O estudo, realizado pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) apedido da Famato, faz um panorama geral da pecuária leiteira em Mato Grosso, com informações sobre o volume de produção, perfil dos produtores, indicadores de mercado, dados sobre as indústrias laticinistas, entre outras informações. Para isso, as equipes do Imea e da STG Consultoria, lideradas pelo professor doutor Sebastião Teixeira Gomes, percorreram os 11 municípios que concentram o maior volume de produção de leite e entrevistaram 380 produtores, 23 indústrias e 10 cooperativas. O trabalho também contou com o apoio do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar-MT) e do Serviço Nacional de Aprendizagem em Cooperativismo de Mato Grosso (Sescoop-MT).
Segundo o presidente da Famato, Rui Prado, o trabalho é uma oportunidade para produtores rurais, sociedade, estudantes, pesquisadores e representantes governamentais compreenderem como funciona a cadeia leiteira em Mato Grosso."Embora a produção de leite ainda seja pouco explorada no Estado, ela tem grande potencial para se tornar uma das cadeias produtivas mais promissoras da região Centro-Oeste". Prado estima que para o estado se tornar o maior produtor do país nos próximos 10 anos a produção de leite terá que crescer pelo menos 27% ao ano.
Perfil dosprodutores - A maioria dos produtores mato-grossenses produzem diariamente até 50 litros de leite. Mas não são estes que contribuem com o maior volume de produção. Aqueles que tiram em média 100 a 200 litrosde leite/dia são responsáveis por 28% da produção no estado.
Outra característica importante é que boa parte dos produtores tem em média 50 anos de idade, escolaridade de 4,66 anos e 14,7 anos de tempo de profissão. A administração e a mão de obra da propriedade continua sendo familiar, mas apenas 40% dos filhos querem permanecer na atividade. "É por isso que temos que focar na qualificação do produtor rural, incentivar para que os filhos destes produtores permaneçam na atividade e fazer com que o governo federal invista nesta cadeia", afirmou Prado.
Os resultados mostraram também que a grande maioria dos produtores não adota as práticas agronômicas recomendadas, como calagem, correção da fertilidade, adubação de cobertura e uso de defensivos. Porém, para seguir estas práticas, somente a reforma de pastagem custaria pelo menos 50% a mais do custo de produção."Isso demonstra a importância de facilitar o acesso ao crédito para investimentos e o desenvolvimento de políticas públicas para estimular o setor", observou o presidente da Associação dos Produtores de Leite de Mato Grosso (Aproleite-MT).
De acordo com o superintendente do Imea, Otávio Celidonio, o estudo identificou que quanto maior a produção leiteira de uma propriedade maior é a rentabilidade do produtor. "E quanto maior é a propriedade leiteira, melhor também é a infraestrutura que existe nela".
Tecnologia - Conforme os dados, 82% dos entrevistados fazem a ordenha manual e 18% utilizam a mecânica. Entre os produtores que produzem até 50 litros de leite/dia, apenas 4% fizeram uso desta tecnologia. Dos que produzem de 200 a 500 litros/dia, 90% usaram a tecnologia e aqueles que fabricam acima de 500 litros/dia utilizam 100% da ordenha mecânica. As dificuldades referentes à qualidade e quantidade de mão de obra impulsionaram os produtores a mecanizarem suas ordenhas.
Outro desafio que a pesquisa apontou para a bacia leiteira de Mato Grosso foi a necessidadede aumentar a ação da assistência técnica aos produtores, visto que 83% dos entrevistados não a receberam em 2011. O presidente da Aproleite, Alessandro Casado, considera o diagnóstico uma ferramenta estratégica que auxiliará o planejamento da associação para contribuir com o desenvolvimento da cadeia leiteira.
A matéria é de Ascom Famato, resumida e adaptada pela Equipe MilkPoint.













Koiti Komura
Barra do Garças - Mato Grosso - Consultoria/extensão
postado em 22/04/2012
Parabéns a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Mato Grosso!! Com este "raio-x" da pecuária leiteira Mato-Grossense políticas públicas, ações da federação e etc terão muito mais eficácia. E este estudo reforça a realidade da pecuária leiteira na região, quando comparado ao estudo feito pelo SISTEMA FAEG/SENAR em 2009 na qual encontrou uma realidade muito semelhante no estado Goiano.
Depois do estudo da cadeia produtiva do leite o SISTEMA FAEG/SENAR implantou no estado o PROGRAMA BALDE CHEIO, com a finalidade de suprir a falta de assistência técnica de qualidade na pecuária leiteira, dentre outras ações como o programa MERCADO DO LEITE que ensina ao produtor rural como fazer o controle de custo do seu negócio.
Desta forma, parabenizo novamente FAMATO pelo brilhante trabalho que deverá ser a base para futuras ações para alavancar a pecuária leiteira no Estado do Mato-Grosso. PARABÉNS!!!