Apesar da queda nos valores médios, o leite em pó integral (WMP) subiu 1,1% até atingir US$ 3.345/tonelada, ficando acima do leite em pó desnatado (SMP), que caiu 6,2%, cotado a US$ 3.230/tonelada. O WMP é o produto que mais interessa ao Brasil.

A recente desvalorização do real se contrapõe à queda nos preços do leite no mercado externo, no que se refere ao sentido da balança comercial de lácteos: enquanto os preços caem, o dólar se valoriza em relação ao real, melhorando nossa competitividade, que ainda não é suficiente para exportarmos. Resta saber até quando e onde vai esse movimento.
A tabela 1 mostra o preço de equilíbrio para exportarmos, ao passo que a tabela 2 simula o valor de entrada do leite em pó integral proveniente do Mercosul, considerando o novo patamar de câmbio e o valor da tonelada do leilão de 20/9.
Tabela 1: preço máximo a ser pago pelo leite no Brasil, viabilizando exportação, dependendo do preço do leite em pó e do câmbio (em R$/litro)

Tabela 2: preço aproximado do litro de leite que entra no Brasil do Mercosul, em R$













MANOEL VIANA BEZERRA
Saloá - Pernambuco - Produção de leite (de vaca)
postado em 21/09/2011
Nobre, de acordo com os fatores abaixo:
1º: um cenário com perspectiva de no mínimo estabilização a valorização de nossa moeda frente ao U$;
2º: normalmente nossa economia tem melhor desempenho no segundo semestre e a demanda continua firme no varejo/consumo;
3º: início de safra no quarto trimestre no Sudeste/Centro-Oeste;
4º: Importações fortes, sobretudo oriundas da Argentina/Uruguai
5º: Baixos preços de lácteos no mercado internacional e intensificação da crise econômica UE.
Com todos esses fatores acima como você vê o prognóstico de preço para o quarto trimestre?
Caro Manoel:
Caro Manoel,
É complicado traçar um cenário, ainda mais nesse momento de incerteza, com o dólar subindo amplamente nos últimos dias. Se o dólar estacionar nos 1,90 ou 2,00, a entrada de leite de fora já será em muito reduzida e o mercado interno dependerá do ajuste oferta/demanda para se definir.
No sentido da oferta, não vejo espaço para o crescimento significativo no último trimestre. Mesmo assim, nos anos em que cresceu menos, a oferta cresceu entre 5 e 7% de outubro a dezembro, sobre o trimestre anterior. Esse crescimento modesto, aliado a uma redução no ritmo das importações, pode criar uma "aterrisagem suave" nos preços.
Outro aspecto nessa equação é que 2011 está sendo um ano ruim para a indústria como um todo, em função dos preços da matéria-prima. Assim, para a indústria será uma necessidade repassar os preços para o produtor, caso o atacado (que hoje se sustenta) caia, o que normalmente ocorre a partir de outubro/novembro.
No aspecto da demanda, normalmente há pouca flutuação. Alimentos tendem a sentir menos a crise do que outros segmentos da economia, como bens duráveis.
Tudo somado, parece-me que o cenário mais provável é de alguma redução nos preços para a frente, mas, salvo uma elevação não esperada na oferta, acredito que esse movimento será significativo.