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Leitor comenta: O uso da heterose na produção leiteira
"Prezados companheiros que trabalham com pecuária leiteira: primeiro esclareço que sou extensionista da rede pública e tive a oportunidade de já ter vivido um bocado neste meio; avalio que existe dois "universos", considerando que a produção de leite com animais especializados (holandês e jersey) está plenamente estabelecida, consolidada e não há o que discutir (com condições adequadas). Conheço fazenda em pleno calor de Unaí-MG (e é muito quente) produzindo com holandês PO 2000 litros de leite /dia sem free-stall, sem ordenha de fosso, tudo muito simples, com silagem de milho como base alimentar, é claro, gerenciado pelo proprietário que mora na fazenda. Rebanho feito no local a partir de 9 matrizes, com IA.
Ou seja tudo é possível, desde que.....O outro lado é o mundo tropical existente no Brasil, onde ocorre a produção de 80% do leite do mercado brasileiro, através de vacas mestiças, e aí que ocorre o seguinte: desde muito tempo (década de 50) o produtor tenta "balancear" o tipo de animal com holandês e zebuíno (hoje leiteiro). Aí surgiu o denominado girolando, posteriormente iniciou-se a busca pelo Puro Sintético, que hoje só existe nas mãos dos produtores comerciantes de genética da região de Uberaba, e vem a discussão em torno do 1/4 de sangue e mais não sei. No entanto, a nossa valorosa EMBRAPA, assim como outros pesquisadores de outra instituições e universidades já publicaram os resultados CIENTÍFICOS da importância de se utilizar da heterose e que realmente tem importância a partir de raças distantes entre suas origens. E estou falando da F1 hol. x gir leiteiro: chega de confusão, chega de desserviço ao agropecuarista de ofício, principalmente a agricultura familiar, que é induzida a fazer experiências com o chamado girolando, e só obtém retrocesso genético.
A ciência já demonstrou: genoma de 50% de holandês e 50% de sangue gir leiteiro é só no F1; o resto pode tudo. Porém, existe saída além do F1, e está lá escrito no Manual Técnico da Embrapa: é o Cruzamento Alternado Simples, que se aproxima do meio sangue, com 67% de heterose, feito com disciplina (e hoje com todo o material genético do gir disponível), a cada geração impregnando, banhando novamente com a outra raça, é fantástico. Convido a todos a conhecerem resultados práticos já conquistados. Apelo mesmo a usar o bom senso e dissipar essa imensa confusão: heterose que de fato tem sentido para a pecuária brasileira, e no mundo tropical (o Brasil possui o melhor zebu leiteiro do mundo e que todos os países "quentes" necessitam para a mestiçagem; se ainda não possui genética brasileira é porque os gringos ainda não deixaram...) é com holandês e gir leiteiro, e o resto (cruza com jersey, etc..) é pura decisão de experimentação, condicionante da livre iniciativa de cada um. Nós técnicos temos o dever de esclarecer aos quatro cantos do mundo tropical: PRODUTORES DE LEITE SE APROPRIEM DA HETEROSE, que a natureza nos dá de graça e usufruam dos maravilhosos resultados, como outros setores."
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Comentários:
Bom Despacho - Minas Gerais - Produção de leite (de vaca)
postado em 31/01/2012
Não é mais fácil adaptar o ambiente aos animais?
Brasília - Distrito Federal - Consultoria/extensão
postado em 31/01/2012
Caro Ronaldo. Tenho acompanhado passo a passo toda aquela discussão sobre leite a pasto ou leite confinado. Fico quieto só observando e com respeito que todos merecemos. O agronegócio, incluindo a produção de leite com alta tecnologia ( free stall, tie stall ou mesmo produção com pasto e alta mecanização, como o exemplo da Holanda onde a extração é executada sem presença do homem), vem cumprindo seu papel de forma esplêndida. Acreditem que hoje, excluindo o R.S., o risco dessas atividades é baixo, por conta da tecnologia: isto posto sem incluir aí as mudanças climáticas que possam estar por vir. Tenho um amigo em Campo Grande que planta soja a 20 anos e nunca teve uma frustração de safra. No tempo do meu pai, em 1960, qualquer vento mais forte já botava o trigo no chão e o prejuizo tinha inicio. Mas o que tenho a dizer é que, infelizmente ainda vamos levar muito tempo para transformar uma realidade que todos conhecem, embora muitos preferem não tomar conhecimento, que é a pequena produção, a pequena propriedade, a agricultura familiar, aquele espaço rural diminuto e apertado que a reforma agrária continua distribuindo todos os dias, até por pressão da própria sociedade. A discussão é longa e não caberia nos poucos caracteres que ainda resta. Tenho colegas que faz a conta e diz não tem como, não dá dinheiro... No entanto, as pessoas vão continuar lá, vão continuar "pelejando" como diz o Goiano, e nós técnicos vamos lavar as mãos? Vamos continuar ignorando ou dizer a eles que larguem tudo e vão para a cidade? O BEM MAIS PRECIOSO HOJE É A INFORMAÇÃO. Já ouvi de liderança de assentado de reforma agrária que iria no sul de minas buscar rebanho para os agricultores produzirem leite em goiás: o resultado nós conhecemos... Aí eu pergunto: de onde virão os investimentos necessários para produção intensiva? Do governo não, por decreto menos ainda. Como extensionista tenho usado com muito sucesso a estratégia metodológica de "entrada" na propriedade pela reprodução, atividade que o produtor obrigatoriamente tem de executar: no diagnóstico da pecuária leiteira de GO (2006) 74% dos produtores utillizavam a monta natural não controlada. Ou seja: absoluta falta de critérios de acasalamento, falta de acesso a material genético superior, e por aí vai. Quando fiz minha faculdade (terminei em 1983) existia aquela figura de pirâmide: na base a alimentação, depois a sanidade, depois o manejo e por último a genética. Hoje o conceito é que todos tem o mesmo peso, e é lógico. Mas volto ao problema do capital de investimento, que é escasso. Enfim, através da reprodução e do melhoramento genético conseguimos motivar o produtor, conseguimos dar início a uma nova visão ao seu negócio, enxergar lá na frente, se preparar para o amanhã. Melhora um pasto hoje, outro amanhã e vamos em frente. Acredito que devemos todos estender a mão, mesmo porque também necessitamos gerar excedentes para exportação, enxugando o mercado interno, colaborando para melhorar o preço. HETEROSE JÁ!
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luis augusto
Presidente Prudente - São Paulo - Produção de leite (de vaca)
postado em 31/01/2012
Sem duvida a heterose do gado leiteiro é uma grande opção para o produtor, muito claro a matéria não adianta fica inventando muito, o simples pode dar mais resultados.