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Representantes do setor lácteo defendem incentivos para práticas sustentáveis
"O desafio da sustentabilidade não é fácil. Além da questão ambiental, deve levar em conta os aspectos econômicos e sociais e um grande trabalho de conscientização de toda a cadeia, desde a propriedade até o consumidor", disse o diretor da entidade, sedia em Bruxelas (Bélgica) e que reúne países responsáveis por 86% da produção mundial.
Outro fator que pode contribuir para a produção sustentável de leite é o investimento em pesquisa, para que o pecuarista tenha ganhos não apenas na parte ambiental, mas também na rentabilidade e na eficiência da produção. "Não há como melhorar sem avaliar a produção. As soluções para resolver os problemas de emissão de gases precisam ter base científica e compromisso de todos os representantes da cadeia produtiva, a partir da colaboração e do diálogo", acrescentou Jav. Ele avaliou que a demanda por proteína animal em todo o mundo é cada vez mais crescente. Desta forma, o segmento lácteo quer estar preparado para atender a necessidade do mercado consumidor. Ele falou, ainda, sobre experiências de sucesso em alguns países, voltadas para a produção leiteira sustentável, a partir de técnicas eficientes de manejo de pastagens, reciclagem de embalagens e sistemas agropastoris.
Outro participante do painel foi o pesquisador Luiz Gustavo Ribeiro Pereira, da Embrapa Gado de Leite, que criticou o fato de a pecuária ser a grande vilã da emissão de GEE's. "Ninguém reclama da emissão de fábricas de refrigerantes, que é muito superior. A pecuária, com eficiência e boas práticas, pode vir a ser a solução para aumentar o sequestro de carbono", ressaltou. Ele reforçou que o produtor de leite está preocupado com a emissão de carbono e metano e que tem investido em pesquisa para ganhar eficiência e reduzir a emissão de GEE's. Citou casos em que, com investimento em pesquisa, a produtividade dos animais aumentou, enquanto a emissão o número de animais por hectare caiu, o que implicou queda de emissão.
Na sua avaliação, as consequências para que o produtor atenda à pressão da sociedade por produtos ambientalmente sustentáveis são o aumento do custo de produção, mas que o pecuarista deve se adaptar à nova realidade. "As emissões não devem ser consideradas de forma isolada. Devem vir acompanhadas de boas práticas de manejo, nutricionais e sanitárias", frisou.
Já o gerente de Sustentabilidade da Itambé, Maurício Petenusso, abordou o papel da indústria na economia de baixo carbono, falando sobre a experiência da empresa neste processo. Ele explicou aos participantes que a empresa tem procurado promover uma integração entre os elos da cadeia produtiva para promover uma atividade leiteira sustentável. Disse, também que a Itambé realizou levantamentos para saber mais sobre as emissões de carbono e onde estas poderiam ser reduzidas. A partir destas informações, ele informou que a indústria conseguiu racionalizar os custos com energia e transporte, o que reduziu as emissões na empresa. Ele também defendeu subsídios para os produtores que adotem boas práticas na pecuária leiteira.
Depois de acompanhar o painel, o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Santa Catarina (FAESC), José Zeferino Pedrozo, afirmou que o produtor rural precisa se adaptar à produção sustentável. "O produtor é parte do processo e essa é uma tendência mundial, disse. Na opinião do presidente da Comissão Nacional de Pecuária de Leite da CNA, Rodrigo Alvim, o produtor de leite será "cada vez mais cobrado" na questão da sustentabilidade.
As informações são da Assessoria de Comunicação da CNA, adaptadas pela Equipe MilkPoint.
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