Problemas econômicos levam pecuaristas a melhorar produção, segundo o Cepea
Os preços do leite nas diferentes regiões do país se aproximaram em 2001, ao contrário do que vinha ocorrendo nos anos anteriores. Esse fato foi causado, principalmente, pelos problemas que os produtores enfrentaram no ano passado. Um estudo do Cepea (Centro de Estudos Avançados de Economia Aplicada), da Esalq/USP, mostra que os produtores, ao enfrentar as adversidades econômicas, tornaram mais eficiente a produção. Essa melhora na eficiência foi responsável por reduzir a diferença de preços entre as regiões.
De acordo com o levantamento, em janeiro de 2001 a perspectiva era de um bom ano para os produtores, uma vez que os preços haviam terminado o ano anterior em alta. Isso os incentivou a investir na produção para aproveitar o bom momento do mercado. Além disso, o governo havia adotado, em dezembro, medidas para impedir o dumping (exportação por preço inferior ao do mercado interno) promovido por produtores estrangeiros. Com essa decisão, o volume de importações de leite e derivados caiu 60%, deixando mais espaço no mercado interno para o produtor nacional.
O cenário, segundo o estudo, começou a mudar com a alta do dólar. A desvalorização do real aumentou os custos de produção, já que insumos como adubos e inseticidas são importados. Outro duro golpe foi o racionamento de energia, que inibiu o consumo de leite longa vida e de derivados. Com produção maior e baixo consumo, os preços caíram drasticamente a partir de julho, recuando 26,87% entre aquele mês e dezembro. "Isso apenas piorou a situação dos produtores, que, além de não conseguirem vender, estavam pagando mais caro pelos insumos", disse o engenheiro agrônomo Leandro Ponchio, autor do estudo. "O bom disso tudo, porém, é que alguns laticínios conseguiram exportar, aproveitando os preços competitivos dos produtos brasileiros".
Ponchio lembra, entretanto, que ainda são poucos os laticínios e os produtores que têm condições de exportar. A relativa falta de estrutura do setor foi o que permitiu que a produção excedente brasileira não fosse escoada e derrubasse os preços internos.
Goiás
De acordo com o estudo, Goiás se consolidou como o segundo maior Estado produtor do país, atrás apenas de Minas Gerais. O grande número de leilões no ano passado contribuiu para o crescimento.
Muitos produtores de São Paulo e de Minas Gerais, bastante afetados pelos aumentos dos custos de produção, abandonaram seus plantéis e transferiram o rebanho para fazendas em Goiás, Mato Grosso, Rondônia e Tocantins.
Sem contar que o Estado também foi um dos que menos sofreram com a alta do dólar, uma vez que praticamente toda a sua produção é de pasto e não demanda muitos insumos importados. O contrário acontece nos Estados do Sul e do Sudeste, principalmente em São Paulo, onde a maior parte do rebanho é confinado.
Fonte: Folha De S.Paulo (por José Sérgio Osse), adaptado por Equipe MilkPoint
Eficiência nivela os preços do leite no País
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