Com o patrocínio da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e do Programa Avança Brasil/MCT, a Embrapa Meio Ambiente está coordenando pesquisas para medir a taxa de emissões de metano provenientes de bovinos e avaliar a influência de sistemas de manejo sobre a produção deste gás.
A técnica usada para medir as emissões de metano é a do traçador interno, hexafluoreto de enxofre (SF6), desenvolvida por pesquisadores da Universidade Estadual de Washington, EUA. O dispositivo, que libera o SF6, é colocado no rúmen do bovino e as amostras de metano são coletadas nas proximidades da boca e nariz do animal, por meio de um aparato feito de couro, madeira e tubos capilares.
Conforme explica a pesquisadora da Embrapa, Magda Aparecida de Lima, dejetos animais, principalmente quando preparados na forma líquida, em condições anaeróbicas, emitem metano. As emissões globais desse gás proveniente dessa fonte são estimadas em cerca de 25 milhões de toneladas por ano, 7% das emissões totais de metano. "A pecuária contribui globalmente com cerca de 30% das emissões de metano e as emissões totais do gás produzidas a partir do processo digestivo dos ruminantes são estimadas em 80 milhões de toneladas por ano", situa. "Daí a necessidade de desenvolver práticas que reduzam a emissão, mantendo a qualidade da produção e a produtividade."
Os trabalhos para medir as emissões de metano começaram no ano passado, com o gado de leite, em parceria com a Embrapa Pecuária Sudeste, de São Carlos (SP). Depois, com o gado nelore, por meio do Instituto de Zootecnia, em Nova Odessa (SP). A Embrapa está realizando estudos em vacas holandesas e mestiças holandesas azebuadas. Os resultados revelam que novilhas leiteiras, com suplementação, chegam a emitir 0,43 grama de metano/dia/quilo de peso vivo, o equivalente a 71 quilos de metano por animal de 459 quilos ao ano. Já as fêmeas em lactação podem produzir bem mais: 0,71 grama ao dia por quilo de peso vivo, 147 quilos por ano por animal com peso de 572 quilos, no verão e outono.
Resultados do IZ indicam que a emissão e metano está ligada à quantidade de forragem ingerida pelo animal. Em agosto, durante a entressafra, as emissões alcançaram 0,21 grama ao dia por quilo de peso vivo para novilhas de 516 quilos, chegando a 0,34 grama ao dia por quilo de peso vivo por novilhas zebuínas com 222 quilos. Isso mostra que as emissões de metano em sistemas extensivos de produção, onde os bovinos se alimentam mal durante três meses do período seco, são menores quando comparadas aos sistemas intensivos, mesmo em pastagem, quando há suplementação com silagem de capim ou de milho ou com cana picada e uréia.
"Agora, estamos na fase de análise da qualidade da forragem ingerida, em condições controladas", diz Magda. Segundo ela, é preciso rever o manejo da alimentação, de forma a relacionar os níveis de produtividade com a produção de metano. "Ao melhorar o nível de produção, com menor número de animais, consegue-se reduzir as emissões de metano." Outra forma de diminuir a produção de metano, informa a pesquisadora, é o uso de ionóforos, agentes inibidores de metanogênese.
Fonte: O Estado de São Paulo/Suplemento Agrícola (por Beth Melo), adaptado por Equipe MilkPoint
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MilkPoint
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