que o produtor está, de uma forma geral, otimista com a atividade e sugere boa oferta para 2012, que deve crescer mais do que os prováveis 3% (na captação formal) de 2011, podendo voltar às médias históricas de 5 a 6% - talvez mais, caso o consumo (novo salário mínimo a partir de janeiro) se mantenha elevado, estimulando as indústrias a elevar a captação.

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Comentários:

Luciano Ferreira do Lago

Anápolis - Goiás - Mercado de Leite
postado em 27/12/2011

Exelente reportagem. Refletindo o que observamos no campo, a respeito dos produtores no sudoeste goiano, regiao onde atuo.

Gostaria de acrescentar o forte impacto do ano sobre a busca dos produtores em quantific ar seus custos, o que nos mostra a pressao do mercado sobre produtores que com  baixa eficiencia, pois mesmo nesse cenario houve deixas no setor.



Luciano Lago

ALEXANDRE MARCOS MATIELLO

Chapecó - Santa Catarina - Indústria de insumos para a produção
postado em 10/01/2012

Muito Bom!!

Esta análise nos mostra que a cadeia do leite está melhorando, havendo mais investimentos em melhoria de pastagens, em dietas mais equilibradas e uma mudança no cuidado com o custo, o que faz com que o produtor consiga ganhar mais.

Esperamos que esta analise seja o reflexo deste ano, visto que, no Sul, a produção deverá ter uma leve baixa ante o problema enfrentado com a seca nos primeiros meses do ano. Cremos que isto deverá mudar a partir de março e que o folego na produção possa voltar.

Alexandre Matiello

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