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Especialistas apontam ações para melhorar o controle sobre o leite

postado em 14/05/2013

6 comentários
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Quase uma semana depois da exposição da fraude no leite, cresce a percepção de que a presença de água, ureia e formol poderia ter sido evitada se a legislação federal fosse mais rígida, da produção à indústria, passando pelo transporte. Especialistas avaliam que a Instrução Normativa 62, que regula todo o segmento, é rígida para produtores e indústria, mas flexível com quem faz a ligação entre eles.

Pelo menos seis iniciativas, que deveriam ser adotadas com urgência para melhorar o controle de qualidade do leite, são apontadas por especialistas. Enquanto isso, o governo tem um plano com cinco medidas. A principal será anunciada na abertura da mais importante feira do setor leiteiro, a Expoleite/Fenasul. Uma das falhas apontadas é a falta de especificação no treinamento do atravessador.

– Na Europa, o transportador é certificado. Aqui, recebe treinamento superficial – afirma o engenheiro agrônomo Wagner Beskow.

O pesquisador avalia que a alta rotatividade de funcionários – reflexo da baixa remuneração – e a existência de compradores intermediários contribui para que os transportadores, responsáveis por recolher o leite e coletar amostras, não tenham a qualificação necessária. Uma alternativa seria a contratação de empresas credenciadas, não de autônomos.

Mesmo nos pontos em que a legislação é considerada eficiente, há o que melhorar. É o caso do tempo para o resultado de exames. O produtor precisa esperar 20 dias até receber o registro da qualidade do leite que vende. Se o resultado viesse antes, poderia corrigir de forma mais rápida possíveis problemas. Na avaliação da fiscalização, no entanto, a fraude do leite é consequência da falta de gente e não de uma lei deficiente.

– Se metade das normas fosse aplicada, teríamos o melhor leite do país – afirma Francisco Signor, superintendente do Ministério da Agricultura no Rio Grande do Sul.
Inspeção federal tem 10 fiscais e 18 agentes no RS

O chefe substituto da Divisão de Inspeção de Leite, Mel e Derivados do Ministério da Agricultura, Clóvis Augusto Serafini, afirma que estão sendo estudadas alternativas para aumentar o rigor da lei, sem especificar quais. Sergio Schneider, professor de sociologia da alimentação na UFRGS e presidente da Sociedade Brasileira de Economia, Administração e Sociologia Rural, sugere uma agência nacional para fiscalizar alimentos:

– Hoje, cada órgão fiscaliza uma parte, ninguém enxerga o todo. Quando qualquer centavo é importante, o incentivo para burlar a lei é maior – acrescenta.

Existem três tipos de regras e fiscalização: federal, para venda nacional, estadual, para negociação só no Rio Grande do Sul, e municipal, quando o leite não passa do limite. Como a grande maioria das indústrias vende para outros Estados, predomina a inspeção federal, que tem apenas 10 fiscais e 18 agentes para vistoriar 104 estabelecimentos no Estado, entre laticínios e postos de resfriamento.

Caminhos para trilhar

O que precisaria ser feito, em diferentes etapas, para reduzir riscos de fraude ou problemas com o leite

Produção

Criar um cadastro nacional de produtores de leite: atualmente, se alguma indústria avalia que determinado leite não é apto para consumo nada impede que o produtor tente vender o produto para outra empresa.

Acelerar conclusão de testes da qualidade do leite: o produtor precisa esperar em média 20 dias até receber o registro da qualidade do leite que vende. Se o resultado viesse antes, o produtor poderia corrigir de forma mais rápida possíveis problemas.
Ampliar a assistência técnica aos produtores: muitos produtores não realizam o procedimento correto por falta de conhecimento.

Transporte

Especificar como deve ser o treinamento do leiteiro: a Instrução Normativa 62, que determina as regras de procedimento para todo o segmento do leite, não especifica como deve ser o treinamento do transportador.

Melhorar procedimento de coleta e recolhimento do leite: na Europa e na Austrália, o procedimento de coleta para análise do leite já é realizado de forma automática. No Brasil, a prática manual deixa margem para contaminação.

Indústria

Especificar quais testes são indispensáveis: a regra diz que a indústria precisa realizar testes para identificar possíveis reconstituintes da densidade ou de agentes inibidores do crescimento microbiano, mas não determina quais são eles. Deveria haver regras específicas.

Como são as verificações da qualidade

Confira as análises que são feitas no leite recebido pela indústria

Testes de rotina no recebimento

São realizados diariamente pelo laboratório do estabelecimento industrial e visa detectar se o leite atende os limites de qualidade previstos na IN 62. Os resultados saem em poucos minutos. Se algum item não apresenta qualidade suficiente é descartado. O laboratório analisa amostras que vêm junto com a carga, para identificar o responsável. Este é notificado e tem de tomar medidas corretivas impostas pelo Ministério da Agricultura e pelo laticínio.

Amostras oficiais

Duas vezes por mês, seguem amostras de produtores para um dos laboratórios credenciados pelo Ministério da Agricultura, para analisar teores de gordura e de proteína, entre outros. Os resultados são enviados ao ministério com cópia para o laticínio e deste segue para o produtor. Este retorno costuma levar de 10 a 30 dias, dependendo de quanto organizada é cada empresa.

Amostras para o plano nacional de controle

É realizado de forma aleatória. Não tem data nem número de amostras. Visa a imprevisibilidade para evitar que os atores melhorem o cenário quando sabem que serão amostrados pelo Laboratório Nacional Agropecuário (Lanagro) do Ministério da Agricultura, que faz a verificação dos demais laboratórios nacionais e de como anda a qualidade do produto.

A reportagem é do Zero Hora, adaptada pela Equipe MilkPoint.
 

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Comentários

Matozalém Camilo

Ituiutaba - Minas Gerais - Consultoria/extensão
postado em 15/05/2013

Esta fiscalização deve ser mais rigorosa na recepção dos laticínios por parte do Ministério da Agricultura. Há indícios de que muitas agroindústrias recebem leite de baixa qualidade propositalmente visando vantagem comercial. Como é que uma agroindústria deste nível vai treinar transportador ? É ingenuidade acreditar nesta hipótese. Se não houver fiscalização  o problema não terá fim, esta certeza é como : 2+2 = 4.

Matozalém
Med. Veterinário
Ituiutaba MG

André Gonçalves Andrade

Rolim de Moura - Rondônia - Indústria de laticínios
postado em 15/05/2013

O país das maravilhas: BRASIL.
Onde tudo é um faz de conta!

A IN62 de 29 de dezembro de 2011, que substitui a IN51 de 18 de setembro de 2002, vem dar legitimidade ao INCORRETO!
Ela aceita por exemplo que a refrigeração seja exercida em tanques coletivos por grande número de produtores, onde a figura do transportador (atravessador) é mais constante. Fica um caminhão/caminhonetes/motos com carretinhas entre outros veículos, recolhendo o leite de "pequenos produtores" em uma distância e em tempo não determinados e levando aos tanques coletivos (isso tudo sem fiscalização).
Porém isso é irregular (esses tanques coletivos) são postos de recepção de leite. Que deveriam funcionar sob inspeção.
Na consulta pública antes da publicação da IN62, em tempo hábil, sugerimos medidas interessantes que resolveriam tais questões.
Mas me pergunte se foram lidas e ou discutidas?
NÃO. NÃO FORAM!
As regras para o transporte do leite cru refrigerado, são boas. Não necessitam mudanças imediatas. Até porquê: quem vai fiscalizá-la? Esse quadro de FFA (fiscais federais) que mal dá conta das que tem? Perguntem ao MAPA como está o seu quadro de funcionários?
Já o processo de compra sim. E já está na lei. - O primeiro a receber o leite é responsável pela sua qualidade. Ora, se há uma recepção nestes tanques coletivos e ou postos de recepção de leite. Os mesmos são responsáveis pela sua qualidade.  Se a indústria por necessidade e ou opção adquire leite spot, ou de atravessadores, ela é responsável por sua qualidade. Já está previsto na lei. Não precisa fazer outra.
Mas se onde há recepção não há fiscalização e tudo corre a solta, não podemos esperar outra coisa a não ser o cenário que acabamos de ver (fraudes).
O que está errado é que tem que ser corrigido.
Se no lugar um tanques/postos com atravessadores tivesse uma granelização entre os produtores, promovido pelas indústrias, o risco seria menor!
Mas o que podemos esperar das autoridades?
É só vermos o cenário nacional. Vejamos:
- Brasil não atende a demanda por lácteos; Volta a ser importador.
- Preço dolarizado no Brasil é o maior do planeta; Falta competitividade.
- Inflação cresce acima da meta; tem que conter a inflação.

Ora muito me admira essa fiscalização de fraude, "que agora é grave" a saúde pública, teve início a quase um ano, e somente agora é deflagrada. Com mídia nacional pra prejudicar todo o setor. Ora a ação fiscal deveria ser imediata (é questão sanitária).
Talvez seja uma boa estratégia: já que não conseguimos aumentar a produção, e a importação esse ano está acima dos preços normais, vamos tentar diminuir o consumo. E acreditem. Está funcionando.
Diminuir a demanda pela redução do consumo. Doa a quem doer. Mas o governo tem que mascarar os números da INFLAÇÃO.

É, de fato parece que estamos vivendo no país das maravilhas: Onde tudo é um verdadeiro FAZ DE CONTA!

Paulo R. F. Mühlbach

Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Consultoria/extensão
postado em 15/05/2013

Em parte, toda esta problemática é também fruto das posições paradoxais do próprio governo, pois, por um lado há até um estímulo para o ingresso de "assentados" na atividade, sem as mínimas condições para a condução de uma produção leiteira moderna, e, por outro lado, esse mesmo governo cogita o Brasil como exportador de lácteos.
Se tivéssemos, para atender a demanda, ao invés dos atuais e estimados cerca de UM MILHÃO de "tiradores" de leite, apenas, cerca de 100.000 produtores verdadeiramente profissionalizados, produzindo em média 1.000 litros/dia, todos os problemas e gargalos apontados no artigo acima estariam encaminhados para uma solução adequada.
Poderíamos, até,  ser um país exportador de produtos lácteos de alta qualidade.
Os órgãos governamentais precisam entender isso e agir de acordo, sem passionalidades ou interesses politiqueiros.

Guilherme Alves de Mello Franco

Juiz de Fora - Minas Gerais - Produção de leite (de vaca)
postado em 15/05/2013

Prezado Paulo Roberto Frenzel Mühlbach: Em outra ocasião, deixei claro meu entendimento que é o mesmo que você, agora, explicita: os pequenos produtores, com menos de duzentos litros de leite/dia (maioria dos "tiradores de leite" que você anuncia), se não se adaptarem ao cenário evolucionista que se desenha, passando a produzir em escala e acima de quinhentos litros de leite/dia, serão sepultados pelo sistema. Quase fui crucificado taxado de "neonazista", genocida (ou seria leiterocida? - rsrsrs), preconceituoso (rsrsrs).
Mas, como você mesmo sentiu, infelizmente, esta realidade já vem sendo construída, ano a ano, no Brasil, depois de migrar de outras paragens mais desenvolvidas, como os Estados Unidos da América.
Este quadro é inevitável e a profissionalização do setor uma "conditio sine qua non" para o desenvolvimento da pecuária leiteira nacional, o que passa pela evolução genética dos rebanhos, pela valorização e qualidade do leite, pela gestão, pela mecanização, pelo respeito aos produtores e, principalmente, pela produção em escala e pela reserva de mercado, que, aliadas ao aumento do consumo interno, impedirão a gangorra de preços que hoje temos.
Depois de tudo o que acima se anuncia, poderemos, finalmente, seguir os passos da Nova Zelândia, em termos de negociação internacional de nosso produto (não em sistema de produção, posto que, o que atualmente utilizam, já se afigura ultrapassado, até mesmo para eles, que tendem ao confinamento integral de seus rebanhos).
Um abraço,


GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO
FAZENDA SESMARIA - OLARIA - MG
=HÁ OITO ANOS CONFINANDO QUALIDADE=

José Humberto Alves dos Santos

Areiópolis - São Paulo - Produção de leite (de vaca)
postado em 16/05/2013

O fato é que a responsabilidade da indústria processadora está sendo minimizada e repassada para os transportadores.
Ora o transportador ou vendedor de leite (leite spot) devem ter uma relação comercial c/o processador; mas a qualidade do produto colocado no mercado é de inteira responsabilidade da Indústria processadora.
Se vou ao banco e deposito uma nota falsa e no dia seguinte outro cliente vai ao mesmo banco e o banco paga c/ a nota falsa, o responsável é o Banco, não quem depositou a nota falsa.
Não há o que regular. A recepção do leite e seu processamento é inteiramente da Industria.

Ricardo Dangelo Andrade Reis

São João Del Rei - Minas Gerais - Instituições governamentais
postado em 16/05/2013

É engraçado este país.
A mesma classe que brigou para diminuir os valores da IN 62, por que não conseguiria atender a meta, é a mesma que critica a norma, por achar que não prevê o controle de fraudes no leite.
Ora, há muito tempo que convivemos com novos conceitos (paradigmas, para os motivacionais...), como a responsabilidade do produto por quem o fabrica.
Simples: o controle de qualidade da matéria prima que você utiliza é de sua inteira responsabilidade.
E a IN 62, assim como a IN 51, prevê e proíbe a figura do "TANQUEIRO".
Vejam abaixo o item do Anexo IV da IN 62.
9.2.5. Para fins de rastreamento da origem do leite, fica expressamente proibida a recepção de Leite Cru Refrigerado transportado em veículo de propriedade de pessoas físicas ou jurídicas independentes ou não vinculadas formal e comprovadamente ao Programa de Coleta a Granel dos estabelecimentos sob Serviço de Inspeção Federal (SIF) que realizem qualquer tipo de processamento industrial ao leite, incluindo-se sua simples refrigeração.
Por isso, procurem outro bode expiatório, pois o SIF ainda faz sua parte, apesar de suas limitações.

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