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União pode ser saída para crescimento de cooperativas de leite

postado em 31/07/2003

 

Para estancar a sangria verificada nos últimos 20 anos e até aumentar sua participação de mercado, as cooperativas brasileiras de leite estão formulando um plano de (re)ação. O primeiro passo foi tirar uma radiografia do setor: um censo das cooperativas do País.

De posse do diagnóstico, é hora de buscar o remédio: comercializar em conjunto, fortalecer as indústrias, capacitar a gestão e monitorar o mercado.

As cooperativas de leite captam hoje 5,25 bilhões de litros, o que representa 39,7% da produção formal brasileira, de acordo com o censo realizado no segundo semestre de 2002 pela Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) e pela Confederação Brasileira das Indústrias de Laticínios (CBCL). Essa participação atingia 60% nos anos 80, antes da desregulamentação do setor e do acirramento da concorrência com a entrada das multinacionais.

Mesmo assim, a atual captação causou surpresa aos especialistas, que esperavam um volume menor. "As cooperativas não sabem a força que têm", acredita o coordenador da câmara de leite da OCB, Jacques Gontijo. "Se as cooperativas interagirem mais, terão um poder de mercado grande", disse o diretor do departamento econômico da CBCL, Vicente Nogueira.

Reunidos, os dez maiores laticínios brasileiros, por exemplo, captam 4,4 bilhões de litros, ou 33% da produção nacional.

São 353 cooperativas de leite que faturam juntas R$ 4,91 bilhões, possuem 144 mil filiados e empregam 36 mil funcionários. Quase metade dessas cooperativas está situada no Sudeste.

Em Minas Gerais, maior bacia leiteira nacional e sede da mineira Itambé, uma das últimas grandes centrais que restaram no mercado, 52,6% do leite é captado por cooperativas. No Rio Grande do Sul, apesar da venda da antiga central para o grupo Avipal, a captação permaneceu na mão das cooperativas: 73,7%. Em Goiás, a situação é oposta, pois 14,1% do leite é entregue às cooperativas. Segundo maior produtor do Brasil hoje, o Estado ganhou destaque na década de 90, quando a crise do cooperativismo havia se instalado.

Mas se o volume captado é sinônimo de força, há muitos pontos fracos na estrutura. As cooperativas, que já industrializaram 100% de sua captação, vendem hoje 2,1 bilhões de litros de leite in natura, que possui baixo valor agregado. 60,5% dos produtores filiados captam até 100 litros por dia. Atraídos por preços remuneradores, os grandes produtores deixaram o sistema.

"As cooperativas precisam tomar um banho de organização", disse o presidente da CBCL e da Itambé, José Pereira Campos. Para apresentar o censo e votar o plano estratégico, reúnem-se hoje, em seminário realizado pela OCB, que acontece em Brasília, dirigentes de 150 cooperativas.

O plano é inspirado na experiência de países como Estados Unidos, Suécia e Nova Zelândia, onde 80% a 95% da produção é captada por cooperativas. Essas nações abrigam as maiores cooperativas de lácteos do mundo: Dairy Farmers of America, Arla Foods e Fonterra. Elas cresceram por meio de fusões e uma gestão profissional. "Não há um bom plano estratégico sem fusão das gestões administrativas. Em todos os países, o número de cooperativas diminuiu porque elas se fundiram. Menos no Brasil, onde as cooperativas foram quebrando", ressaltou o consultor e presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Leite Longa Vida (ABLV), Almir Meirelles.

Se aprovado, o plano prevê ações rumo à integração: monitorar o mercado, para informar às cooperativas os preços praticados; investir na capacitação de pessoal e em gestão profissional; montar uma rede para comercialização em conjunto; e fortalecer a industrialização.

As cooperativas goianas já comercializam seu leite na central "virtual" CentroLeite. "Podemos estender a experiência ao Triângulo Mineiro ou ao Rio Grande do Sul", exemplificou Gontijo. E na melhora das indústrias, as cooperativas podem contar com ajuda do governo federal.

O Programa de Desenvolvimento das Cooperativas para Agregação de Valor à Produção do Agronegócio (Prodecoop) irá liberar R$ 450 milhões esse ano, 80% a mais que em 2002. "Não é condição prévia, mas cooperativas oriundas de fusões terão melhor acesso às linhas de crédito. Estamos preocupados com essa pulverização do setor", disse o diretor do Departamento Nacional de Cooperativismo (Denacoop), ligado ao ministério da Agricultura, José Roberto Ricken.

Fonte: Valor On Line (por Raquel Landim), adaptado por Equipe MilkPoint

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