A indústria de lácteos da África do Sul foi considerada de "primeiro mundo" e entre as melhores apesar do país ser considerado um país em desenvolvimento. De acordo com o produtor de leite de Alexandria e diretor da Clover, Edgar Brotherton, a qualidade do leite e dos produtos lácteos sul-africanos é comparável com a dos produtos de qualquer outro país do mundo.
Brotherton acaba de retornar da Congrilait 2002, ocorrida em Paris, onde mais de 2500 representantes de todos os países do mundo participaram. As discussões variaram desde sistemas de produção em várias partes do mundo até a fabricação, a distribuição, e a nutrição, bem como as tendências dos mercados internacionais. A produção mundial de leite atualmente está em torno de 570 milhões de toneladas, das quais a África do Sul produz somente 3 milhões de toneladas, ou 0,5% da produção mundial total. A Índia é o maior produtor de leite do mundo, com 55% do seu leite sendo produzido por búfalos.
Brotherton disse que a proteção e os subsídios dos governos aos produtores de leite foi um assunto bastante discutido durante a Conferência. Os países da União Européia (UE) têm enormes subsídios aos produtores rurais, enquanto a Austrália, a Nova Zelândia e a África do Sul não têm nenhum tipo de subsídio. Os mercados da UE são protegidos pela legislação governamental, que torna praticamente impossível a exportação lucrativa a este mercado. Os preços do leite pagos aos produtores são significativamente mais altos na UE comparados com os países não subsidiados. Uma propriedade leiteira média da UE possui cerca de 40 vacas leiteiras. Na África do Sul, as propriedades necessitam de 150 vacas para serem viáveis. Os altos preços do leite e os subsídios à produção na Europa são os motivos desta diferença.
"Eu continuo acreditando em um sistema de livre mercado, mas somente quando todos os mercados do mundo forem livres, o que certamente não é o caso. Eu também tenho um grande respeito pela forma como os países da UE protegem seus produtores. Apesar de acreditar em um mercado livre, tenho sérias reservas com relação aos efeitos deste suposto livre mercado na indústria de lácteos da África do Sul. Nosso governo optou por manter as tarifas baixas para produtos lácteos importados para garantir um alimento 'barato'. Isto permitiu que a UE subsidiasse as exportações e fornecesse produtos lácteos que são efetivamente colocados no mercado sul-africano a preços com os quais os produtores locais não podem competir".
Brotherton alertou que a escassez de leite na África do Sul se tornará um dos principais problemas do setor - já está ocorrendo escassez. "Os rebanhos leiteiros estão sendo vendidos em uma taxa alarmante e centenas de propriedades leiteiras estão deixando a indústria anualmente. O efeito é uma enorme quantidade de problemas sociais e desemprego".
"O desenvolvimento de novas propriedades leiteiras na África do Sul é necessário para a sustentabilidade da agricultura do nosso país em longo prazo. É praticamente impossível para os produtores de leite locais se manterem na indústria de lácteos e conseguir ter um negócio lucrativo. O investimento para a compra de uma quantidade mínima de 150 vacas e de uma fazenda é simplesmente muito alto. Isto permite a entrada de produtos subsidiados no país, que pressiona os preços do leite ao produtor".
"Se adotássemos uma política de estímulo aos produtores de leite para produzir alimentos e a política do governo garantisse que nossos mercados não fossem utilizados para a prática de dumping, isto garantiria que as terras fossem utilizadas, os empregos nas áreas rurais fossem mantidos e os produtores emergentes africanos estariam aptos a começar um pequeno rebanho leiteiro que fosse sustentável".
"Nós, como produtores de leite, acreditamos que a indústria de lácteos da África do Sul é uma das mais eficientes do mundo. Entretanto, para garantir a produção de alimento suficiente para a nossa população e para permitir o desenvolvimento de produtores de leite emergentes, a política governamental deveria simplesmente proteger a agricultura dos efeitos das importações subsidiadas".
Fonte: AllAfrica.com (por Cecile Greyling)
Indústria de lácteos da África do Sul sofre os efeitos dos subsídios ao setor da UE
Publicado por: MilkPoint
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