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AGRONEGÓCIO: Conceitos e Preconceitos

Por Paulo Varela Sendin
postado em 17/11/2009

3 comentários
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"Se não conheces os nomes, perde-se também o conhecimento das coisas." (Lineu)

Um dos conceitos econômicos mais injustiçados da atualidade tem sido o do Agronegócio. Mesmo profissionais que têm por obrigação o adequado trato com palavras e conceitos, como os Jornalistas, muitas vezes usam esse termo de forma inadequada.

Em recente matéria sobre Biodiesel publicada pela Folha de S. Paulo, o subtítulo utilizado dizia "Agronegócio domina a produção", com o objetivo de informar que a maior parte do biodiesel produzido no Brasil tem origem nas grandes empresas e não nos empreendimentos familiares como seria a intenção dos programas governamentais.

O redator da matéria, intencionalmente ou não, se deixou levar pelo uso pseudo-ideológico do termo Agronegócio, como se o mesmo fosse aplicável apenas à grande produção agroindustrial.

Essa equalização entre o termo estritamente técnico "Agronegócio" com seu indevido uso ideológico, onde se pretende que signifique "as grandes empresas" ou "as multinacionais", ou qualquer coisa de que algum ideólogo rançoso não goste, é totalmente incorreta.

Agronegócio é um conceito definido na década de 50 do século passado (ou seja, tem mais de 50 anos...) e inclui a produção agropecuária propriamente dita, a fabricação de insumos e equipamentos, o processamento e comercialização de matérias primas agrícolas, etc, etc... e sua aplicação não depende do tamanho do empreendimento. Mesmo um produtor de subsistência, ao levar ao mercado um frango ou algumas espigas de milho verde, está tecnicamente inserido no Agronegócio.

Assim, os agricultores familiares que se deram mal na produção de mamona para Biodiesel, foco da matéria citada, se enquadram tão bem no correto conceito de Agronegócio quanto uma grande plantação de soja ou uma usina de álcool...

Seria interessante que os meios de comunicação adotassem o conceito correto de Agronegócio, até para contribuir para a "educação" de seus leitores e ouvintes, evitando que os mesmos fossem enganados com o discurso vazio contra o "Agronegócio", como se este fosse um setor criminoso a ser erradicado da sociedade brasileira.

De fato, ser contra o "Agronegócio", é tão ridículo quanto ser contra o PIB - Produto Interno Bruto ou contra o "Setor Industrial" ou qualquer outro conceito que apenas classifica os fenômenos econômicos.

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Comentários

Enaldo Oliveira Carvalho

Jataí - Goiás - Consultoria/extensão
postado em 17/11/2009

A falta de lideranças rurais no meio político, desde as câmaras municipais, passando pelas assembleias legislativas estaduais até a camara federal, tem deixado espaço para que pessoas de outros segmentos da sociedade, sem conhecimento de causa ou por viés ideológico, imponham suas opiniões e conceitos.

A antiga imagem do Jeca-Tatu, ingenuamente descrita por Monteiro Lobato, estigmatizou por muito tempo a imagem do homem interiorano, como símbolo de atraso, que só veio a se desvencilhar com o desenvolvimento tecnológico da agricultura e que fez do Brasil um grande produtor e exportador de alimentos.

Torna-se necessário esclarecer para toda sociedade que agronegócio compreende todos os segmentos da cadeia produtiva. Isso vale principalmente para os jornalistas e lembrá-los que arroz não é produzido em árvores de reservas extrativistas, e o leite antes de chegar à gôndola do supermercado, embalado na caixinha, foi produzido por uma vaca de uma determinada fazenda, seja familiar ou empresarial. Tudo isso é Agronegócio.

Thomaz Jasso Neto

Araraquara - São Paulo - Produção de leite
postado em 17/11/2009

Excelente comentário. Porém, quando acordamos, percebemos que estamos no Brasil, um país grande e bobo, que têm vergonha de ser rural ou "caipira". A mídia urbanóide ainda está na época que fazendeiro é aquele ser matuto e extrativista, alienado a qualquer tipo de tecnologia. Para eles, o politicamente correto é ser um "agricultor" engajado em algum tipo de movimento social como MST, MTST e demais.

Richard James Walter Robertson

Rio Verde de Mato Grosso - Mato Grosso do Sul - Consultoria/extensão
postado em 18/11/2009

É a infeliz e velha máxima: Quem cala, consente.
Se nós produtores não estivermos na mídia para colocar os termos corretos, os "outros" o farão.

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