O presidente da JIPL (Junta Intercooperativa de Produtores de Leite) da Argentina, Raúl Maranzana, prognosticou um 2004 promissor para o setor leiteiro, com uma estabilidade de preços que poderá consolidar-se mediante o entendimento mútuo e equilibrado entre os diferentes setores da cadeia.
Os representantes das indústrias cooperativas de lácteos da Argentina se reuniram em Rafaela para fechar 2003, com a presença de membros de SanCor, Milkaut, Manfrey, Cotar, Cotapa e Federação Arcol. Estas cooperativas concentram a produção e o processamento de 22% de um mercado com 3,6 mil produtores de leite em todo o país.
Maranzana insistiu que o futuro será promissor para o setor leiteiro, com um cenário de maior estabilidade do que o atual. Ele lembrou que o país teve uma primavera com uma produção maior que a esperada e que a previsão é de um outono com bons preços de exportação, graças à seca da Austrália e outras causas que afetam o mercado europeu.
Os produtores estarão, em 2004, bem-posicionados com relação à rentabilidade e seu espaço em função do restante da cadeia. Segundo ele, para consolidar o setor leiteiro, será preciso buscar o equilíbrio necessário para que todo o setor funcione e o produtor tenha uma boa rentabilidade, igual à da indústria.
O especialista no setor leiteiro, Alejandro Galetto, disse que o setor leiteiro argentino entrará em 2004 com uma melhora relativa e absoluta de rentabilidade no que se refere à produção primária. Esse panorama coloca o produtor diante de um nível de oportunidades diferentes das que tinha em 2002, o que poderá estimulá-lo a continuar com a produção leiteira.
Por outro lado, Galetto disse que a situação do setor industrial cooperativo não será diferente da do resto das empresas. Neste sentido, considerou que uma das principais preocupações é a competição da agricultura e seu efeito sobre a oferta de matéria-prima, o que faz com que as indústrias se movam com margens de custos e condições de preços nem sempre convalidadas por um mercado que, todavia, não tem reagido ao impacto da crise como se esperava.
Os dirigentes foram otimistas com relação à continuidade do debate da Mesa Nacional de Política Leiteira. Eles concordaram também que o setor conseguiu superar, ao menos por agora, as disputas de agosto passado, que levaram à crise entre produtores e industriais. Para Galetto, o debate leiteiro está encerrado e, a partir de agora, dependerá mais das iniciativas tomadas pelo CFL (Comitê Federal de Leiteria).
Em setembro último, o CFL elaborou um documento no qual propôs uma série de iniciativas, entre elas, a confecção de um código de boas práticas comerciais que exige que as indústrias anunciem o preço do leite antes que o produtor entregue a matéria-prima, e não posteriormente, como acontece. Galetto destacou que as empresas cooperativas avaliaram esse ponto, apesar de a determinação de preços no sistema corporativo ser diferente do das empresas privadas.
Segundo os dirigentes, a JIPL está disposta a continuar com o debate leiteiro para chegar a um ordenamento do setor pelo consenso, no marco de uma discussão em que estejam presentes todos os setores com representatividade real.
Há preocupação com as reclamações do setor não atendidas pelo governo. As obras de infra-estrutura de vias foram consideradas um dos pontos pendentes, nos quais a demora vem tanto do governo nacional, como dos governos das províncias. A falta de crédito, fundamentalmente para o setor industrial cooperativo, é outro ponto pendente. Os dirigentes também disseram que o governo teria de avançar mais fortemente na luta contra a informalidade do setor leiteiro, tanto no nível do produto, como nos impostos, e, ainda, na mão-de-obra.
Fonte: Lechería Latina, adaptado por Equipe MilkPoint
Setor leiteiro da Argentina tem prognóstico promissor para 2004
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